Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

JORNAL DE DEBATES > MÉXICO

Abuso contra jornalista ganha inquérito especial

20/04/2006 na edição 377

A Suprema Corte do México autorizou dois respeitados magistrados a investigar se funcionários governamentais violaram os direitos civis da jornalista Lydia Cacho, presa em dezembro de 2005. Esta é apenas a quarta vez na História do país em que a Justiça autoriza uma investigação desta natureza, e a primeira em que a vítima em questão sobreviveu para contar a história.


Lydia, colunista das revistas Tentaciones e Día Sete e diretora de uma organização de proteção à mulher, foi presa em Cancún e levada em uma viagem de 20 horas de carro até Puebla para responder a acusações de difamação. A jornalista havia publicado um livro sobre pornografia e prostituição infantil, onde alegava que o importante empresário Jean Succar Kuri teria sido protegido de acusações por abuso sexual de crianças por interesses políticos e empresariais. A acusação de difamação sofrida por ela, entretanto, veio do magnata do setor têxtil Jose Camel Nacif Borge, que tem seu envolvimento com Kuri citado no livro.


Credibilidade


Analistas vêem a decisão do Supremo como uma tentativa de reverter a impressão de que os tribunais mexicanos são corruptos e propensos a ceder a pressões políticas. ‘Eu acho que é um esforço para tentar ganhar alguma credibilidade no judiciário’, afirma o historiador Miguel Tinker Salas. ‘A credibilidade do sistema judiciário mexicano é quase nula’.


A formação do comitê especial de investigação do caso de Lydia Cachos foi decidida em uma votação que teve seis votos a quatro. Os quatro juízes que se opuseram argumentaram que os supostos crimes não podem ser comparados aos crimes anteriores que resultaram na criação de comissões especiais. A primeira comissão investigativa do México foi criada para checar um levante militar em Veracruz, em 1879. As comissões mais recentes investigaram os assassinatos de estudantes e de trabalhadores por policiais nos estados de Guanajuato, em 1946, e Guerrero, em 1995. Os juízes favoráveis à comissão justificaram que o caso da jornalista precisa de um inquérito especial pela grande comoção popular que causou. Informações de Nathaniel Hoffman [Knight Ridder Newspapers, 18/4/06].

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