Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

JORNAL DE DEBATES > OI NA TV

Algo começa a acontecer

Por Alberto Dines em 28/02/2007 na edição 422

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Os telejornais desta noite (27/2) estavam encharcados de sangue. Sangue de crianças manchando as mãos de criminosos pouco mais velhos do que crianças, numa rotina duplamente trágica. Mas algo começa a acontecer.


Vinte dias depois, o menino João Hélio venceu a inércia e continua em pauta, emocionando e indignando o país inteiro. É um milagre de persistência, considerando que sobreviveu ao carnaval e superou nossa vocação para a amnésia.


Para esta sobrevivência, triste reconhecer, foram decisivas as bárbaras circunstâncias do assassinato do menino. Mas há outro dado que convém acrescentar: a revolta foi encabeçada pelas mulheres. Foram elas que empurraram o debate para uma esfera muito além da política convencional e até agora jamais alcançada.


Embora não tenham se confrontado diretamente, governo e imprensa estiveram e ainda estão em posições opostas e conflitantes. Porque a imprensa foi tão bem-sucedida na mobilização da sociedade, o governo trancou-se e aferrou-se à questão da diminuição da maioridade penal esquecido do seu papel maior como o narrador das grandes comoções nacionais.


Conviver com as dúvidas


Para compensar a frieza e o distanciamento do mundo oficial, surgiram iniciativas individuais que revelaram o sentido de comunhão e comunidade há muito tempo arquivado. Entre estas iniciativas, a da família de Candido Portinari que abriu mão dos direitos de reprodução de cinco mil obras do nosso maior pintor, desde que utilizadas em mensagens de solidariedade.


A perplexidade do filósofo Renato Janine Ribeiro diante da crueldade que domina a cena brasileira é outro momento de excepcional importância neste episódio. Estamos aprendendo a encarar e conviver com o sofrimento, com as dúvidas.


Por tudo isso, essa é uma quaresma que dificilmente será esquecida. Ela pode marcar o reencontro com a nossa humanidade.

Todos os comentários

  1. Comentou em 24/05/2010 Lucilene Alves

    LEILÃO AA-BNDES 001/2010
    DATA: 27/05/2010 – QUINTA-FEIRA – às 10:00 Hs
    LOCAL DO LEILÃO: HOTEL AMUARAMA, sito na Av. Dep. Oswaldo Studart, 888, Fátima – Fortaleza/CE
    LOCAL DE VISITAÇÃO: Visitação á partir do dia 19/05, no Deposito do Leiloeiro, situado na Rua Bruno Valente, n.º 1195, Serrinha – Fortaleza/CE.

    CATÁLOGO: 05 Caminhões (CARRO FORTE) BLINDADO MERCEDES BENZ LO812, 912, L-1618, anos 1989, 1990, 1991 e 1993 – 04 Motocicletas HONDA/CG 125 TODAY/ CARGO anos 1994/1995 – 04 Carretas Agrícolas CEMAG/F4CS – 01 Roçadeira CEMAG/RP – 01 Grade Aradora SUPERTATU ATCR – 02 Politrizes Acabadora e 01 Cortadeira de Placas.

  2. Comentou em 28/02/2007 Danilo Prociuk

    Israel também mata crinças palestinas e libanesas quase todo dia. Os E.U.A. mata crianças afegãs e iraquianas quase todo dia também. Hipócritas como esse tal de Dines matam de vergonha a classe jornalista.

  3. Comentou em 28/02/2007 Gilberto Farias

    O debate promovido pelo OI na TVE, nessa terça-feira, 27, foi ‘salvo’ pela fala do jornalista da TV Bandeirantes, que teve a coragem e o respeito aos telespectadores, colocando como uma das causas principais da violência a perversa distribuição de renda combinada com a falta de oportunidades e de educação, o que leva a grande maioria de excluídos que se aglomeram, como ratos, em guetos-favelas a buscar seu lugar ao sol da maneira bárbara e desumana ,da mesma maneira como o sistema excludente neoliberal os trata. Nem o filósofo presente se deu a dignidade de mencionar tal questão.Parabéns ao jornalista da TV Bandeirantes que, de maneira inteligente e com poucas palavras, resumiu e explicou o flagelo social no qual estamos estagnados como bestas atoladas. Poder Público, no Brasil, diz respeito a manutenção do privilégio da minúscula nobreza política que se enclausura em seus palácios vigiados 24 horas. O que esperar desse mesmo ‘poder’, a não ser inércia, corrupção e retórica? Nossa ‘democracia’ , ‘liberdade’ e ‘direitos fundamentais do cidadão’ espelham o que se sucedeu em Ruanda.

  4. Comentou em 28/02/2007 Wagner A. Moreno feinho

    Estou supreso a Veja fez materia (2006). A época mais ainda muitas folhas (2007).
    E no dia dia não vejo o povo comentando, nem discutindo. Sera que é pra num falar de mais violência do que falamos e vemos. Sera que o povo não esta sabendo do assunto? Ou sabe e sabe muito e sente que não têm retorno? Estão fazendo que nem o TITANIC a orquestra só para quando molha as cordas!
    O governo cria o PAC pra gastar mais energia e mais desenvolvimento, qual a realidade dos economistas?

  5. Comentou em 28/02/2007 Wagner A. Moreno feinho

    Estou supreso a Veja fez materia (2006). A época mais ainda muitas folhas (2007).
    E no dia dia não vejo o povo comentando, nem discutindo. Sera que é pra num falar de mais violência do que falamos e vemos. Sera que o povo não esta sabendo do assunto? Ou sabe e sabe muito e sente que não têm retorno? Estão fazendo que nem o TITANIC a orquestra só para quando molha as cordas!
    O governo cria o PAC pra gastar mais energia e mais desenvolvimento, qual a realidade dos economistas?

  6. Comentou em 27/02/2007 Mariana Conrado

    O caso do menino João Hélio

    Ao que estou vendo nesse caso é que estão centrando muito no fato do “garoto” que é de menor, o grau da culpa dele, mas estamos esquecendo de ver o que ocasional isso, porque eles chegaram e esse ponto?
    Se eles tivessem recebido uma educação correta teriam chegado a esse ponto?
    Não me refiro a educação que os pais dão, pois muitos pais vivem para trabalhar e sobreviver não tendo muito tempo para os seus filhos e o que podem fazer é dar conselhos os seus filhos, e nem todos tem bons resultado e muitos caem na criminalidade. Mas e o governo, onde estava o governo que não oferece estrutura para nossos jovens terem uma ocupação, com bairros periféricos cada vez maiores, casas após casas e uma escola, não vemos nada voltado para o lazer, nenhum parque, nenhuma quadra, nada voltado para ocupar aquelas crianças que são “obrigadas” a ficarem ao sozinhas enquanto os pais saem para trabalhar de madrugada e voltam tarde da noite e sobrecarregados de problemas não conseguem acompanhar a vida dos filhos. Pais esses que mandam seus filhos para a escola com esperança que vão receber educação escola está que não tem estrutura para receber um aluno, uma professora.

  7. Comentou em 27/02/2007 Monica Fernandes

    Programa 27/02/07
    Gostaria de lembrar que casos como o do menino João acontecem a todos os dias nas comunidades, nos locais sombrios…Será que ninguem nunca ouviu falar do micro ondas das favelas? Será que esqueceram o que aconteceu com Tim Lopes e tantos outros? Tb me comovo quando ouço a história de Joâo mas me incomoda o fato da sociedade achar um escandalo / novidade e se esquecer de tantos outros, principalmente crimes pólíticos contra colarinhos brancos que estão na impunidade. É preciso que a Justiça realmente aconteça. Punição para que as pessoas pensem melhor antes de praticar o crime. Punição para todos: ricos ou pobres, que utilizamo ECA ou não!

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