Terça-feira, 25 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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CADERNO DO LEITOR > GUERRA NO IRAQUE

Argamassa e hipocrisia

27/04/2004 na edição 274

A História conta as lágrimas de um povo, a derrocada de conceitos e o surgimento de pensamentos. A estória, a versão política disso tudo. Presumo que não terei tempo de vida o bastante para ver a História processar a história dessa guerra conceitualmente atravessada e sistematicamente esculpida palavra por palavra pela força bélica dos líderes americanos. (Aliás, convém à mídia passar a usar este identificador em vez do generalizador ‘americanos’ ou ‘EUA’, para que a História não incorra em erros futuros.)

Um dia, sob a dor que o peso do tempo impõe à consciência coletiva, e a da força da lógica ao limbo que os próprios homens fazem nascer nas paredes que separam a verdade da mentira, saberemos que os líderes americanos foram evidentemente coniventes com a falácia das torres gêmeas, em 11 de setembro. Não será mais absorvível a idéia de uma sociedade tão crescida em tecnologia, mormente de informação e capacidade de espionagem, ter aceitado o fator surpresa no infeliz evento. E que seus superiores tenham conseguido impor ao mundo essa mesma aceitação, usando para isso o espírito de fraternidade, que a proximidade do fim de ano normalmente vai pintando nas mentes dos ocidentais, e o senso de comiseração que uma catástrofe de tal naipe normalmente pinta na opinião pública mundial.

Dentro de limites técnicos, filosóficos e interesseiros, a mídia faz a sua parte. Os historiadores, a deles. Assim como as camadas de terra procuram sua posição natural no subsolo, não obstante provocarem tremores fatais, a História procura sua posição natural na grande lógica da vida, não obstante provocar grandes tremores na individualidade de líderes insanos. Assim tem sido com os cristos ao longo dos séculos; assim ‘está quase sendo’ com Tancredo; assim será com as torres gêmeas. O tempo é argamassa da História; a hipocrisia, da estória.

Sérgio dos Santos, redator/revisor, São Paulo

Iraque liberta 2 jornalistas franceses, 3 tchecos e um japonês – Monitor da Imprensa



ORIENTE MÉDIO
A mídia atrapalha a paz?

A imprensa mundial de uma certa forma atrapalha o plano de paz entre judeus e palestinos? Será que o aumento crescente de homens e mulheres-bomba se deve também pelo fato de a mídia estar sempre divulgando de forma cinematográfica essas barbáries? Será que os palestinos colocariam suas crianças na frente dos tanques de guerra israelenses se não houvesse tal divulgação?

Rogério Romani, chefe de pessoal, São Paulo

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