Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

JORNAL DE DEBATES > DESABAMENTO NO METRÔ

As formigas e os rinocerontes

Por Jorge L. M. Lima em 16/01/2007 na edição 416

Nós, apelidados neocríticos da mídia, vimos nos batendo contra a parcialidade da mídia há quase dois anos. Nada mudou nesse período. A parcialidade continua a mesma, tal como provam os recentes episódios da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o deputado Raul Jungmann e o desabamento de parte de um túnel do metrô de São Paulo que resultou em diversas mortes.


Tenho acompanhado as reportagens sobre os dois fatos. Em tudo o que li, ouvi e assisti a mídia tem se pautado pela sobriedade e pelo tecnicismo dos textos. No caso do deputado, fervoroso defensor da ética e furibundo acusador nas recentes CPIs que ocuparam grandes espaços na mídia, as reportagens primam pelo respeito à presunção da inocência. O que, aliás, é a única conduta compatível com o primado da Constituição da República, que inscreveu a presunção da inocência como um dos direitos fundamentais de todos os cidadãos brasileiros. Sequer o fato de a denúncia ter sido oferecida pelo Ministério Público Federal é realçado pela mídia. O que nos traz a lembrança o fato de que outros foram alçados à condição de ‘inimigo público número um’ por acusações bem menos fundamentadas.


Lembranças de Rauzito


No caso do metrô de São Paulo ocorre um fenômeno um tanto diverso. O estado de São Paulo não tem governador nem secretários conhecidos. O município de São Paulo não tem um prefeito conhecido. Nas duas esferas é administrado por ‘autoridades’ inominadas e apartidárias. Ninguém menciona o ‘tucano’ José Serra e o ‘pefelista’ Gilberto Kassab. Tampouco se questiona o fato de que os técnicos do metrô paulista não têm qualquer ingerência sobre a malfadada obra.


Bem diferente, por exemplo, do que se leu, ouviu e assistiu por conta do denominado ‘apagão aéreo’. Na ocasião a culpa era do Ministro da Defesa, e do Presidente da República por extensão. Sendo, ou pelo menos procurando ser, justo, esclareço que essas constatações não são minhas, mas de internautas que postaram comentários a um texto de Alberto Dines, neste Observatório.


Então, diante dos fatos, sou obrigado a render-me à constatação de que nós, os neocríticos da mídia, sofremos de megalomania. Nós somos como formigas tentando ferroar um rinoceronte. Não conseguimos nem irritá-lo. O que, pensando bem, é uma coisa boa. Porque, parafraseando Raul Seixas, ‘a mídia como um rinoceronte eu vejo/ quando se cansa das formigas, se livra delas num sacolejo’.

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Policial civil, graduado em Direito e pós-graduando em Segurança Pública e Direitos Humanos, São Pedro do Sul, RS

Todos os comentários

  1. Comentou em 16/01/2007 Marco Tognollo

    A parcialidade da mídia é tanta que virou motivo de piada. Quanto ao caso do Raul Jungmann, o mesmo que se acha ‘a luz das estrelas’ e não passa de um demagogo, não se poderia esperar nada além disso. O Estadao, por ex., deu a notícia em uma pequena nota, embora tenha dito que as acusacoes da Procuradoria da República são pertinentes e, citou poucos termos utilizados na denúncia. Consta que como uma quadrilha para assaltar cofres públicos. No entanto, nem uma referenciazinha na primeira página. A imprensa não irá repercutir esse caso de jeito nenhum, pode ter certeza. Até o nome da jornalista envolvida omitem, sendo que ela é esposa do Ricardo Noblat.
    Pior, Raulzito – o Jungmann, nao o Seixas – disse que se for encontrado 1 real em sua conta ele renuncia. Ora, alguem guarda dinheiro de corrupcao em conta própria. Além do mais, se for culpado, nao tem de renunciar coisa nenhuma. Tem é de ser cassado o seu mandato.

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