Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > COPA DO MUNDO

As manchetes que não queríamos ler

Por José Meirelles Passos, de Johannesburgo em 06/07/2010 na edição 597

Como era de se imaginar, os grandes jornais da África do Sul deram mais destaque ontem à eliminação de Gana do que à do Brasil.

‘África chora’, dizia a manchete do Mail&Guardian. O City Press optou por uma agressividade irônica, referindo-se ao fato de o atacante uruguaio Suárez ter cometido o pênalti que salvou a sua seleção: ‘A mão que roubou a África’. Mas o restante da imprensa internacional destacou a vitória holandesa, enaltecendo a virada dos Laranjas e criticando a europeização do estilo brasileiro desde a Copa de 1994. Dunga, Júlio César e Felipe Melo foram eleitos os vilões.

A eliminação do Brasil foi vista, basicamente, como a despedida de um estilo de futebol que começava finalmente a renascer.

O City Press disse que o primeiro tempo serviu para ‘provar mais uma vez porque o futebol é frequentemente chamado de ópio do povo’, pela forma como os jogadores demonstraram à platéia ‘que o jogo pode ser bonito’.

Jornais holandeses otimistas Definidos por esse jornal como ‘os aristocratas do futebol sul-americano’, os atletas brasileiros — também descritos como ‘os reis do samba’ — perderam de forma inexplicável, para o seu cronista, ‘a sua criatividade, à medida em que seus ombros foram se curvando’.

Sob o título ‘Os rapazes glamurosos do Brasil caíram fora da Copa do Mundo’, o Mail&Guardian disse que ‘eles foram colocados contra a parede’, e embora tenham tentado responder, com dez homens, ‘a Holanda prevaleceu’.

‘Sneijder samba’

A imprensa holandesa, por sua vez, ressaltou a euforia que tomou conta do país, até então cético com os últimos confrontos entre as seleções. Após a vitória contra o time de Dunga, todos mostram confiança que a equipe do técnico Bert van Marwijk pode conquistar o inédito título mundial.

O jornal Algemeen Dagblad dedicou um grande espaço à partida com a manchete: ‘A Laranja pode crer em um título mundial’, e destacou a ‘potência de campeões’ que sua seleção apresentou contra o Brasil, em um otimismo raramente mostrado. Já o diário De Telegraaf tratou o resultado como ‘um milagre’, que fez a Holanda superar a ‘síndrome Brasil’.

O De Volkskrant, não creditou a classificação à semifinal a algo divino, mas a uma nova postura do time: ‘Com personalidade, vencemos o Brasil’.

O treinador Bert van Marwijk ganhou elogios: ‘consequente, tranquilo, tático, simpático, trabalhador e crítico’.

O argentino Olé, tradicionalmente debochado quando o assunto é o Brasil, estampou uma foto de Kaká com as mãos no rosto e a manchete ‘Compra um LCD’, insinuando que o Brasil verá o resto da Copa pela TV.

O uruguaio El País fez uma análise mais imparcial. Com o título ‘O dunguismo acaba com o Brasil’, o periódico critica a ‘europeização’ do futebol brasileiro após a Copa de 1994, e diz que Dunga era um jogador ‘bronco e sem luzes nos pés’.

O italiano La Gazetta Dello Sport noticiou: ‘Que surpresa! Passa a Holanda’ na capa cuja manchete é ‘Sneijder samba’. Júlio César é citado por sua falha no primeiro gol e Felipe Melo por sua expulsão.

Já o espanhol Marca se mostra aliviado e confiante: ‘Nos livramos do Brasil na final.’

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