Domingo, 22 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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JORNAL DE DEBATES >

As tolices do comentarista

Por Heitor Reis em 07/04/2009 na edição 532

No Jornal das 10, da GloboNews de hoje (30/03/2009), Carlos Alberto Sardenberg analisou as manifestações contra a crise que ocorreram nas grandes cidades do país, dirigindo-se informalmente ao apresentador do programa, André Trigueiro, da seguinte forma, que cito de memória:

‘Pensando bem, André, estas manifestações não fazem sentido algum! Será que há alguém que não seja contra a crise?’

Será que ele não sabia que o maior objetivo das manifestações era demonstrar que o trabalhador brasileiro não quer pagar pela crise provocada pela ganância e incompetência dos donos do capital? Ou ele ganha para minimizar qualquer manifestação organizada dos movimentos sociais?

Mas parece que esta outra crise, desta feita de caráter e de jornalismo, atacou não apenas o Sardenberg, contando com a omissão tácita de André Trigueiro, professor no curso de pós-graduação em comunicação da UFRJ.

Não encontrei um único grande veículo de comunicação brasileiro, na rede mundial de computadores, que mencionasse as reivindicações dos trabalhadores. Pesquisei os palavras de ordem descritas no sítio do PCdoB:

‘A crise não é nossa.’ ‘Os trabalhadores não vão pagar pela crise.’ Foram esses os motes dos atos pelo emprego e contra a crise econômica que as centrais sindicais (Força Sindical, CUT, CGTB, Nova Central, UGT e CTB) realizaram em todo o país nesta segunda-feira (30/3). [ver aqui]

Demonstração de má-fé

Ao que tudo indica, Sardenberg é um jornalista diplomado e, teoricamente, deveria expressar as ‘condições mínimas de ética e qualidade de informação para a sociedade’, como defende a Fenaj – federação nacional da categoria, como sendo naturalmente as habilidades de quem houvesse cursado o ensino superior que ministra esta formação. Idem para André Trigueiro.

Se eles são nossos mais bem conceituados jornalistas, imagine como devem ser os outros! Mas, por outro lado, para se trabalhar na Globo e na grande imprensa, a pessoa deve ser capaz de manipular a informação com naturalidade e segurança tais que possa convencer os incautos de que se trata de uma análise séria e confiável. Perseu Abramo conclui, assim, que a mídia é inimiga do povo brasileiro e eu percebo, por este e outros inúmeros exemplos diários, que os jornalistas que para ela trabalham, nada mais são que canalhas a soldo deste exército que visa manter nosso povo na ignorância de sempre. É o poder de poder fazer a cabeça da massa ignara…

Portanto, não trabalhar na Globo e suas concorrentes, antes de ser um elogio ao caráter do profissional, é um demérito e uma demonstração de má-fé por parte do profissional. Como toda regra, aqui também encontramos as raras, santas, imaculadas e gloriosas exceções… Mais detalhes em ‘Trabalhar na Globo é crime!’ e em ‘O que a Band esconde?

Ética e qualidade

Incapaz de perceber um milímetro à frente de seu nariz, grande parte da população, em pesquisa superficial sobre o assunto, considerou que o diploma de jornalismo é fundamental para uma boa notícia, desconhecendo que somente uns poucos países, distantes do primeiro mundo, o exigem. Fato este sonegado, convenientemente, durante a pesquisa e não disponibilizado ao entrevistado.

‘De fato, hoje, a formação superior em jornalismo não é condição necessária para se exercer a profissão em países como Alemanha, Austrália, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Irlanda, Itália, Japão e Suíça. O diploma é exigido apenas na África do Sul, Arábia Saudita, Colômbia, Congo, Costa do Marfim, Croácia, Equador, Honduras, Indonésia, Síria, Tunísia, Turquia e Ucrânia’ [ver aqui].

Vamos ver se a talvez, quem sabe, possível, Conferência Nacional de Comunicação coloca uma luz sobre a manipulação da informação, seja por jornalista diplomado ou não, criando mecanismos para proteger o profissional da escravidão intelectual à qual é submetido impunemente pelo patrão.

Somente assim, teremos informação com o mínimo de ética e qualidade para a sociedade, como defende a Fenaj.

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Engenheiro civil, militante do movimento pela democratização da comunicação e em defesa dos Direitos Humanos, membro do Conselho Consultor da CMQV – Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida (www.cmqv.org) e articulista

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