Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

JORNAL DE DEBATES > JORNALISMO CIDADÃO

Blogosfera denuncia escândalos na China

03/07/2007 na edição 440

O jornalismo-cidadão consegue, aos poucos, driblar a censura e furar a mídia tradicional na China, noticia François Bougon [AFP, 25/6/07]. No exemplo mais recente, um abaixo-assinado que já circulava há alguns meses, feito por 400 pais de crianças que trabalhavam sob regime de escravidão em fábricas de tijolos, foi finalmente divulgado em blogs. Todas as crianças haviam sido seqüestradas e vendidas. A denúncia na internet levou a mídia nacional a finalmente divulgar o escândalo e o governo, a investigar o caso.

Outro episódio que mobilizou a blogosfera foi o de um casal da cidade de Chongqing que ficou conhecido no país por se recusar a deixar o apartamento onde vivia até que a empresa que queria usar o terreno para construir um grande empreendimento imobiliário pagasse uma indenização adequada. Nas últimas duas semanas, também se espalharam pela rede imagens de incidentes envolvendo vendedores ambulantes e a polícia nas cidades de Chongqing e de Zhengzhou – eventos deste tipo, em geral, não têm espaço na grande mídia.

Comunicação (nem tão) alternativa

A blogosfera, em que minorias se sentem confortáveis para postar reclamações ou denúncias, é um fenômeno crescente na China. ‘Os blogs são uma nova plataforma para disseminar informações’, afirma o dissidente Liu Xiaobo, um dos líderes estudantis dos protestos pró-democracia da Praça da Paz Celestial, em 1989.

Mesmo com tais exemplos de liberdade de expressão na rede, Julien Pain, da organização Repórteres Sem Fronteiras, não é tão otimista. ‘Não se pode dizer que a internet na China está se tornando mais livre, porque ao mesmo tempo em que se desenvolve o jornalismo-cidadão, o governo encontra maneiras de filtrar ou censurar o conteúdo online’, diz. O próprio sítio da organização em língua chinesa, lançado em maio deste ano, foi por duas vezes bloqueado pelas autoridades. Segundo dados da Repórteres Sem Fronteiras, que classificou o governo chinês como ‘inimigo da rede’, há, atualmente, 50 ciberdissidentes presos na China.

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