Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

JORNAL DE DEBATES > INTERNET

Blogueiros mais perto do reconhecimento jornalístico

12/01/2007 na edição 415

Quando o julgamento de Lewis Libby, ex-chefe de gabinete do vice-presidente dos EUA, tiver início na próxima semana, um batalhão de jornalistas deve se aglomerar em frente ao tribunal federal de Washington. Apenas 100 deles, entretanto, poderão ocupar os lugares reservados à imprensa. A novidade é que, pela primeira vez em um tribunal federal, dois destes lugares serão reservados a blogueiros.


Após dois anos de negociações com membros do sistema judiciário americano, a Media Bloggers Association, um grupo que conta com cerca de mil associados e tenta ampliar os poderes da imprensa aos blogueiros, ganhou credenciais para revezar seus membros nas audiências. Segundo o presidente da associação, Robert Cox, o julgamento de Libby pode representar um momento de vitória dos esforços dos blogueiros para ganhar respeito e acesso em tribunais federais e estaduais.


A permissão, entretanto, não necessariamente torna mais clara a pouco definida linha que separa blogueiros de profissionais da imprensa tradicional, afirma Alan Sipress, em artigo no Washington Post [11/1/07]. Enquanto muitos jornalistas não aceitam a comparação de blogueiros a eles, muitos blogueiros rejeitam ser comparados aos jornalistas tradicionais. Os que ficam no meio concordam que blogueiros que se dispõem a fazer um trabalho jornalístico devem respeitar as práticas básicas da atividade, como verificar os fatos, procurar ouvir os dois lados de uma história e submeter o texto a algum tipo de edição.


Com responsabilidade, blogueiros podem ser valiosas fontes de informação. ‘Blogueiros podem se aprofundar em assuntos que são cobertos mais superficialmente por organizações tradicionais de mídia, por causa de limitações de espaço e tempo’, afirma Sheldon Snook, assistente administrativo do juiz federal Thomas F. Hogan.


Processos por difamação


Sem senso de responsabilidade, entretanto, a previsão de especialistas de mídia é que o número de blogueiros deve aumentar nos tribunais não só nos lugares reservados à imprensa, mas também no banco dos réus. Muitos blogueiros parecem ainda não ter se dado conta da visibilidade que suas páginas têm, e não percebem que seus escritos podem ter conseqüências legais.


De acordo com o Media Law Resource Center, 69 processos já foram abertos contra blogueiros nos EUA, incluindo uma ação de US$ 1 milhão contra Lance Dutson, blogueiro do Maine que acusou o departamento de turismo do estado de gastar dinheiro dos contribuintes em uma campanha promocional. A agência publicitária que desenvolveu a campanha processou o blogueiro por difamação e infração de direitos autorais, mas acabou retirando as queixas.


Educação


Até hoje, a maioria dos casos abertos contra blogueiros não chegou a ir a julgamento. Ainda assim, para prevenir que o número de ações aumente, Cox lançou uma iniciativa de educação online para elevar os padrões de seus membros. Ele também planeja estimular a criação de uma série de ‘blogueiros de elite’. Para tanto, negocia com a escola de direito de Harvard sobre a possibilidade de cursos online em parceira com o Berkman Center for Internet & Society. O Instituto Poynter de estudos de jornalismo também ministraria cursos sobre a relação entre mídia e justiça.


‘A história do caminho dos blogs ainda não está definida. Ela pode ir em uma direção muito positiva ou pode ir em uma direção negativa’, diz. ‘Nós temos que fazer mais do que simplesmente esperar para ver o que acontece’.

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