Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

ENTRE ASPAS > MERCADO EDITORIAL

Boletim Prometheus

13/10/2005 na edição 350


‘Um estudo coordenado pelos economistas Fabio Sá Earp (UFRJ) e George Kornis (Uerj) revela elementos importantes para entendermos a crise do mercado editorial brasileiro e sua fragilidade frente às investidas das grandes corporações globais.


‘A economia da cadeia produtiva do livro’ é resultado desse estudo realizado pelo Grupo de Pesquisa em Economia do Entretenimento do Instituto de Economia da UFRJ, entre março e outubro de 2004, encomendado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na gestão Carlos Lessa, com o objetivo de buscar soluções para baratear e difundir o livro no país.


Para realizar a pesquisa o grupo sistematizou e analisou dados registrados pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pela consultora internacional Euromonitor, complementada com entrevistas realizadas com editores e donos de gráficas.


Sintomas da crise


O estudo demonstra que houve uma queda no número de títulos editados por ano no Brasil. A produção, que vinha crescendo ano a ano, entre 1992 e 1997, entrou numa curva descendente a partir de 1998: em 1997 as editoras mandaram para as prateleiras das livrarias 52 mil títulos novos; em 2003 esse número foi reduzido para 36 mil.


A crise refletiu diretamente no número de empregos no setor. Em 1997 as editoras empregavam cerca de 20 mil pessoas (somando aos temporários chegavam a quase 25 mil); em 2003 o número de funcionários ficou próximo de 15 mil (junto com os temporários somavam aproximadamente 20 mil), sinalizando uma queda de 5 mil postos de emprego em 6 anos.


Contudo, o dado mais representativo está na contradição entre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 1996 e 2003, que chegou a 16%, com a queda pela metade nas vendas das editoras no mesmo período.


Vulnerabilidade do mercado brasileiro


Para os pesquisadores, as aquisições e fusões registradas nos últimos meses são elementos característicos da fragilidade que o mercado vem passando.


Esses movimentos também indicam uma fase de globalização do mercado brasileiro, facilitada pela inexistência de barreiras à entrada de empresas estrangeiras agravada pelo fato de as empresas estarem descapitalizadas. Nessa situação nenhuma empresa editorial tem condições de resistir ao assédio das estrangeiras, sejam elas grandes ou pequenas.


Nos últimos meses algumas aquisições movimentaram o mercado:


* A editora espanhola Santillana, que havia adquirido anteriormente a editora Moderna – dedicada a livros didáticos -, comprou 75% da Objetiva;


* A Ediouro comprou 50% da Nova Fronteira;


* Paralelamente às aquisições, o maior grupo editorial do mundo, a Bertelsmann (alemã) vem negociando com a Record (maior grupo nacional em publicações de obras gerais).


Para entender a dimensão do mercado global, o significado desses últimos movimentos e a vulnerabilidade das editoras brasileiras basta comparar a receita e o número de funcionários das principais editoras do mundo com o mercado brasileiro em 2002:


* Bertelsmann – 9 bilhões de dólares, 80 mil funcionários;


* Thompson – 7,7 bilhões de dólares, 42 mil funcionários;


* Pearson – 6,5 bilhões de dólares, 30 mil funcionários;


* Vivendi – 5,3 bilhões de dólares, 28 mil funcionários;


* Mercado brasileiro (todo) – 900 milhões de dólares, 22 mil funcionários.


Reforçando essa tese de internacionalização, Fabio Sá Earp e George Kornis afirmaram em debate na gráfica Minister, no Rio de Janeiro, que o mercado brasileiro está passando por uma fase de concentração e de pré-conglomeração, em que uma editora nacional compra outra(s) menor(es) para alcançar escala necessária para sua compra por uma maior estrangeira.


Dentro dessa lógica, um caso que merece ser observado é o do grupo Record, que vem flertando com a Bertelsmann. A Record incorporou na última década editoras importantes como Bertrand Brasil (1996), Civilização Brasileira (2000), José Olympio (2001) e Best Seller (2004). O grupo conta ainda com os selos Record, Rosa dos Tempos, Nova Era e Difel.


As pomposas bienais do livro e as fantásticas vendagens de um número reduzido de títulos encobrem a realidade do mercado editorial brasileiro. A imagem de um mercado grandioso cercado de glamour e de sucesso dá lugar às estatísticas pessimistas e perspectivas sombrias diante da crise e da tendência de monopolização do mercado.


? ‘A economia da cadeia produtiva do livro’ pode ser encontrada em http://www.bndes.gov.br/conhecimento/ebook/ebook.pdf


? Uma outra versão da pesquisa, mais enxuta, incorporando novos dados e propostas para baratear o custo do livro no Brasil, está disponível em http://www.ie.ufrj.br/publicacoes/discussao/a_economia_do_livro_a_crise_atual_e_uma_proposta_de_politica.pdf’



MÍDIA & TECNOLOGIA


Folha de S. Paulo


‘Apple lança iPod vídeo e download de seriado’, copyright Folha de S. Paulo, 13/10/05


‘A Apple lançou ontem um iPod com capacidade para reproduzir arquivos de vídeos, além de música. Ao mesmo tempo, a empresa passará a oferecer vídeos de música, filmes curtos e programas de televisão para download na loja virtual iTunes.


Os lançamentos da Apple são um passo importante na direção de popularizar os aparelhos portáteis de vídeo. Outras marcas já oferecem tocadores de vídeo, mas a novidade ainda não ‘pegou’ devido ao limitado conteúdo disponível (legalmente) para download na web e à dificuldade de transferir os arquivos aos aparelhos.


Alguns analistas esperam que o iPod com vídeo tenha efeito semelhante ao que teve o iPod original ao facilitar a compra on-line e o uso dos tocadores de MP3.


Um trunfo importante da Apple, também anunciado ontem, é a parceria com a Disney e com sua afiliada ABC (rede de televisão). A loja iTunes oferecerá episódios dos popularíssimos seriados de TV ‘Desperate Housewives’ e ‘Lost’, exibidos no Brasil na TV a cabo, por US$ 1,99 (R$ 4,45), um dia depois de passarem na TV.


O iTunes terá também cerca de 2.000 clipes musicais, seis filmes curtos da Pixar e três outros programas de TV da ABC, todos por US$ 1,99 cada. Os downloads só estarão disponíveis nos Estados Unidos, por enquanto.


Os iPods têm capacidade de 30 GB e 60 GB (até 15 mil músicas, 25 mil fotos ou 150 horas de vídeo) e vêm nas cores branco e preto. Eles custarão US$ 299 (R$ 668) e US$ 399 (R$ 891), respectivamente.


Os novos aparelhos oferecem suporte para o formato de vídeo ‘protegido’ da Apple, que impede que sejam feitas cópias, e também para o formato MPEG 4, mais comum, o que possibilita ao usuário assistir a vídeos caseiros ou adquiridos fora do iTunes.


‘Eu acho que isso é o início de algo realmente grande. Às vezes, o primeiro passo é o mais difícil, e nós acabamos de tomá-lo’, disse Steve Jobs, presidente da Apple.


Uma das limitações do novo iPod, apontada por analistas, é a tela pequena, de 6,4 cm. Não se sabe se assistir a programas de televisão completos em uma tela tão pequena será bem aceito; alguns especialistas já dizem que as próximas versões do iPod devem ter telas maiores.


Computador


A Apple também apresentou ontem a nova linha de computadores pessoais iMac, que virão com controle remoto e podem servir como ‘centro de entretenimento’ -para assistir filmes, escutar música e disputar jogos.


Os iMacs vêm com tela de 17 polegadas (US$ 1.299 ou R$ 2.902) ou 20 polegadas (US$ 1.699 ou R$ 3.796). Com eles, a Apple tenta tomar a dianteira no mercado de ‘computadores para a sala de estar’, segmento que deve ter crescimento acelerado nos próximos anos, segundo analistas.


A Apple anunciou anteontem que seu lucro quadruplicou no terceiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar da alta, as ações da empresa caíram 10% após o fechamento do mercado anteontem porque analistas esperavam uma venda maior de iPods. As ações da Apple caíram 5,3% ontem e fecharam cotadas a US$ 48,88. (Com agências internacionais)’



O Globo


‘iPod com vídeo, a nova tacada da gigante Apple’, copyright O Globo, 13/10/05


Og, 13


‘A Apple Computer anunciou ontem uma nova versão do iPod, que também passará a receber vídeos. A empresa fechou uma parceria com a Walt Disney, que permitirá aos usuários o acesso a seriados de sucesso da televisão americana.


O novo iPod possui tela de 2,5 polegadas e memória de 30 ou 60 gigabytes. O equipamento é capaz de armazenar até 150 horas de vídeo. Os preços vão de US$ 299 a US$ 399.


Como parte do acordo com a rede ABC, que pertence ao grupo Disney, os consumidores do novo iPod poderão fazer download de cinco programas de TV, como Lost e Desperate Housewives .


Os usuários poderão ter acesso aos episódios das temporadas atuais já no dia seguinte à exibição normal na rede de televisão. Os programas estarão disponíveis para compra na loja virtual iTunes.


Toda a primeira temporada dos dois seriados estará à venda imediatamente, junto com o lançamento do produto. Os programas de TV ficarão disponíveis apenas nos Estados Unidos e custarão US$ 1,99 por episódio, sem comerciais. A loja virtual iTunes venderá também videoclipes por US$ 1,99 cada e curtas-metragens do estúdio Pixar.


Mais de 28 milhões de iPods vendidos desde 2001


A Apple já vendeu mais de 28 milhões de iPods desde outubro de 2001. A participação da empresa no mercado de tocadores de música digital é de 75%. Ontem, a empresa anunciou também um computador iMac com controle remoto, que permite acesso a música, fotos e filmes.’



INTERNET


Folha de S. Paulo


‘Microsoft e Yahoo! terão parceria em mensagens’, copyright Folha de S. Paulo, 13/10/05


‘A Microsoft e o Yahoo! anunciaram ontem uma parceria que possibilitará aos usuários de seus respectivos serviços gratuitos de mensagem instantânea -conhecidos como ‘messenger’- que se comuniquem entre eles, algo hoje inviável, uma vez que os sistemas são incompatíveis.


Em comunicado conjunto, as duas companhias disseram que o serviço de interconexão deve começar a funcionar em junho de 2006. O anúncio ocorre semanas após outro gigante do setor de internet, o Google, lançar seu próprio ‘messenger’, em agosto.


A parceria permitirá às duas empresas ter maior capacidade para atrair usuários e, conseqüentemente, oferecer a eles outros serviços e informações de seus portais, o que os ajudará em ganhos com receita publicitária.


Combinadas, as empresas se aproximarão do número de usuários da líder de mercado nos EUA, a AOL (America Online), cujo programa de mensagem instantânea tinha 51,5 milhões de adeptos em setembro, de acordo com dados da Nielsen/NetRatings. O MSN Messenger, da Microsoft, tinha 27,3 milhões de usuários, e o do Yahoo!, 21,9 milhões.


As ações da Microsoft e do Yahoo! encerraram o dia com queda de 0,45% e 0,5%, respectivamente, na Nasdaq. Já as da Time Warner, da qual a AOL é uma divisão, caíram 1,74% na Bolsa de Nova York, influenciadas também pelos rumores de que o Google e a Comcast negociam comprar uma participação na America Online.


‘O [acordo] é um momento de virada para essa indústria, e acreditamos que nosso negócio com a Microsoft nos levará a uma nova era das comunicações de IP [Internet Protocol]’, disse o presidente do Yahoo!, Terry Semel.


A impossibilidade de troca de mensagens entre diferentes programas é uma das principais reclamações de usuários dos ‘messengers’, que citam o caso das operadoras de telefonia, em que o serviço está disseminado.


A tecnologia já existe, mas está restrita aos serviços de mensagem corporativos, no caso da Microsoft, que tem um programa que permite a funcionários de empresas receberem e enviarem mensagens do Yahoo! e da AOL. (Com agências internacionais)’


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