Domingo, 22 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº996
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ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 28 E 29/2

Carta Capital

01/07/2008 na edição 492

ESPORTE
Fabio Kadow

Superpoderes, 27/6

‘A Sony Ericsson, patrocinadora oficial do WTA Tour, o circuito mundial de tênis feminino, acaba de lançar uma forte campanha de divulgação do esporte em 75 países. Serão mais de 15 milhões de dólares em investimentos nos próximos três anos, valor inédito para a promoção de uma liga feminina.

A partir do conceito Looking for a Hero?, atletas como Maria Sharapova, Ana Ivanovic e Serena Williams estarão em comerciais de tevê, peças para mídia impressa e ações virais na internet, sempre com poses de super-heroínas prontas para verdadeiras batalhas. Mais de 30 atletas participarão da campanha criada pelo grupo WPP.

O objetivo é elevar o status do torneio e também das atletas. É mais um capítulo ao reconhecimento das mulheres nesse esporte, principalmente depois que os quatro torneios do Grand Slam finalmente passaram a pagar os mesmos valores de premiação para ambos os sexos.

1 bilhão de visitas É o recorde de audiência batido pelo site oficial da Eurocopa 2008, produzido pela Uefa e patrocinadores. A página oferece uma cobertura especial, com notícias, vídeos, fotos, áudio e ações para celular. As visitas foram 250% maiores do que na última edição do evento. Desse público, 63% são europeus, 20% vêm das Américas, 14% da Ásia e 3% do restante do mundo.

Aposta alta

Esporte aliado a entretenimento

O Havas, um dos maiores e mais importantes grupos de mídia e comunicação do mundo, anunciou recentemente a criação da divisão Havas Sports & Entertainment, que unificará as ações entre os dois temas, trabalhadas separadamente até então. Com mais de 12 escritórios no mundo (nenhum ainda no Brasil), o Havas aposta no casamento entre esporte e entretenimento para o marketing das empresas nos próximos anos. ‘Com as mudanças no cenário atual, as marcas precisam encarar novos desafios além da publicidade tradicional’, diz Lucien Boyer, o CEO da empresa que vai atuar em áreas como patrocínio, negociação de direitos, planejamento e performance.’

 

 

CARLA BRUNI
Gianni Carta, de Paris

A revanche de Bovary, 27/6

‘Em tempos de vacas magras, nada como um pouco de ficção, subterfúgio ideal para tornar a vida suportável – e até para lhe conferir um certo entusiasmo. Pelo menos esse é o caso para uma significante fatia da população francesa, a qual, embora eternamente conservadora, sempre mostrou uma clara predileção por romances com enredos amorosos perversos.

Mas a ficção se tornou realidade.

Subitamente, o impopular presidente Nicolas Sarkozy, eleito um ano atrás, começou (a despeito de não cumprir suas promessas, como o aumento do poder aquisitivo) a galgar as sondagens: de 32%, em maio, o nível de aprovação a Sarko pulou para 41%, em junho, segundo o diário ultraconservador Le Figaro.

O motivo?

Os franceses se apaixonaram pela ex-top model Carla Bruni-Sarkozy, a terceira mulher do presidente, com a qual ele se casou três meses atrás. O chamado ‘efeito Carla’ é quase avassalador. Vemos a bela turinesa de 40 anos diariamente, tanto na tevê como nas capas de jornais e revistas, incluindo publicações avessas ao chamado glamour e fofocas.

Sábado 21, até o diário Libération, de esquerda e logicamente anti-Sarko, concedeu uma capa a Carla. As páginas interiores contêm uma longa entrevista com a primeira-dama, e mais análises, inclusive uma positiva de seu novo CD, o terceiro, com lançamento previsto para julho. ‘Carlita’, como a chama seu Sarko, de 53 anos, será a primeira primeira-dama ocidental a lançar um CD na história.

Por sua vez, o semanário Le Point, outra publicação que poderia desapontar o assíduo leitor de Caras, estampou o belo rosto de Carla em recente capa. Título: ‘A Presidente’. Em páginas internas vemos uma foto da turinesa sentada à mesa presidencial no escritório do marido, e o próprio, manso como um carneiro, sorriso gauche nos lábios, logo atrás.

De fato, sondagem realizada em junho para o semanário pró-Sarko Journal du Dimanche, revelou que 52% dos franceses estimam que Carla tem um influência positiva sobre o presidente. Mais: 68% do povo está satisfeito com a primeira-dama; 64% crê que Carla ‘representa bem a França no exterior’; 60% diz que ela ‘renova o papel da primeira-dama da França’.

Não é difícil entender a atração pela italiana Carla, pelo menos do ponto de vista físico. Seu rosto clássico emoldura olhos azuis, magnífico contraste com seus cabelos castanhos. Seu corpo é escultural. A moça caminha com a graça de quem desfilou para os maiores costureiros. Além disso, seus gestos refinados correspondem àqueles esperados de uma mulher criada em círculos milionários freqüentados pela sua família de empresários (a mãe é concertista) na Itália e França.

Porém, há um outro lado de Carla que intriga o povo. Ela encarna – ou encarnou antes do casamento – a adúltera Madame Bovary do genial Flaubert. Até os paralelepípedos da Place de la Concorde sabem, mas vale repetir as façanhas da moça. Seis anos atrás, ela teve um filho com um filósofo casado – e antes disso teve um caso com o pai do filósofo.

Somente essa passagem com os filósofos faria o encanto do autor de Madame Bovary, best seller quando lançado em 1857, e um dos melhores romances jamais escritos. Certamente Flaubert teria gostado de uma entrevista de Carla para a semanal Madame, do Le Figaro, na qual ela diz: ‘Sou fiel… a mim mesma! Eu me entedio loucamente com a monogamia… Sou monógama às vezes, mas prefiro a poligamia ou a poliandria’. A entrevista, vale sublinhar, foi concedida antes do casamento com Sarko.

Bonita e sedutora, La Bruni curtiu seus anos de solteira – e por que não? –, tendo casos com, entre outros, Mick Jagger, Eric Clapton, Donald Trump e Laurent Fabius, ex-primeiro-ministro socialista da França. Em uma das 14 faixas do novo CD, Carla canta: Sou uma criança, apesar de meus 40 anos, apesar de meus 30 amantes, uma criança.

Se tem algo que Carla faz com maestria é lidar com a opinião pública, esta interessada nos meandros da relação Carla-Sarko. Em um novo livro, La Véritable Histoire de Carla et Nicolas, La Bruni-Sarkozy contou para os autores, Valerie Bénaim e Yves Azeroual, como conheceu Sarko num jantar: ‘Ao chegar, entendi que era um blind date (encontro programado). Havia três casais e nós dois, dois solteiros… Eu não esperava alguém tão engraçado, tão vivaz’.

Outra história apetitosa do livro é a suposta rivalidade entre Carla e a ministra da Justiça, Rachida Dati, protegée de Sarko, mas amiga da segunda mulher do presidente, Cécilia. Ao passar diante da cama presidencial, Carla teria dito para Rachida: ‘Você adoraria ter ido para aquela cama, não?’ No livro, Carla diz, contudo, que não existe nenhuma hostilidade entre ela e Rachida.

Já na entrevista ao diário Libé, Carla fez o possível para elevar a imagem do marido: ‘Seu físico, seu charme, sua inteligência me seduziram. Ele tem cinco ou seis cérebros incrivelmente irrigados. Não saí com cretinos (antes de conhecer Sarko), não é meu estilo. Mas ele é realmente rápido’. Segundo La Bruni-Sarkozy, nesses três meses ela constatou que seu marido trabalha o tempo todo.

Ela admitiu ao Libé que o marido, apelidado de ‘bling-bling’ pelo fato de saltitar pela França e mundo afora com seus óculos Ray-Ban e relógio Rolex – eufemismo para cafona arrivista –, está mais sóbrio. ‘É importante para alguém na sua posição’, argumenta. Contudo, ela não fala, com devido tato, sobre sua influência sobre o marido.

Mas se Carla tem uma elegância natural, com grande impacto sobre o marido, o povo e a mídia, o mesmo não se pode dizer de suas posições ideológicas. Elas são no mínimo nebulosas. Ao Libé Carla se diz ‘epidermicamente de esquerda’. Ela confia que sua posição política não tem raízes em um sistema, mas, por exemplo, ela é contra certas posições sobre a imigração do governo francês.

Contudo, Carla prefere não se aprofundar sobre o tema por não ter, diz ela, ‘competências’ sobre o assunto. Não, a primeira-dama não evita o assunto para poupar o marido. Aliás, na sua opinião, o marido não é um conservador. ‘Ele não corresponde à idéia que eu tinha de conservadores.’ E Carla sabe do que fala, afinal vive num mundo de conservadores, no sentido ideológico, claro.

Confessa que se sentiu oprimida quando, recém-casada, teve de lidar com os conservadores ao redor do marido: ela é italiana, tinha 39 anos, nunca se casara, e ademais é mãe. Antes ela se sentia orgulhosa de ser italiana, mas agora, declara, ‘sou francesa’. O processo de naturalização, iniciado com o casamento, diz La Bruni, é longo. Até 2012 conservará o passaporte italiano.

‘Se durante as eleições presidenciais a atual primeira-dama simpatizava com a candidata socialista Ségolène Royal, agora ela diz não gostar de sua voz. E das idéias?, perguntam os jornalistas do Libé. ‘Terei de reformulá-las.’ Claro, Carla votaria em Sarko nas próximas presidenciais.

Nesse vácuo político que atravessa a França, se sobressai uma italiana bonita. Jacques Chirac e François Mitterrand também tiveram mulheres interessantes, mas eram amantes. O povo sabia, comentava-se, mas a mídia protegia a privacidade dos ex-presidentes. Sarko subiu no palco sem um programa político concreto, e, talvez por isso, tornou pública sua vida privada. Os franceses estão vivendo uma ficção.’

 

 

CARTUM
Nirlando Beirão

Fumaças da discórdia, 27/6

‘Os franceses – os parisienses, em especial – ainda não chegaram a bons termos com a proibição, decretada no início deste ano, de fumar em lugares públicos. Cafés e restaurantes, incluídos. Sempre há algum espertinho querendo burlar a lei seca. A tensão subsiste e les fumeurs resistem. O cartunista Georges Wolinski, que está para a França assim como Angeli está para o Brasil (Laerte seria o nosso Sempé), continua captando, em jornais (Le Libération e Charlie-Hebdo) e livros (Défense de Fumer! acaba de sair, pela editora Le Cherche Midi), as fumaças da discórdia.’

 

 

 

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Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

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