Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

JORNAL DE DEBATES > MÍDIA NOS EUA

Cartunistas negros criticam falta de espaço

08/02/2008 na edição 471

No próximo domingo (10/2), 11 cartunistas farão um protesto bem humorado contra a pouca representação dos negros nos quadrinhos americanos e como profissionais de ilustração nos jornais dos EUA. Todos desenharão tiras usando o mesmo tema: um leitor branco lê uma tirinha sobre uma minoria e reclama, culpando o sistema de cotas.


‘Muitos editores e leitores consideram que os diferentes quadrinhos negros são substituíveis’, explica o cartunista Darrin Bell, autor da tirinha ‘Candorville’. Mas, defende ele, as histórias são diferentes, assim como as dos quadrinhos desenhados por – e que abordam temas – brancos. ‘Alguns são políticos, outros são sobre amigos, e outros, sobre família’, diz Bell, que organizou a manifestação junto com o cartunista Cory Thomas, autor de ‘Watch Your Head’.


A tira de Thomas, da Universidade de Howard, lida com a vida universitária em uma instituição onde há predomínio de afrodescendentes. O cartunista resolveu protestar por se sentir frustrado após ter sua tira recusada em vários jornais, que não sentiam a necessidade de mais um quadrinho com tema negro em suas páginas. Além de Bell, o ‘movimento’ conta com o apoio dos cartunistas Jerry Craft (do ‘Mama´s Boyz’), Charlos Gary (do ‘Cafe con Leche’ e ‘Working It Out’), Steve Watkins (do ‘Housebroken’), Keith Knight (do ‘The K Chronicles’), Bill Murray (do ‘The Golden Years’), Charles Boyce (do ‘Compu-toon’) e o cartunista editorial Tim Jackson.


Mercado competitivo


Há cartunistas e editores que alegam, entretanto, que há outras questões a considerar, além da racial. Rick Newcombe, CEO da Creators Syndicate, que distribui quadrinhos para vários jornais em todo o mundo, acredita que ‘é natural comprar tiras de acordo com categorias’. ‘Você pode ter uma de esportes, outra de trabalho, outra de etiqueta. Mas, concordo com os cartunistas, a raça não deve ser levada em consideração’, opina. Para Lee Salem, presidente e editor da Universal Press Syndicate, o fator raça é menos importante que a qualidade do trabalho.


Os números, entretanto, confirmam a preocupação dos cartunistas que pertencem a – e falam sobre – minorias. Há realmente menos profissionais negros nas redações americanas. De acordo com uma pesquisa conduzida pela Sociedade Americana de Editores de Jornais, o percentual de jornalistas representantes de minorias trabalhando em redações diminuiu de 13,82% em 2006 para 13,62% em 2007. Um outro fator que influi nisto é que a indústria de cartum sempre foi competitiva e leva-se muitos anos para ter sucesso – Charles Schulz ralou muito antes de ter seu quadrinho ‘Peanuts’ e os personagens Charlie Brown, Snoopy e Woodstock conhecidos em todo o mundo. Informações de Teresa Wiltz [Washington Post, 6/2/08] e Dave Astor [Editor & Publisher, 17/1/08].

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