Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

JORNAL DE DEBATES > ENTREVISTA / JOAQUIM DE CARVALHO

Caso Isabella, uma pauta à procura de um jornalista

Por José Paulo Lanyi em 03/06/2008 na edição 488

O ingresso de George Sanguinetti no caso Isabella produziu algumas conseqüências imediatas, entre as quais se podem destacar duas: a percepção do reforço à defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá e o combustível para o prolongamento da novela midiática que se vem exibindo dia após dia, já há mais de um bimestre, desde a noite do assassinato da menina em 29 de março.


O médico alagoano notabilizou-se há mais de dez anos ao emitir sua opinião sobre outro fato de grande repercussão: o caso PC Farias. Na época, ele contestou o laudo de uma equipe de especialistas comandada pelo legista da Unicamp Fortunato Badan Palhares. Sanguinetti rechaçou as conclusões que referendavam a hipótese de um crime passional, ou seja, que confirmavam a tese de que Suzana Marcolino assassinara o namorado Paulo César e, em seguida, se suicidara. Nada disso aconteceu, garantiu então o professor da Universidade Federal de Alagoas: na verdade, PC – empresário que fora braço-direito do presidente Collor – e Suzana haviam sido assassinados por terceiros, na trama que muitos consideraram ser uma ‘queima de arquivo’.


O jornalista Joaquim de Carvalho cobriu o caso PC Farias para a revista Veja. Anos depois, lançou o livro Basta! Sensacionalismo e Farsa na Cobertura Jornalística do Assassinato de PC Farias (ed. A Girafa, 2004). Para o repórter, foi, sim, um crime passional. E George Sanguinetti, aquele que disse o que todo mundo queria ouvir. Por isso, teria sido incensado por uma opinião pública conduzida por uma mídia desinformada e preconceituosa.


Uma reviravolta?


Agora, depois de ridicularizar o trabalho dos legistas e dos peritos paulistas que trabalharam no caso Isabella, o médico está sob a mira da Associação Brasileira de Medicina Legal. Apesar de dar aulas na universidade, ele não seria legista: não teria qualificação nem experiência para emitir pareceres.


Joaquim de Carvalho, integrante da equipe da Veja que ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo em 1992, diz na entrevista a seguir que, em 1996, ‘ano em que foi promovido pela imprensa a sábio da medicina legal’, Sanguinetti não era legista e não havia realizado autópsia alguma sequer no Instituto Médico Legal de Maceió.


Com a ressalva de que, no entendimento deste articulista, todas as supostas distorções apontadas por Sanguinetti devam ser investigadas, desde que apoiadas na lógica e nas provas, o jornalismo brasileiro tem a obrigação de verificar: afinal, quem é a fonte que pode provocar uma reviravolta no caso Isabella?


É o que Carvalho se propõe a dizer nesta entrevista.


***


Por que, no seu livro, você desqualificou o trabalho de George Sanguinetti?


Joaquim de Carvalho – Em primeiro lugar, quando desqualifiquei o trabalho de Sanguinetti, não o fiz por motivações pessoais. Disse apenas que a imprensa deu crédito a quem não merecia, por não ser qualificado tecnicamente. O que a imprensa queria, na ocasião, era um contraponto ao que diziam os peritos. Ele, então, percebendo que poderia surfar, pegou sua prancha e acompanhou a onda, tendo muito espaço. O Sanguinetti é um pequeno ponto no oceano. No livro, minha atenção é dedicada ao trabalho da imprensa, a qual, na busca da verdade, deve ser mais criteriosa na seleção de suas fontes. Sobre Sanguinetti, naquela ocasião ele não tinha capacitação técnica porque:


1 – Não era legista;


2 – Sua maior experiência era a de diretor do manicômio de Alagoas e, nessa função, tinha até sido investigado no estado por uso de eletrochoque;


3 – Tinha pretensões políticas evidentes, já tinha sido candidato a um cargo eletivo e desempenhou funções políticas (nada relacionado à área de Medicina Legal) no governo de Geraldo Bulhões;


4 – Por sua truculência e sua biografia – tinha prestado serviço a um órgão de repressão no tempo da ditadura –, não era levado a sério por seus pares e no estado onde trabalhava.


Aqui, cabe a pergunta que a imprensa deve fazer: o que é um legista? Qualquer médico pode ser legista? A resposta é: não. Legista é uma função da estrutura de segurança pública, assim como o delegado, o escrivão, o investigador, o papiloscopista, o perito criminal. Um advogado pode ser chamado de delegado? Não. Para ser delegado, o advogado deve passar num concurso público e ser nomeado para a função. Assim é Sanguinetti. Que concurso ele fez? Cadê a nomeação dele para a função de legista? É um dado tão objetivo que nem deveria ser objeto de polêmica: é só perguntar: assim como um delegado precisa passar em concurso público para assumir a função, o senhor fez concurso e foi nomeado? Em 1996, ano em que ele foi promovido pela imprensa a sábio da medicina legal, eu asseguro que ele não era legista. Ponto final. Simples assim.


Sanguinetti tem apresentado ‘certificado de legista’ em programas de televisão e diz que, como coronel da PM, não era obrigado a se filiar à Associação Brasileira de Medicina Legal. Não pode estar havendo um mal-entendido ou uma simples desinformação de quem afirma que ele não tem as qualificações necessárias para exercer a sua profissão?


J. de C. – Para ser legista, não precisa de diploma de legista, nem de certificado. É necessário diploma de médico e a nomeação, mediante concurso público, para a função. É necessário que seja funcionário público de carreira. Ele tem que ocupar a função em algum Instituto Médico Legal. No caso dele, qual é o instituto? Alagoas? São Paulo? Por exemplo, para ser delegado, um bacharel em direito tem que prestar concurso e ser nomeado delegado. Em São Paulo, o delegado é nomeado para trabalhar na Secretaria de Segurança Pública e, normalmente, está lotado em algum distrito. Assim como, para ser juiz, não existe diploma de juiz nem certificado. O juiz tem o diploma de bacharel em direito, e a nomeação dele, mediante concurso público, para o cargo de juiz. Normalmente, ele está lotado em alguma comarca.


Não sei que papel é este que o Sanguinetti mostra na TV, mas afirmo que em 1996, ano da morte de PC Farias, quando Sanguinetti ganhou notoriedade, ele não era legista. Acho, aliás, que esta é a pauta à procura de um jornalista. Verificar que papel é esse que ele apresenta na TV e checar se esse papel o torna, de fato e de direito, legista. Sanguinetti é uma fraude e alguém precisa contar esta história. Não é difícil fazer essa matéria. Basta olhar o papel – tirar xerox ou foto é mais seguro – e verificar se a informação é verdadeira. Não é preciso ir à tal associação de médico legista que ele menciona. Mas pode-se ir lá também. É só verificar se ele está lotado em algum Instituto Médico Legal. O papel tem que fazer essa referência. Imagine uma pessoa se dizer juiz e não estar em nenhum departamento do Poder Judiciário… É impossível. Na estrutura de Estado, é impossível. Fora dela, você diz o que quiser. Tem um cara em Curitiba que se diz Jesus Cristo. Tem quem acredite. Mas no caso de funções de estado, ele tem que estar em algum departamento de medicina legal. Não vale dizer que ele deu aula, ocupava uma cadeira na universidade de Alagoas. Isso não o credencia como legista. Ele é, no máximo, professor de Medicina Legal. Alguém pode dar aula de Direito Constitucional e nem por isso poderá se apresentar como juiz ou ministro do Supremo Tribunal Federal. O titular de Direito Constitucional da USP não é, por definição, desembargador, embora possa sê-lo. Legista também não é qualquer um. É uma função de estado, como o investigador, o escrivão, o auditor fiscal. Um detalhe curioso: na época do caso PC, Sanguinetti dizia coisas absurdas. Aí, eu fui ao Instituto Médico Legal de Alagoas e pedi para que me informassem quantas necrópsias ele já havia feito lá. Sabe o que me responderam, por escrito? Nenhuma. Ele havia feito dois exames de corpo de delito, e esse tipo de exame pode ser feito por qualquer médico, na ausência de um legista. Já a necrópsia, por lei, só o legista pode fazer. Como Sanguinetti não era legista, nunca tinha feito uma necrópsia. Repito: Sanguinetti é uma pauta à procura de um jornalista. É uma matéria que já deveria ter sido contada naquela época.


Veja não publicava o nome dele


J. de C. – Mas no dia em que a matéria for feita a imprensa terá que se penitenciar e revelar que deu espaço a uma fraude. Será que o vai fazer? Quando Sanguinetti ainda não era famoso, ele tirou à força duas fotos dos cadáveres de Suzana Marcolino de um colega seu na universidade, convidou a imprensa para uma coletiva na OAB e disse que ‘tudo indicava’, ‘havia indícios’, ‘era impossível’ que a morte de Suzana se tivesse dado daquela forma etc. etc. etc. Investiguei Sanguinetti, assim como outros repórteres de Veja. Eu era subeditor e meus editores perguntaram: ‘Joaquim, e esse Sanguinetti?’ Eu disse: ‘Para discutir esse assunto, ele não vale um pingo de tinta da editora Abril.’ Veja não publicava o nome dele porque ele não tinha vinculação alguma com o caso, não tinha capacitação técnica. Para que enganar os leitores com uma opinião de quem apenas buscava notoriedade? Enquanto Veja agia dessa forma, absolutamente responsável, Sanguinetti brilhava com Jô Soares em seu programa de televisão. Jô entrava no estúdio rebolando, ao som do quinteto. Olhava de um lado para o outro e cantava: ‘Quem matou PC Farias? Quem matou PC Farias?’ Sentado na poltrona, com suas sobrancelhas grossas e roupa branca de médico – no espetáculo, é figurino é importante –, Sanguinetti cumpria o papel do médico que resolveu enfrentar os poderosos em sua terra. Que poderosos? Os peritos que ele contestava estavam com o salário atrasado em quatro meses, moravam em casa apertada de conjunto habitacional de classe média baixa. Mas os jornalistas olhavam para a figura de Sanguinetti e diziam: ‘Taí um cabra porreta, corajoso, enfrenta os coronéis de Alagoas.’ Curioso é que Sanguinetti era, de fato e de direito, um dos coronéis de Alagoas. Era implacável na perseguição aos adversários do governo de Geraldo Bulhões. Como é que agora os jornalistas vão desmontar a farsa?


‘Dúvida alimenta sensacionalismo’


O que os veículos deveriam fazer?


J. de C. – Checar, checar, checar. Dar a moldura, informar o contexto. E não querer agradar a opinião pública, nem alimentar a polêmica pela polêmica, apenas com o objetivo de manter o espetáculo, de não permitir o show acabar. Neste caso Isabella, como em qualquer outro, a simples elucidação não interessa à mídia, à forma como ela exerce seu papel na sociedade. Quanto mais polêmica, melhor. Mantém a chama acesa. Isso já foi magistralmente mostrado no filme A Montanha dos Sete Abutres e também no filme O Quarto Poder. Em minha opinião, a mídia tem que dar respostas, não lançar dúvidas. Isso não contribui, não esclarece, não faz a sociedade evoluir. Apenas alimenta a fome pelo sensacionalismo.


Qual é o peso de um parecer em um processo, em comparação com o de um laudo oficial? Como se deve informar o público sobre essa questão?


J. de C. – Parecer é opinião. Tem o mesmo valor jurídico que a opinião da sogra do Cid Gomes a respeito do caso Isabella. Parece que é isso, parece que é aquilo. É a opinião de uma pessoa sobre um assunto. No caso, os advogados dos Nardoni contratam alguém com notoriedade na mídia para desqualificar o trabalho do perito criminal, do legista, enfim, daqueles que exercem uma função pública e têm por dever de ofício dizer a verdade, sob pena de responder criminalmente.


Você diz que Sanguinetti está errado em relação ao caso PC Farias. Ainda que o admitamos como verdade, não quer dizer que ele esteja equivocado em todas as observações sobre o caso Isabella…


J. de C. – Quem diz que a opinião do Sanguinetti no caso PC não tem valor algum é o Ministério Público de Alagoas. Suas considerações foram desprezadas no processo. É só consultar os autos. Sobre o caso Isabella, eu digo apenas que ele, pela origem que tem e pelo histórico, não é qualificado a falar sobre assuntos de medicina legal. Isso inclui o caso Isabella.


Nota-se, de parte da mídia, uma desconfiança quanto ao trabalho de Sanguinetti e um apoio expresso ao dos especialistas da polícia de São Paulo. Não está havendo dois pesos e duas medidas? Não é necessário prudência? Ou é correto assinar sob os laudos dos peritos e dos legistas de São Paulo?


J. de C. – Existem especialistas em medicina legal que não construíram seu nome com base num conluio desonesto com alguns jornalistas – desonesto no sentido de que Sanguinetti não foi apresentado à opinião pública da forma correta. Ao recorrer a Sanguinetti, os advogados de defesa dos Nardoni talvez não queiram o esclarecimento do caso, mas apenas jogar mais gasolina na fogueira. Isso interessa à defesa, pois embaralha os fatos e confunde a opinião pública, que no final julgará o caso através de membros do júri.

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Jornalista

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/08/2008 Filipe Peixoto

    Olá pessoal do Observatório

    Faço contato com vocês porque depois de uma longa busca pelo site de vocês e pela internet no geral, não consegui encontrar o artigo de Heloiza Golbspan Herscovitz intitulado ‘O impacto da mídia americana no jornalismo brasileiro: interpretação de um modelo ou caricatura?’, que estava disponível do site de vocês em agosto de 2003, pelo que me consta.
    Sou estudante de jornalismo e gostaria de lê-lo como referência bibliográfica para realização de um trabalho. Vocês poderiam me orientar como acessá-lo?
    Obrigado

  2. Comentou em 04/06/2008 Matheus Araújo

    Dá pra ver que os que atacam o legista o fazem por ignorância. Citam até que o legista foi condenado no caso PC, quando na verdade foi o tal de Badan Palhares que foi citado como um perito que se apressa em suas conclusões e que produz laudos inservíveis. Sanguinetti já havia aventado a possibilidade de pedófilo na região antes do surgimento do PM pedófilo suicida ser desmascarado. Só me respondam o seguinte: um assassinato por esganadura pode ou não deixar o pescoço sem marcas?
    Outra pergunta: é normal uma menina assassinada por esganadura apresentar lesões na vulva e no hímem enquanto um pedófilo suicida trabalhava ao lado? Isso não deve ser nvestigado?
    Sanguinetti não precisa ler o inquerito, ele é técnico e o trabalho dele é analisar o laudo. O inquérito não é da alçada dele! O laudo, sim. A investigação criminal da cena do crime não é da alçada dele. O laudo do cadáver, sim. O laudo é sua especialidade.

  3. Comentou em 04/06/2008 Marco Antônio Leite

    Caro Alencar, a presidenta do sindicato dos peritos, para vosso conhecimento, entrou com um processo junto a Justiça intimando o quase perito Sanguinetti para dar explicações e provar peremptoriamente tudo àquilo que ele proferiu com intenção ofensiva. Um profissional competente, em hipótese alguma falaria vitupérios como foi dito pelo cidadão em questão nos medíocres programas de TV. Ele ficou a vontade nesse circo porque os momos que comandam o espetáculo não sabem absolutamente nada sobre a atividade que estava em pauta. Convém ressaltar, quando o perguntador não conhece e não sabe fazer perguntas e conduzir o perguntado, este por sua vez deita e rola em suas explicações, as quais podem convencer somente aqueles que ficam maravilhados com a oratória do entrevistado. Essa pessoa esta mais para estrela, do que para profundo conhecedor da matéria em tela.

  4. Comentou em 04/06/2008 Marco Antônio Leite

    Caro Alencar, a presidenta do sindicato dos peritos, para vosso conhecimento, entrou com um processo junto a Justiça intimando o quase perito Sanguinetti para dar explicações e provar peremptoriamente tudo àquilo que ele proferiu com intenção ofensiva. Um profissional competente, em hipótese alguma falaria vitupérios como foi dito pelo cidadão em questão nos medíocres programas de TV. Ele ficou a vontade nesse circo porque os momos que comandam o espetáculo não sabem absolutamente nada sobre a atividade que estava em pauta. Convém ressaltar, quando o perguntador não conhece e não sabe fazer perguntas e conduzir o perguntado, este por sua vez deita e rola em suas explicações, as quais podem convencer somente aqueles que ficam maravilhados com a oratória do entrevistado. Essa pessoa esta mais para estrela, do que para profundo conhecedor da matéria em tela.

  5. Comentou em 04/06/2008 Rogério Ferraz Alencar

    “Sanguinetti cumpria o papel do médico que resolveu enfrentar os poderosos em sua terra. Que poderosos? Os peritos que ele contestava estavam com o salário atrasado em quatro meses, moravam em casa apertada de conjunto habitacional de classe média baixa.” Um jornalista que diz isso merece respeito? Sanguinetti não enfrentou – e derrotou – peritos alagoanos “esfomeados”: ele enfrentou e derrotou ninguém menos que Fortunato Badan Palhares, que, na época, era um ícone da peritagem brasileira. Por tabela, enfrentou e derrotou a Veja e Joaquim de Carvalho, que bancaram o que Badan Palhares assegurava./// Joaquim de Carvalho diz que Sanguinetti, “pela origem que tem e pelo histórico, não é qualificado a falar sobre assuntos de medicina legal. Isso inclui o caso Isabella.” Não sei a que origem ele se refere, mas Sanguinetti é professor de medicina legal. E um professor de medicina legal não pode falar sobre assuntos de medicina legal? E Joaquim de Carvalho, sendo jornalista da Veja, e sendo a Veja o que é, pode dizer quem merece ou não credibilidade? Eu gostaria muito de saber o que Joaquim de Carvalho acha de Luís Nassif e o que acha sobre o que Luís Nassif diz da Veja. Dizer que a opinião de Sanguinetti é, no caso, equivalente à da sogra de Cid Gomes, é desabafo de derrotado, de quem bancou a versão de Badan Palhares, no caso PC, e viu a Justiça acolher o que Sanguinetti defendia.

  6. Comentou em 04/06/2008 Rogério Ferraz Alencar

    “Sanguinetti cumpria o papel do médico que resolveu enfrentar os poderosos em sua terra. Que poderosos? Os peritos que ele contestava estavam com o salário atrasado em quatro meses, moravam em casa apertada de conjunto habitacional de classe média baixa.” Um jornalista que diz isso merece respeito? Sanguinetti não enfrentou – e derrotou – peritos alagoanos “esfomeados”: ele enfrentou e derrotou ninguém menos que Fortunato Badan Palhares, que, na época, era um ícone da peritagem brasileira. Por tabela, enfrentou e derrotou a Veja e Joaquim de Carvalho, que bancaram o que Badan Palhares assegurava./// Joaquim de Carvalho diz que Sanguinetti, “pela origem que tem e pelo histórico, não é qualificado a falar sobre assuntos de medicina legal. Isso inclui o caso Isabella.” Não sei a que origem ele se refere, mas Sanguinetti é professor de medicina legal. E um professor de medicina legal não pode falar sobre assuntos de medicina legal? E Joaquim de Carvalho, sendo jornalista da Veja, e sendo a Veja o que é, pode dizer quem merece ou não credibilidade? Eu gostaria muito de saber o que Joaquim de Carvalho acha de Luís Nassif e o que acha sobre o que Luís Nassif diz da Veja. Dizer que a opinião de Sanguinetti é, no caso, equivalente à da sogra de Cid Gomes, é desabafo de derrotado, de quem bancou a versão de Badan Palhares, no caso PC, e viu a Justiça acolher o que Sanguinetti defendia.

  7. Comentou em 03/06/2008 ubirajara sousa

    Não sei se o Sanguinetti é toda essa coisa ruim que o artigo tenta demonstrar; mas sei que o seu maior problema foi ter mexido com São Paulo. Foi mesmo que mexer em um vespeiro. Achei interessante o comentário do Paulo Campanili , são paulo-SP – analista. Ao que parece, os jornalistas responsáveis pelo artigo, incluso o J de C, não estão assim tão bem fundamentados quanto o artigo quer deixar transparecer. Seriam eles, também, uma fraude? Acho que não. Apenas incorrem no mesmo erro de sempre: falam, falam e falam sem procurar fundamentar as suas falações. Torço para que a verdade dos fatos relacionados ao caso Isabela venha à tona, sem que, necessariamente, precise de tanto espalhafato da imprensa.

  8. Comentou em 03/06/2008 Marco Antônio Leite

    O regime de exceção ocorreu num passado recente, porém o que sinto nos meus comentários que a borracha não foi aposentada. Visto que, por diversas vezes pequenos comentários estão sendo suprimidas algumas palavras deixando o mesmo manco e caolho. Basta. Espero que este lamento não seja suprimido. Vale dizer, sou admirador deste site, pois se trata de um conceituado grupo de jornalistas que escrevem seus artigos com conhecimento e sabedoria. Em suma, as palavras utilizadas no comentário anterior não colocam em risco o moral do falante médico.

  9. Comentou em 03/06/2008 Ronaldo Santana

    Não sou advogado ou médico, mas todos nós estamos sendo bombardeados com informações sobre o caso. Todavia me causa muito estranheza o comportamento desse médico George Sanguinetti: há marcas no pescoço (hematomas) e sinais claros que ela foi asfixiada (língua pra fora, tom azulado, etc). Então ele diz que a vítima deveria ter tais e tais tipos de lesões (como se não houvesse nenhuma variação no modo de se esganar) e conclui que ela não foi esganada de forma alguma. Alto lá, ele não deveria ser prudente e fazer uma ressalva afirmando que apesar de ter algumas marcas ela não teria outras. Ele ainda disse que as marcas do pescoço poderiam ter sido causadas por alguém que tentava ajudá-la. Mas em nenhum depoimento foi falado que alguém fez algum movimento que fosse deixar tais marcas. O mesmo acontece no caso do suposto abuso sexual, ele faz uma afirmação categórica que ela havia sido abusada sendo que o hímem da menina não foi rompido! Como fazer tais afirmações categóricas (desqualificando o laudo como: ‘medíocre, dúbio e imaginativo’) sem ter tido acesso ao corpo, nem ao local do crime,e sim através de sua percepção sobre o que os outros acham? Quais os indícios ele usa para fazer tais afirmações? Sera que o contexto permite tais interpretações? Ou seriam extrapolacoes? Espero que outros peritos possam esclarecer se o alagoano está correto ou está apenas procurando popularidade

  10. Comentou em 31/01/2005 Fabio de Castro

    Bom dia, o texto abaixo é de uma das editoras da Agência Repórter Social e questiona o oficialismo da cobertura do Fórum Social Mundial na mídia. O texto foi publicado no site da Agência (www.reportersocial.com.br), da qual também sou um dos editores. Acredito seja pertinente a publicação neste observatório. Obrigado, Fabio de Castro.

    FSM – Encontro é plural, mas a mídia não

    por Cristina Charão*

    Se a pluralidade é uma das características que fazem do Fórum Social Mundial um do maiores eventos planetários, no encerramento de sua quinta edição ela criou certa confusão. Oficialmente, o Comitê Internacional encerrou o V FSM com uma exposição à qual compareceu apenas a imprensa. Ao mesmo tempo, representantes de organizações e redes de todo o mundo marcavam o término de suas atividades com a sessão final da Assembléia Mundial dos Movimentos Sociais.

    A confusão, no entanto, serve de exemplo de como se comporta a mídia durante o Fórum. À leitura da declaração do Comitê Internacional, estiveram presentes os veículos da grande imprensa. Na assembléia dos movimentos sociais, os crachás vermelhos que identificavam a imprensa traziam em sua maioria nomes de veículos comunitários, alternativos e de pequenas agências internacionais.

    Este foi o padrão. Os veículos “convencionais” lotavam as primeiras filas de todas as atividades “oficiais” (aquelas chamadas pela organização do Fórum), coletivas nas salas refrigeradas do centro de imprensa e daquelas onde estavam as figuras conhecidas. Compreende-se que personagens símbolo do FSM, como José Saramago ou Ignacio Ramonet, tenham atraído tanta atenção. Mas é preciso refletir sobre as razões que levam jornalistas a correr atrás de ministros brasileiros, os quais falam todos os dias aos jornais, revistas, TVs e rádios, ou representantes de governos de outros países. E mesmo sobre o fato de que as tendas brancas que se espalhavam pela orla do Guaíba, nas quais se multiplicaram eventos com lideranças e ativistas desconhecidos que fazem o FSM ocorrer de verdade, estivessem vazias de crachás vermelhos.

    A diversidade do Fórum Social Mundial, mais uma vez, não aparecerá na grande mídia. Para esta, o FSM é apenas espaço privilegiado para que possam entrevistar personalidades da cultura mundial e os mesmos políticos de sempre. E o que ela mostra da pluralidade cultural, social, política do evento é um amontoado de pessoas “diferentes” dizendo coisas que só valem ser ouvidas pelo “estranho” que representam.

    *da Agência Repórter Social, em Porto Alegre

  11. Comentou em 31/01/2005 Fabio de Castro

    Bom dia, o texto abaixo é de uma das editoras da Agência Repórter Social e questiona o oficialismo da cobertura do Fórum Social Mundial na mídia. O texto foi publicado no site da Agência (www.reportersocial.com.br), da qual também sou um dos editores. Acredito seja pertinente a publicação neste observatório. Obrigado, Fabio de Castro.

    FSM – Encontro é plural, mas a mídia não

    por Cristina Charão*

    Se a pluralidade é uma das características que fazem do Fórum Social Mundial um do maiores eventos planetários, no encerramento de sua quinta edição ela criou certa confusão. Oficialmente, o Comitê Internacional encerrou o V FSM com uma exposição à qual compareceu apenas a imprensa. Ao mesmo tempo, representantes de organizações e redes de todo o mundo marcavam o término de suas atividades com a sessão final da Assembléia Mundial dos Movimentos Sociais.

    A confusão, no entanto, serve de exemplo de como se comporta a mídia durante o Fórum. À leitura da declaração do Comitê Internacional, estiveram presentes os veículos da grande imprensa. Na assembléia dos movimentos sociais, os crachás vermelhos que identificavam a imprensa traziam em sua maioria nomes de veículos comunitários, alternativos e de pequenas agências internacionais.

    Este foi o padrão. Os veículos “convencionais” lotavam as primeiras filas de todas as atividades “oficiais” (aquelas chamadas pela organização do Fórum), coletivas nas salas refrigeradas do centro de imprensa e daquelas onde estavam as figuras conhecidas. Compreende-se que personagens símbolo do FSM, como José Saramago ou Ignacio Ramonet, tenham atraído tanta atenção. Mas é preciso refletir sobre as razões que levam jornalistas a correr atrás de ministros brasileiros, os quais falam todos os dias aos jornais, revistas, TVs e rádios, ou representantes de governos de outros países. E mesmo sobre o fato de que as tendas brancas que se espalhavam pela orla do Guaíba, nas quais se multiplicaram eventos com lideranças e ativistas desconhecidos que fazem o FSM ocorrer de verdade, estivessem vazias de crachás vermelhos.

    A diversidade do Fórum Social Mundial, mais uma vez, não aparecerá na grande mídia. Para esta, o FSM é apenas espaço privilegiado para que possam entrevistar personalidades da cultura mundial e os mesmos políticos de sempre. E o que ela mostra da pluralidade cultural, social, política do evento é um amontoado de pessoas “diferentes” dizendo coisas que só valem ser ouvidas pelo “estranho” que representam.

    *da Agência Repórter Social, em Porto Alegre

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