Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

JORNAL DE DEBATES > IMPRENSA NA COPA

Cobertura sem contexto

Por Alberto Dines em 12/07/2010 na edição 597

A Espanha uniu-se no domingo (11/7) na euforia pelo triunfo sobre a Holanda. No sábado, mais de um milhão de catalães foram às ruas de Barcelona para protestar contra a decisão do Tribunal Constitucional de frear suas pretensões autonomistas.


A Espanha estava nas primeiras páginas dos jornalões de domingo, os cadernos da Copa transbordavam de notícias e comentários sobre a finalíssima do Mundial e nenhum deles conseguiu cumprir com a exigência mínima do jornalismo moderno: contextualização.


O megaprotesto na Catalunha – o maior nos últimos 30 anos – só foi noticiado pelo Globo, um jornal que é impresso no Rio e, aparentemente, o único que mantém um plantão aos sábados na editoria Internacional.


As edições de domingo do Estado de S.Paulo (que rodou às 0h15) e da Folha (impressa às 23h27 do sábado) não ofereceram aos seus leitores qualquer informação sobre o clima tenso da Catalunha.


Ainda pior


Quem garante que numa competição internacional o leitor do noticiário esportivo não faz questão de conhecer o que se passa nos países que se enfrentam em campo? No caderno da Copa, a Folha publicou no domingo um apelo do técnico espanhol Del Bosque para que a união do time se estenda a toda Espanha (entre os 23 convocados há oito catalães e três bascos oriundos das duas regiões mais irredentistas do país).


Por que não oferecer ao leitor-torcedor uma informação mais completa, menos linear, sobre os contrastes entre uma Espanha unida pela devoção à Fúria e os fervores separatistas?


Se o jornal assume-se como um produto contínuo e diário, não pode deixar lapsos na edição mais cara e mais rica da semana.


Pior vexame foi a cobertura da disputa entre a Alemanha e o Uruguai pelo terceiro lugar, no sábado (10/7) à tarde. Os três jornalões deixaram um buraco na primeira página para dar a notícia e reservaram um espaço nos cadernos da Copa para modestos desdobramentos. Nenhum dos brilhantes comentaristas dos três jornalões foi autorizado a tratar do derradeiro jogo de uma seleção latino-americana na Copa de 2010.


Com este tipo de jornalismo incompleto, descontinuado e fragmentado, será difícil enfrentar a internet. A não ser que a internet ofereça um noticiário ainda pior do que o dos impressos.


 


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Cobertura festiva, superficial — A.D.

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