Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

JORNAL DE DEBATES > PAQUISTÃO

Cobertura prejudicada e ajuda reduzida

31/10/2005 na edição 353

No começo de outubro, o Paquistão foi atingido pelo pior terremoto de sua história. Foram pelo menos 54 mil mortos no país, mas a resposta de ajuda internacional não parece ter feito jus à grandiosidade da catástrofe. Pessoas ligadas aos esforços de resgate e recuperação das cidades atingidas afirmam que, comparado a outros desastres recentes, a ajuda foi menor porque a cobertura da mídia neste caso também foi menor.

‘Nós vimos dezenas de imagens do tsunami, nós vimos os aviões se chocando contra as torres gêmeas em Nova York, e isso causa impacto na mente das pessoas’, disse Jan Vandermoortele, coordenador da ajuda humanitária da ONU para o Paquistão, numa tentativa de explicar a diferença nas doações. ‘Aqui nós só vimos as conseqüências. Esta é, definitivamente, uma das razões pelas quais a resposta tem sido lenta e inadequada’.

Dois fatores que prejudicam a cobertura sobre o terremoto são os danos causados às equipes locais e as dificuldades logísticas para se chegar, filmar e se comunicar dos escombros. Segundo dados da Federação Internacional dos Jornalistas, cerca de 50 profissionais de imprensa nas maiores cidades do Paquistão foram identificados como mortos, desaparecidos, feridos ou abalados de outras maneiras pela tragédia, seja pela perda da família ou da casa. Equipamentos também foram destruídos, e jornalistas locais simplesmente não têm onde ou como fazer seu trabalho. ‘Telefones por satélite caros e laptops são necessários para uma cobertura desta magnitude’, afirmou Adnan Rehmat, diretor da ONG Internews, lembrando que a grande maioria da mídia nacional não dispõe destes recursos. ‘A capacidade reduzida da mídia local, que teve seus recursos destruídos pelo terremoto, certamente teve um papel na redução da atenção internacional ao assunto’, conclui ele.

Mas, segundo Owais Aslam Ali, secretário-geral da Fundação de Imprensa do Paquistão, centro de treinamento de jornalismo e instituto de pesquisa, a imprensa local, com todos os percalços, teve um papel importante na cobertura do terremoto – em particular para outros paquistaneses, no país e no exterior. Informações da IRIN – United Nations Integrated Regional Information Networks [28/10/05].

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