Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 24 E 25/02

Comunique-se

27/02/2007 na edição 422


MERCADO EDITORIAL
Comunique-se


Editora Três: venda na próxima semana, 23/02/07


‘Após uma reunião na sexta-feira (23/02) entre os redatores-chefe das revistas da Editora Três e Domingo Alzugaray, seu presidente, foi anunciado aos profissionais da empresa que sua venda deverá ser concretizada na próxima semana. O banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e o Grupo Camargo de Comunicação, associado ao Grupo Bandeirantes, são os principais cotados para efetuar a compra.


Ato contínuo, o nome de Nelson Tanure, dono da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), foi praticamente excluído da negociação. A possibilidade do empresário ser o comprador da editora detonou uma paralisação entre os jornalistas que durou quase três dias, entre 12 e 14/02. Os profissionais temiam a degradação das condições de trabalho, como já aconteceu em outros veículos incorporados à CBM.


O anúncio de que a venda será fechada na semana que vem deveria ser passado apenas aos editores, mas repórteres e outros profissionais pressionaram e participaram da reunião em que foi passada a notícia. ‘Trocamos o temor pela incógnita, mas estou um pouco esperançoso com a saída de Tanure. Nosso maior receio continua sendo a manutenção de nossos direitos’, afirmou um jornalista da editora.


Dívidas trabalhistas


Com sérios problemas financeiros, a Três vem atrasando o pagamento dos salários desde julho do ano passado, e a venda da empresa é considerada uma das últimas opções antes da falência. Os atrasos salariais se somaram à possibilidade de Tanure comprar a empresa e resultaram na paralisação da semana anterior ao carnaval, que terminou com o pagamento de uma das parcelas atrasadas.


Na quarta-feira de cinzas (22/02) ocorreu nova assembléia na editora para definir o posicionamento dos profissionais frente o atraso das parcelas de 05 e 20/02. A direção da empresa ofereceu a proposta de pagar a primeira no dia 27/02, que não foi aceita pelos profissionais. Os jornalistas exigiram o pagamento de ambas as parcelas atrasadas no mesmo dia e ainda não obtiveram resposta da direção. Está marcada para o dia 27/02 nova assembléia onde os profissionais tirarão sua posição frente ao problema.


O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo e uma comissão de profissionais da editora estão tentando marcar para o dia 26/02 uma reunião com a direção para garantir os direitos dos trabalhadores na negociação, seja lá quem for o comprador. O objetivo do grupo é pressionar para incluir no contrato de venda uma cláusula instituindo que parte do dinheiro da negociação deve ser destinada a pagar as dívidas trabalhistas da Três.’


***


Levantamento aponta as trinta empresas de mídia que mais faturam no mundo, 23/02/07


‘A empresa Zenith Optimedia colocou no mercado nesta quarta-feira (21/02) uma pesquisa onde levantou as 30 maiores empresas de mídia do mundo em faturamento de publicidade. A Time Warner foi a primeira colocada, com US$ 29.834 bi, quase o dobro da News Corporation, segundo lugar com US$ 16.726 bi. Além delas, outras 14 empresas da relação são dos EUA.


Os dados são referentes ao ano de 2005 e mostram que essas empresas somadas faturaram US$ 215 bilhões no período, apenas com publicidade. Como praticamente todas as elas possuem atividades fora do universo da mídia, o critério utilizado para classificá-las foi o faturamento com publicidade dos setores midiáticos. A General Electric, que tem um valor de mercado em torno de US$ 370 bilhões, ficou em terceiro lugar pelo faturamento de US$ 14.689 bilhões da NBC Universal, empresa que controla.


A alemã Bertelsmann ficou em sétimo e foi a empresa fora dos EUA melhor colocada, com US$ 9.622 bi. A Europa emplacou outras oito empresas no ranking, que também conta com o mexicano Grupo Televisa e com o japonês Yomiuri Shimbun, o jornal impresso mais vendido do mundo.


O documento completo sobre as Top 30 é um arquivo com 92 páginas, detalhando a atuação de cada uma das empresas, suas movimentações no mercado, histórico e planos futuros. A Zenith Optimedia vende o arquivo em pdf por £295, o equivalente a US$ 578,20.’




INTERNET
Comunique-se


Egito sentencia blogueiro a quatro anos de prisão, 23/02/07


‘Após abrir uma investigação contra a jornalista por produzir uma reportagem sobre prostituição no Egito e processar outra repórter por uma matéria sobre tortura em suas prisões, o país abriu um novo precedente para a liberdade de expressão no país ao condenar o blogueiro Abdel Kareem Suleiman a quatro anos de prisão. Ele é acusado de ofensas ao presidente Hosni Mubarak e ao islamismo.


Suleiman, um jovem de 22 anos, assinava seus textos com o pseudônimo de Kareem Amer. Em seu blog ele criticava a Universidade al-Azhar, principal instituição do país, chamando-a de ‘universidade do terrorismo’. De acordo com o blogueiro, a instituição reprimia o livre pensamento. Ele já fora expulso da universidade que passou a pressionar por sua condenação. Suleiman também chamou o presidente de ‘ditador’.


A sessão do julgamento do blogueiro durou apenas cinco minutos. Suleiman foi condenado a três anos pelas ofensas à universidade e mais um ano pelo que disse sobre Mubarak. É a primeira vez que o Egito condena um blogueiro, embora no ano passado tivesse prendido vários sob a acusação de produzirem notícias ofensivas ao regime. Posteriormente, todos foram libertados. Na internet, já circula uma campanha pela libertação de Suleiman.




DIRETÓRIO ACADÊMICO
Carlos Chaparro


Hora de ter e preservar ideais, 23/02/07


‘O XIS DA QUESTÃO – A coluna dedica o texto desta semana aos jovens ingressantes nos cursos de jornalismo. Com um recado preliminar: não permitam que maus professores, maus alunos, maus currículos, maus modelos de jornalismo e teorias trôpegas lhes destruam a capacidade de sonhar. E não abram mão do poder de preservar os próprios ideais. Poder que é vosso, de cada um, não dos outros.


1. Sonhos… Ideais…


Milhares de jovens iniciam por esta época, nos cerca de 400 cursos de jornalismo já existentes do país, a caminhada rumo ao sonho de serem jornalistas. Têm o encanto luminoso dos 17,18, 19 anos, idade das primeiras grandes encruzilhadas da vida, quando há rumos a escolher. Por isso, alguns deles sofrem a angústia da dúvida, ante a opção escolhida.


Com mais ou menos dúvidas, a verdade é que os jovens ingressantes nos cursos de jornalismo buscam a felicidade, nome dado ao fruto dos sonhos. E em sonhos navegam, querendo ser alguém na vida. Escolheram o jornalismo, na esperança de que no jornalismo, sendo jornalistas, poderão ser e conseguir tudo com que sonham.


Por que tantos querem ser jornalistas?


‘Jornalismo está na moda’, há quem diga. Mas não é só uma questão de moda. O jornalismo tornou-se atividade essencial na sociedade moderna. E tende a expandir-se como mercado de trabalho, a despeito de parecer um campo já saturado.


Para o jornalismo convergem as informações, as emoções, os saberes, os conflitos, as expectativas, as notoriedades e os mitos do tempo presente. É no jornalismo, em suas aptidões de linguagem, que se concentram, hoje, as possibilidades mais amplas e eficazes de realizar intervenções transformadoras na realidade. O jornalismo tem também o fascínio do poder. Poder próprio. E poderes alheios, dissimulados ou não, que correm pelas vias e veias da expressão jornalística.


Ademais, o jornalismo tem lá a sua dimensão de arte. A arte de reelaborar a realidade, narrando-a. Nessa arte se podem vislumbrar os encantos da liberdade de ser, dizer e fazer, que aos talentosos tanto estimula.


Por tais e tantos encantos, expande-se entre os jovens o sonho de ser jornalista.


Porém, para os que fizeram a escolha do jornalismo, nem só de sonhos se constitui o momento do ingresso no curso que os levará à carreira. Há também temores, desconfianças. Afinal, falam tão mal do jornalismo! – dizem que mente, que perdeu a independência, que só serve aos poderosos, que é um mercado sem espaço para tanta gente.


Por tudo isso, decidi dedicar a coluna desta semana aos jovens ingressantes nos cursos de jornalismo. Com um recado preliminar: não permitam que maus professores, maus alunos, maus currículos, maus modelos de jornalismo e teorias trôpegas lhes destruam a capacidade de sonhar e acalentar ideais.


2. Trabalho e lutas


Não basta, porém, ter sonhos e ideais. Algum dia, no final do curso, haverá trabalho a fazer e lutas a enfrentar, no mundo real do jornalismo. Trabalhos e lutas que exigirão lucidez, sempre. E coragem, não poucas vezes.


Na perspectiva desse momento, aqui deixo alguns elementos para reflexões que possam aclarar e organizar, também no plano racional, as relações com a futura profissão.


São duas as idéias que proponho à reflexão dos jovens estudantes de jornalismo. A primeira delas, esta:


– O mundo mudou de forma radical, além de radical, irreversível, em relação a épocas surpreendentemente recentes, nas quais se produziram os ideários, diria também os ideais do jornalismo libertário, justiceiro, poético e até aventureiro em que todos ainda gostamos de acreditar. Mas que já não vislumbramos.


O mundo mudou, impulsionado pelos impactos transformadores das novas tecnologias. Aconteceu uma revolução de efeitos culturais surpreendentes, que destruiu as fronteiras (físicas, ideológicas, científicas…) ordenadoras das interações humanas, em tempos idos. Com a queda das fronteiras, desmoronaram mitos e dogmas que, em séculos recentes, deram sentido e ânimo aos embates do mundo. Por mais que a gente não goste das sociedades de hoje, a verdade é que as convicções e as formas da democracia evoluíram para melhor. Porque aumentou a percepção social das contradições.


Mas os conflitos se multiplicaram de forma assombrosa. E se tornaram complexos.


Se olharmos a realidade que os jornais nos apresentam, vemos um mundo de sujeitos institucionalizados. Esses sujeitos agem de forma organizada, competente, por meio de acontecimentos, atos, falas e/ou silêncios que produzem colisões transformadoras (sociais, culturais, políticas, econômicas) e que, por isso, têm a natureza da notícia. As informações, estrategicamente produzidas, entram em redes que, de forma já incontrolável, globalizam idéias, ações, mercados, sistemas, poderes, discussões, interesses, antagonismos e acordos. E a mesma lógica se reproduz nos âmbitos nacional, regional e local, onde também a informação socializada se tornou a energia vital dos conflitos.


É nesse mundo que os jovens estudantes, ingressantes na carreira, terão de ser jornalistas e fazer jornalismo.


3. Conflitos e complexidades


Segunda idéia:


– As mudanças do mundo impõem novas razões e novas circunstâncias ao jornalismo – as razões éticas da democracia, em plena evolução para práticas participativas, o que significa dizer, de aprofundamento dos conflitos; e as circunstâncias da complexidade desses conflitos.


Há que compreender isso, sem renunciar à crença de que o jornalismo continua vinculado ao universo dos valores humanistas universais e a compromissos com o interesse público. Para que assim seja, é preciso encarar e equacionar a mais complicada contradição que a nova era nos coloca: o jornalismo só sobreviverá se também for negócio, fonte de lucro. Teremos, pois, de encontrar formas de gerenciar a contradição, para que o objeto do negócio e do lucro seja o jornal, não o jornalismo.


Jornal e jornalismo, negócio e linguagem, anúncio e notícia, têm de saber conviver sem se misturar. São partes solidárias, mas idealmente independentes, no processo de viabilizar, pela notícia, ações estratégicas e táticas (políticas, econômicas, culturais, ideológicas, religiosas…) que, embutidas na difusão jornalística, ora desorganizam ora reorganizam as relações e os ordenamentos sociais. Assim, como espaço público dos conflitos, o jornalismo é submetido a crescentes pressões dos interesses conflitantes envolvidos nos acontecimentos.


Em tal cenário, e sob tais pressões, o jornalismo terá que tornar-se cada vez mais um discurso independente, elucidativo e asseverador, até porque só assim poderá ser crítico, ético, confiável e educativo. Garantir à sociedade as qualidades desse discurso é o papel mais importante e mais espinhoso dos jornalistas – os que já o são e os que vêm por aí, pelas veredas do estudo.


******


Recado final, aos que agora ingressam em faculdades de jornalismo: este é o vosso tempo de estudar. Estudem, pois. Leiam, pesquisem, discutam. Desenvolvam habilidades técnicas e sensibilidade estética para as artes do ofício escolhido. E desenvolvam, em tempos de estudo que jamais devem terminar, aptidão intelectual para apreender, compreender e interpretar, como narradores, o mundo complicado que o século XX nos legou.


Que cada um de vocês amadureça o seu próprio ideal de jornalismo. Ideal não é coisa coletiva, mas individual. É aquilo que só existe na idéia. Pois construam sem medos, cada um de vocês, a vossa própria utopia. Façam dela fonte de sentidos para as escolhas e as lutas da vida real, no jornalismo ou fora dele. E não abram mão de um poder que é vosso, de cada um, e não dos outros: o poder de preservar os próprios ideais.


(*) Carlos Chaparro é português naturalizado brasileiro e iniciou sua carreira de jornalista em Lisboa. Chegou ao Brasil em 1961 e trabalhou como repórter, editor e articulista em vários jornais e revistas de grande circulação, entre eles Jornal do Commercio (Recife), Diário de Pernambuco, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, Diário Popular e revistas Visão e Mundo Econômico. Ganhou quatro prêmios Esso. Também trabalhou com comunicação empresarial e institucional. Em 1982, formou-se em Jornalismo pela Escola de Comunicação de Artes, da USP. Também pela universidade ele concluiu o mestrado em 1987, o doutorado em 1993 e a livre-docência em 1997. Como professor associado, aposentou-se em 1991. É autor de três livros: ‘Pragmática do Jornalismo’ (São Paulo, Summus, 1994), ‘Sotaques d’aquém e d’além-mar – Percursos e gêneros do jornalismo português e brasileiro’ (Santarém, Portugal, Jortejo, 1998) e ‘Linguagem dos Conflitos’ (Coimbra, Minerva Coimbra, 2001). O jornalista participou de dois outros livros sobre jornalismo, além de vários artigos (alguns deles sobre divulgação científica pelo jornalismo), difundidos em revistas científicas, brasileiras e internacionais.’





Adamo Bazani


Repórteres de hoje não têm fontes, 23/02/07


‘Antigamente, o repórter era aquele cara que saía pra rua, passava o dia todo conversando com suas fontes e quase sempre voltava com boas histórias. Hoje são poucos os ‘auto-pautáveis’. Atualmente, uma voz aveludada e uma boa aparência parecem valer mais que a competência.


Na lista das espécies em extinção está a dos repórteres com fontes. Isso mesmo, não que esses exemplares da ‘natureza jornalística’ não existam. São encontrados sim, em rádios, TVs, jornais, mas, numa quantidade cada vez menor. Aquela figura do repórter que chegava todo o dia na redação, ligava pras suas fontes, fazia sua ronda particular e ia pro chefe de reportagem já com uma pauta parece estar chegando ao fim.


A maioria chega ao local do trabalho, bate um papinho com os colegas, abre o e-mail, o MSN, o Orkut e depois de todo esse ritual, chega ao chefe e faz a mesma pergunta todo o dia: o que tá rolando?


O chefe também, em vez de ser um cara com contatos, fontes, e antenado no mundo, puxa uma série de releases de assessorias de imprensa, dá uma olhada ‘com cara de conteúdo’ e entrega a pauta, o próprio release. Essa cena eu me cansava de ver. Estou afastado do dia a dia por causa de um sério problema de saúde, mas quando voltar ao combate, tenho certeza, é o que eu vou voltar a ver.


Nessa, os poucos que têm fontes, mesmo que poucas fontes, se destacam. Mas nem sempre.


O mercado tem sua culpa. Primeiro a rede de Q.I – Quem Indicou. Depois a bundalização do jornalismo, principalmente o da TV. Cada vez está mais bonita a tela, já perceberam? Repórteres que poderiam, se já não foram, misses, modelos, cantoras pop…Coisa mais linda…Só que uma boa parte, só isso. Não é nenhuma discriminação contra mulheres bonitas no mercado, mas é fato. Algumas dessas modelos-news, estão em frente ao quebra-pau de GCM e Camelô, ligam para a redação e perguntam pro chefe: O que eu faço aqui agora?


Gordos na reportagem de TV? Xiiiiii, se não forem gordos estridentes apresentadores, podem esquecer. O repórter de TV tem de ser magrinho, simpático e bem penteadinho. Para o gordo? Serve a produção, redação e escuta, ou seja, levantar toda a matéria, fazer tudo praticamente e nem ter o nome divulgado nos 0,00000000001 segundo do Gerador de Caracter.


Até em rádio, que não aparece a cara, a bundalização tem sido presente.


Só resta lamentar pela má qualidade do jornalismo em todas as modalidades. Pois quantas histórias boas que acontecem aí do lado de sua casa, com a vida do cara que pega ônibus com você todo o dia, na porta do hospital lotado, na agência do INSS (ah, essa eu peguei um monte de história que ninguém se interessou) e que passam no anonimato.


E viva o novo jornalismo, cada vez mais, digamos, bonitinho.


(*) Repórter (feio) da CBN. Fonte: Madrugada News’




VIOLÊNCIA & IMPRENSA
Bruno Rodrigues


Para João Hélio, FerVil e tantos outros, 22/02/07


‘Nessa semana de entressafra, entre a Quarta-Feira de Cinzas e o início – ainda que não-oficial – do ano, faço coro com tantos colunistas indignados: este Carnaval não era para ter existido. Era para ter sido a semana de luto pelo menino João Hélio.


Não adianta tecer teorias sobre o que poderia ser feito, pois seria correr atrás do próprio rabo. Somos nós os responsáveis, não tenho dúvida, mas longe da visão cristã ‘culpa & arrependimento’: votamos em quem manda no país, aqueles que poderiam fazer alguma coisa – e que não fizeram nada. Agora, até podem fazer algo pelo seu filho ou pelo meu, mas pelo pequeno João não adianta mais.


Tive raiva da minha naturalidade, e aí cabe o duplo sentido: sou do Rio de Janeiro e acho tudo muito natural. ‘É exceção’, pensamos nós, os cariocas, antes de irmos à praia. ‘Não vamos exagerar’, alivia a turma do ‘deixa disso’, nas noites da Lapa e do Leblon.


Soltei os cachorros em meu blog, o Cebol@:


‘Faça a seguinte comparação: imagine um menino passando férias em uma fazenda com uma penca de coisas a fazer, de subir em árvore a tomar banho de rio, de jogar bola a ouvir histórias da avó.


Agora pense neste mesmo menino ficando de castigo, e a mãe dizendo: ‘que feio! para aprender, você vai ficar uma semana sem tomar banho de rio!’.


Ah, meu amigo, com tanta coisa além para fazer, qual é o moleque que vai dar a mínima para um castigo desses? Só se for muito mané.


O Rio de Janeiro e nós, cariocas, nos merecemos por isso – para o bem e para o mal.


Para cada caso de violência, tem um show do Zeca Pagodinho no Morro da Urca… Vai se revoltar com o quê?


Afinal, gente, a vida continua, o Carnaval vem aí e me traz mais um chope.


Eu disse que era divagação, mas acabou como desabafo, mesmo…’


João não foi o primeiro nem será último a morrer neste limbo de poder-e-não-poder público. A frase soa como clichê, não é? Não deveria.


Em julho de 2004, perdi um amigo e a área de conteúdo online no Brasil o seu pioneiro, Fernando Villela, o FerVil. Ele parou o carro em um sinal, enfiaram o cano de um revólver pela janela entreaberta, veio o susto e pam, foi-se FerVil – que tinha 30 anos.


Em meu primeiro livro, de 2000, eu pedi ao Fernando que escrevesse a apresentação, e repeti o texto no segundo, no ano passado. A prosa era tão atual, tão visionária, que nem precisei editar. Quem dera o dia-a-dia fosse previsível assim.


Há alguns meses sugeri à amiga Anna Catharina, do Comunique-se, a criação de um prêmio especial para o jornalismo online, e que o nome fosse ‘FerVil’. Ninguém mais esqueceria o Fernando e, indiretamente, a violência que o levou.


Será que precisa? A bem da verdade, por um bom tempo haverá outro João Hélio, outro Fernando, para nos lembrar que nem tudo melhora com o tempo.


(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, e de sua continuação, ‘Webwriting – Redação e Informação para a web’. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’




CARNAVAL & MÍDIA
Milton Coelho da Graça


Falta Galvão no carnaval da Globo, 22/02/07


‘Levou algum tempo, no início da televisão, para as emissoras entenderem que as transmissões esportivas não podiam seguir o modelo do rádio. O rádio-ouvinte quer ‘ver’ o jogo através da descrição do locutor, mas o telespectador já está vendo, como se estivesse numa cadeira numerada do estádio, e foi necessário criar um novo estilo – finalmente consagrado por Galvão Bueno – que busca informar apenas complementando a imagem.


Temos transmissões de desfiles carnavalescos há muitos anos, mas a Rede Globo, a meu ver, ainda não conseguiu encontrar o ‘tom’ adequado para o trabalho jornalístico. Como telespectador, acima de tudo, quero ver e ouvir o desfile das escolas, mas a quipe da Globo fala quase sem parar e, na verdade, ‘atravessa’ o desfile.


Cada escola de samba no Rio desfila durante 80 minutos e o ideal seria, a meu ver, que os comentários fossem curtos e espaçados, permitindo que cada telespectador possa curtir as imagens e a música: cada detalhe da letra do samba, a interpretação de cada ala, a malemolência dos puxadores, as sutilezas da bateria, a entrada dos agogôs, o repique dos tamborins, tudo enfim.


As reportagens nos intervalos são ótimas e, com uma pauta rica e bem montada, é possível dar todas as informações essenciais ao entendimento da proposta de cada escola. Começado o desfile, a imagem e o samba exigem toda a atenção. O desfile é uma super-ópera, um supermusical da Broadway. Tem sentido ficar explicando cada canção, cada movimento dos bailarinos?


Chamem o Galvão, ele explica isso direitinho.


Chorem comigo a derrota da Império


Para quem gosta de carnaval, o rebaixamento de uma das ‘grandes’, históricas, é sempre uma tristeza. E, para quem, como eu, começou a gostar de samba lá em cima na Serrinha (morro onde nasceu a Império Serrano), há mais de meio século, a tristeza é quase inimaginável. Mas nem vou dizer nada sobre isso.


O companheiro Marcelo Moutinho escreveu um artigo na página Opinião-Editorial de O Globo (‘Império dourado’), imperdível para quem deseja entender a alma, as entranhas do Rio de Janeiro. Aqui o carnaval junta alegria, mulher bonita, criatividade musical e artística, droga, pilantragem, crime organizado, jogo-do-bicho, corrupção, tudo isso em absoluta harmonia e ao som de um ritmo transatlântico e colorido.


O Rio, graças às origens e tradições do carnaval, é uma sociedade urbana singular em todo o mundo. E, sem a Império Serrano, o desfile principal não será o mesmo.


Cana tem também um gosto bem amargo


Nossos índices de maior desigualdade de renda e pior qualidade de educação coincidem muito com as áreas em que predomina a cultura da cana de açúcar, cuja expansão o governo promete apoiar como máximo empenho para aumentar rapidamente a produção de etanol.


Os Estados Unidos ajudaram muito o Brasil, desde a década de 60, a expandir a produção e a produtividade da cana – tanto agrícola como industrial de açúcar -, para não dependerem de Cuba. Agora também oferecem cooperação para o maior aproveitamento da cana como fonte de biocombustível.


Esta poderia ser uma grande oportunidade para condicionar o avanço econômico ao avanço social nessas áreas. Infelizmente não surgiu, pelo menos até agora, uma defesa firme desta tese, nem no governo, nem na oposição e nem mesmo na mídia. Vale a pena recordar que Miguel Arraes se tornou um líder popular nacional e objeto do ódio das forças civis e militares que comandaram o golpe de 1964, apenas porque prometeu durante a campanha para Governador de Pernambuco em 1962 – e cumpriu – exigir o pagamento do salário mínimo aos trabalhadores rurais do Estado.


(*) Milton Coelho da Graça, 76, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.’




JORNALISMO ESPORTIVO
Marcelo Russio


Novidades mais que bem-vindas, 22/02/07


‘Olá, amigos. A ESPN Brasil inaugurou, em 2007, um pacote de programas interessantes, que mexeram com a sua grade e deram ao assinante uma maior variedade de opções esportivas ao longo da semana. A maioria delas me pareceu interessante, porém os formatos precisam ganhar um toque mais brasileiro.


O interessantíssimo’The book is on the table’, sobre esportes americanos é, a meu ver, o melhor de todos. Tirando-se o título, que me pareceu pouco criativo, a atração, comandada pelo seguro Everaldo Marques, mostra a fundo os esportes que nós aqui no Brasil acompanhamos meio de longe, como beisebol, futebol americano e hóquei no gelo, dando-nos informação, análise e um aprofundamento bem legal aos temas.


O ‘Fora de jogo’, que edita em português um programa da ESPN Latina, é legal, mas poderia ser menos fiel ao formato original. A meu ver, o ótimo Paulo Calçade está um pouco engessado na comando do programa, provavelmente tendo de dar o mesmo tom que os argentinos e espanhóis aos temas. Não sei se, por questões contratuais, o programa deve seguir o formato original à risca, mas acredito que, se as letras miúdas não forem empecilho, é questão de tempo para que o programa e seus participantes ganhem mais desenvoltura e sejam menos ‘travados’ aos olhos dos assinantes.


O ‘É rapidinho’, na minha opinião, sofre do mesmo problema do ‘The book…’: o título é óbvio, sem muita criatividade, mas a idéia é ótima. Comentários telegráficos, em 1min45s cada, sobre diversos temas do esporte atual. Acho que os debatedores podem se organizar mais, para que não atropelem um ao outro, mas isso é questão de ajuste fino. Ou cada um fala sobre um tema, ou diminui-se o número de debatedores. Três para falar de um mesmo assunto em menos de dois minutos é, a meu ver, um certo exagero.


Por fim, o ‘Juca Kfouri entrevista’ é, como o nome já diz, um programa de entrevistas pelo craque Juca Kfouri. Assisti à entrevista com Paulinho da Viola, e me pareceu um pouco arrastada, justamente pelo estilo do músico, calmo e tranqüilo demais para falar de esporte, de futebol e de Vasco, tradicionalmente um time quente dentro e fora do âmbito esportivo. Mas o formato é valorizado pela excelência do entrevistador, sem dúvida.


Mesmo precisando de alguns ajustes, os programas mostram a disposição da ESPN Brasil em inovar e melhorar a sua programação, brindando os seus telespectadores com novos programas, novos formatos e a velha e boa disposição de fazer um bom jornalismo esportivo.


(*) Jornalista esportivo, trabalha com internet desde 1995, quando participou da fundação de alguns dos primeiros sites esportivos do Brasil, criando a cobertura ao vivo online de jogos de futebol. Foi fundador e chegou a editor-chefe do Lancenet e editor-assistente de esportes da Globo.com.’




JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu


Cinzas do carnaval, 22/02/07


‘A caatinga é consoante


O cantador é vogal


O grito eleva radiante


O que nos falta no sol


(Nei Duclós in Novos Poemas)


Cinzas do carnaval


O considerado José Truda Jr., que passou insone todo o chamado tríduo momesco, a arrastar correntes em sua mansão de Santa Teresa, cujo telhado sofreu com as peripécias do helicóptero da Globo, conseguiu despachar na tarde desta quarta-feira de cinzas:


Entre um zap e outro, passei pelo excelente jornal TV Esporte e Notícia, da Rede TV!, quando uma belíssima apresentadora anunciava:


‘Não deu muito certo a iniciativa do compositor Carlinhos Brown de formar um bloco sem cordão de isolamento entre os foliões pagantes e não pagantes: uma briga de gangues terminou em tiroteio que resultou em um morto e um baleado no pescoço.’


Pois prefiro nem imaginar se tivesse dado tudo errado na iniciativa do genial artista soteropolitano!


TV Comunitária


A coluna cumprimenta e deseja boa sorte ao velho e considerado amigo José Alberto da Fonseca, que acaba de assumir a direção da TV Comunitária de Belo Horizonte, Canal 13, como anuncia o sempre bem-informado Edu Ribeiro. Zé Alberto, que é publicitário de origem, vai investir principalmente no jornalismo.


Quem foi o craque?


Notícia da Agência Ansa que saiu no UOL Tablóide:


Italiana engravida e pede dez testes de paternidade


Uma garçonete italiana que trabalha em um bar temático esportivo ficou grávida e pediu testes de paternidade para quase um time de futebol inteiro (…) A garçonete vive em Val Venosta, Alto Adigio, norte de Itália, segundo informou hoje o jornal em língua alemã de Bolzano, Tageszeitung. O caso, especificou o jornal, aconteceu em um povoado do vale de Merano.


O colunista achou estranho a moça desconhecer o pai, porque desde menino ouve dizer que mulher sempre sabe quem chegou lá onde a coruja dorme, porém Janistraquis, mais vivido, arriscou palpite:


‘Considerado, quando a moçoila aprecia os prazeres de uma boa suruba na concentração do time, fica difícil encontrar quem chegou junto…’


Catilinária


A propósito daquele sensacional projeto que acaba com os vestibulares nas universidades, substituindo-os por sorteios, o considerado Camilo Viana, diretor de nossa sucursal em Minas Gerais, repassa à coluna a carta que Otacílio M. Guimarães, criador de cabras no sertão da Bahia, enviou ao responsável pela idéia, senador Sibá Machado, carta na qual escreveu, entre tantas diatribes:


(…) Não poderia deixar de parabenizá-lo por essa iniciativa, até porque o senhor se superou com esse projeto. Aliás, os petistas sempre estão me surpreendendo. Quando eu imagino que o estoque de imbecilidades, de burrices, de idiotias, de má fé , de desonestidades, de falta de respeito para com a sociedade brasileira acabaram , sempre aparece um petista se superando e apresentando mais uma.


Leia no Blogstraquis esta que chamaremos de ‘Catilinária sertaneja’


Tadeu Schmidt


Janistraquis comemorou os gols da virada do Vasco contra o Fast Clube, em Manaus, e comentou:


‘Considerado, precisamos reconhecer que o excelente repórter Tadeu Schmidt é também, longe e longe, o melhor apresentador do Globo Esporte; boa voz com perfeita entonação, simpático, bem-humorado, inteligente e, ainda por cima, tem pinta de galã.’


Verdade. Tadeu é dez.


Deus é paraguaio


O considerado Marcos Alfredo da Rocha, de Florianópolis, envia manchete da editoria Mundo, da Folha Online:


Bispo candidato à Presidência do Paraguai teme atentados


Rocha achou ‘esquisitíssimo’:


‘Ora, bispos são, na verdade, altos executivos dessa poderosa multinacional que tem sede no Vaticano. O eleitor paraguaio vai sufragar semelhante candidato?’


Janistraquis, que nunca votou em quem tenha vestido batina alguma vez na vida, ponderou:


‘Considerado, como tudo nesse belo país vizinho carece de autenticação, Dom Fernando Lugo garante que é ex-bispo, embora a Santa Sé não tenha aceitado a renúncia dele. De todo modo, é louvável a tentativa paraguaia de abrigar-se nos braços do Altíssimo. Em contrapartida, por aqui continuamos no maior inferno…’.


Crioulo doido


Nosso correspondente na Europa, o considerado Giulio Sanmartini, este que é o mais carioca dos italianos em atividade na imprensa brasileira, despacha da sede em Belluno:


A primeira página do Globo Online anuncia que Explosão em trem mata 66 pessoas na China.


Fui dar uma olhadinha e, ao clicar para ler a matéria, descobri que a tal explosão se deu na Índia! Tudo bem, não é mesmo?


Tudo bem, sim, ó Sanmartini; não se pode esquecer que estávamos a brincar o carnaval…


Fora do real


O senador Cristóvão Buarque, que como todos sabem nasceu e se criou na Noruega, a respirar aquele sossego de nação rica e culta, reagiu assim à idéia de se reduzir a maioridade penal no Brasil:


‘É um instrumento de vingança.’


Janistraquis, que adora tais manifestações de arrogância travestidas de piedade cristã, comentou:


‘Pois é, considerado; o senador empunhou a bandeira da educação na tentativa de presidir e pacificar este país. Todavia, se o povo quisesse mesmo ser educado não teria preferido reeleger um analfabeto. Mas, compreende-se o equívoco do senador; para um estrangeiro rico, um escandinavo como ele, é difícil entender um país de m…’.


Iguaizinhos


Depois de avaliar os discursos de cada um e também a biografia política, Janistraquis chegou à seguinte conclusão:


‘Considerado, o Arlindo Chinaglia é apenas um Severino Cavalcanti com sotaque paulista…’


Nei Duclós


Leia no Blogstraquis mais um poema do sempre bem lavrado campo no qual Nei Duclós semeia seu talento.


Convívio social


As pessoas politicamente corretas e de excelente coração defendem a tese segundo a qual as penitenciárias não existem para castigar, mas para recuperar os bandidos; ao condenar a alguns séculos de reclusão quem cometeu crime hediondo, séculos que se transformam automaticamente em cinco anos, o judiciário brasileiro pretende devolver o assassino ao convívio social, reabilitado e pronto para se candidatar a deputado nas próximas eleições.


É muito diferente do que fazem os americanos, esses bárbaros filhos e netos de John Wayne, que punem os facínoras com pena de morte e também com a prisão perpétua sem direito a liberdade condicional. Quer dizer: o elemento é jogado ali dentro e deixa na porta toda a esperança, como no inferno de Dante. Para os cultíssimos e sensíveis brasileiros tal perversidade é inadmissível numa pátria cristã.


Esta coluna pergunta aos seus considerados leitores: quantos assassinos perigosos vocês conhecem que estão recuperados depois dos tais cinco anos de cadeia? Quantos se transformaram em cidadãos respeitáveis e tementes a Deus? Respostas na área de comentários ou no endereço eletrônico abaixo.


Milhão e bilhão


Cansado de ler e escutar jornalistas confundirem todos os números, o considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal em Brasília, cidade carnavalesca por excelência, ou melhor, excelências, pois Roldão envia o seguinte lembrete para ser lido e decorado pela meninada:


Vale a pena fazer uma comparação entre milhão e bilhão para demonstrar como não se tem noção do que seja um bilhão: leva apenas cerca de onze dias e meio para um milhão de segundos desfilarem, ao passo que são necessários cerca de 32 anos para um bilhão de segundos cumprirem o mesmo trajeto, se me permitem o carnavalesco paralelo.


Nota dez


Ferreira Gullar, considerado jornalista, poeta, prosador, crítico de arte, etc., etc., intelectual e cidadão acima de qualquer suspeita, escreveu em sua coluna da Folha de S. Paulo sob o título O bandido como vítima:


(…) Quando se fala, como agora, em alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente, alega-se que o agravamento das penas não reduz a criminalidade, o que é verdade. Mas tampouco mantê-lo brando, como é, a tem reduzido, uma vez que, para o desespero de todos nós, ela aumenta e se agrava a cada dia.


Leia no Blogstraquis o excelente artigo que paira sobre a mediocridade geral da nação.


Errei, sim!


‘NO VENTILADOR – Pessoalmente, considerei um exagero a Folha de S. Paulo estampar semelhante manchete de página. Empresa faz papel higiênico com rolo de 80 metros, dizia o titulaço em oito colunas do caderno Negócios. Janistraquis também achou esquisito ‘em princípio’, mas ponderou com sabedoria: ‘Considerado, pela quantidade que estão jogando no ventilador, oitenta metros ainda é pouco…’. Argumentei que, se foi mesmo essa a intenção do editor de Negócios, eu poderia rever minha posição. Janistraquis prometeu investigar.’ (junho de 1990)


Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP) ou moacir.japiassu@bol.com.br).


(*) Paraibano, 64 anos de idade e 44 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu oito livros, dos quais três romances.’




COMUNIQUE-SE
Cassio Politi


Pesquisa duvidosa dá nó nos miolos do leitor, 19/02/07


‘A reportagem ‘Record e SBT se declaram vice-líderes’ traz os dados de uma pesquisa, mas não explica os critérios. Um leitor desconfiou dos dados: ‘Esses sistemas de medição de audiência são pouco confiáveis, mas eu confio mais no Ibope do que na pesquisa feita nas ruas’.


O dado que gera a dúvida é aquele que diverge da nossa percepção: a TV Cultura está empatada com o SBT na terceira colocação do ranking da audiência. Será?


Eis a questão: esse ranking tem âmbito nacional ou regional? Baseia-se em pontos de audiência ou em pesquisa feita nas ruas? Neste caso, quantas pessoas foram entrevistadas? Para que um levantamento goze de credibilidade, é fundamental que o público entenda como se chegou àquele resultado.


Enganoso


Tudo isso sem contar que o título é falso. Em momento algum, o SBT se declarou vice-líder. Aliás, nem sequer se declarou porque não há mais assessoria na emissora. Lamento que a reportagem do Comunique-se dependa do assessor para conseguir chegar à fonte. Nessa linha, o portal estará condenado a trabalhar sempre com a informação oficial. Furo, nem pensar.


Sugiro que o colunista Eduardo Ribeiro, que há anos circula pelos bastidores do jornalismo, dê à redação uma palestra sobre fontes neste mercado. Não fosse sua coluna ‘Editora Três às vésperas de mudar de mãos’, a dúvida sobre a relação entre Domingo Alzugaray e Nelson Tanure continuaria no mais absoluto sigilo.


Entrevista repercute


A matéria ‘Jornal Nacional foge do padrão para repercutir assassinato de João Hélio’ provocou um debate entre leitores. Alguns afirmaram que a matéria não deixa clara qual foi, afinal, a quebra de padrão. Outros explicaram que o diálogo entre William Bonner e Fátima Bernardes, por si só, já explica a adoção de um formato diferente para os padrões do JN.


Considero que o Comunique-se, nesse ponto, não falhou. A matéria é clara quanto à conduta diferenciada do casal de apresentadores. Destaco, porém, dois verbos mal aplicados:


1. O texto começa assim: ‘O ‘Jornal Nacional’ de segunda-feira (12/02) repercutiu a entrevista…’. Um telejornal pode informar, denunciar, opinar, debater, entre tantas outras nobres ações dentro do jornalismo. Mas nunca repercutir. Uma informação repercute por si só, queira o jornalista ou não.


2. A matéria informa que Fátima Bernardes foi entrevistada por Bonner. Uma prática, no mínimo, esquisita, a de um jornalista entrevistar uma colega. O redator deveria ter escolhido melhor um verbo que definia o inusitado diálogo entre os colegas de bancada.


Sem rotina


Um usuário afirma que o Comunique-se só se preocupa com o que acontece em São Paulo, em detrimento à cobertura do mercado fluminense. Não considero que a redação cometa esse protecionismo, sobretudo pelo fato de ela estar situada no Rio de Janeiro. Houve coberturas de casos envolvendo profissionais da Tribuna da Imprensa, Jornal do Brasil, TV Globo e tantos outros.


Entretanto, pego carona nesse comentário para apontar, novamente, a falta de rotina dos jornalistas do Comunique-se para cobrir os veículos de comunicação. Nada li, no noticiário, sobre a contratação de Alexandre Garcia pela Rádio Eldorado. Essa informação saiu somente na coluna ‘Jornal da Imprença’. Por que a redação não aproveitou a pauta sugerida por Moacir Japiassu, que assina a coluna?


Gafe


A reportagem ‘RSF: ‘ano começa mal para imprensa brasileira’ informa que o apresentador Domingues Júnior, agredido em sua casa, em Porto Velho, trabalha na TV Rondônia. Barrigada! Ele trabalha na Rede TV! Rondônia. O erro merece correção destacada porque a TV Rondônia não apenas existe como é afiliada da Rede Globo e, portanto, concorre diretamente com a afiliada da Rede TV!.


Calendário confuso


Uma matéria publicada dia 12/02 (segunda-feira) começa assim:


‘Caracas, 10 fev (EFE).- O Ministério da Comunicação venezuelano anunciou hoje a suspensão da edição de amanhã do programa dominical da rádio e televisão ‘Alô, presidente’, do governante Hugo Chávez’.


Que salada! A nota saiu na segunda-feira, datada de sábado, informando que o programa do domingo seria suspenso. Afinal, o programa não foi ao ar? Ou a suspensão de sábado foi suspensa?


Bem, é melhor não complicar ainda mais. Vou até simplificar: o programa ‘Alô, presidente’ não foi ao ar no domingo (11/02). E ponto final.


Carnaval


A reportagem ‘Escola de Samba homenageia Band na avenida’ é oportuna, mas deveria levar a redação a rever sua produção. Há pelo menos dois meses, estava exposta no saguão do prédio da Rede Bandeirantes, em São Paulo, as fantasias da Nenê de Vila Matilde.


Embora tenha sido alertado sobre tal pauta meses atrás, o Comunique-se só foi dar a informação às vésperas do Carnaval, muito depois de a TV Globo, que transmite o desfile, informar que a ‘co-irmã’ seria homenageada.


Ouvidoria


Em comentários postados e e-mails enviados nas últimas semanas, alguns leitores cobram deste Ombudsman mais atenção para dois aspectos:


1. Erros gramaticais. Tenho observado deslizes nos textos publicados no Portal, aos quais também estou sujeito. A Língua Portuguesa é cheia de armadilhas. A partir deste mês, terei uma reunião quinzenal com a redação para fazer a ‘crítica interna’. Nesses encontros, abordarei, por exemplo, o mau uso da crase. Mas vale lembrar que o Comunique-se tem o privilégio de contar com o colunista Moacir Japiassu, que cumpre, com um olhar atento e observações inteligentes, o papel de guardião do bom jornalismo.


2. Alguns usuários têm feito um indevido da área de currículos. Um leitor classificou bem a morosidade dos técnicos do Portal para resolver o problema de ‘mendicância’ de emprego ao classificar de ‘agilidade de transatlântico’. Firmo aqui o compromisso de, se não resolver o problema, trazer à tona uma posição clara e transparente do Comunique-se, para que seu usuário não seja lesado. Só não solucionei o caso porque a apuração do problema demandará mais algumas semanas.


Cassio Politi é jornalista. Trabalha com Internet desde 1997. Esteve em projetos pioneiros em jornalismo na Web, como sites da Zip.Net, e no site UOL News, do Portal UOL. Ministra cursos de extensão sobre Jornalismo On-Line e Videorreportagem desde 2001. Deu aulas em 25 estados brasileiros para mais de 2 mil jornalistas. Em janeiro de 2007, tornou-se o primeiro ombudsman do Comunique-se, empresa na qual também ocupa o cargo de diretor de Cursos e Seminários.’


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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana  selecionados para a seção Entre Aspas.


Folha de S. Paulo – 1


Folha de S. Paulo – 2


O Estado de S. Paulo – 1


O Estado de S. Paulo – 2


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