Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 21 E 22/1

Comunique-se

24/01/2006 na edição 365

GRAMPO E MORDAÇA
Bia Moraes

Abraji mobiliza jornalistas contra projeto do governo, 20/1/06

‘A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) está se posicionando contra a idéia do governo brasileiro, que estuda enviar ao Congresso um projeto de lei que muda as regras para escutas telefônicas e prevê a prisão de jornalistas que publicarem trechos de conversas obtidas por meio de ‘grampo’. A entidade pede a mobilização dos jornalistas para impedir que o projeto se concretize.

De acordo com o comunicado distribuído nesta sexta-feira (20/01) pela Abraji aos seus associados, se o projeto for aprovado, a pena pela divulgação de ‘grampos’, mesmo se produzidos sob autorização judicial, será de prisão por três anos e multa, aumentada de um terço se publicada. O texto transforma em crime até mesmo a gravação de conversas próprias quando feita sem aviso ao interlocutor.

A idéia original do governo, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, era enviar o projeto à votação já em fevereiro. Mas, segundo fontes do governo ouvidas pelo jornal, deve haver um estudo mais demorado sobre as conseqüências da lei. O projeto, segundo o jornal, foi elaborado por uma comissão nomeada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.

A Associação Brasileira de Imprensa e a Federação Nacional dos Jornalistas criticaram o projeto. A Associação Nacional de Jornais declarou que apenas pretende opinar a respeito quando o projeto estiver no Congresso.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) é contra qualquer alteração da legislação em vigor que viole o direito constitucional da liberdade de informação. O projeto de lei em elaboração pelo governo federal, segundo noticiado pela imprensa, prevê transformar em crime passível de prisão a divulgação do conteúdo de conversas gravadas por grampos telefônicos. Para a Abraji, isso fere os princípios da liberdade de informação, é uma tentativa de censura e como tal deve ser rechaçado.

A Abraji recomenda que os jornalistas se mobilizem e escrevam à Casa Civil do governo brasileiro criticando o fato de haver sequer a consideração de leis que violem o direito constitucional da liberdade de informação. As cartas devem ser enviadas para:

Casa Civil da Presidência da República

Ministra Dilma Roussef

Palácio do Planalto

Praça dos Três Poderes, 4º andar

Brasília – DF 70150-900

Telefone: + 55 61 3411-1099.’

 

Milton Coelho da Graça

Ministro Márcio, não é por aí, 18/1/06

‘Já tive uma melhor impressão do ministro Márcio Thomaz Bastos, que me pareceu um homem a serviço da democracia apesar de ter cometido pequenos vacilos nas questões do Código de Jornalismo, da anistia e da Ancinav. Mas agora, segundo o jornal Folha de S. Paulo desta quarta (18/1), S.Exa. é candidato a entrar na turma dos Berzoini, Luiz Marinho, Anderson Adauto, Eliseu Resende, Ibrahim Abi Ackel e outros ministros, que não têm um bom lugar na memória dos brasileiros.

Nosso Ministro da Justiça volta a atacar o direito de buscar informação, sob a máscara de ‘conter abusos’ na divulgação de escutas telefônicas.

O grampo, além do Estado, é feito por agências privadas de investigação e até por funcionários de telefônicas a serviço de políticos, empresários, maridos traídos etc. Equipamento de grampo é vendido sem restrição em lojas do mundo inteiro. E o alcance do grampo está atingindo as raias do infinito. Antenas da National Security Agency, dos Estados Unidos, com toda a certeza ouvem as conversas via telefone ou até pessoais entre os presidentes Lula e Chavez.

Todos que usam grampos procuram evidentemente esconder tanto a escuta como o resultado dela. E o ministro da Justiça tem todo o direito de estabelecer as normas que quiser – desde que aprovadas pelo Legislativo e referendadas pelo Judiciário – para regular quem, como, onde e por que pode ser instalado um grampo.

Mas ele escorrega na maionese ao pedir um a três anos de prisão mais multa se a divulgação da escuta ‘se der por meio de jornais e outras publicações periódicas, serviços de radiodifusão e serviços noticiosos, bem como pela internet.’ É óbvio que agentes do Estado – especialmente os ligados ao ministro da Justiça – se sentirão liberados para enquadrar nessa definição os jornalistas e meios de circulação.

Ministro, por favor entenda: 1) no Estado democrático, a eficiência e a garantia da igualdade de todos perante a Lei são diretamente proporcionais à transparência de suas ações, inclusive na área da segurança; e o papel da imprensa é lutar para que isso ocorra e nunca seja esquecido. 2) Para um jornalista, ter acesso a uma escuta equivale a ter conhecimento dela através de uma fonte confiável. 3. O Código Penal e o Código Civil já dão os instrumentos para combater equívocos e abusos.

Uma doença por falta de informação

O dengue é uma doença fundamentalmente provocada por falta de informação. Os governos de todos os níveis – federal, estadual e municipal – são responsáveis, mas os profissionais da comunicação – e nisso incluo jornalistas, assessores, empresas e publicitários, também têm uma forte parcela de culpa.

Se o governo federal gastasse em uma campanha anual contra o dengue apenas 10 por cento dos gastos em auto-exaltação, o risco de contágio seria muito reduzido. Se os governos estaduais e municipais dessem duas três a horas de aula a todos os estudantes de nível fundamental e médio, montariam um poderoso exército de educação sanitária.

Vamos esquecer o fato de que ministros, governadores e prefeitos ficam anualmente empurrando uns para os outros a culpa pela extensão do desastre. Peço a todos os assessores de imprensa na área de educação e saúde que façam um exame de consciência e analisem se fizeram tudo o que era possível na prevenção do sangue. Peço a cada assessor de deputado, senador e vereador que verifique se incluiu essa tarefa na agenda de comunicação com os eleitores. E editores e repórteres, todos estão convencidos de que lutaram para incluir na pauta matérias sobre o dengue. O GLOBO desta quarta (18/1) tem ótima matéria. Mas é uma pena que ela não tenha saído – e seguida de muitas outras – desde novembro.

No caso do Rio de Janeiro, a falta de ação do prefeito é indesculpável.

O grau de infestação de aedes egypti em vários bairros já em novembro alertava para o perigo de epidemia, perigo que se tornou ainda mais nítido com o regime de chuvas em dezembro.

O governo federal realmente fez uma campanha de publicidade em novembro, mas vi poucos anúncios na TV. Se a assessoria do Ministério da Saúde ou algum leitor tiver números que demonstrem a atenção com o perigo, terei o maior prazer em divulgá-los.

Temos todos a obrigação de pensar que poderíamos ter feito muito mais do que fizemos para evitar o dengue. E ir pensando desde já nas ações para o final deste ano.’

 

Comunique-se

Thomaz Bastos afirma que regras para grampos não estão definidas, 19/1

‘O projeto de lei que regulariza a ação dos grampos eletrônicos, proposto pelo Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, ainda está em aberto e o texto final não deve incluir a punição para jornalistas e órgãos de imprensa que divulgarem informações obtidas sob sigilo ou realizadas por meio de escuta ilegal, segundo noticiou hoje (19/01) o jornal O Estado de São Paulo. O periódico credita tais informações a fontes no Ministério da Justiça.

Anteontem (17/01) o blogueiro Josias de Souza publicou em seu espaço no Uol uma matéria levantando a possibilidade de que o projeto de lei punisse com penas de até três anos quem divulgasse esse tipo de informações. Ontem, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) divulgou uma declaração de repúdio a essa possibilidade e a Folha de São Paulo publicou um editorial e dois artigos com o mesmo teor. Mesmo este Comunique-se publicou uma matéria expondo o caso, mas ressaltando que, segundo a assessoria do Ministério da Justiça, o texto discutido não era definitivo.

Hoje, Josias de Souza publicou em seu blog uma entrevista com Thomaz Bastos, onde o ministro reafirma que o documento ainda está sendo elaborado. Após toda a pressão exercida pela imprensa na véspera, Bastos afirmou que acredita que a possível punição dos órgãos de imprensa ‘deve ser discutida. Mas, para discutir, é preciso que haja um ambiente de racionalidade. Se eu sentir que isso vai tocar tão fundo como tocou na Folha, teremos que analisar’.

Sobre a repercussão imediatamente agressiva da mídia e a abertura para debate do projeto, que já passou por consultas públicas e teve várias versões, o ministro afirmou que ‘não temos a pretensão de estar fechados a nenhuma posição. Apenas quero que se faça a discussão. O que estamos fazendo é uma provocação democrática’.

Com informações do Observatório de Imprensa, do IG.’

 

***

Projeto do governo pode cercear a ação da imprensa, 18/1/06

‘O governo federal vai enviar para o congresso um projeto de lei que reformula as regras que regem o uso de escutas telefônicas legais. Segundo noticiou o jornal Folha de S. Paulo no dia 18/01, a medida foi proposta pelo Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e deve receber o suporte do presidente Lula.

Em meio a uma série de mudanças na legislação, o projeto prevê pena de um a três anos de prisão mais multa para jornalistas que divulgarem o conteúdo de grampos, mesmo os que foram realizados com autorização judicial. A pena ainda pode ser agravada em um terço ‘se a divulgação se der por meio de jornais e outras publicações periódicas, serviços de radiodifusão e serviços noticiosos, bem como pela internet’.

Mesmo a divulgação de interceptações ambientais, que são aquelas realizadas em um encontro cara a cara, normalmente com câmera e microfone escondidos, poderá ser proibida pelo projeto. A divulgação de conversas pessoais gravadas sem o consentimento de uma das partes também tem pena prevista de um a três anos.

Essa nova possibilidade de cerceamento da ação da imprensa por parte do governo Lula já encontra resistência interna. Novamente segundo o jornal paulistano, um auxiliar direto do presidente afirmou que a possibilidade de ocorrer uma reformulação do projeto, atrasando assim seu envio para o congresso, é real.

Thomaz Bastos, histórico defensor dos direitos humanos, já defendia essa posição desde o início do governo. Em entrevista publicada na revista Época em 2003, no primeiro ano do governo petista, o ministro afirmou que ‘a escuta judicial é fundamental no combate ao crime organizado. Mas no Brasil há um grande abuso do grampo ilegal e utilização abusiva do grampo legal. A imprensa muitas vezes usa de maneira ilegal grampos que estavam sob sigilo de Justiça.’

Importantes juristas, como Edson Vidigal, presidente do Superior Tribunal de Justiça, e o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, acreditam que a melhor alternativa é investigar quem repassou as informações sob sigilo para jornalistas, mas nunca criminalizar os meios de comunicação. ‘Porém aí se cria o problema da inviolabilidade da fonte’, reflete Busato.

A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça afirmou que o texto final do projeto ainda está sendo debatido pelo governo e que por isso não poderá discutir nenhum dos pontos expostos aqui.’

 

CURSO ABRIL
Comunique-se

23º Curso Abril de Jornalismo começa segunda-feira, 20/1/06

‘Jornalistas, designer e fotógrafos membros da turma da 23ª edição do Curso Abril de Jornalismo começarão suas aulas dia 23/01. O processo seletivo recebeu 2,7 mil inscrições e selecionou 69 participantes para realizar o curso, que é a principal porta de entrada da editora para profissionais de comunicação no início da carreira.

Com o objetivo de formar e modelar futuros profissionais da editora, o Curso inclui palestras, workshops e orientações de profissionais da Abril para que os alunos produzam material jornalístico para revistas, sites, televisão e celulares. Os melhores trabalhos produzidos serão publicados na revista Plug, que é uma publicação anual destinada exatamente à divulgação do conteúdo produzido pelos alunos do curso.

Para o diretor geral do curso, Hamilton dos Santos, o projeto chega a esta edição cada vez mais alinhado à visão estratégica da corporação. ‘Formamos profissionais para produzir e difundir informação, cultura, educação e entretenimento de qualidade em todas as plataformas, comprometidos com os princípios do bom jornalismo’, ressaltou.

A novidade para este ano é a presença de profissionais renomados do jornalismo, que se colocarão a disposição dos alunos para uma troca de idéias. Já confirmaram presença Danuza Leão, Mônica Waldvogel, Mauro Calliari, Daniel Piza, Klester Cavalcanti, Carlos Tramontina, Tales Alvarenga, Carlos Nascimento e Cláudia Vassalo.

O Curso Abril de Jornalismo vai até o dia 22 de fevereiro e neste ano contará com o apoio cultural de Samsung, Instituto Fleury, Universidade São Marcos e Avon. Desde sua criação, em 1984, já passaram por ele 1.260 alunos.’

 

ROMÁRIO
Marcelo Russio

Gol mil ou não gol mil?, 17/1/06

‘Olá, amigos. A polêmica sobre os mil gols de Romário divide a imprensa e provoca muita gente a dar opiniões completamente divergentes. Alguns acham válida a busca do Baixinho, por acharem que Pelé e Zico também marcaram muitos gols contra adversários desqualificados, ou contabilizaram gols feitos quando atuavam pelas categorias de base dos seus clubes. Outros são totalmente contra a marcação de jogos-treino como se fossem amistosos para o baixinho atingir a marca histórica.

O ponto principal de tudo isso está em uma única palavra: marketing. Não importa se Romário fará ou não mil gols, ou se as contas dele incluem partidas de videogame ou de gol-a-gol contra o filho. O importante é que o nome do jogador se mantém em evidência e ele consegue tirar um pouco mais de publicidade para a sua carreira, que ainda não acabou, mas que está a caminho.

A minha sincera opinião é que Romário não precisa disso. O jogador mais importante do Brasil depois da Era Zico merece, pelo que conquistou licitamente, todas as homenagens, como a que recebeu no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, sendo aplaudido demoradamente de pé por todos os presentes à solenidade de premiação dos melhores do futebol brasileiro em 2005. Temporada na qual Romário sagrou-se artilheiro do Brasileirão com incríveis 39 anos e meio. Um feito, sem dúvida. Não tão importante quanto a sua temporada no Barcelona ou sua participação na Copa de 1994, momentos inquestionáveis de um gênio da bola.

Marcar mil gols da forma como Romário vem tentando fazer desmerece a marca e colocará sempre um incômodo asterisco na contabilidade, quando esta for feita. Asterisco que não há na contabilização de gols de Pelé (mais de 1200 gols) ou de Zico (este, mesmo sem nunca ter tentado de todas as formas chegar ao milésimo gol, chegou perto, marcando mais de 800).

O fato é que o Baixinho já fez demais pelo futebol brasileiro, e até por ele mesmo. O marketing que será alcançado com a suposta marcação do milésimo gol (que não tenho dúvidas que acontecerá, seja na data que for, e contra quem for) será passageiro e terá sempre olhos desconfiados sobre si. Há quem diga que o objetivo é atrair o máximo de holofotes para, quando abandonar a carreira, Romário se candidate a algum cargo político na esteira de Eurico Miranda, que pensa em voltar a ser deputado.

Seja como for, Romário, positivamente, não precisa nem da marca nem do mandato para ser lembrado como um dos maiores centroavantes da história do futebol mundial. Pena que o seu ego não se contente com isso.’

 

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Olhando bem…, 19/1/06

‘‘No meio de tanta corrupção, até o urânio é suspeito de enriquecimento ilícito.’

(Janistraquis de Azevedo Varejão)

Olhando bem…

O considerado José Paulo Tupynambá, coordenador do Jornal Eletrônico do Senado Federal, despacha de Brasília:

‘Vocês já repararam que na capa da Playboy de janeiro está grafado ‘trapaçeiros’, assim mesmo com Ç? Parece que houve trapaça.’

É mesmo, Tupynambá. PareÇe, porém Janistraquis acha que pode ser intencional; afinal, Playboy é revista, digamos, erótica, e o Ç parece um C com o rabo solto…

A mãe de quem?!?!

Com sotaque sueco, igualzinho ao que identifica o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, li em voz alta esta legenda de foto publicada na primeira página da Folha de S. Paulo:

O advogado Marcus Valerius é preso na CPI dos Correios por desacato, ao sugerir quebra do sigilo da sua mãe!!! (os pontos de exclamação são para dar uma idéia dos decibéis). E repeti: Sua mãe!!!!!

Janistraquis pulou da poltrona onde dormitava depois do almoço:

‘Minha mãe?!?!?! A minha?!?!?’

É, fica assim mais uma vez comprovado que texto sem revisão pode confundir a cabeça do leitor. Aliás, Janistraquis anda a confundir pacote com capote…

Bons tempos

O considerado Ruy Alberto Paneiro, jornalista de primeiro time, hoje afastado das redações, despacha do Rio de Janeiro:

‘E aí, Janistraquis, gostou desse sublide publicado no Globo online?

Possíveis sanções contra o Irã impostas ao Irã pelo Ocidente poderiam desequilibrar a situação política e econômica do Irã e fazer com que o preço do petróleo suba além das expectativas do Ocidente.

Acho que seria melhor eliminar as repetições e escrever apenas:

Possíveis sanções impostas pelo Ocidente contra o Irã podem desequilibrar a situação política e econômica do país e encarecer o petróleo acima das expectativas mundiais.’

Janistraquis acha o exemplo perfeito para se ter uma idéia da distância entre o jornalismo de hoje e aquele que Ruy Alberto Paneiro fazia no Jornal do Brasil dos anos 70…

Dicionário ruim

O considerado leitor Pregalphoto lia algumas notícias no Google quando esta lhe chamou a atenção:

(…) De acordo com Noelle Chesley, professora de Sociologia na Universidade de Wisconsin e autora do estudo, a fronteira entre o mundo de casa e do trabalho está cada vez mais esbatida.

Intrigadíssimo, Pregal (se me permite a intimidade) escreveu, em mensagem ao colunista:

Mesmo sendo filho de Trasmontano, fiquei pasmo com a palavra que também não achei no dicionário.

Segundo Janistraquis, que está sempre amparado pelos amigos Caldas Aulete, Houaiss e Aurélio, há dicionários e dicionários:

‘O leitor consultou fonte lassa, considerado; os bons dicionários esclarecem que esbatido pode ser amarelado, amarelento, anêmico, branco, cadavérico, claro, desbotado, descolorido, descorado, deslavado, desmaiado, desvanecido, empalamado, empalemado, empambado, enfiado, esmaecido, esmaiado, esvaecido, lívido, livoroso, macerado, macilento, morto, palente, ruço. Ou, simplesmente, pálido.’

Boa escola

O considerado Camilo Viana, diretor de nossa sucursal em Belo Horizonte, de cuja varanda prosternada sobre o Palácio da Liberdade é possível surpreender o jovem JK em maquinações políticas com Benedito Valadares, pois Camilo lia o Diário de Cuiabá quando, na seção Erramos, descobriu que a Folha de S. Paulo fez escola. Vejamos:

— Na edição de 16 e 17 de janeiro, na capa, onde se lê ‘…sábado e domingo, 15 e 16…’, leia-se: ‘…domingo e segunda, 16 e 17…’

— Na página B2, na matéria sob título ‘PRF apreende mais pasta-base na BR-364’, onde se lê: ‘…transporte, que cujo responsável…’, leia-se: ‘…transporte, cujo responsável…’

— Na mesma página, na matéria sob título ‘Ladrões presos com produto do roubo’, onde se lê: ‘…em localizá-lo.’, leia-se: ‘…em localizá-los.’

— Na página B3, na matéria sob título ‘Professora relata experiência com filho’, onde se lê: ‘…luta pela respeito…’, leia-se: ‘…luta pelo respeito…’

— Na página A8, na matéria sob título ‘Bombardeio provoca reação do Paquistão’, onde se lê: ‘…’Ministério de Exteriores…’, leia-se: …Ministério de Relações Exteriores…’

Ufa!!!!!!

Boas Novas

O considerado César Augusto de Oliveira, compulsivo caçador de pérolas jornalísticas, como se autodenomina, despachou de Manaus:

‘O jornal Amazonas em Tempo publicou matéria sobre as filmagens de Segurança Nacional, que estão sendo feitas aqui. Chama a atenção pela presença do ator Thiago Lacerda. Em meio à reprodução das declarações de Lacerda sobre o filme, impressões sobre o Amazonas e outras coisas, a repórter se saiu com esta:

Sobre os próximos trabalhos o ator comenta que em abril ele começa a gravar a nova novela do escritor Manoel Carlos e diretor Jaime Monjardim. Em março ele também irá continuar com o trabalho na peça O Evangélio Segundo Jesus Cristo.

César quedou-se abestalhado:

‘Assim, do jeito que está, saiu também no site do jornal. Até agora não consegui me recuperar do choque! Ou será xóqui?’

Janistraquis, que ama perdidamente todas as religiões, sem exceção, acha que esse ‘evangélio’ deve ser interessante:

‘Tenho a impressão de que divulgará, com a graça de Deus, as boas novas da ignorância geral da nação.’

Vegetariano

Janistraquis, sertanejo de estômago forte, seguiu a sugestão do considerado Jorge Henrique Cordeiro e caiu de boca no vídeo a que todos podem assistir neste endereço: http://www.meat.org/?c=v0106; então, mesmo horrorizado por ver tanta crueldade contra os animais, comentou, com alguma e inegável razão:

‘Esse tal de Alec Baldwin é mesmo cínico, considerado; depois de se refestelar nos generosos filés da Kim Basinger, quer convencer o resto deste mundo faminto de que bom mesmo é ser vegetariano…’

Igualdade racial

O senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, reconhecido internacionalmente como uma das maiores inteligências do planeta, entre todas as cavalgaduras pesquisadas até agora, viu seu ‘Estatuto da Igualdade Racial’ ser aprovado por unanimidade pelo Senado; a Câmara votará a excrescência nos próximos dias.

O que significa esse inacreditável estatuto? Se o considerado leitor quiser conhecer a trolha, vá ao Blogstraquis e leia artigo de Demétrio Magnoli na Folha de S. Paulo e também uma carta que Bolívar Lamounier enviou ao jornal a respeito do assunto.

Janistraquis abriu os olhos e espichou as orelhas:

‘Considerado, se a coisa já anda preta, convém evitar que fique mais preta ainda…’

Suicida

O considerado Ageu Vieira, que entra espertíssimo em 2006, envia esta autêntica pérola do melhor jornalismo de língua portuguesa:

Um morto em atentado suicida contra alvo israelita

O ataque acontece numa altura em que o exército de Israel está a bombardear o norte da Faixa de Gaza.

[ Última actualização às 08:57 do dia 29/12/2005 ]

Ageu não pensou duas vezes:

Seria inédito um atentado suicida sem nenhum morto, hehehe… Não é pegação no pé, mas a notícia vem de Portugal, ô pá! Confira: http://www.tvi.iol.pt/informacao/noticia.php?id=628041.

Danou-se!

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no DF, de onde se pôde escutar o choro convulso dos parlamentares a votar a redução das próprias férias, pois Roldão lia o Correio Braziliense quando lhe feriu os olhos esta notícia deveras bizarra:

PL E PP LIDERAM NA CORRIDA DAS EMENDAS: (…) A proposta também é defendida pelo líder do PL na Câmara, o deputado Bismarck Maia (PSDB-CE).

Roldão, veterano doutras legislaturas menos enroladas, comentou:

‘A Câmara chegou à perfeição; agora, tem até partido com líder de outra legenda!’

Nota dez

Desta vez o melhor texto não é de um jornalista, mas do companheiro Antônio Ermírio de Moraes em sua coluna da Folha de S. Paulo. Leia no Blogstraquis e veja por que o Brasil vai demorar pra chegar lá

Errei, sim!

‘IM-BE-CI-LI-DA-DE – Sob o título ‘Aqui Agora’ passa atestado de imbecilidade atual do Brasil, lia-se na Folha de S. Paulo: ‘(…) A parvoíce dos bombeiros é a mesma dos espectadores que se descomprometem do que os cerca como se fossem concernidos’. Janistraquis leu e releu, depois desabafou: ‘Considerado, se o telejornal do SBT passa atestado da imbecilidade atual do país, que tipo de atestado passaria o texto do redator da Folha?’. Procedente pergunta. Tem a palavra o ombudsman Mário Vítor Santos!’ (agosto de 1993)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP) ou moacir.japiassu@bol.com.br).’

 

INTERNET
Mario Lima Cavalcanti

Plágios e escritas da ‘nova era’, 17/1/06

‘A Internet como a maioria conhece, ou seja, aquela comercial, que começou a se poularizar aqui no Brasil em meados de 1996 com um crescimento considerável de provedores de acesso e portais de conteúdo, nasceu com a maravilhosa proposta de liberdade de expressão. Não demorou muito para começarem a surgiu casos de plágio e de saques de criações alheias. Pouco tempo depois era comum pessoas comentarem: ‘um cara pegou aquela foto que eu fiz e colocou no site dele’. O mesmo se aplicaria também para ilustrações, arquivos de áudio, e, principalmente, textos. E a idéia de liberdade de expressão se confundia com ‘oba oba’. Como muitas coisas, a prática do plágio também expandiu-se para o meio online. Obras da ignorância, ou não.

Segundo post de Jonathan Dube no Cyberjournalist.net, o Honolulu Star-Bulletin, jornal do Hawaii, teria demitido recentemente seu repórter de entretenimento Tim Ryan após uma investigação que concluiu que ele teria plagiado a enciclopédia de participação colaborativa Wikipedia. Segundo o editor do jornal, as matérias feitas por Ryan continham frases ou sentenças que o denunciariam. O plágio foi apontado pelos editores da Wikipedia, que, ainda segundo notícia no Cyberjournalist.net, teria notificado que a linguagem usada em uma das matérias feitas pelo repórter sobre um incidente aéreo bate exatamente com a de um artigo da enciclopédia.

Polêmica à parte, vivemos numa sociedade que não sabe o que é dar créditos. Usar trechos de um trabalho alheio ou se apoiar em algum estudo é muito bom. Citar os autores e dar os devidos créditos é melhor ainda. É gostoso você citar alguém que possivelmente contribuiu de alguma forma para o enriquecimento do seu texto. Mas por que algumas pessoas não dão os créditos? E por que algumas vezes me parece que elas não fazem a menor questão de dar os créditos, de propósito? Infelizmente a ética sempre vai possuir um inimigo mortal chamado má índole. A conscientização não seria o bastante.

Enquanto isso, em outro ponto do planeta, uma outra polêmica, dessa vez relacionada ao ato de escrever (e que pode ferir os sentimentos de muita gente): ‘Blogar é só escrever – Escrever usando um tipo de tecnologia de publicação particularmente eficiente’. A frase foi dita por Simon Dumenco em sua coluna semanal no site AdAge.com, versão online da Advertising Age, e noticiada por vários veículos. Segundo a lógica de Dumenco, quando alguém usa o Word para escrever algum texto que será publicado, esse alguém não é chamado de ‘wordeiro’ assim como ocorre com o termo ‘blogueiro’. ‘É só um programa, pessoal!’, diz o colunista da AdAge. Não sei o que o pessoal que encara a blogosfera de uma maneira mais séria, quase que religiosa, pode pensar de uma declaração dessas. E se ela foi feita, é porque muita gente acredita no blogar como algo mais que simplesmente escrever.

Os dois episódios valem momentos de reflexão. São os plágios e as escritas da ‘nova era’. Até a próxima!’

 

TROCA-TROCA
Eduardo Ribeiro

Que Semana!, 18/1/06

‘Pra quem imagina janeiro como um mês morno, devagar quase parando, por conta das férias, proximidade das festas de final de ano, preocupações com o Carnaval etc, esse começo de 2006 foge totalmente à regra. Está dos mais agitados e vem sendo marcado por mudanças relevantes em veículos de primeira grandeza.

As mudanças na revista Época, penso que a grande maioria dos leitores do Comunique-se conhece, pois foi definida no final do ano passado. Saiu Aluizio Falcão Filho, que acumulava dois cargos, o de diretor da revista Época e diretor Editorial da Editora Globo, e no lugar dele entraram Paulo Nogueira, novo diretor Editorial, e Hélio Gurovitz, diretor de Redação.

Mas as mudanças na revista IstoÉ, anunciadas no final da tarde desta terça-feira, ainda pouca gente sabe. E ela foi exatamente no sentido contrário ao que aconteceu na Editora Globo. Lá o diretor editorial acumulava também a Direção de Redação de Época e o cargo foi desdobrado. Na Editora Três, o diretor Editorial vai acumular a Direção de Redação da IstoÉ e também da IstoÉ Dinheiro. Na verdade, a Três não tinha diretor editorial, mas agora vai ter. E o nome escolhido pelo diretor responsável, Domingo Alzugaray, foi o de Carlos Marques, atual diretor de Redação da IstoÉ Dinheiro. E ele responderá também pela Direção de Redação da IstoÉ, visto que Hélio Campos Mello desliga-se nos próximos dias da empresa, após mais de uma década de serviços prestados. A mudança vai permitir à empresa fazer uma nova experiência: operar sem diretor de Redação. As publicações terão editores-chefes, os quais se reportarão diretamente ao diretor Editorial, cargo que, na Três, era ocupado até então pelo próprio Alzugaray.

Saindo das semanais, vamos ver uma outra mudança importante na Editora JB, de Nélson Tanure (Tanure que, aliás, encampou nova briga na mídia, desta feita contra o repórter Lourival Sant’Anna, do Estadão, que andou escrevendo coisas que desgostaram profundamente o empresário). Augusto Nunes, que já havia ocupado os cargos de presidente da Forbes e vice-presidente editorial do Jornal do Brasil, e que estava há cerca de um ano afastados de cargos de direção, está de volta, agora como diretor de Jornalismo da Editora JB. Será responsável pela linha editorial dos veículos da casa, a saber o próprio JB, a Gazeta Mercantil e a revista Forbes, e atuará como uma espécie de coordenador das três redações, sem responsabilidades administrativas ou encargos burocráticos.

Na Record, o movimento é intenso. A emissora vai reestruturar integralmente o Jornal da Record e já começou a montar uma nova equipe para isso. O que vai acontecer com a velha, é uma incógnita. A esperança é de que boa parte dela seja aproveitada no novo JR, mas isso não parece tão lógico assim. Só nos últimos dias a Record contratou quase dez pessoas e tudo faz crer que continuará contratando. Como a equipe do Boris não foi ainda chamada a participar de nada e, ao contrário, tem sido ignorada na montagem da equipe, ao menos até agora, todos temem pelo pior: a demissão. Começaram por lá esta semana o editor-chefe Valdir Zwetsch, vindo da Rede 21, onde era o diretor de Jornalismo, e o editor executivo José Ochiuso, que estava na Cultura, como chefe do Núcleo de Produção. Outro que pode estar a caminho é o repórter Carlos Dornelles, da Globo. Se ele ainda é dúvida, já bateram o martelo e começaram na Record (todos da Globo ou afiliadas) os repórteres Lúcio Sturm, Silvestre Serrano e Abigail Costa, de São Paulo, Emérson Ramos, de Campinas, Gleisla Garcia, de Goiânia, e Cristiana Gomes, do Rio de Janeiro. E ainda Adriana Araújo, da Globo-Brasília, convidada a dividir a bancada do telejornal com Celso Freitas (ao menos é o que se diz extra-oficialmente). Enquanto não anuncia os novos âncoras, o Jornal da Record vem sendo apresentado interinamente por Heleine Heringer, de 2ª a 6ª.feiras e por Cristina Scaff, aos sábados. E quem está fechando o jornal é o editor executivo Gustavo Assumpção.

Com a saída de Ochiuso da Cultura, houve também por lá uma mexida na equipe. Para o lugar dele na chefia do Núcleo de Produção (resultado da fusão das chefias de Pauta e de Reportagem) foi promovido Evaldo Dell Omo, que era editor-chefe do Jornal da Cultura. Isso abriu espaço para outra promoção, a do Rui Rebello, que subiu para a vaga de Dell Omo. Como segunda de Evaldo no Núcleo, respondendo mais pela Reportagem, está Valdinete Lobello. Davi Molinari, que era chefe de Reportagem antes da fusão, também entrou na roda, promovido a editor-chefe dos Boletins da Cultura, que vão ao ar à tarde e à noite.

Na Rede 21, a sucessão de Zwetsch ainda não foi definida.

Também o jornalismo regional chega com destaque neste início de 2006. Décio Trujilo deixou São Paulo a caminho de Maringá, para ser o editor-chefe do Diário do Norte, jornal que iniciou, em setembro, um intenso programa de modernização, sob orientação da consultoria internacional Innovation Media Consulting Group e de seu diretor para o Brasil, Eduardo Tessler. Trujilo, que deixou a assessoria de imprensa da Febem, onde estava desde que saiu da Gazeta Mercantil, assumiu o cargo na última semana, engrossando o time de profissionais dos grandes centros a caminho da imprensa regional.

Chega para atuar num veículo com 33 anos de existência, com tiragem diária de 17 mil exemplares e que é o terceiro maior do Estado. As mudanças em estudo devem culminar com a apresentação, até meados de maio, de um novo projeto gráfico e editorial.

Há inúmeras outras mudanças efetivadas nesse começo de ano, inclusive na área corporativa, como a ampliação da equipe na agência Burson-Marsteller, que contratou Silvana Cerioni e Cristina Iglecio, ou no JPMorgan, que dispensou Neuza Sanches porque decidiu enxugar sua estrutura de Comunicação no Brasil.

Este J&Cia, por exemplo, acompanhou troca-troca na redação da Mercantil (Denis Cardoso deixou Nacional e está agora em Energia, Rosana Hessel saiu de TI e foi para Internacional e Walter Nunes transferiu-se da Gazeta do Brasil para Legislação), a saída de Luiz Perez da Avião Revue, a promoção de Cláudio Augusto a editor de Nacional e Política do Estadão, no lugar de Mariângela Hamu, que passa a coordenar os especiais de fim-de-semana do Estadão.

O ano, como se vê, promete.’

 

DI FRANCO
José Paulo Lanyi

O professor e o Opus Dei, 19/1/06

‘Tive aula de Ética Jornalística com o professor Carlos Alberto Di Franco, citado na reportagem ‘A vida íntima do Opus Dei’, publicada em 16 de janeiro na revista Época. O texto, assinado por Eliane Brum e Débora Rubin, devassa ‘os interiores’ da, até então, misteriosa prelazia papal, criticada à larga por seus dissidentes brasileiros. Acusam-na de cooptar jovens ingênuos na base da lavagem cerebral, de monitorá-los, tal qual o Grande Irmão, e de impor aos seus (pronome possessivo) uma série de sacrifícios que culminam na autoflagelação (como técnicas físicas e psicológicas que pretendem ‘garantir’ a virgindade). O professor é numerário, membro celibatário do Opus Dei.

Honestamente, não me lembro das aulas de Di Franco. Eu já trabalhava no jornalismo e, para o meu prejuízo, levava a vida acadêmica com mecanicismo. À certa altura, estudava para passar e para pegar o meu diploma. Decorava e ia bem nas provas. Repito: erro meu.

Naquela época , nos corredores da Cásper Líbero, ouvíamos falar do vínculo de Di Franco com o Opus Dei, que nós mesmos classificávamos de ala católica ultraconservadora e ‘de direita’. A bem da verdade, devo dizer que, em suas aulas, não testemunhei nenhum incidente que me levasse a pensar em manipulação das minhas idéias. Talvez porque a influência fosse sutil e, em minha ignorância, eu não conseguisse ler nas entrelinhas. Ou, talvez, porque nada houvesse de aberrante, fosse porque o mestre simplesmente cumprisse o currículo, fosse porque as suas idéias me afigurassem digeríveis. Ai de mim e de minha memória, que sabe de cor a escalação da Seleção Brasileira da Copa de 82!

Di Franco é uma pessoa séria e educada. Com toda a sinceridade que a minha consciência exige, parecia-me (e ainde me parece) uma boa pessoa. Bem-apessoado, era um ‘sex simbol’ das nossas colegas. Um mestre maduro e… misterioso.

Na reportagem da Época, evidencia-se um erro do professor que põe em xeque os ditames da sua especialidade acadêmica: a Ética.

O trecho da entrevista com Di Franco.

Época – O senhor publicou um artigo no jornal O Estado de S.Paulo criticando o Código da Vinci, um livro de ficção que mostra o Opus Dei como uma seita capaz de assassinar para alcançar seus objetivos. O senhor assina como jornalista e professor de ética. O senhor não acha que deveria ter informado ao leitor que é um numerário?

Di Franco – Não, porque não acrescenta nada. Na mídia todo mundo sabe.

Época – O senhor acredita que todos os leitores do jornal sabem?

Di Franco – Todos os leitores não, mas eu não sei o que ser membro do Opus Dei acrescenta ao meu currículo. O que eu fiz foi uma análise do Dan Brown mostrando a sua desonestidade intelectual que qualquer jornalista poderia fazer, budista ou ateu.

Época – Poderia. Mas o senhor não acha que a informação de que quem criticava um livro contra o Opus Dei era alguém do Opus Dei teria sido relevante para o leitor?

Di Franco – Eu fiz uma crítica técnica e não movida por razões religiosas.

O professor erra ao omitir a sua qualificação ao tratar de um assunto que lhe é tão caro. Mais caro do que, antes de conhecer as engrenagens da ‘Obra de Deus’, poderíamos supor. A revista também questiona as razões estratégicas que levaram a organização a criar o Master em Jornalismo, um programa de capacitação coordenado por Di Franco que teria formado duzentos editores dos principais veículos brasileiros.

Representante da Escola de Comunicação da Universidade de Navarra, atrelada ao Opus Dei, o professor – um conselheiro assíduo do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin- nega no artigo lançar os tentáculos da prelazia sobre as Redações: ‘Muitos professores de Navarra que vêm não são do Opus Dei. O Master é um programa técnico de capacitação de editores e não de Religião. O Master tem uma identidade cristã? Claro. Quando eu abro o Master, a primeira coisa que eu faço é dizer que o centro conta com serviço de capelania entregue à prelazia do Opus Dei. Isso implica numa série de serviços de atendimento espiritual para quem queira recebê-los. Deixo absolutamente claro o que acontece aqui. O prestígio do Master não depende do número de gotas de água benta, mas de sua qualificação profissional’.

Mais adiante ele justifica a evangelização midiática:

‘Qualquer pessoa que pense dois minutos percebe que os meios de comunicação são um poderoso facho para o bem e para o mal. Essa preocupação de evangelização tendo em conta os meios de comunicação social é legítima. Mas você poderá difundir a mensagem cristã não com água benta e nem metendo-se a montar estruturas piegas, mas atuando na sua atividade profissional. Estou convicto de que se o mundo tiver mais cristãos ou gente comprometida com sua fé será um lugar melhor’.

Moral da história: quando a ideologia sobressai, o jornalismo fica em segundo plano. O professor Di Franco não é o monstro das catacumbas do Opus Dei. É alguém que tem fé e que usa os meios de comunicação para fazer do mundo ‘um lugar melhor’. É o que acontece com todo ativista – seja ele de que formação venha a ser: comunista, anarquista ou xintoísta. Com a agravante de que, no caso da ‘Obra’, a estrutura é profissional e tem poder de fogo (não me consta que os anarquistas o tenham).

O Opus Dei, a Igreja Universal ou qualquer grande corporação capitalista são cientes de uma obviedade: a mídia é o filé das consciências. Dá dinheiro e poder sobre as mentes. Para o bem e para mal, como diz o professor Di Franco.’

 

O XIS DA QUESTÃO
Carlos Chaparro

Jornalismo não existe para servir o governo, 19/1/06

‘O XIS DA QUESTÃO – Se o governo quiser mesmo ser bem divulgado na imprensa, terá de adaptar-se à cultura jornalística, e deixar de exigir o inverso, como vem fazendo. Além disso, o Planalto precisa urgentemente entender que nem a imprensa nem o jornalismo existem para divulgar o governo. O que existe no cenário da atualidade noticiável não é o governo, mas os conflitos da democracia, cenário do qual o governo, naturalmente, faz parte.

1. Ainda sobre a lengalenga do preconceito

Vamos lá, então, retomar o fio da meada que aqui comecei a desenrolar no texto da semana passada, ao pinçar, da rumorosa entrevista concedida por Bernardo Kucinski ao site Repórter Social, a questão das lamúrias governamentais quanto ao suposto tratamento preconceituoso dado ao governo Lula, por parte da imprensa. Como escrevi, por trás dessas lamúrias há uma tática esperta, dissimulada, que mantém no ar a idéia do preconceito, ao mesmo tempo que o alimenta. Pelo menos quanto a mim (até porque, como tantos outros, também tive mãe analfabeta e fui operário), essa lengalenga do preconceito já cansou. É cínica demais.

Mas havia outro subtema a ser pinçado do conteúdo da entrevista de Kucinski, e que foi deixado para a coluna desta semana, anunciado pela frase que encerrava o texto da semana passada. Na frase, eu considerava de pobreza intelectual lastimável a tentativa de reduzir os problemas de comunicação do Governo Lula a um conflito linear com a imprensa.

Claro que o conflito existe. Pelo que me lembro, nunca um governo se queixou tanto da imprensa quanto este, o do presidente Lula. Também não me lembro de algum outro período em que tenham ocorrido tantas queixas da imprensa contra um governo, como as que se têm ouvido nos últimos três anos, entre os jornalistas que fazem a cobertura governamental.

Como em qualquer outra briga, cada lado terá lá suas razões. E as razões de um lado justificam e alimentam as razões do outro – e vice-versa. A verdade é que, de ambos os lados, haveria numerosas histórias a contar. Eu mesmo conheço uma boa dúzia dessas histórias, umas contadas por gente dos palácios, para demonstrar como o governo é mal tratado pela imprensa, outras recolhidas de jornalistas que se queixam das dificuldades que enfrentam nos gabinetes do poder, para realizar seu trabalho.

Soube, por exemplo, de casos de ministros que chegaram a proibir a divulgação das respectivas agendas diárias de compromissos oficiais – como se, num regime democrático, isso fosse coisa que lhes pertencesse. Em alguns desses ministérios, os jornalistas credenciados não conseguiam ir além das secretárias. Uma coisa dessas nem arrogância chega a ser; é ignorância, despreparo, noção equivocada das próprias obrigações. Ou simplesmente burrice.

Devemos reconhecer, entretanto, que o governo, aqui e ali, também se defronta com práticas jornalísticas que, no mínimo, se desviam das virtudes que ao relato jornalismo jamais deviam faltar: a veracidade, a independência das razões e o exclusivo argumento dos fatos e das comprovações. Exemplo: o que Veja anda fazendo, com o encaixotamento de reportagens em estruturas de enlouquecida argumentação, está muito mais para linguagem de campanha do que para jornalismo crítico.

2. Entendimento equivocado

Ocupemos, porém, o tempo e o espaço que ainda nos restam na coluna para uma troca de idéias com quem a freqüenta, em torno de dois aspectos que envolvem a complicada questão da divulgação jornalística das notícias do governo.

Em primeiro lugar, chamo a atenção para o fato de partirmos de um conceito limitante: por divulgação jornalística se supõe o noticiar de fatos, falas e revelações que levam em conta os interesses da sociedade, não os interesses do governo, embora ambos possam e devam ser compatíveis. Porque na sociedade está a fonte das razões éticas do jornalismo, sem as quais ele não existe nem subsiste.

Ao fazer as suas críticas à Imprensa, o pessoal do governo quase sempre esquece esse elemento de essência do jornalismo, como se fosse detalhe secundário. Talvez tal ‘esquecimento’ explique, até, certas idiossincrasias governamentais, que levam o presidente Lula e seus assessores a acreditarem que as normas e os interesses da cultura jornalística devem-se adaptar à cultura e aos interesses do governo.

Ora, se o governo quer mesmo ser bem divulgado, terá de pensar e fazer exatamente o oposto, ou seja, adaptar-se à cultura jornalística, embora agindo com competência, inteligência e criatividade (o que lhe tem faltado), para que a adequação da sua divulgação às razões éticas do jornalismo não implique sacrificar os interesses discursivos do próprio governo.

3. Múltiplas vozes

Uma segunda idéia, que deveria iluminar a discussão deste assunto, é o entendimento de que nem a imprensa nem o jornalismo existem para divulgar o governo. O que existe no cenário da atualidade noticiável não é o governo, mas a democracia, da qual o governo apenas faz parte.

Imprensa e jornalismo atuam, portanto, numa moldura bem mais ampla do que aquela pensada pelos formuladores das políticas oficiais de comunicação. Imprensa e jornalismo atuam em função de valores éticos, no espaço dos embates da democracia. Desse espaço o governo faz parte, com legitimidade idêntica à das oposições e dos sujeitos sociais organizados que agem ou reagem, na dinâmica da atualidade.

Um jornalismo em que só governo fale, ou só as oposições falem, ou só os contestadores falem, dificilmente prestará bons serviços à coletividade.

Por isso, nem imprensa nem jornalismo devem ser avaliados apenas pela maneira como tratam as os fatos e as razões do governo, mas pela qualidade (ética, técnica e estética) com que relatam e explicam os acontecimentos, os fatos, as falas e as revelações dos conflitos que interessam à democracia.’

 

COBERTURA EMOCIONANTE
Cassio Politi

Incêndio no Joelma: ‘pensei que o Henning tivesse morrido’, 20/1/06

‘Aureliano Biancarelli conta a história desta semana. Quase 32 anos atrás, ele cobriu pela revista Veja uma tragédia que resultou em quase 200 mortes: o incêndio do edifício Joelma, no centro de São Paulo. Durante a cobertura, o então novato na área chegou a pensar que Hermano Henning (hoje no SBT) tivesse morrido. Anos depois, descobriu que algumas vítimas escreveram bilhetes de despedida a seus familiares.

Pouco depois de acordar, na rua Dona Antonia de Queiroz, no Centro de São Paulo, Aureliano Biancarelli começou a ouvir barulho de sirenes. Eram nove e pouco da manhã e a freqüência de ambulâncias e carros de bombeiros passando era cada vez maior. Por ser uma sexta-feira, 1º de fevereiro de 1974, ele chegaria mais tarde do que o usual à redação da revista Veja, uma vez que em dias de fechamento o expediente é mais longo do que o usual.

Recém-formado em Jornalismo pela ECA (USP), ele decidiu seguir o instinto de repórter. Foi caminhando na direção de algo que parecia atrair tanto movimento. No caminho, emissoras de rádio já começavam a falar do incêndio no edifício de escritórios Joelma.

O incêndio começara às 8h50, causado por um problema em um aparelho de ar condicionado no 11º andar. O fogo se espalhou com rapidez. Quando Biancarelli parou na frente do prédio, a polícia nem sequer tinha isolado a área. Tomou um susto ao ouvir um estouro no chão. Depois outro. E mais outro. Eram algumas das 40 pessoas que não suportaram o calor provocado e se jogaram lá do alto. Alguns corpos caíram a cinco metros do jornalista. Uma primeira cena chocante. ‘Você fica anestesiado, pois sabe que não pode ajudar e precisa observar tudo’.

Era preciso manter contato com a redação. Mas os telefones da região estavam congestionados. Os poucos orelhões que funcionavam tinham filas enormes. Era muita gente precisando telefonar. Uma parte queria dizer aos parentes que estavam vivos.

Como se pautar?

Havia mais ou menos 15 repórteres de Veja se cruzando esporadicamente, trocando rápidas informações entre si e com colegas de jornais, rádios e emissoras de TV. Tivesse sido lançado vinte anos antes, o telefone celular teria conseguido organizar o trabalho. Sem contato com a redação, repórteres e fotógrafos tratavam de registrar tudo o que fosse possível.

Biancarelli notou que as pessoas corriam para os andares de cima. Ele subiu num prédio ao lado (possivelmente, o do ‘Banespinha’, onde hoje fica a Prefeitura) e colocou uma moeda numa luneta de observação. Foi assim que testemunhou uma segunda cena marcante: as pessoas no telhado, esperando ser salvas por helicóptero. Dois anos antes, no incêndio do edifício Andrauss, ali perto, muitos se salvaram justamente porque subiram as escadas e foram resgatados por helicópteros. Mas no Joelma era diferente. O calor era intenso e as chamas varriam a fachada do prédio de um lado para o outro. Mudavam de direção repentinamente.

Adeus aos parentes

‘Eu olhava pela luneta e via aquele cenário de pessoas fritando lá em cima. Umas se contorciam por causa do calor. Elas não tinham mais força nem para se jogar’, lembra. Alguns bombeiros desciam do helicóptero no telhado, que fervilhava. As vítimas tentavam se agarrar aos bombeiros. A maioria, em vão. Mais de dez anos depois, fazendo reportagem que relembrava o caso, Biancarelli conversou com um desses bombeiros (cujo nome não recorda). E soube que, ao voltar para casa, à noite, o bombeiro notou que alguns pedaços de papel estavam nos bolsos de sua roupa.

‘O bombeiro me contou que só conseguiu ler dois bilhetes. Não teve coragem de abrir os outros. Eram bilhetes colocados por pessoas que, desidratadas, à beira da morte, se despediam de seus parentes.’

Meu Deus, o Henning!

De volta ao térreo, o jornalista viu o colega Hermano Henning (hoje no SBT) entrar no prédio. Uma forma corajosa de buscar detalhes do resgate. Minutos depois, os bombeiros saíam com corpos das vítimas. Os mortos eram cobertos com cobertores, jornais ou qualquer outro tipo de improviso. Biancarelli acompanhava a saída dos bombeiros e observou que sobre um deles havia laudas da Veja, que os repórteres usavam freqüentemente para anotações na rua. ‘Meu amigo morreu’, foi o que passou imediatamente em sua cabeça. Passou a fazer toda a cobertura mais angustiado.

Repórteres e fotógrafos foram chegando de volta à redação, na Marginal Tietê, em São Paulo, entre quatro e sete horas da noite. Todos tinham detalhes para enriquecer a edição que sairia no sábado fazendo frente aos jornais diários. ‘Quando encontrei o Henning na redação, respirei aliviado. Tinha certeza de que ele tinha morrido’.

Colcha de retalhos

Mino Carta, então diretor de redação, espalhou as fotos ampliadas pela mesa. Fazia perguntas e um ou mais repórteres respondiam. Distribuiu as matérias entre os redatores. Foi essa a tática para conseguir organizar as centenas de informações que a reportagem comportaria. Resultado: cada repórter escreveu sua matéria, como é comum em revistas semanais. Nos tempos da máquina de escrever, cabia aos redatores ler cada reportagem para redigir o texto final. As laudas eram fixadas nas baias e os redatores riscavam os detalhes já mencionados. ‘Com computadores, seria tudo muito mais fácil’, compara Biancarelli.

O fechamento, normalmente na sexta-feira à noite, foi empurrado para as dez horas da manhã. Foi perto desse horário que Biancarelli foi embora às 10 horas. ‘Comecei a assimilar o que tinha acontecido quando cheguei em casa’. Para Biancarelli, hoje com 54 anos, médicos, bombeiros e outros profissionais estão preparados para lidar com a morte. ‘O jornalista é diferente. Ele lida com a morte da mesma forma como lida com Economia. Não está minimamente preparado para isso’, adverte.’

 

MEMÓRIA DO JORNAL
Antonio Brasil

Museus de jornalismo em Washington e Niterói, 16/1/06

‘Estou passando alguns dias na capital do império americano, Washington. Fica em um pequeno espaço, entre os estados da Virginia e Maryland. É uma cidade bonita e aprazível. Bem diferente de Nova Iorque. Tem muitas áreas verdes, monumentos suntuosos e os prédios, ao contrário de NY, são todos baixinhos. Não podem ser maiores do que o Capitólio, sede do congresso americano. Dizem que é uma tradição. Outros alegam questão de segurança.

Além de tornar a cidade mais ‘habitável’, evita acidentes e atentados com aviões suicidas. Poucos lembram que o maior prédio do mundo, o Pentágono fica logo ali, na Virginia e também é um projeto de arquitetura ‘horizontal’. Ao contrário das torres do World Trade Center, a sede do comando militar americano resistiu a um dos ataques de 11 de setembro. Tem gente que diz e tenta provar que o tal avião jamais existiu. Teria sido tudo armação. Mas tramas secretas, teorias conspiratórias e bons exemplos de jornalismo investigativo não faltam na capital dos EUA. Afinal, aqui é a terra do escândalo de Watergate e do Washington Post, o jornal que derrubou um presidente. Mas isso é assunto para outra coluna.

Washington também é conhecida como a capital mundial dos museus. Só do Instituto Smithsonian, existem 16. A maioria é grátis, não cobra nada para você passar horas investigando o passado. Os museus americanos também são um grande negócio. Há cerca de 17.500 museus nos EUA. No último ano, aproximadamente 865 milhões de turistas visitaram essas instituições, ou seja, uma média de 2.3 milhões de visitas por dia. Impressionante.

Tem museu de tudo e para todos. De Ciência Natural, Artes, História Espacial e temas mais particulares como o Museu dos Correios ou o recém inaugurado Museu dos povos indígenas das Américas.

Um pouquinho de história

Segundo o ICOM, International Council of Museums, ‘museu é uma instituição permanente, aberta ao público, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento, que adquire, conserva, pesquisa, expõe e divulga as evidencias materiais e os bens representativos do homem e da natureza, com a finalidade de promover o conhecimento, a educação e o lazer’.

A origem da palavra museu, segundo a mitologia grega, ‘casa ou templo das musas’, está relacionada ‘as nove musas que presidiam as artes liberais, filhas de Zeus, Deus dos deuses, e Mnemosine, deusa da memória’. Do culto dessas deusas, no templo das musas surge o termo museu – no vocábulo grego mouseion e no latim museum – que também significa ‘gabinete de literatos, homens de letras e de ciências’.

Newseum

Mas para nós jornalistas, pelo menos por enquanto, teremos que esperar a inauguração do novo e multimilionário museu do jornalismo nos EUA, o Newseum, combinação das palavras News (Noticiário/Jornalismo/Imprensa) com a palavra Museum (Museu).

O projeto orçado em cerca de 400 milhões de dólares, bancado pelas empresas de comunicação americanas, tem inauguração prevista para 2007. O Newseum promete ser um museu vivo, uma revolução em termos de museus da era digital.

Se você quiser dar uma olhada, fazer uma visita virtual em 3D as futuras instalações do Newseum, é só clicar aqui. Vale a pena. O projeto é extraordinário e está localizado num dos lugares mais valorizados da capital americana, na Pennsylvania Avenue. O novo museu do jornalismo americano terá de tudo. Além do acervo tradicional com coleção de jornais, fotos, equipamentos, o novo Newseum terá espaço para exposições permanente, auditório para conferencias, e um estúdio de TV com vista para o Capitolio e a Casa Branca.

O Newseum existe desde 1997, é uma instituição privada, pertence ao Freedom Fórum e antes estava localizado em Arlington, na Virginia.

Hoje, o Newseum online, o primeiro museu interativo de notícias internacionais, já disponibiliza na seção Today’s Front Pages as capas dos principais jornais de todo o mundo. São mais de 400 primeiras paginas de jornal de cerca de 40 países, inclusive o Brasil, atualizadas diariamente. É uma ótima dica para os jornalistas, professores, pesquisadores e estudantes de jornalismo.

Museu da Imprensa Brasileira

No Brasil existem cerca de 1300 museus ou ‘instituições museológicas’ que apresentam uma grande diversidade. Na ex-capital do império brasileiro, o Rio de Janeiro, também há museus para todos os gostos e interesses. Tem museu do Índio, do Bonde, dos Teatros, da Justiça (deve ser virtual) e até mesmo um ‘Museu das Imagens do Inconsciente’.

Mas se você estiver interessado na História da Imprensa Brasileira você não vai encontrar um museu em Brasília ou no Rio de Janeiro.

Para conhecer a História do Jornalismo brasileiro você terá que cruzar a Baia de Guanabara, ir até Niterói e visitar o lugar onde nasci. Calma. Eu explico.

O Museu da Imprensa Brasileira, inaugurado no dia 1 de junho de 2002, dia da Imprensa Brasileira, está localizado nas antigas dependências da Imprensa Oficial do Rio de Janeiro, na Rua Marques de Olinda, 29 no centro de Niterói. Eu nasci e fui criado num pequeno prédio ao lado da Imprensa Oficial, no numero 25. Fui criado vendo da minha janela, os ‘jornalistas’ e as impressoras trabalhando para publicar o Diário Oficial. Nunca tive maior interesse nas publicações da tal Imprensa Oficial. Não perderia o meu tempo. Mas sempre tive a maior curiosidade sobre o trabalho dos impressores e dos profissionais das palavras, os jornalistas.

Vivia cercado pelas velhas impressoras e pelas novas fotografias. Do outro lado, bem próximo, na mesma rua, também havia o prédio da Associação dos Fotógrafos do Estado do Rio de Janeiro. As exposições anuais eram maravilhosas. Como diria o velho Freud, não há coincidências. Somente ‘sincronia’. Meu destino estava ‘escrito’ nas palavras e nas imagens.

Mas quantos jornalistas conhecem ou já visitaram a minha rua, quero dizer o Museu da Imprensa Brasileira?

Segundo a divulgação da instituição, o museu, único especializado em história da imprensa do Brasil, ‘representa o resgate e a preservação da memória da imprensa do país, promovendo a integração da sociedade e a defesa das liberdades democráticas’.

Possui um grande acervo de publicações que registram momentos importantes da nossa história. Uma das principais atrações do museu de Niterói é a replica da prensa utilizada por Gutenberg para imprimir pela primeira vez um livro através de tipos móveis: a Bíblia de Gutenberg, conhecida como o marco inicial da imprensa escrita.

A divulgação destaca a exposição permanente ‘O Brasil na Era da Imprensa’, onde o visitante pode ver alguns livros, álbuns, exemplares raros de jornais do país.

O Museu também conta com ‘recursos audiovisuais e sala de vídeo onde serão exibidos filmes sobre a historia da mídia televisiva e radiofônica’.

Mas, em plena era digital, este é o ‘ponto fraco’ do nosso museu do jornalismo. Apesar de existir um site na Internet (ver aqui), não consegui fazer uma visita virtual ou sequer ver as primeiras páginas dos jornais brasileiros. Deve faltar verbas públicas. Não consigo entender porque as ‘riquíssimas’ e tão lucrativas empresas de comunicação brasileira não bancam um projeto tão importante. Todos esperam que as iniciativas culturais sempre sejam bancadas pelo governo. Qualquer governo.

Creio que a FENAJ também poderia e deveria assumir a direção de um projeto tão importante para o jornalismo brasileiro como o Museu da Imprensa. Afinal, resgatar a memória do jornalismo pode evitar que as próximas gerações cometam os mesmos erros do passado. O nosso futuro, nossa memória e as futuras gerações certamente agradeceriam.’

 

CORRUPÇÃO NO AMAPÁ
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Folha do Amapá denuncia corrupção entre jornalistas do estado, 20/1/06

‘O jornal divulgou documentos obtidos junto à Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) que comprovam o pagamento de um valor mensal para diversos jornalistas, veículos de comunicação e políticos do Estado. Segundo o periódico, o dinheiro seria uma bajulação feita pelo governo para que os jornalistas mantivessem um tom amistoso em relação ao poder nas matérias publicadas em seus veículos. Os envolvidos no esquema receberiam entre R$ 300 e R$ 60 mil por mês.

Dentre os nomes citados pela Folha do Amapá, estão uma boa parcela dos radialistas de programas jornalísticos de FM, detentores de concessões públicas de emissoras de rádio e/ou televisão, donos de veículos de comunicação e sete dos 24 deputados estaduais. Os documentos obtidos são datados de 2003 e 2004 e estão timbrados pelo governo do Amapá e pela Secom e carimbados e assinados pela chefe da Divisão de Editoração da Secretaria de Comunicação do Estado.

Fontes do jornal apontam que o esquema teria surgido a partir de contatos com a mídia do ex-secretário de comunicação do estado, Olimpio Guarany, que teria organizado a lista de jornalistas e instituições que de alguma forma prestaram serviços ou deram apoio durante a campanha do atual governador Waldez Góes (PDT). Como forma de compensar essas ligações escusas, a propina teria se estabelecido por meio da agência de publicidade e propaganda Amazoom Sistema de Comunicação, que realizaria os pagamentos e ganhou em uma duvidosa licitação, em 2003, as contas publicitárias do Governo do Estado do Amapá. A agência de propaganda seria apenas um intermediário entra a Secom e os receptores, para camuflar a operação

A matéria original traz cópia dos documentos incriminadores e lista os beneficiados pelo esquema, mas estranhamente omite os nomes dos dois empresários receptores das duas maiores propinas.

Em matéria mais recente, do dia 20/01, o jornal atesta que o poder público estadual ainda não tomou nenhuma providência para investigar o caso. Porém, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) cobrou atitude do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amapá (Sindjor), que, por sua vez, afirmou que as pessoas que aparecem nessa primeira lista divulgada na verdade não são jornalistas, já que nenhum deles tem registro profissional ou provisionado, expedidos pela Delegacia Regional do Trabalho.’

 

REGISTRO PROFISSIONAL
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Registros precários de jornalistas são invalidados, 17/1/06

‘Na edição dessa segunda-feira (16/01), do Diário Oficial da União, portaria nº 3, de 12 de janeiro de 2006, foi decretada a invalidade dos registros precários de jornalistas, concedidos em razão da liminar e da sentença da Juíza Carla Rister. A portaria assinada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, determina às Delegacias Regionais do Trabalho que ‘procedam a imediata intimação individual dos interessados que tiveram seus registros profissionais ora declarados inválidos por via postal com aviso de recebimento’.

Luiz Marinho também orienta aos delegados regionais do trabalho a dar prosseguimento aos processos relativos aos autos de infração suspensos por causa da antecipação de tutela e da sentença, revogadas em 26 de outubro passado, em decisão unânime da Quarta Turma do Tribunal Regional Federal – 3ª Região. Essa portaria estabelece também a retomada da fiscalização sobre o exercício ilegal da profissão, com base na legislação que regulamenta a atividade profissional no Brasil.

Claudismar Zupiroli, assessor jurídico da FENAJ, afirma que a portaria publicada no DO dá amparo legal às decisões administrativas, divulgadas através de memorandos, e que anteciparam a decisão e os procedimentos formais para o cancelamento dos registros precários.

O ministro Luiz Marinho, por conta das negociações em torno do reajuste do salário mínimo, suspendeu a audiência com a Direção da FENAJ que deveria acontecer nesta terça-feira, 17/01. A Federação aguarda uma nova data, onde vai solicitar a retomada do processo de revisão nacional dos registros profissionais, visando a adoção de um procedimento único na identificação dos registros de jornalistas. Além disso, deverá ser feito uma exposição sobre a situação trabalhista da categoria e reivindicar medidas enérgicas contra a precarização do trabalho nas redações e assessorias.

Fonte: FENAJ’

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