Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Correspondência do Rio

Por Wolfgang Kunath em 25/05/2006 na edição 382

Queridos leitores,


Um verdadeiro ‘prazer mórbido’ (‘Schadenfreude’) logicamente não existiu. Rio de Janeiro e São Paulo, a cidade mais bonita e a maior cidade do Brasil, estão em situação incômoda de verdadeira rivalidade. E também a questão da criminalidade – logicamente, sempre na outra! – gera a disputa de tentar ser melhor do que a outra. Agora, enquanto São Paulo está calma, porque os chefes das quadrilhas de drogas suspenderam a guerra, há uma preocupação com a possibilidade de isso também ocorrer no Rio. A resposta é não, porque o crime organizado no Rio é desorganizado. Mas ‘prazer mórbido’ não existiu. Todo e qualquer carioca, todo e qualquer morador do Rio sabe que o que pode ocorrer no Rio – e vem sempre ocorrendo – já é ruim o suficiente.


Que assustador, você mora atrás de grades, se espantam os amigos geralmente na primeira visita. Ah é, as pessoas aprendem a gostar disso, as grades fortes e os muros altos, as cabines de vigilância de vidro e as câmeras discretas. Todos conhecem o sentimento de desconforto de precisar dirigir à noite para o aeroporto. Todos têm medo de se perder no meio de uma chuva torrencial na Avenida Brasil, pois as áreas alagadas provocam engarrafamento e os veículos parados são assaltados. Todos têm medo de o carro pifar no meio da noite, e todos algum dia se perguntam: Ei, você está agindo certo? Você ainda pode andar por aqui – com celular, dinheiro, cartão de crédito e relógio?


Na Alemanha os carros são muito mais coloridos, mas não é uma questão de moda o fato de os carros brasileiros serem tão comumente cinzas: ‘Para não chamar atenção’. Mesmo milionários dirigem VW. Não importa o luxo da mansão, a viagem deve preferencialmente parecer com uma ida à oficina mecânica suja de óleo. Os cariocas também se desacostumaram com o ‘andar na rua passeando, sem destino certo’, a classe média passa direto, ou, melhor ainda, direto para a garagem subterrânea. Centros de compras fechados (por exemplo, shopping centers) não são somente amados porque o brasileiro reverencia o ‘American way of life’, mas porque eles são zonas seguras.

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Correspondente na América do Sul do jornal Frankfurter Rundschau

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