Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

JORNAL DE DEBATES > EUA

Correspondente lança livro sobre experiência de guerra

18/06/2008 na edição 490

A jornalista americana Kimberly Dozier, vítima de uma explosão no Iraque em 2006 que a deixou gravemente ferida, conseguiu dar a volta por cima. Apesar de todo o trauma – ela chegou a ter apenas 50% de chances de sobreviver e perdeu dois colegas da CBS News no incidente –, a correspondente voltou ao trabalho e acaba de receber o Prêmio Peabody por uma reportagem do programa CBS News Sunday Morning sobre duas soldadas que perderam membros no Iraque. Kimberly também acaba de lançar o livro Breathing the Fire (Respirando o Fogo, tradução livre), em que conta sua trágica experiência.


Com a publicação, a jornalista espera ajudar famílias e veteranos da guerra do Iraque a superar os danos físicos e psicológicos deixados pelo conflito. Para ela, a guerra já dura tanto tempo que as pessoas acabam ficando insensíveis ao tema. ‘Quero que as pessoas prestem atenção [à guerra]. Este tipo de desejo de ignorar o que está acontecendo me assusta’, diz.


Experiência traumática


O livro conta em detalhes o dia da explosão do carro-bomba e o processo de recuperação da jornalista. Kimberly chegou a ter várias alucinações com o cinegrafista Paul Douglas e o operador de som James Brolan, mortos no incidente. Ao ser transferida de um hospital militar a outro, ela continuava tão tensa que, a cada carro que passava próximo à ambulância, agarrava-se à maca.


Militares contaram a ela que, enquanto alguns sobreviventes conseguem superar o trauma relembrando o que aconteceu, outros só o fazem quando tentam esquecer do ocorrido. ‘Eu era o tipo de pessoa que precisava rever tudo até que as lembranças perdessem o poder de me chocar ou machucar’, afirma.


Kimberly diz que, durante o longo período que passou em sua cama de hospital, chorava com freqüência, lembrando de todas as cenas da explosão e tentando imaginar se poderia ter feito algo para salvar Douglas e Brolan – ou se poderia ter feito a reportagem sem ter ido a campo. Bob Woodruff, jornalista da ABC News que também ficou seriamente ferido em uma explosão meses antes de Kimberly, aconselhou a correspondente a lembrar que Douglas e Brolan eram profissionais e, portanto, tomavam suas próprias decisões na viagem.


Outro fator de angústia para a jornalista era saber que o sargento Justin Farrar, que trabalhava com o capitão James Alex Funkhouser, morto na explosão, havia ficado furioso com ela. Farrar acreditava que o incidente não teria ocorrido se a equipe de TV não estivesse acompanhando os militares. Informações de David Bauder [AP, 16/6/08].

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