Sábado, 23 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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Cresce número de queixas contra anúncios no Conar

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 11/02/2009 na edição 524

Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009


 


PUBLICIDADE
Marili Ribeiro


Cresce número de queixas contra anúncios


‘O balanço anual do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), que monitora os excessos no meio publicitário, indicou um 2008 agitado. Foram registrados 448 processos no ano passado, ante 330 do ano anterior. Ou seja, houve um crescimento de 36% na demanda por esclarecimentos do teor das campanhas. Além disso, o Conar registrou no ano passado a maior participação dos últimos dez anos dos consumidores nas queixas. No total, os consumidores foram responsáveis pela instauração de 127 do total dos processos encaminhados.


‘É animador ver o crescimento do interesse da sociedade civil’, diz Luiz Celso Piratininga, vice-presidente do Conar e presidente da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). ‘Mesmo que boa parte desse aumento de processos seja decorrência de uma intensificação das disputas corporativas, é inegável o aumento da interferência do consumidor’, acrescenta.


A ponderação de Piratininga sobre as disputas corporativas deve-se à mudança das normas do Conar no que diz respeito à regulamentação da comunicação para o mercado de bebidas, que aconteceu no começo do ano passado. Esse é um setor normalmente aguerrido, principalmente por causa das cervejarias, grandes anunciantes e que mantêm minucioso acompanhamento das peças publicitárias veiculadas pelos concorrentes. Qualquer norma desrespeitada é logo denunciada. Situação, como reforçam os publicitários, que também se faz presente nos segmentos bancário e de telefonia.


MISSÃO


O Conar tem por missão impedir que a publicidade enganosa ou abusiva cause constrangimento ao consumidor ou às empresas. Para isso, abre o debate para conciliar os interesses de anunciantes, veículos de comunicação, agências de propaganda e sociedade civil. É o fórum cujas decisões têm sido seguidas por todos os envolvidos e respeitadas pelo governo. A entidade ganhou força na década de 70, embora tenha surgido com a criação do código de ética do meio publicitário há 50 anos. O documento original da fundação buscou inspiração no modelo inglês. Por lá, aliás, o número de queixas dos consumidores chega a ser dez vezes maior do que no mercado brasileiro.


‘Temos uma participação tímida, que pode se intensificar’, reconhece Antonio Fadiga, presidente da agência de publicidade Fischer América. ‘Mas o Conar é definitivamente um órgão com legitimidade, e deve ser respeitado. Sou crítico das empresas que entram na Justiça comum e, com essa atitude, enfraquecem a representatividade do Conar’, acrescenta.


A baixa demanda quando comparada aos similares do gênero no exterior deve levar em consideração, na opinião de Piratininga, não só a formação cultural brasileira – que ele considera desmotivada para esse tipo de debate -, como também o desconhecimento da existência do próprio Conar. ‘Há quem procure órgãos como o Procon, e por isso temos feito campanhas de divulgação. Uma deve ser veiculada em breve’, explica.


Por outro lado, o vice-presidente do Conar também admite que a instituição não teria condições hoje em dia de atender a uma demanda superior aos quase 500 processos que julgou no ano passado. ‘Falta estrutura’, diz ele.


Para os críticos da entidade, que preferem não se expor, não haveria interesse por parte de agências e anunciantes em ampliar a representatividade e o debate com a sociedade civil, que poderia vir a ser uma crítica feroz em relação a temas como, por exemplo, a publicidade infantil e de bebidas alcoólicas. Dois assuntos polêmicos no meio publicitário. O papel do Conar seria mesmo de existir de forma mais contida.


Entre as queixas mais frequentes registradas em 2008 pelos consumidores estão a falta de respeito com categorias profissionais e o preconceito racial, assim como os cuidados com o público infantil e até padrões de decência. Na última semana, o Conar concedeu liminar impedindo a veiculação, até o julgamento efetivo, de cinco comercias de TV destinados ao público infantil. As peças publicitárias eram das empresas de telefonia TIM, do canal pago Nickelodeon e da indústria de brinquedos Mattel.’


 


 


TELEVISÃO
Patrícia Villalba


Namoradinho, há 45 anos


‘É arriscado tentar explicar um fenômeno de público, que nunca tem apenas um fator. Mas quem acompanha os bastidores da TV poderia cravar que o absoluto sucesso de Se Eu Fosse Você 2 – até a última quinta-feira, fez 4.405.036 espectadores, em 305 salas – pode ser creditada à notável empatia que o ator Tony Ramos tem com o público; e, claro, ao par mais simpático dos últimos tempos, que ele forma com a atriz Glória Pires.


No ar como o Opash da novela Caminho das Índias (Globo) e se preparando para lançar um filme bem diferente da comédia-sensação da temporada – Tempos de Paz, adaptação cinematográfica de Novas Diretrizes em Tempos de Paz, peça em que atuou ao lado de Dan Stulbach -, o ator conversou com o Estado por telefone. Na entrevista, ele fala sobre como recebe o sucesso de Se Eu Fosse Você 2 e nos dá algumas dicas sobre como consegue se manter ‘namoradinho do Brasil’ há 45 anos.


Tony, vamos fazer uma entrevista sobre o Opash, de Caminho das Índias, e sobre o grande sucesso de Se Eu Fosse Você 2…


É um momento feliz, quando gravo essa entrevista com você, dia 30 de janeiro. O filme não completou um mês nos cinemas e já fez 4,4 milhões de espectadores. Anteontem, o (diretor) Daniel Filho me ligou emocionado para dizer que em apenas um dia, uma segunda-feira, foram 130 mil espectadores. Uma brincadeira interna, minha com o Daniel, era ‘vamos resgatar as matinês de domingo’. Ele respondia ‘não só domingo, mas as quintas, quartas…’. Se você me perguntasse se eu tinha dúvidas de que faria sucesso, te diria que não. Mas se o sucesso seria tão grande? Realmente, eu não imaginava.


O primeiro filme fez muito sucesso (3,6 milhões de espectadores). Não ficou com medo que o projeto tivesse esgotado?


Toda continuidade é perigosa, os americanos sabem disso. No nosso caso, era muito difícil fazer uma continuação, porque é um filme sobre um homem e uma mulher que mudam de corpo. Quando fomos convidados, a Glória e eu, ficamos preocupados. Como continuar a história? Só se fosse a partir de um roteiro mais encorpado. Deu certo.


Vi o filme num shopping e é impressionante o impacto que ele tem na plateia, de todas as idades.


Na pré-estreia, vi com aquele público mais do meio, e mesmo assim foi muito impactante. Depois, fui ver no Fashion Mall, aqui no Rio – entrei quando já tinha começado. Há todo tipo de reação. O Daniel está filmando essas reações, em várias regiões do Brasil. Vi um cidadão, advogado daí de São Paulo, que disse: ‘Olha, não é só comédia não. O filme discute a relação de casal de uma maneira muito interessante.’ Tem sessões que as pessoas chegam a aplaudir.


Aplaudiram na que eu fui também. Uma coisa interessante é que não se trata de você parecer um sujeito efeminado ou uma mulher qualquer – você parece a Glória Pires mesmo. Houve preparação especial?


É uma preparação profissional – o especial não existe, ensaio é a palavra mágica. E um dos segredos desse filme: não se filma uma segunda tomada, tem de valer a primeira porque é comédia. Então, ensaiamos durante três semanas com afinco – das 9 às 20 horas. Tinha um momento em que a Glória fazia cenas como Helena e eu ficava olhando, para reproduzir. Depois, vice-versa.


O sucesso já dá a dica de que vocês vão fazer um terceiro filme?


(risos) Tem uma brincadeira do Daniel no final dos créditos – ‘Vem aí Se Vovó Fosse Vovô’ . Tem como fazer, claro que tem. Mas é preciso ter prudência com o sucesso. Há convites, especulações sim, não vou mentir para você. Mas vamos ver se em 2010 temos uma boa ideia.


Li uma entrevista sua dos anos 70 em que você dizia que gostaria de ser diretor. Abandonou a ideia?


A novela que me projetou foi O Astro (1977), e eu vim caminhando com a aura do herói romântico, um estereótipo. Aos poucos, fui dando sinais, como o Riobaldo de Grande Sertão:Veredas. Uma carreira deve ser pontuada pela sua preocupação de inquietar o público. Faço agora 45 anos de profissão. O diretor talvez nunca aconteça, porque eu gosto de atuar. Mas eu comecei a ficar mais mordido para fazer algum trabalho como diretor agora. Sem data marcada, porque gosto de me surpreender com os projetos, como foi agora com Caminho das Índias.


Verdade que você só voltaria à TV na próxima novela de Silvio de Abreu? Como foi parar na Índia?


Sim. Estava na Alemanha com a minha mulher e recebi um telefonema da (autora) Glória Perez, que me contou o que seria Caminho das Índias. Fiquei apaixonado pela ideia. E estou aí fazendo o Opash. Os projetos me fascinam ou não me fascinam. Simples como estou te dizendo.


Mas um ator como você, do pequeno grupo que dá credibilidade a qualquer novela, não é pressionado a estar no ar?


Olha, ouço essa observação e me sinto até homenageado. Não sei se faço parte desse grupo, mas tenho muitos convites sim. Pode causar estranheza em certos jornalistas, mas eu gosto de fazer novela! Mas não é porque gosto de fazer, que vou fazer todas que me chamam. Os autores e a direção da Globo sabem disso. Tanto é que eu estava liberado para dizer não a Caminho das Índias. Ninguém me obrigou a fazer. E continuo reservado para o Silvio. Quando ele quiser, faço a novela dele.


Corajoso, camaleônico, companheiro, piadista…


‘Foram três anos de peça – no mesmo camarim porque ele quis assim (Novas Diretrizes em Tempos de Paz) -, a novela (Mulheres Apaixonadas) e agora, o filme (Tempos de Paz). Sou muito agradecido pelas risadas, os jantares e as histórias. Ele faz a vida parecer mais fácil. Brinca com tudo e todos e de repente fica seriíssimo porque vamos gravar. É um dos grandes artistas do nosso tempo.’


DAN STULBACH


‘É sempre ótimo trabalhar com o Tony. A gente se dá super bem, ele é uma pessoa com um ótimo astral, um companheiro muito querido.’ GLÓRIA PIRES


‘O Tony é um excelente ator, sem preconceitos e com coragem.’ DANIEL FILHO


‘Tony Ramos, em primeiro lugar, é um excelente ator. Aliás sempre foi, mas a tal fama de ?bonzinho? e o preconceito idiota de parte da crítica atrasaram esse reconhecimento. Ele faz com o maior desprendimento um homem com alma feminina, um assassino revoltado e vingativo, um cafona dono de bingo, um feirante, um pescador grego, um elegante e egocêntrico executivo, um patriarca hindu, e até um mocinho bonzinho, se necessário. Não conheço outro ator brasileiro que seja tão camaleônico. Um grande amigo e, além do mais, sabe contar piadas como ninguém.’


SILVIO DE ABREU


‘Tony é um de nossos grandes atores e é um privilégio tê-lo no elenco de Caminho. Na primeira cena que gravou com Lima Duarte, todos da equipe já se emocionaram. Ele começava a dar vida a Opash.’ MARCOS SCHETMAN


‘Falei que ele deveria receber um prêmio de Melhor Atriz! É uma figura de verdade. Muito sério e, ao mesmo tempo, muito brincalhão – conta as piores piadas do mundo! Os três meses que passamos no sertão gravando Grande Sertão: Veredas (1985) foram mágicos, uma transcendência nas nossas vidas – era tudo ou nada, tinha de se jogar.’


BRUNA LOMBARDI’


 


 


Etienne Jacintho


Universal é líder


‘O Universal Channel fechou 2008 como líder de audiência entre os canais de séries na TV paga durante o horário nobre, das 19 horas à 1 hora da manhã. Os dados são do Ibope e levaram em consideração os concorrentes Sony, Warner, Fox e AXN. Desde 2006, o Universal garante o primeiro lugar. Já entre todos os canais pagos adultos, o Universal ocupa a terceira posição, atrás de SporTV e TNT.


A conquista de audiência veio com a mudança de visual e nome. O USA tornou-se Universal no fim de 2004, investiu em programação e, principalmente, em estrutura. Quando entrou no ar, o canal já possuía séries de sucesso como Law & Order, Law & Order: SVU, Monk e Crossing Jordan. Depois, apostou nas atrações The 4400, House, Heroes e Brothers&Sisters, cuja 3ª temporada vai estrear neste trimestre. Este ano, o canal prevê a entrada de duas novas séries, ainda a serem definidas.


Hoje, a grade do Universal não é a melhor entre os canais de séries, mas há respeito com o público. O canal usa seus breaks para alertar sobre reprises e episódios inéditos e é raro ver falta ou erro de legendas, falhas técnicas, propaganda em espanhol…’


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009


 


LITERATURA
Cássio Schubsky


A maratona da palavra


‘EM BOA hora a Academia Brasileira de Letras baixou, literariamente, decreto instituindo que 2009 passa a ser o Ano Euclides da Cunha, em razão do centenário da morte do escritor (engenheiro, pensador, historiador, geógrafo, sociólogo, ecologista, repórter, poeta…). Ao fazê-lo, a ABL estimula o debate sobre a importância do autor, ajudando a libertá-lo dos estereótipos que marcam sua vida e sua criação artística.


Euclides não foi apenas o escritor de uma obra-prima de difícil leitura (‘Os Sertões’), morto pelo amante (Dilermando) da esposa (Anna).


É certo que apenas o grande livro seria suficiente para imortalizar o autor. Afinal, em que pesem o determinismo geográfico e o etnocentrismo reducionista, comuns na época em que a obra foi escrita, seu rico conteúdo continua gerando estudos, reflexões, abordagens múltiplas, a desvelar sua contribuição à compreensão do Brasil e a reiterar seu valor como obra de arte. Cite-se, como exemplo, a métrica poética de diversas passagens do texto, apontada por Guilherme de Almeida e Augusto de Campos, em notáveis estudos. Sem falar na exuberante, riquíssima, genial -escasseiam os adjetivos- montagem que o Grupo Oficina Uzyna Uzona faz de ‘Os Sertões’, em sucessivas apresentações nos últimos anos.


De outro lado, o grande livro é temperado por uma honestidade intelectual a toda prova: na introdução, o autor penitencia-se pelo erro histórico (‘um crime’, escreve) que se cometeu contra a população sertaneja dizimada em Canudos, afirmando a necessidade de registrar, para a posteridade, os descalabros perpetrados no sertão baiano pela República nascente.


Justamente Euclides, que anos antes escrevera artigos reclamando que o movimento messiânico de Antonio Conselheiro fosse debelado com pulso forte… Mas que, ao testemunhar, pessoalmente, a chacina, horroriza-se e escreve seu libelo antológico, obra sem par na literatura universal.


Na celebração centenária, emergirão, por certo, facetas inumeráveis de Euclides, esmaecidas pelo tempo, como o escritor de artigos e o palestrante de conferências que versavam sobre os mais variados assuntos -do poeta Castro Alves à Revolta da Armada, passando pela ocupação da Amazônia e chegando a análises sublimes sobre política internacional.


É incrível ler Euclides dissertando, por exemplo, sobre as cidades mortas do interior paulista após o auge do café, antecipando reflexões que celebrizariam Monteiro Lobato anos mais tarde. Ou, então, as frequentes denúncias do ecologista indignado, vituperando contra queimadas e desmatamentos -há mais de cem anos! Inquietante é ler, também, estultices de um homem tão ilustrado -por exemplo, quando se refere ao Tibete, em determinado artigo: ‘Um terço de sua população é de lamas -monges miseráveis e repulsivos, vestidos de trapos de mortalhas, meio idiotas e errantes de mosteiro em mosteiro’.


Também virão à baila textos de biógrafos e comentadores de Euclides, em reedições de obras há muito esgotadas e em novas publicações, a traçar o vasto painel de sua contribuição intelectual. Sem falar em exposições, seminários, artigos em torno da vida e da obra (literária e de engenharia). Um aspecto, no que tange a Euclides, parece-me essencial. Seus textos ensejam uma reflexão sobre o estímulo ao ato de ler em um país de baixíssimos índices de leitura. Como animar, sobretudo as novas gerações, a encarar a árdua tarefa de se debruçar sobre os complexos textos euclidianos?


Porque ler Euclides não é bolinho… Parece até que ele engoliu um dicionário, de tal forma os vocábulos vão se encachoeirando, caudalosos, numa profusão de termos, refulgindo, aos borbotões, em tom ora árido e parcimonioso, ora torrencial e arrebatado.


Enfim, a leitura para o simples mortal torna-se tormentosa. No caso, prazer do texto, saber com sabor, não são facilidades imediatas, tão propaladas em nossa cultura do consumo.


Via de regra, ler Euclides da Cunha é um exercício árduo, uma maratona, em que o desgaste só é inteiramente recompensado, como em uma corrida, ao final, quando se sente o torpor causado pela endorfina. No começo, alguém pode até sentir azia com a leitura… Mas o bom é que o remédio se obtém com o próprio texto, que, depois de deglutido, provoca um bem-estar inaudito.


Para lê-lo, é preciso treino, para apreender o rico conteúdo escondido nas brenhas de seu linguajar erudito.


Antes de mais nada, aproveitemos que temos todos de recorrer ao dicionário e às gramáticas em tempos de reforma ortográfica. Somem-se mapas geográficos e geológicos. Ademais, o próprio autor, em passagem de seu livro ‘Contrastes e Confrontos’, sugere uma fórmula que bem serve para uma leitura frutuosa: ‘No remanso das culturas, na disciplina da atividade, adstrita a longos esforços consistentes’.


CÁSSIO SCHUBSKY, 43, formado em direito pela USP e em história pela PUC-SP, é editor e historiador.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘Trade wars’


‘O semanário ‘Barron’s’ avisou que ‘Obama pode ser recebido por sapatos em sua primeira visita’ ao exterior, ao Canadá, este mês. O motivo é a cláusula ‘Buy American’, compre produtos americanos, do plano de estímulo, que abriria ‘guerras comerciais’. Em editorial, o ‘Wall Street Journal’ cobrou que ele resista ao protecionismo, para evitar as retaliações como as restrições à importação que um ministro tentou e Lula ‘reverteu’, num ‘sinal de maturidade política e econômica’ a ser seguido por Obama.


Do ‘Miami Herald’ ao MarketWatch, acumulam-se alertas de que a América Latina seria especialmente atingida, inclusive ações de empresas. O Brasil, dos primeiros a atacar o plano, aciona hoje a Organização Mundial do Comércio para monitorar os pacotes, a começar pelo dos EUA, noticia ‘O Estado de S. Paulo’. E Lula leva sua crítica a Obama, mês que vem, em Washington, e em seguida ao G20, em Londres.


PAÍSES QUE CONTAM


Andres Oppenheimer, em coluna no ‘Miami Herald’, diz ter ouvido da equipe de Obama: ‘Vamos focar nossa limitada atenção à América Latina nos dois países que contam, Brasil e México’.


Daí receber Lula e estar ‘considerando uma visita ao Brasil’. Seu plano ‘preferido’ para a região é de cooperação em energia, em parceria com o Brasil, que resiste e quer um projeto de âmbito global.


O DESCOLAMENTO


O ‘WSJ’ avalia que o Brasil, ‘que deve se dar melhor que a maioria na crise’, venceu a disputa com a Venezuela, diante da queda do petróleo, e tomou a liderança da América Latina _que já foi dos EUA.


E o ‘Financial Times’ ouve o presidente do BNDES, para reportagem que relativiza a crise por aqui como ‘medo de recessão’. Segundo Luciano Coutinho, ‘o descolamento, na verdade, aconteceu’.


MARCO ZERO


Em artigo por jornais como ‘O Dia’, do Rio, ‘Zero Hora’, de Porto Alegre, e ‘O Povo’, de Fortaleza, Lula anunciou novo encontro com prefeitos, para ‘criar grupo gestor do PAC’, visando ‘monitorar obras’.


‘WHO IS THIS GUY?’


Do ‘FT’ à agência Xinhua, esta com ‘Presidente inspira Brasil em meio a dificuldades econômicas’, segue ecoando a pesquisa dos 84% de Lula. Em resenha da biografia de Lula, ‘The Story So Far’, a nova edição da conservadora ‘Weekly Standard’ questiona que ele passeia da esquerda à direita -e se pergunta, com aversão: ‘Quem é esse cara?’.


‘O INABALÁVEL’


Em editorial e no texto ‘O prestígio inabalável de Lula’, a ‘Veja’ busca explicar ‘por que Lula consegue manter sua popularidade’, afirmando que é ‘sensível às iniquidades sociais’ e evitou ‘aventuras’ na condução da economia. A coluna ‘Radar’ anota que ‘a classe C a classe média emergente continua em expansão’ e bateu nos 53,8%.


PT E A NOVA CLASSE MÉDIA


Também na ‘Veja’, em entrevista, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, pré-candidato a governador em 2010, fala da campanha presidencial de Dilma Rousseff como ‘favas contadas’ e defende que ‘o PT incorpore a nova classe média’ no pleito. Do governador mineiro e aliado Aécio Neves, diz que ele ‘sabe que não tem mais espaço’ como presidenciável no PSDB e que deve sair como candidato ao Senado.


EVASÃO


O blog de Patrícia Kogut no Globo Online postou elogio à novela ‘Caminho das Índias’, dizendo ser ‘surpresa muito positiva, numa época em que grande parte das novelas é norteada por pesquisas’. Depois, no post ‘Corrigir a evasão’, deu que ‘a direção da Globo espera que ‘Caminho’ resgate um espectro maior de espectadores’, com apostas.


ESCAMBO


O ‘Fantástico’ mostrou ‘a primeira entrevista depois de Cláudia Leitte virar mamãe’, com imagens da criança. Segundo a coluna Zapping, do ‘Agora’, ‘para que não mostrasse Davi, o filho, em nenhuma outra TV’, a Globo fechou acordo de divulgação da cantora no ‘Big Brother Brasil’, ‘um dos seus espaços publicitários mais caros’.


WEB E A MACONHA


A foto de Michael Phelps fumando maconha, no ‘News of the World’, levou a Kellogg’s a cortar seu contrato de publicidade e atacar publicamente o célebre nadador. Já a Subway, manchete no site do AdAge, decidiu depois seguir com Phelps, assim como a Speedo e a Omega. E agora, em meio a elogios do brasileiro Ronaldo ao colega no ‘NYT’, um abaixo-assinado on-line ameaça boicote à Kellogg’s, que tenta voltar atrás nas críticas que fez.’


 


 


PUBLICIDADE
Laura Mattos


Pressionado, Conar é mais rigoroso com propaganda infantil


‘O Conar se tornou mais rigoroso na fiscalização de propagandas para crianças e adolescentes em resposta à pressão do governo federal e do Congresso, que estudam maneiras de restringir e até de proibir por completo anúncios dirigidos ao público infanto-juvenil.


O número de comerciais suspensos pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) mais do que dobrou de 2007 para 2008 – de sete para 17.


Nesse mesmo período, também cresceu a determinação para alterações no conteúdo das peças publicitárias, de oito para 14. E o ano de 2009 já começou com a suspensão, por liminar, de cinco propagandas para crianças.


Além de analisar denúncias de consumidores, os próprios publicitários do Conar, que temem a aprovação de uma lei que proíba a publicidade infantil, passaram a questionar mais as propagandas para essa faixa etária. Em 2007, o órgão levantou, por conta própria, seis casos. Em 2008, o número saltou para 24, quatro vezes mais.


‘Estamos realmente sendo mais rigorosos e cuidadosos com a questão da criança e do adolescente, em reação a pressões democráticas da sociedade. Temos sentido posições fortes de grupos sociais, da imprensa, além do Congresso [onde tramita projeto de lei que proíbe publicidade infantil]’, afirma Luiz Celso de Piratininga, vice-presidente do Conar.


Novas regras


A movimentação do Conar na tentativa de evitar a proibição de comerciais infanto-juvenis começou em junho de 2006, quando o órgão adotou novas regras para esse segmento. Entre elas, estão a proibição do uso de verbos no imperativo (‘compre isso’, ‘peça para o seu pai’, ‘não perca’ etc.) e a utilização de crianças e adolescentes sugerindo o consumo de produtos. Há também normas específicas para anúncios de alimentos, em resposta aos planos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão do governo federal, de restringir anúncios de produtos alimentícios para esse público.


As determinações do Conar são mais brandas do que as discutidas no Congresso e no governo. ‘Há uma diferença no grau. Nós tentamos entender a posição do anunciante e somos menos herméticos do que o Legislativo e o Executivo’, afirma o vice-presidente do Conar.


O projeto de lei que está em tramitação na Câmara dos Deputados é de autoria do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). Apresentado em 2001, proibia a publicidade ‘destinada a promover a venda de produtos infantis’. O texto foi modificado pela deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), que determinou a proibição de qualquer comercial dirigido a crianças, ainda que de produtos para adultos, em qualquer horário. Essa versão foi aprovada pela Comissão de Defesa do Consumidor em 2008, quando o Conar se tornou mais ativo.


No final do ano, contudo, o projeto seguiu para a Comissão de Desenvolvimento Econômico, onde foi questionado pelo relator, o deputado Osório Adriano (DEM-DF). Ele defendeu que a publicidade é ‘atividade virtuosa, e não viciosa’ e funciona como ferramenta de informação sobre produtos.


Seu parecer ainda não foi votado pela comissão, e o projeto seguirá para audiência pública. Alinhado com o pensamento de publicitários e anunciantes, o parlamentar é dono da Brasal Refrigerantes, fabricante da Coca-Cola no Distrito Federal. Afirma não haver conflito de interesses porque são seus filhos que administram o negócio.’


 


 


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Órgão tem estrutura insuficiente


‘O Conar admite que a maioria dos pais não sabe como denunciar um comercial que considere inadequado a seus filhos. Mas diz que não fará uma campanha para informar que o consumidor pode procurar o órgão por não ter ‘estrutura para uma grande demanda’.


As denúncias podem ser feitas por meio do site da entidade (www.conar.org.br).


‘Se eles querem se legitimar como um órgão de fiscalização da publicidade infantil, teriam que ter uma estrutura para receber as denúncias. Se não se consideram capazes, mais uma razão para que o Estado assuma essa função’, diz Veet Vivarta, secretário-executivo da Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância).


Para ele, a fiscalização feita pelo Conar não é a ideal. ‘É um órgão formado apenas pelos publicitários. Deveria haver uma agência que tivesse a participação da sociedade civil e do governo.’’


 


 


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Para produtora de desenho, veto foi surpresa


‘A liminar do Conar que vetou cinco comerciais dirigidos a crianças neste início de ano divide as empresas envolvidas.


A favor da decisão se declara o canal Nickelodeon, que teve dois anúncios suspensos por usar verbos no imperativo. ‘Envie a palavra Nick e baixe no seu celular’, diziam os comerciais de conteúdo do desenho ‘Bob Esponja’ para telefones móveis, além de expressões como ‘Tá esperando o quê?’ e ‘Se liga!’. O canal também foi advertido por não deixar claro que o serviço tem um custo.


‘Não discordamos do Conar. Temos um controle interno das propagandas, e isso passou. Vamos aumentar nossos controles para evitar que isso se repita. O tom imperativo não irá mais ao ar’, diz Alvaro Paes Leme, gerente-geral no Brasil da Viacom, dona do Nickelodeon.


Já a Start Desenhos Animados, produtora do longa-metragem brasileiro de animação ‘O Grilo Feliz’, diz ter ‘ficado surpresa’. O anúncio foi vetado por dizer ‘Venha curtir na nova aventura do Grilo Feliz’ e ‘Não perca’. ‘Deve haver sim leis e regras para propagandas, principalmente de produtos prejudiciais à saúde. Mas, no nosso caso, a única função era chamar espectadores. Não vemos maldade. Sem o apelo, a propaganda perde sua função’, diz o diretor da Start, Rafael Ribas.


A Tim, por meio de nota, informou já ter apresentado sua defesa sobre o anúncio, em internet, de conteúdo para celular do ‘High School Musical’, que usou verbos no imperativo.


A fabricante de brinquedos Mattel, também por nota, comentou a suspensão do comercial de ‘Megafeirinha’ do carrinho Hot Wheels (‘leve 3 e pague 2’). ‘A Mattel sempre respeitou a legislação brasileira e continuará avaliando as recomendações do Conar.’’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Globo grava 2 novas séries e lança autora


‘A programação que a Globo estreia em abril terá pelo menos duas novidades. A emissora já confirma o início das gravações, em março, de duas novas séries: uma policial, estrelada por Murilo Benício, e uma dramática-humorística, ‘Tudo Outra Vez’, sobre duas pessoas descasadas que tentam formar uma nova família.


A série será escrita por Lícia Manzo, 44, nova aposta da Globo. Lícia tem formação acadêmica em literatura (seu mestrado foi sobre Clarice Lispector) e há 12 anos trabalha para a Globo, sempre como colaboradora -passou por ‘A Diarista’, ‘Malhação’ e ‘Três Irmãs’. ‘Tudo Outra Vez’ será seu primeiro trabalho solo. A direção caberá a Denise Saraceni.


‘Basicamente, a série fala sobre relações na contemporaneidade. Hoje, quando as pessoas se casam novamente, elas levam uma espécie de kit, com filhos, ex-parceiros’, diz Lícia, descasada, uma filha.


A autora nega semelhanças com ‘Toma Lá Dá Cá’. Prefere compará-la com ‘Brothers & Sisters’. ‘O seriado é adulto, o tom é humanizado. O humor vem a reboque de situações dramáticas’, conta.


Já o seriado policial será dirigido por José Alvarenga e escrito por Fernando Bonassi e Marçal Aquino. Além de Benício, terá Milton Gonçalves e Fabiula Nascimento (protagonista do filme ‘Estômago’). Os demais atores, desconhecidos, serão definidos nesta semana.


SEGREDO


A Globo fará ajustes em sua grade na semana que vem, quando acaba o horário de verão. A tendência é os programas voltarem aos horários ‘antigos’ (o ‘JN’, hoje às 20h30, deve retornar para as 20h15). Mas a rede não divulgará mudanças com antecedência, para não municiar a concorrência.


REESTRUTURAÇÃO


A TV Cultura demitirá nesta semana 32 funcionários, a maioria da área de produção. O corte representa 2,5% dos profissionais. Na Rede TV!, também são esperadas demissões, mas em escala muito maior.


BATERIA


A Band realizará após o Carnaval megateste para descobrir novos humoristas. Alguns serão aproveitados pelo novo programa de Adriane Galisteu.


MORENA


A atriz e cantora Emanuelle Araújo, que acabou de fazer ‘A Favorita’ (era a garota de programa Manu), fará uma participação em ‘Três Irmãs’, novela das sete. Interpretará uma ex-namorada de Rodrigo Hilbert.


SEM OSCAR


A direção da Globo já bateu o martelo: não transmitirá o Oscar, porque a premiação cai no domingo de Carnaval. Nesta semana, decide como serão os flashes dos principais prêmios e a exibição de um compacto. Transmissão na íntegra da cerimônia só no canal TNT.


COM OSCAR


Por falar em Oscar, o Telecine já assegurou os direitos de exibição de 15 dos indicados de 2009. Entre eles, estão ‘Quem Quer Ser Um Milionário?’, ‘Milk’ e ‘Frost/Nixon’.’


 


 


Folha de S. Paulo


Canal mostra arqueólogos aventureiros


‘A rotina dos arqueólogos pode soar coisa monótona, mas Indiana Jones está aí para provar o contrário. É esse lado aventureiro da arqueologia que o programa ‘Os Verdadeiros Caçadores de Tumbas’ traz ao espectador hoje à noite, com uma ‘série de situações perigosas e desafiantes’, segundo o canal The History Channel.


O especial apresenta o arqueólogo egípcio Zahi Hawass, que desvia de valas de um templo cheio de armadilhas, o americano Arthur Demarest, que briga com saqueadores no meio da selva em Cancuen, e um especialista australiano que acaba sequestrado em Chiapas. Roy Chapman Andrews, que influenciou a criação de Indiana Jones, também ganha destaque no programa. Entre outras histórias, ele entrou em conflitos com serpentes peçonhentas e bandidos mongóis no deserto de Gobi.


Andrews, explorador do Museu Americano de História Natural, de NY, partiu em busca do ‘Elo Perdido’, em 1922, mas acabou achando o primeiro ninho de ossos de dinossauros conhecido pela ciência. Outro personagem é o inglês Howard Carter, que aos 17 anos passou uma década explorando as famosas pirâmides do Egito. Aos 44 anos, descobriu o túmulo do rei Tut, formado por um sarcófago de ouro maciço e mais de 5 mil artefatos.


OS VERDADEIROS CAÇADORES DE TUMBAS


Quando: hoje, às 23h


Onde: The History Channel


Classificação: não informada’


 


 


INTERNET
Luiz Fernando Vianna


Registros caseiros de João Gilberto na web são fartos


‘Para provável desagrado do perfeccionista baiano, o baú de registros não-oficiais de João Gilberto é grande e só tende a aumentar, por causa das novas tecnologias de captação e difusão. O material que circula na internet desde a semana passada tem causado alvoroço pelo seu valor histórico, que o destaca do conjunto infinito.


Afinal, são cerca de 30 músicas (há trechinhos de algumas e exercícios ao violão) interpretadas por João em 1958, exatamente o ano de nascimento da bossa nova. Acredita-se que todas tenham sido registradas pelo fotógrafo Chico Pereira, pois ele tinha o costume de ligar seu gravador de rolo quando o amigo João tocava -como Ruy Castro relata no livro ‘Chega de Saudade’- e sua voz e seu nome são ouvidos nas conversas.


Mas o próprio Ruy lembra que o pianista Bené Nunes, o cantor e compositor Luiz Cláudio e outros também apertavam o ‘rec’ em suas máquinas quando João pegava o violão.


As gravações também não estão em estado bruto. Há momentos de conversas -alguns divertidos, outros de difícil compreensão- e se ouve por três segundos um cachorro latindo durante ‘Um Abraço no Bonfá’, mas também há uma longa sequência de músicas tocadas com total silêncio ao fundo. Alguma edição do material deve ter ocorrido.


Castro teve acesso a ele, ainda em fita de rolo, em 1989, um ano antes de lançar seu livro. Outros pesquisadores conseguiram o mesmo nas duas últimas décadas, entre eles o paulista Sérgio Ximenes.


‘Em se tratando de João, [o repertório] é sempre mais do mesmo. Com uma qualidade sofrível, interessa mais aos superfanáticos’, diz Ximenes.


Mas ele reconhece que os empecilhos criados por João para que suas gravações se tornem públicas aumenta o interesse por qualquer tipo de ‘vazamento’. Das músicas que constam do registro caseiro, 15 apareceriam, em qualidade obviamente superior, nos três discos de João que formam a trilogia básica da bossa nova: dez em ‘Chega de Saudade’ (1959), quatro em ‘O Amor, o Sorriso e a Flor’ (1960) e uma em ‘João Gilberto’ (1961).


E cadê esses discos? Desde os anos 90, o músico trava uma guerra judicial contra a EMI, pois a gravadora os lançou numa coletânea com as faixas fora de ordem e, segundo ele, mal remasterizadas.


Despertam mais curiosidade nas gravações de Chico Pereira as músicas que João nunca viria a gravar, como ‘Chão de Estrelas’ e ‘Beija-Me’ (ver quadro ao lado), e pequenas bossas naquelas que se tornariam constantes depois.


Registros diversos


Quem navegar por sites de música, de leilões ou pelo YouTube vai encontrar João cantando em Salvador, na Argentina, na Europa… Nada com qualidade muito boa nem com profundo valor histórico -o francês Christophe Rousseau, que remasterizou uma cópia dos registros de 1958, está agora fazendo o mesmo com um concerto de João no Roxy Theatre, de Los Angeles, em 1977.


Melhor é achar aquelas com inegável valor histórico. Um exemplo: o show ‘Um Encontro’, que reuniu na boate Au Bon Gourmet, no Rio, em 1962, Tom Jobim, Vinicius, João e Os Cariocas, e no qual foi lançada ‘Garota de Ipanema’.’


 


 


 


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