Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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ENTRE ASPAS > QUARTA-FEIRA, 16/7

Criticadas restrições do governo à publicidade

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 16/07/2008 na edição 494

Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 16 de julho de 2008


 


PUBLICIDADE
Folha de S. Paulo


Publicitários criticam ação do governo na propaganda


‘Anunciantes, representantes de emissoras de rádio e televisão, empresários de internet e até integrantes do governo condenaram, ontem, durante o 4º Congresso Brasileiro de Publicidade, as tentativas de restrições à propaganda em andamento no Congresso, estimados em cerca de 250 projetos.


No centro dessa discussão está a atuação do Ministério da Saúde, que busca restringir a veiculação de campanhas publicitárias de cigarro, bebidas alcoólicas e determinados tipos de alimentos com risco de causar danos à saúde.


Agências e veículos de comunicação questionam a ação, alegando que a regulamentação da propaganda no país é função do Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária), não de órgão do governo.


O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, está propondo consulta pública sobre a restrição à publicidade de alimentos com quantidades de açúcar, gorduras e sódio consideradas elevadas pelo ministério. Sua pasta apresentou estudo apontando este tipo de propaganda como a mais freqüente na TV.


Esse tipo de alimentação, de acordo com Temporão, é fator de risco para diversas doenças, entre elas a hipertensão, o diabetes e as doenças coronarianas.


O tema levou à criação da Frente Parlamentar de Comunicação Social. Segundo Dalton Pastore, presidente do Congresso publicitário, fazem parte desse grupo 198 deputados federais e 38 senadores de 17 partidos políticos: ‘A Frente vai defender a liberdade de expressão comercial da publicidade’.


O advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, disse que a Constituição define as regras para as restrições. ‘Determinados produtos, como álcool, tabaco, medicamentos, tratamentos médicos e agrotóxicos podem sofrer algum tipo de controle. Mas isso não significa que sofrerão censura, porque isso fere a Constituição.’


José Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, afirma que qualquer intervenção direta do governo pode abalar o mercado como um todo. ‘Defendemos a auto-regulamentação pelo Conar.’


Regras da cerveja


O presidente do Conar, Gilberto Leifert, disse que o conselho já está deliberando sobre novas regras para a propaganda de ‘produtos sensíveis’, como bebidas alcoólicas.


De acordo com elas, os comerciais de cerveja, por exemplo, terão de ser focados nas características da bebida e não mais incentivar o consumo. Também serão impedidas as insinuações de que beber está associado ao sucesso profissional e a exploração da imagem sensual das mulheres.


Para Pastore, essas alterações provam que o Conar continua atuando de acordo com os interesses da sociedade sempre que excessos são cometidos. ‘O consumidor não é tonto e cabe a ele, num país democrático, exigir mudanças sempre que se sentir ofendido ou prejudicado por uma propaganda.’


Ainda segundo ele, se o Ministério da Saúde quer mudanças, cabe repassá-las ao Conar e não legislar ele próprio.’


 


 


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Congresso quer mais publicidade em novas mídias


‘A Comissão de Novas Mídias do 4º Congresso Brasileiro de Publicidade apresentou ontem uma proposta que visa facilitar a utilização das novas mídias, como internet, celular e televisão digital, no mercado publicitário. A proposta foi aprovada ontem pela comissão e será votada hoje em plenária pelos congressistas antes de as medidas serem implementadas.


Entre as propostas, está a realização do primeiro estudo de ‘cross-midia’ -veiculação de uma campanha em diferentes meios- do país, aos moldes do americano X-MOS (Estudo de Otimização de Cross Mídia, na sigla em inglês), de 2000.


Hoje, a maior parte das verbas publicitárias está direcionada para as emissoras de TV. As novas mídias -a internet é a principal delas- respondem por aproximadamente 5% desses recursos. Apesar disso, o retorno de campanha na internet é proporcionalmente maior que o da TV, dizem as agências do setor.


De acordo com o presidente da IAB Brasil, Paulo Castro, a utilização de novas mídias em campanhas publicitárias permite atingir um público mais segmentado.


Outro fator que impede o desenvolvimento de campanhas para novas mídias é a escassez de profissionais. Por isso, a comissão propôs uma parceria com as universidades para suprir essa deficiência.’


 


 


MANCHETES
Clóvis Rossi


Uma ilha de tranqüilidade


‘SÃO PAULO – Coleção das manchetes da manhã de ontem do jornal britânico ‘Financial Times’, que não é exatamente o protótipo do tablóide sensacionalista:


1 – Sensação de mal-estar atinge o dólar e as ações globais. Conta a história da queda nos mercados por conta da desconfiança em relação à eficácia do socorro às empresas hipotecárias norte-americanas.


2 – Paramount forçada a suspender financiamento de US$ 450 milhões. Nem Hollywood escapa do sufoco creditício, como revela o fato de que esse estúdio emblemático teve que suspender a tentativa de levantar grana para filmes.


3 – TCI perde US$ 1 bilhão, no pior mês. TCI é um fundo de hedge (desses que tentam se proteger apostando em diferentes ativos). É um fundo politicamente correto (chama-se Fundo de Investimento em Crianças). Nem assim se salvou do mau humor nos mercados.


4 – Dólar atinge recorde de baixa em relação ao euro. É o incontrolável derretimento da moeda norte-americana, mesmo depois de George Walker Bush ter dito e repetido que é a favor do ‘dólar forte’. Parece que ele não dá uma dentro.


5 – Petróleo e ouro sobem, enquanto o dólar afunda. Dispensa comentários.


6 – Bolsa britânica cai abaixo de 5.200 pontos (por conta principalmente da queda das ações das empresas financeiras).


7 – Bancos puxam para baixo as ações européias. É a generalização, para a Europa, do item anterior.


8 – Ações asiáticas protagonizam declínio generalizado. É igual aos itens 6 e 7, mas para a Ásia.


9 – Inflação no Reino Unido sobe para 3,8% em junho (é o dobro da meta do governo).


Enquanto isso, no Brasil, tudo deve estar no melhor dos mundos, posto que a única discussão, por aqui, é para decidir quem é o vilão do dia (ou do mês), se o ministro Gilmar Mendes ou o juiz Fausto De Sanctis.’


 


 


TV DIGITAL
Julio Wiziack e Tatiana Resende


Banco do Brasil vai financiar conversor para a TV digital


‘O Banco do Brasil vai financiar a venda de conversores para a TV digital aberta. O anúncio foi feito ontem pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, no lançamento do equipamento da Proview, mas a linha já existe e pode ser usada na compra de qualquer produto eletroeletrônico.


Segundo Dênis Corrêa, gerente-executivo da diretoria de varejo do banco, não há condições especiais para os conversores. Os juros são de 2,84% ao mês com divisão em até 48 vezes. O conversor da Proview de R$ 299, que será vendido no Wal-Mart e no Extra, terá prestação de R$ 12,21 se o cliente quiser usufruir do benefício de ter 59 dias de carência para o pagamento inicial. Já o de R$ 199 terá 32 parcelas de R$ 10,14, pois as prestações não podem ser inferiores a R$ 10.


Corrêa destaca ainda que os conversores de outros fabricantes também poderão ser financiados pelo BB, assim como as TVs. O valor vai depender do limite de crédito pré-aprovado de cada cliente do banco.


De acordo com o ministério, o conversor da Proview que custa R$ 199 poderá ser financiado no Banco Postal dos Correios em até 24 meses. Procurados, os Correios não comentaram como serão as vendas.’


 


 


EMPRESA
Folha de S. Paulo


Lucro da Brasil Telecom cresce 75% no segundo trimestre


‘Amparada pelo bom desempenho da área de telefonia móvel e pela redução do endividamento, a Brasil Telecom apresentou resultado trimestral superior ao esperado por analistas, ganhando mais de R$ 250 milhões de abril a junho.


A companhia, que aguarda aprovação dos órgãos reguladores e mudança nas leis brasileiras para ser comprada pela Oi, teve lucro líquido de R$ 254,4 milhões no período de abril a junho, um salto de 75% ante o mesmo trimestre de 2007 _a média dos analistas esperava um ganho de R$ 197,5 milhões. A aquisição pela Oi tornou-se ainda mais polêmica com a prisão do banqueiro Daniel Dantas, que já foi controlador da Brasil Telecom.


De acordo com o balanço da companhia, os custos e despesas operacionais sofreram redução de 7,3% quando comparados ao mesmo trimestre do ano passado, para R$ 2,221 bilhões. A maior redução foi na conta de pessoal, que caiu 40,2%.


A empresa encerrou o segundo trimestre com 5 milhões de assinantes, 33,1% mais que nos mesmos meses do ano passado, com o acréscimo de 943,4 mil clientes.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Revista eletrônica substitui pastor na Band


‘A Band está iniciando a produção de uma revista eletrônica diária para substituir, a partir de setembro, o missionário R.R. Soares, líder da Igreja Internacional da Graça.


Se confirmada a saída de Soares, será o fim de uma ‘parceria’ que já dura cinco anos e meio. Desde janeiro de 2003, o pastor ocupa uma hora no horário mais nobre da Band, das 21h às 22h, com o ‘Show da Fé’. Pagaria por isso, atualmente, cerca de R$ 4 milhões mensais.


Não é a primeira vez que a Band esboça tirar R.R. Soares do horário nobre. A mais recente foi em abril, quando pretendia estrear um programa produzido por Roberto Justus e apresentado por Milton Neves.


A decisão de se livrar do programa evangélico, por enquanto, é editorial. Falta tornar-se comercial. Ou seja, a revista eletrônica só ocupará o horário de R.R. Soares se a cúpula da Band avaliar que ela terá faturamento que compense a troca.


A revista foi projetada por Hélio Vargas, ex-diretor artístico da Record, onde criou algo semelhante, o ‘Tudo a Ver’.


O formato prevê um programa que mistura entretenimento e jornalismo, com entrevistas e participação de colunistas de várias áreas. Seria uma ‘revista de comportamento’. Os apresentadores ainda não foram definidos.


R.R. Soares deverá sair do ar antes da estréia da revista eletrônica. Em agosto, deverá ceder espaço para a Olimpíada.


NARGUILÉ


No ar em ‘Beleza Pura’, Isis Valverde foi escalada para ‘Caminho das Índias’, próxima novela das oito da Globo. Ela será uma brasileira que se apaixona e se casa com um indiano, a ser interpretado por Caio Blat _também no ar, em ‘Ciranda’.


SÓ DÁ ELA


Como Rakeli, Isis Valverde roubou a cena na novela das sete. Ela aparece mais do que a ‘protagonista’ Joana, cuja intérprete, Regiane Alves, não teve ‘química’ com Edson Celulari, conforme apontaram as pesquisas feitas pela Globo.


PATRICINHA


Carolina Magalhães, neta de ACM, deverá ser parceira de Karina Bacchi na segunda edição de ‘Mudando de Vida’, da Record. Está interessada. Só falta assinar o contrato.


GRANA


Em sua sexta semana no ar, ‘Pantanal’ finalmente foi liberada por Silvio Santos para receber comerciais. Anteontem, teve seu primeiro intervalo. Calcula-se que a emissora deixou de faturar cerca de R$ 15 milhões somente em SP com a novela sem ‘break’ _estratégia para levantar a audiência.


EM BAIXA


Segunda-feira ruim para as loiras. Hebe Camargo marcou só três pontos. O ‘Mais Você’, de Ana Maria Braga, na Globo, registrou seu segundo pior resultado histórico: 4,9.


FREIO


As novelas da Record, que pareciam rumar para a faixa dos 20 pontos, perderam fôlego. Anteontem, todas cravaram menos de 17. ‘Amor e Intrigas’, na reta final, deu só 14,8.’


 


 


Bruna Bittencourt


Ewan McGregor roda o mundo de moto


‘Depois de encarnar um viciado em ‘Trainspotting’, cantar em ‘Moulin Rouge’ e virar Obi-Wan Kenobi em ‘Star Wars’, o ator escocês Ewan McGregor pediu férias do cinema e foi dar uma volta de moto com o amigo e ator inglês Charley Boorman. A ‘volta’ começou em Londres, atravessou Europa e Ásia e chegou a Nova York, passando por países como Cazaquistão, Mongólia e Alasca. Tudo registrado na série ‘Long Way Round’ (algo como longo caminho pelas redondezas), de 2004. Três anos depois, a dupla caiu na estrada de novo, dessa vez para uma esticada até a África, partindo de John O’Groats, na Escócia, até a Cidade do Cabo, na África do Sul, percorrendo 24 mil quilômetros em três meses. A viagem deu em outra série: ‘Long Way Down’, que o canal National Geographic exibe no Brasil com o título ‘Em Duas Rodas com Ewan McGregor’. Aqui, eles enfrentam tempestade de areia na Líbia, voam sobre as planícies do Quênia, passam por estradas perigosas e regiões violentas. Mas, junto com uma equipe que inclui médico e guias, nenhuma aventura é assim tão perigosa. No quarto episódio, que será exibido amanhã, a dupla começa a sentir o cansaço das longas horas dirigindo no Egito. E o trecho africano, que tomará outros seis episódios, só começou.


EM DUAS RODAS COM EWAN MCGREGOR


Quando: amanhã, às 22h; livre


Onde: National Geographic’


 


 


OPERAÇÃO DA PF
Marcelo Coelho


Luzes, câmera, ação


‘PIROTECNIA, ESPETACULARIZAÇÃO, linchamento: fala-se muito disso a propósito da prisão de Daniel Dantas, Celso Pitta e Naji Nahas, diante das câmeras da Globo. Não acho que tudo foi tão espetacularizado assim. Lembro-me do caso de um peixe grande, há tempos, que ao ser preso foi posto aos berros dentro de um camburão. Dantas, Pitta e Nahas seguiram em carro comum, é verdade que desnecessariamente algemados. Mas não houve truculência.


Pode-se considerar que foi equivocada a prisão dos envolvidos. Não se trata, em todo caso, de nenhum arbítrio da Polícia Federal: foi feita em obediência às ordens de um juiz.


Há, naturalmente, o fato de que tudo foi acompanhado pelas câmeras.


Será, em tese, um mal absoluto que isso aconteça? É possível pensar o inverso. As chances de violência policial são muito maiores quando nada é exposto ao público.


Se uma emissora de televisão acompanhasse sempre as ações da PM fluminense, a legalidade e o respeito aos direitos humanos estariam bem mais protegidos.


Sem dúvida, os acusados na Operação Satiagraha sofrem danos sérios na imagem pessoal. Sobre Celso Pitta e Naji Nahas nada preciso dizer, mas a respeito de Daniel Dantas não me esqueço da capa de uma revista semanal, manipulando sua fotografia de modo a apresentá-lo com orelhas gigantescas. Difícil saber o que restava a preservar depois de investidas desse tipo; televisioná-lo ao ser preso, com meio mundo tomando as suas dores, não me parece muito pior.


Em matéria de espetacularização, ou seja lá que nome tenha, também o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, tem parte no cartório.


Antes de julgar o caso, apareceu na televisão manifestando repúdio aos métodos da Polícia Federal. Não deveria ser mais discreto?


Li também declarações de um experiente jurista, que chegou a questionar a existência de democracia no país. Esta só se realizará de fato quando for assegurado o pleno direito de defesa aos cidadãos, afirmou, juntando-se às vozes de protesto contra a segunda prisão de Daniel Dantas.


Bem, se alguém conta com pleno direito de defesa no Brasil, acho que é Daniel Dantas. Não acho errado, aliás. Não é porque muitos pobres mofam anos na cadeia, sem garantias mínimas de defesa, que eu desejo a extensão dessa injustiça para todos os cidadãos.


Por falar em direito de defesa, está em cartaz em São Paulo ‘O Advogado do Terror’, um documentário fascinante sobre Jacques Vergès.


Charuto na boca, escritório luxuoso, olhos que vão do cinismo às lágrimas em fração de segundo, Vergès é entrevistado longamente a respeito de sua carreira polêmica nos tribunais do mundo.


Ele defendeu o nazista Klaus Barbie, o genocida Slobodan Milosevic e o terrorista Carlos, o ‘Chacal’. ‘O senhor defenderia Hitler?’, perguntam-lhe. ‘Eu defenderia até Bush!’, diz o bizarro velhote, ‘desde que ele se confessasse culpado’.


Vergès começou sua vida política engajando-se na resistência contra o nazismo. Daí passou, dentro de uma mesma perspectiva humanitária e de esquerda, a horrorizar-se com os massacres e torturas feitos pelos franceses na Argélia.


Incrível como parecia relativamente ‘normal’, nos anos 50, que a resistência ao colonialismo europeu recorresse a atentados terroristas odiosos. Uma bomba explode numa lanchonete freqüentada por adolescentes ‘opressores’; Jacques Vergès defende a bela terrorista argelina Djamila Bouhared, autora do atentado, por quem se apaixona.


As relações de nazistas históricos com movimentos árabes e com extremistas de esquerda vai sendo exposta no filme; Jacques Vergès termina em ótimas relações com o que há de pior nas duas pontas do espectro político.


O que move esse advogado? Certamente, não o ideal abstrato do direito de defesa. Dinheiro parece ajudar bastante. Mas, nesse filho de uma vietnamita com pai francês, a psicanálise sem dúvida tem seus julgamentos a proferir.


Vergès lamenta não ter sido mutilado pelos alemães quando se engajou na Resistência; nesse caso, ficaria mais tranqüilo no papel de herói.


Um de seus maiores medos era ser castrado por uma mina terrestre.


Parece buscar, no resto da vida, pessoas que fossem capazes de fazer isso com ele. Ou com os outros. Fez o possível para ser odiado pela opinião pública; há gente assim. Pelo menos não reclama da imagem que tem.’


 


 


INTERNET
Folha de S. Paulo


Usuários da rede protestam contra lei de Azeredo


‘O Senado aprovou por votação simbólica, na semana passada, o projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que tipifica e estabelece punição para crimes cometidos na área de informática e internet.


Nesta semana, a proposta segue para votação na Câmara. Na rede, os protestos somam vários adeptos, insatisfeitos com o teor do projeto.


Um petição pelo veto ao projeto de cibercrimes circula na internet (www.petitiononline.com/veto2008) e contava com 45.753 assinaturas até o fechamento desta edição.


O texto, assinado por André Lemos, professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Sérgio Amadeu da Silveira, professor da Faculdade Cásper Líbero e ativista do software livre, e João Carlos Rebello Caribé, publicitário e consultor de negócios em mídias sociais, ressalta o caráter democrático da internet.


‘O substitutivo do senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas e quer exigir que todos os provedores de acesso à internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos.’’


 


 


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Partido Pirata dos EUA ataca indústria cinematográfica


‘Cansado de ouvir a MPAA (Motion Picture Association of America, que defende interesses de estúdios de cinema em relação a direitos autorais) afirmar que a pirataria causou perdas de bilhões de dólares aos seus membros, o Pirate Party dos Estados Unidos resolveu investigar os números dados pela associação.


Para fazer o estudo, o administrador do US Pirate Party (www.pirate-party.us), Andrew Norton, partiu da idéia que filmes ‘blockbusters’ são os mais distribuídos em redes de compartilhamento de arquivos e vendidos nas ruas. Ele analisou o desempenho de dez filmes em 11 anos.


Segundo Norton, as alegações de que a pirataria afeta a bilheteria da indústria são infundadas, pois, como mostram gráficos do estudo, não houve crise na bilheteria. Os filmes analisados lucraram bem, apesar da pirataria.


‘Para a MPAA, todo down- load, real ou imaginado, é uma venda perdida. Toda cópia queimada, até para uso pessoal, é uma cópia que devia ter sido comprada, ainda que já tenha sido comprada uma vez’, disse em entrevista à Folha.


Norton aproveita para questionar, mais uma vez, a MPAA: ‘Se suas alegações são tão válidas, por que vocês não mostram os dados por trás delas?’. E acrescenta: ‘Nós não devemos esquecer que os membros da MPAA fazem leis para beneficiar seus próprios membros. Eles não estão interessados nos direitos dos cidadãos, seus consumidores. Eles estão interessados apenas em proteger o status quo, que tem sido tão lucrativo para eles.’’


 


 


Denyse Godoy


Internet mundial se expande em 26%, diz relatório da VeriSign


‘Cerca de 14 milhões de novos nomes de domínios da internet (endereços de sites) foram registrados no primeiro trimestre de 2008, elevando a base mundial para 162 milhões.


O aumento é de 26% na comparação com o mesmo período de 2007 e de 6% ante o trimestre imediatamente anterior, segundo relatório divulgado pela VeriSign -operadora global de registros .com e .net- obtido pela Folha.


Brasil


No Brasil, o aumento, do final do ano passado até março, foi de 6,65%, de 451 mil para 481 mil domínios. A taxa de crescimento na América Latina foi semelhante: 7,8%, de 1,466 milhão para 1,581 milhão.


‘As pessoas estão entendendo cada vez melhor a internet, como fazer bom uso dela e os seus benefícios’, diz Erica Saito, gerente regional de estratégia de negócios da VeriSign.


‘A maioria das empresas do país ainda não possui um site; portanto, existe um gigantesco potencial de crescimento’, afirma Saito.


Para Frederico Neves, diretor de serviços e tecnologia da Registro .br, que é uma das autorizadas a registrar domínios no país, a mudança nas regras de permissão ocorrida no país em maio está impulsionando os registros de pessoas físicas. ‘Antes, somente empresas podiam ter o domínio .com.br.’, explica. Ser dono de um endereço próprio na internet custa R$ 30 ao ano.


Países


A base de domínios com códigos de países subiu 33% entre o primeiro trimestre de 2007 e o primeiro de 2008, para 63 milhões. A maior é a da Alemanha, 12 milhões. Rússia, China e Índia apresentam ritmo de crescimento superior ao do Brasil.


Saito não espera que as novas normas da Icann (entidade que coordena a internet), as quais permitirão a criação de novos sufixos de domínios -como .sports ou .escola-, provoquem uma disparada nos registros. ‘Isso não foi observado quando da criação de .biz e .info’, diz.’


 


 


Bryant Urstadt, da Technology Review


Anúncios fracassam nas redes sociais


‘O Facebook, segundo a ComScore, obteve nos EUA 33,9 milhões de visitantes diferentes em janeiro de 2008. O MySpace registrou quase o dobro de tráfego, com 72 milhões de usuários diferentes no mesmo mês. Mas os dois sites parecem incapazes de gerar um faturamento equivalente à sua popularidade.


No ano passado, a Microsoft comprou 1,6% das ações do Facebook por US$ 240 milhões, o que confere a essa empresa o duvidoso valor total de US$ 15 bilhões. O Facebook deve ter um prejuízo de US$ 150 milhões em 2008. E o faturamento da Fox Interactive Media, uma subsidiária do MySpace, ficou US$ 100 milhões abaixo do previsto neste ano.


A rede de anúncios Lookery revende espaço no Facebook a 13 centavos de dólar para cada mil vezes que um anúncio é exibido, ou, no jargão do setor, a um custo por milhar (CPM) de US$ 0,13. O Facebook fixa um CPM mínimo de US$ 0,15 para os ‘anúncios sociais’, que permitem aos anunciantes direcionar a propaganda segundo características como localização e idade. O MySpace diminuiu sua taxa de banner-anúncio de um CPM de US$ 3,25 para um de menos de US$ 2.


Para fins de comparação, um banner no Mashable, um blog que cobre o mundo das redes de relacionamento, possui um CPM de US$ 7 a US$ 33. O site TechnologyReview.com tem um CPM de US$ 70.


Mas mesmo as tarifas mais baixas não têm sido o suficiente para atrair os anunciantes e os investidores de mídia para as redes de relacionamento.


‘Trata-se de um lugar realmente muito ruim para fazer propaganda’, afirmou a respeito das redes sociais Jason Calacanis, fundador da Weblogs e da Malaho.com. Para ele, os integrantes das redes sociais ‘estão preocupados com suas conversas e não desejam ver as mensagens de propaganda’.


Como é no Google


O Google, porém, consegue ter lucros colocando anúncios na frente dos usuários.


Com cerca de 140 milhões de visitantes diferentes por mês nos EUA, faturou US$ 16 bilhões em 2007, em grande parte com anúncios nos quais as pessoas prestaram atenção.


Os leilões da AdWords, do Google, vendem anúncios com base na palavra-chave: os interessados pagam por cada clique individual em uma palavra-chave específica. Os lances giraram em torno de 70 centavos de dólar por clique no primeiro trimestre de 2008.


A propaganda no Google funciona porque os visitantes acessam o site procurando por uma informação específica. Se um usuário digita a palavra ‘moto’ no campo de busca da página, pretende comprar uma moto. Sendo assim, os anúncios podem ser mais úteis do que os resultados em si.


Nas redes sociais, os usuários pretendem encontrar amigos; os anúncios são, na melhor das hipóteses, irrelevantes para aquele objetivo.


Enquanto cerca de 2% dos usuários do Google clicam em um determinado anúncio, menos de 0,04% dos usuários do Facebook fazem isso.’


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 16 de julho de 2008


 


PARANÁ
O Estado de S. Paulo


Justiça mantém multa contra Requião


‘O desembargador federal Edgard Lippmann Jr., do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, negou recurso do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), contra multa de R$ 200 mil imposta pela Justiça Federal de Curitiba no final de junho. A multa foi aplicada a pedido do Ministério Público Federal, em razão da reincidência no descumprimento da liminar que proibiu Requião de fazer promoção pessoal e atacar adversários na Rádio e TV Educativa do Paraná.’


 


 


ARGENTINA
Ariel Palacios


Kirchner é ridicularizado no YouTube


‘Os ruralistas argentinos têm usado o site YouTube para ridicularizar o governo de Cristina Kirchner. Um dos vídeos mais vistos – com 590 mil visitas até ontem é o intitulado Von Kirchner, que usa as imagens do filme alemão A Queda (sobre os últimos dias de Adolf Hitler no bunker em Berlim). Em vez das legendas em espanhol traduzindo a gritaria em alemão de Hitler, as frases que aparecem na tela remetem a comentários supostamente pronunciados por um irritado Néstor Kirchner ao ver que sua estratégia política desmorona. Nas legendas alteradas, Kirchner exige lealdade de seus partidários e critica a oposição. ‘Precisamos de mais superpoderes. Temos de ser como (Hugo) Chávez’, vocifera.


Simpatizantes do governo também usam o YouTube para criticar os agricultores. Mas os vídeos kirchneristas são menos irônicos e se limitam à divulgação dos discursos de Cristina contra os ruralistas.’


 


 


ELEIÇÕES NOS EUA
Bill Carter, New York Times


Piadas sobre democrata são desafio para comediantes


‘Na segunda-feira, a revista The New Yorker envolveu-se numa polêmica ao publicar uma capa com uma ilustração de Barack Obama e sua mulher, Michelle, vestidos de terroristas. A conclusão do episódio é que fazer piada com Obama não é fácil. Jay Leno, David Letterman, Conan O?Brien conseguem brincar com o republicano John McCain – principalmente a respeito de sua idade -, mas não encontram humor no democrata.


Os principais programas noturnos são dominados por apresentadores brancos, escritores brancos e audiência branca. ‘Fazemos piadas sobre as pessoas que cercam Obama, mas não sobre ele’, disse Mike Sweeney, roteirista do programa Late Night, da NBC. A maioria tem esperança de que as piadas virão assim que o democrata der a deixa, mas até agora todos se queixam de que Obama não disse nenhuma frase de efeito.


Por quê? A razão dada por muitos é que não existe nada ‘contra’ Obama, bem diferente da relação de Bill Clinton com as mulheres ou dos erros gramaticais de George W. Bush. ‘Ele simplesmente não é engraçado’, disse Mike Barry, que escreve para Letterman na CBS. Jon Stewart, que apresenta o Daily Show, da Comedy Central, diz que nenhuma piada sobre o democrata funciona bem. ‘As pessoas tendem a reagir de acordo com o que permite sua ideologia’, reclamou o comediante.’


 


 


PUBLICIDADE
Ricardo Nabhan


O sotaque regional da propaganda


‘Uma economia em processo de crescimento, como o registrado nos últimos anos, depende, para manter um ritmo vigoroso e sustentável, de condições que permitam ampliar essa dinâmica às diversas regiões do Brasil, estimulando o emprego regionalmente. O setor de propaganda é um exemplo do que ocorre, nesse sentido, em todo o País.


A cada ano mais de 200 mil jovens ingressam em cursos de faculdades de comunicação. Em 2006, segundo recente pesquisa realizada pelo IBGE, havia mais de 181 mil alunos matriculados em escolas privadas e mais de 22 mil em universidades públicas. Há 466 faculdades de comunicação e 619 cursos de habilitação a estimular o interesse dos jovens para se formarem nessa área.


Entre os matriculados, estima-se que cerca de 15 mil jovens concluem os cursos. Ainda assim esse é um número bastante elevado, considerando-se que hoje a atividade publicitária reúne um contingente considerável de profissionais, não tendo capacidade de absorver sequer 10% do total de jovens que se formam a cada ano.


Para possibilitar a absorção desses jovens pelo mercado publicitário é necessário que o crescimento econômico tenha um efeito distributivo, em termos de atividade, nas agências de cada região brasileira, de cada cidade onde a economia local justifique a atividade publicitária.


O mesmo estudo do IBGE mostra que há hoje 14.636 agências em atividade no País, das quais apenas cerca de 4 mil são certificadas pelo Conselho Executivo das Normas Padrão (Cenp). Dessas, segundo o IBGE, apenas uma parte menor emprega mais de 15 pessoas.


Ou seja, esses milhares de agências, cuja atuação ainda não consta dos registros do Cenp, são microempresas ainda em fase de se tornar, efetivamente, uma agência. São empresas muito pequenas que prestam algum tipo de serviço na área de propaganda, mas que não têm condições hoje de ter um quadro profissional que permita seu desenvolvimento.


Essas agências permanecerão na condição de microempresas, se não houver uma melhor distribuição das verbas de propaganda, hoje excessivamente concentradas nos maiores mercados.


Demonstração disso é que as 50 maiores agências do País representam quase R$ 9 bilhões do bolo publicitário nacional, que foi de R$ 26 bilhões em 2007, segundo a pesquisa Intermeios. Paradoxalmente, o número de empregos nessas agências é inversamente proporcional ao tamanho do negócio. O maior número de empregos, no setor, se encontra justamente nas restantes 3.950 agências registradas pelo Cenp, que são de porte menor e estão espalhadas em diversas cidades do País.


Para que essas agências possam se manter e crescer, e ao mesmo tempo que as demais 10 mil microagências possam se desenvolver e ampliar a contratação de pessoal, é necessário que as verbas de propaganda tenham uma maior distribuição regional. E aí reside hoje um grande desafio do setor publicitário brasileiro.


Ainda é acentuada hoje a centralização da propaganda dos anunciantes nas maiores agências e veículos dos grandes centros. Mas isso começa a mudar à medida que muitas empresas abrem ou deslocam seus negócios para o interior do País e percebem a necessidade de incorporar a linguagem e a cultura regional às campanhas veiculadas localmente. Constatam que é preciso planejar, criar, produzir e investir na propaganda regional.


Um expressivo trabalho em prol da regionalização também tem sido feito pelas entidades representativas do setor. Isso inclui protocolos para que projetos estaduais de incentivo às empresas incluam cláusulas para valorizar a mão-de-obra local; acordos estaduais entre diversos setores para fortalecer a cadeia da comunicação local ou ainda a realização de parcerias entre grandes agências do Rio e de São Paulo com agências regionais, para atuar em conjunto. Nesse sentido, também tem sido fundamental a atuação das entidades do setor com os governos federal, estadual e municipal, visando a conscientizá-los sobre os impactos positivos da regionalização das verbas.


Esta é uma batalha que está apenas começando, tem um longo caminho à frente, mas tem, como aliados, os próprios consumidores e clientes de cada mercado, que, certamente, têm feito valer, cada vez mais, sua opinião e demandas nas decisões dos anunciantes.


*Ricardo Nabhan é presidente da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro)’


 


 


EMPRESA
O Estado de S. Paulo


Lucro da BrT cresce 75% no trimestre


‘A Brasil Telecom Participações divulgou ontem um lucro líquido de R$ 254,4 milhões no segundo trimestre de 2008, alta de 74,9% sobre igual período do ano passado. O resultado ficou acima das expectativas de analistas. O grupo indicou também uma geração de caixa, medida pelo Ebitda, da ordem de R$ 1,13 bilhão, valor 16,4% maior que o de intervalo correspondente de 2007. A receita líquida foi de R$ 2,823 bilhões, alta de quase 3%.’


 


 


TV DIGITAL
Michelly Teixeira e Renato Cruz


Ministro promete conversor a R$ 7 ao mês


‘‘Vão me contratar para aquele canal que vende eletrônicos’, brincou ontem o ministro das Comunicações, Hélio Costa, durante o lançamento dos conversores de TV digital (também chamado set-top boxes) da taiwanesa Proview, em São Paulo. O ministro chegou a apresentar as características técnicas dos conversores, que custam entre R$ 199 e R$ 299, lembrando um garoto-propaganda. Ele ganhou um equipamento e avisou que iria devolver, porque, como ministro, não poderia aceitar o presente.


Costa prometeu financiamentos em até 48 parcelas e mensalidades a partir de R$ 7 para os conversores. O Ministério das Comunicações negociou as linhas de crédito com o Banco do Brasil (BB) e o Banco Postal. ‘Incluímos a possibilidade de financiamento do set-top box numa linha chamada BB crediário’, explicou Dênis Corrêa, gerente-executivo da Diretoria de Varejo do BB.


Para ter acesso ao financiamento, é preciso ser cliente do banco e ter o cartão Ourocard Visa ou Visa Electron. O cliente tem um crédito pré-aprovado para a compra de eletroeletrônicos, e opta por utilizá-lo no próprio estabelecimento comercial. A parcela mínima do BB é de R$ 10. O conversor de R$ 199 sai por 32 vezes de R$ 10,14. ‘A linha tem uma taxa muito competitiva, de 2,84% ao mês, e já está disponível’, explicou Corrêa. O Banco Postal informou que ainda não tem informações além das anunciadas por Costa.


Os fabricantes de equipamentos têm reclamado das vendas baixas dos conversores de TV digital. As emissoras culpam o preço dos conversores, vendidos por mais de R$ 500, e os fabricantes culpam a pouca cobertura do sinal digital. Por enquanto, as transmissões digitais começaram na Grande São Paulo. No Rio e em Belo Horizonte, a estréia foi parcial, com dois canais em cada cidade.


O ministro acredita que, com o conversor mais barato e as linhas de financiamento, agora vai. Costa disse que está pronta a canalização (definição dos canais que serão usados para a transmissão digital) para a maioria das capitais e para as principais ‘cidades-pólo’ de São Paulo. Ele citou como exemplo Campinas, Taubaté, São José do Rio Preto e Sorocaba. Afirmou ainda que, até o fim do ano, o Brasil terá cerca de 800 mil aparelhos celulares que recebem TV aberta.


O ministro e os radiodifusores, no entanto, são mais reticentes quanto ao mercado de conversores. Alguns falam em 50 mil unidades vendidas. Entre janeiro e maio deste ano foram produzidos 17,5 mil conversores de TV digital aberta na Zona Franca de Manaus. Tseng Ling Yun, presidente da Proview, disse que a empresa e seus concorrentes no Brasil têm hoje a capacidade de produzir 300 mil unidades por mês.


Costa acenou com a possibilidade de o governo federal cortar o PIS e a Cofins dos conversores de TV digital, como fez com os microcomputadores na Lei do Bem. Isso poderia reduzir em 12% o preço do aparelho para o consumidor final. Ele também disse que negocia a diminuição do ICMS com governos estaduais, como Minas Gerais e Rio de Janeiro. ‘A Bahia já concede esses benefícios e tenho certeza de que o Estado de São Paulo, que tem diante de si uma enorme possibilidade de venda, terá todo o interesse nisso’, afirmou Costa. Ele disse que outras duas empresas – Comsat e Nortecom – declararam a intenção de fabricar set-top boxes mais baratos.’


 


 


Marili Ribeiro


Grupos de mídia pedem liberdade na propaganda


‘A liberdade de expressão tornou-se uma das principais discussões do IV Congresso Brasileiro de Publicidade, que se realiza em São Paulo. Convidado a falar sobre liberdade de imprensa e como isso implica na democracia e na regulamentação da publicidade, o presidente do conselho de administração do Grupo Abril, Roberto Civita, fez duras críticas às agências reguladoras, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo ele, a solução para problemas sociais de grande complexidade não deveria se limitar às proibições de anúncios.


‘A publicidade é parte principal das economias livres e o que proporciona o alargamento das nações’, disse. ‘No tripé da comunicação, a publicidade é um dos pilares da imprensa livre e independente. Sem publicidade, não existiria uma imprensa vigorosa’, acrescentou.


Outro palestrante, o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, também criticou as tentativas de cerceamento da liberdade de expressão, tanto da imprensa quanto da publicidade. ‘Hoje, há muitas tentativas de relativizar a liberdade de expressão. Há uma propensão de ver o cidadão como alguém que precisa de tutela para decidir entre o certo e o errado.’


Para ele, há uma ‘sanha regulatória’ no País. ‘Poucos acreditam que podem julgar por muitos. É o caso do Ministério Público, que viu propaganda eleitoral antecipada em entrevistas com candidatos à Prefeitura de São Paulo na Folha, no Estadão e na Veja.’


O próprio advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, defendeu a liberdade na propaganda. ‘O Estado não tem de tutelar, tem de dar mecanismos para as pessoas se defenderem também a partir da própria propaganda. Já expressei isso a ministros da Saúde e ao próprio presidente da República’, afirmou Toffoli. ‘As restrições podem surtir efeitos, mas não tão pedagógicos quanto os meios de educação.’


CRIATIVIDADE


Outra comissão de discussões bastante concorrida ontem foi a que debateu a criatividade brasileira na propaganda. As discussões resultaram no que o publicitário Nizan Guanaes, coordenador da comissão, batizou de ‘Manifesto Bossa Nova por uma Criatividade Mundial’.


Para ele, o Brasil deve abraçar a criatividade nacional da mesma forma que os italianos abraçaram o design. ‘Somos um País criativo e podemos vender criatividade’, disse Guanaes, sob aplausos de uma platéia lotada. ‘Não podemos nos contentar em ser apenas o País das commodities.’


Animado com as perspectivas que o mercado mundial oferece para os profissionais brasileiros no exterior, o palestrante PJ Pereira, presidente da Pereira & Odell, empresa de estratégias digitais do Grupo ABC, de Nizan Guanaes, com sede na Califórnia, deu exemplos de como esse reconhecimento do País pela sua criatividade poderia acontecer.


‘Amsterdam, na Holanda, e Estocolmo, na Suécia, são hoje pólos de criatividade global de onde têm saído as mais criativas campanhas em cartaz’, disse. ‘A razão para isso é simples: eles se abriram para os profissionais de todo mundo, e lá também há brasileiros atuando.Temos de fazer o mesmo: trazer talentos de fora e assumir um papel relevante na publicidade global, e não nos fecharmos.’ COLABOROU FABIANE LEITE’


 


 


LIBERDADE DE IMPRENSA
Ana Paula Lacerda


Restrições em 63% dos países


‘A jornalista americana Judith Miller elogiou, no IV Congresso Brasileiro de Publicidade, as iniciativas brasileiras em relação à liberdade de imprensa. A decisão do STF de revogar as cláusulas da Lei de Imprensa que feriam a Constituição foi um grande acerto, segundo a ex-repórter do New York Times. Judith defende a criação, nos EUA, de uma lei federal de sigilo de fontes, pela qual os jornalistas não sejam obrigados a revelar quem lhes passa informação.


Em 2005, a jornalista ficou 85 dias presa por não revelar à Justiça quem do governo americano havia lhe revelado a identidade de uma agente da CIA.


Segundo Judith, organizações de defesa da liberdade de expressão averiguaram que em 63% dos países existe um cerceamento parcial ou total da liberdade de imprensa. ‘Os piores casos ocorrem na Rússia, na Ásia e na África subsaariana’, disse. ‘O nível de liberdade de imprensa no mundo caiu pelo 6º ano seguido.’


Para ela, os EUA atravessam um momento de reequilíbrio pós-11 de setembro. ‘Muitas informações passaram a ser consideradas confidenciais e de segredos de Estado após os ataques terroristas’, disse. Segundo ela, foram gastos, em 2005, US$ 7,2 bilhões para classificar documentos do governo como confidenciais. ‘Claro que algumas medidas de segurança devem ser tomadas, mas a liberdade de imprensa e acesso à informação está sendo sacrificada. Com certeza, os segredos de Estado causam mais danos que as descobertas da mídia.’


O diretor de conteúdo do Estado, Ricardo Gandour, foi um dos participantes do debate que se seguiu à apresentação de Judith, juntamente com o ombudsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins e Silva, e o diretor de redação do jornal O Globo, Rodolfo Fernandes.


‘Ainda existe, por causa do nosso passado recente, uma cultura de controle em nossa sociedade’, disse Gandour. ‘Mas a sociedade deve buscar o equilíbrio não entre controles e sim entre liberdades. Tanto no jornalismo, quanto na publicidade: setores auto-regulados, trabalhando com transparência e responsabilidade.’’


 


 


CULTURA
Tiago Décimo


Capoeira vira patrimônio cultural brasileiro


‘Em um Palácio Rio Branco cercado por cerca de 20 grupos de capoeira da Bahia, do Rio e de Pernambuco, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) acolheu por unanimidade, ontem, o pedido de registro da capoeira como patrimônio cultural brasileiro, feito pelo Ministério da Cultura.


É o ponto alto de uma história polêmica. ‘A prática foi, por muitos anos, considerada crime pelo Código Penal’, lembra a historiadora e capoeirista Adriana Albert Dias. Os registros mais antigos vêm do século 18: era praticada por escravos, sobretudo os de Angola. O esporte/dança foi considerado crime até o fim da década de 1930. Só a partir de lá começou a alçar a fama – hoje, em 150 países.


A capoeira passa a ser um dos 14 patrimônios culturais do País, junto com o frevo, o samba carioca e o ofício das baianas de acarajé, entre outros. ‘Se hoje a manifestação é legitimada como um dos principais símbolos da cultura brasileira, foi por muito sacrifício, em especial dos mais antigos’, conta o historiador Frede Abreu.


Na prática, a elevação da capoeira a patrimônio cultural prevê, além do reconhecimento como bem cultural, a criação de um plano de previdência especial para os ‘velhos mestres’. Gente como Francisco de Assis, o mestre Gigante, de 84 anos. ‘Preciso muito dessa ajuda’, diz ele, que participou de rodas com os lendários mestres Bimba e Pastinha. Gigante também atuou em filmes, como O Pagador de Promessas. Hoje, depende de ajuda até mesmo para consertar o telhado de sua modesta casa.


Pelo histórico dos processos do gênero, Gigante deve esperar muito para conseguir algum benefício do governo. O samba-de-roda do Recôncavo, outra instituição baiana elevada a patrimônio cultural pelo Iphan, em 2004, previa plano semelhante. Até hoje, é só um plano. ‘Vamos trabalhar para identificar o mais rapidamente possível os antigos mestres, mas é uma ação que não depende apenas do Iphan’, explica a diretora de Patrimônio Imaterial do instituto, Márcia Sant?Anna.’


 


 


TELEVISÃO
Gustavo Miller


NBC cria webisódios


‘Para aquecer a estréia da nova temporada de duas de suas principais séries (The Office e Heroes), desde a semana passada a rede americana NBC está veiculando em seu site ‘webisódios’ desses dois seriados. Webisodes são pequenos episódios de dois a três minutos criados especialmente para a internet. Essa iniciativa da NBC mostra que a TV americana está ligada em como o público (jovem) consome os seus produtos, e por isso vem testando novas formas de trabalhar com as novas mídias.


Os webisódios não interferem diretamente na história original das séries, e servem mais como um aperitivo para os fãs que já trocam a tela de seus televisores pela dos computadores .


Em The Office, os dez webisódios, batizados de Kevin’s Loans, serão protagonizados por atores secundários da trama. Em Heroes, os três filmetes de Going Postal irão apresentar novos personagens que entrarão na trama da 3ª temporada da série.


Em janeiro, os fãs de Lost, que se tornou um fenômeno graças à web, ganharam webisódios antes da estréia de sua 4ª temporada. A diferença é que os vídeos eram criados para serem vistos somente na tela de celulares.’


 


 


 


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