Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

JORNAL DE DEBATES > MÍDIA & MENSALÃO

De toga não se joga Fla-Flu

Por Alberto Dines em 07/08/2012 na edição 706

 

O magnífico espetáculo judicial montado no plenário do Supremo Tribunal Federal já atendeu a parte de suas atribuições e mostrou que, apesar da generalizada desconfiança que envolve a magistratura, o ambiente da corte impôs uma inesperada objetividade capaz de desarmar a radicalização do tipo Fla-Flu que vem paralisando o país há alguns anos.

O escândalo do mensalão foi incubado na mídia por meio daquela fita clandestina produzida por arapongas profissionais flagrando um alto funcionário dos Correios a embolsar tranquilamente uma “cervejinha’ de 3 mil reais. O segundo round, também midiático e altamente dramatizado, recolocou a imprensa no seu clássico papel de mediadora.

A entrevista de Roberto Jefferson à repórter Renata Lo Prete, da Folha de S.Paulo, revelando em detalhes o funcionamento do sistema de distribuição de mesadas aos deputados da base aliada em troca do apoio ao governo, prometia uma dinâmica de controvérsias e contestações.

Sete anos depois, às vésperas do julgamento dos 38 réus indiciados pelo Ministério Público, a mídia tenta retomar o protagonismo – desta vez para mobilizar a sociedade em torno das questões de corrupção e impunidade embutidas na Ação Penal 470, vulgo “mensalão”.

Porções de suspense

Justifica-se a tentativa de eletrização do ambiente considerando o conjunto de vetores que atuam para desmobilizar a sociedade brasileira: a televisão, sobretudo as telenovelas e o futebol, combinados ao baixo nível cultural e político dos segmentos ascendentes.

O início do julgamento foi tenso e intenso, o bate-boca entre o ministro-relator (Joaquim Barbosa) e o ministro-revisor (Ricardo Lewandowski) prometia grandes emoções. O surpreendente resultado desfavorável ao desmembramento mostrava que as estrelas do espetáculo dos próximos dois meses poderiam ser os ministros. O placar de 9 a 2 contra o desmembramento do processo em várias instâncias apontava que o saber jurídico – associado às consciências individuais – poderia converter-se em animador do show.

Pela lógica da retribuição de favores, os ministros nomeados pelo presidente Lula deveriam votar em defesa do desmembramento e, neste caso, o placar deveria ser de 8 a 3 a favor dos réus.

Não foi. Esta imprevisibilidade é que forneceria as doses de suspense e adrenalina para segurar a audiência. Tudo indicava a transferência do Fla-flu ideológico para um Fla-Flu jurídico, embora seja ponto pacifico que a toga não é o uniforme mais apropriado para pelejas empolgantes.

Em campo

No primeiro fim de semana da nova temporada forense, o mensalão e seus personagens foram os campeões das redes sociais. Mas as redes sociais são invisíveis e extremamente voláteis. Ocupam grandes territórios nos fins de semana e se esvaziam em seguida. A rede aberta de TV está imersa até às 10 da noite na irrealidade ficcional, depois vai dormir.

Os canais por assinatura, sobretudo os noticiosos, poderão servir de incubadoras de opções para um rentabilizar o “julgamento do século”. A GloboNews preparou-se e está em campo. Resta saber se é possível armar um Fla-Flu sem polêmicas e controvérsias.

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