Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

JORNAL DE DEBATES > HUCK & FERRÉZ

Debate simplista,
respostas grosseiras

Por Alberto Dines em 15/10/2007 na edição 454

Luciano Huck foi para a capa da última edição de Época.


Antes esteve nas Páginas Amarelas de Veja, duas vezes na primeira página da Folha e foi assunto de quase sessenta mil ocorrências na Internet.


Por que a celeuma?


O apresentador achou que deveria protestar contra uma violência da qual  foi vítima e, como é uma celebridade, teve tratamento VIP.


Então um escritor da periferia achou que deveria defender o ponto de vista dos marginais, botou a boca no trombone e também foi para a primeira página.


À primeira vista tudo isto parece um debate democrático, troca de idéias dentro de uma sociedade pluralista.


Não é.


A imprensa fixou-se nos aspectos mais sensacionalistas, como a chamada na capa da Época – Ele Merecia ser Roubado? – o  público leitor foi na onda e manteve a mesma entonação. Dai para o linchamento e o canibalismo foi um passo.


Quando se simplifica o debate como agora acontece, é inevitável que a resposta coletiva seja ainda mais simplista e ainda mais grosseira.


A brutalidade que hoje se nota em alguns blogs e nas seções de cartas dos leitores não acontece por acaso.


Alguém fez vibrar um diapasão, a multidão percebeu o tom e procurou a mesma afinação.


É evidente que Luciano Huck não merecia ser roubado, ninguém merece ser roubado, nem mesmo ladrões.


Mas um assunto sério como este não merece colocações tão ingênuas e tão desatinadas.


Em Tempo: Não satisfeita com a polêmica criada por seus articulistas e convidados, a Folha de S. Paulo foi buscar na Veja o cão de guarda Reinaldo Azevedo, blogueiro e colunista da revista, para mais um artigo sobre Huck e Ferréz, publicado nesta segunda-feira (15/10) na página 3. Azevedo bate pesado em Ferréz e até mesmo na Folha, por ter publicado o artigo do rapper. Já o resultado da busca no Google pela palavra-chave Luciano Huck já supera 445 mil ocorrências. Não é pouca coisa… 


 


 


 

Todos os comentários

  1. Comentou em 18/10/2007 Marcelo Gonçalves Rosa

    Nessa polêmica do rolex,me lembrei sobre o fato do mesmo Huck ter demonstrado solidariedade com o rabino Henry Sobel, que foi flagrado roubando gravatas nos EUA. E isso sem falar com os mais de 10 mil assinaturas no petitionline. O rabino ainda teve a desculpa de remédios, mas muita gente não acredita. Dines, não seria uma boa pauta para o OI? Abraços aos leitores

  2. Comentou em 16/10/2007 Marco Antônio Leite

    Não estamos aqui discutindo se o Huck é um bom moço, ou o Ferréz é um paria da sociedade que defende marginais. O que esta embutido no artigo é o tamanho da desigualdade econômica entre os poucos privilegiados e a grande massa desamparada pelo sistema. Não podemos nos esquecer que o bom mocinho nasceu em berço de ouro, pôr isso não faltou-lhe oportunidades na vida. Trata-se de um elemento que banalizou ainda mais os programas televisivos, mostrando às partes carnosas das nádegas das tiazinha, feiticeira e bananinhas da vida para uma platéia despreparada do ponto de vista cultural. Esse sujeito não necessita de se expor na mídia pôr uma simples perda de pequena monta, com o dinheiro que ele fatura com o seu programa de conteúdo duvidoso, dá para comprar muitos Rolex. Esse indivíduo tem que aprender que ele mora num país do outro mundo, no qual existem 50% da população vivendo abaixo da linha de miséria, sendo que no total o Brasil é constituído de 90% de pobres. Portanto, ele não se enquadra em nenhuma dessas faixas de miserebilidade. Caso ele não esteja dormindo devido a perda do relógio, que tal fazermos uma vaquinha e damos um Rolex de presente para o pobrezinho! Pensem nisso?

  3. Comentou em 16/10/2007 Eugênio Simões

    O artigo de Reinaldo Azevedo na FSP de ontem é ótimo e oportuno. Destrói com uma série de tolices repetidas por esquerdólatras acéfalos. Muitos ingênuos acreditam no mito do ‘bom meliante’, que pressionado pela sociedade ‘consumista’ pega em armas para defender os bons valores primitivos. Assim, essa éspécie de Che Guevara da favela, é corrompido pela sociedade cruel e pelas zelites terríveis’, em uma leitura tacanha de Rosseau, promovida por papagaios formados por décadas de pensamento uspiano (quem diria que o filósofo francês acabaria justificando o terrorismo do PCC?).
    Quanto ao comentário de Dines, acho que ele foi deselegante chamando RA de cão de guarda’. Contudo, isso não justifica a resposta do blogueiro que foi muito pior. É só ler em seu blog. Leio os dois jornalistas, nem sempre concordo com o que dizem, mas acho que ambos trazem contribuições interessantese são ótimos profissionais. Porém, quando o debate começa a girar sobre ressentimentos e ofensas pessoais, algo se perde.

  4. Comentou em 16/10/2007 Fernando Cavalcante Neto

    Por mais que discorde de alguns textos do Dines, o texto do Reinaldo Azevedo retrucando o texto do caro observador, chamado de ‘Imprensa 3 – Alberto Dines me chama de cão de guarda. E eu mordo calcanhar de velhacos’, foi um dos piores e mais ‘pré-conceituosos’ textos que li em minha vida, acho que o Reinaldo Azevedo nunca leu um texto do Dines integralmente: http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

  5. Comentou em 15/10/2007 Alan Neves

    Por que o escritor é adjetivado como ‘da periferia’? Nunca vi ninguém falar do ‘escritor do centro da cidade’. Haja preconceito em poucas linhas!

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