Terça-feira, 13 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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JORNAL DE DEBATES >

Diploma e conselho

Por Paulo J. Rafael em 24/08/2004 na edição 291

Quem cursou uma faculdade sabe o quanto foi importante o aprendizado teórico para o aprimoramento do futuro profissional. A informação no Brasil, deixou de ser um bem social para constituir-se em bem de mercado. Tendo proprietários, é negociada a partir dos interesses de uma elite que controla impiedosamente o país.

O diploma exigido para o exercício da profissão de jornalista significa uma autorização concedida a partir da identificação de um conhecimento desenvolvido organizadamente por instituições estruturadas com essa finalidade. Longe de ser uma preocupação corporativa, o diploma de jornalista é uma conquista que impede, legalmente, que seja a profissão assaltada por um aventureirismo capaz de levá-la à diluição. Certos proprietários da informação são defensores de uma abertura dita democrática que preconiza o acesso de todos ao pretenso direito de manifestar-se. Puro sofisma.

Na verdade, o que essa gente pretende é a ampliação desmedida da massa profissional que, tornada difusa, permitiria uma extraordinária oferta de mão de obra, já que as exigências formais estariam extintas, com isso, o nível de remuneração cairia ainda mais, a rotatividade seria mais intensa e o controle sobre a produção da informação mais eficaz.

À alegação de que as universidades não estão bem equipadas do ponto de vista humano e material, e que não conseguem produzir bons profissionais, poderíamos contrapor que a qualificação profissional não se esgota na conclusão de um curso, qualquer que seja ele, mas desenvolve-se pela vida toda. Pelo acúmulo de experiências vividas e pelas reflexões produzidas a partir delas.

Viagem tresloucada

Se, por outro lado, o exercício profissional nas redações nos faz crescer, pode também ser desestimulante pelo clima de competição, ameaças e atemorizações que aparecem cotidianamente. O pior de tudo isso é agüentar a intolerância daqueles que não possuem preparo e diploma para o exercício da profissão de jornalista que, infiltrados na área, ocupam nossos espaços fazendo comentários em programas esportivos do rádio e da televisão e, pasmem senhores, até se acham no direito de escrever para jornais e revistas e emitir opiniões. Função esta exclusiva do jornalista profissional diplomado. Mas esse pessoal não pára por ai. Insistem em manchar a imagem dos verdadeiros profissionais, procurando neutralizá-los para que não lhes façam sombra.

Esse tipo de gente vive e necessita do poder, e deve estar nesta altura elogiando o projeto que prevê o Conselho Federal de Jornalismo, que visa única e exclusivamente manter o jornalista sob controle dos detentores do poder. Estes pseudojornalistas, não conseguem viver longe dos poderosos, e praticam um jornalismo pouco recomendável pelas universidades da área. Se a universidade é defeituosa para essa gente, então vamos reformá-la, destinando-lhe mais recursos e criando mecanismos confiáveis de avaliação sobre a real qualidade e serventia do conhecimento por ela produzido. Não só a universidade necessita de realinhamento. O que condenamos é o fato de se questionar se uma universidade prepara o profissional adequadamente para o dia-a-dia do jornalismo.

Quem cursou uma faculdade sabe o quanto foi importante o aprendizado teórico para o aprimoramento profissional. Condenáveis são todos aqueles que se lançam ao lucro e ao poder, numa viagem tresloucada e sem limite, sem dar satisfações a quem quer que seja.

Sou jornalista profissional diplomado e exijo respeito!

******

Jornalista, professor de Jornalismo, rádio e TV, doutorando em Ciências Políticas e Administração Pública

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