Terça-feira, 22 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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JORNAL DE DEBATES > CASO ISABELLA NARDONI

E se não foi ele?

Por Daniel Thame em 08/04/2008 na edição 480

Alexandre Nardoni é um homem acabado.

Desde que foi acusado de ter jogado sua filha, Isabella Nardoni, de 5 anos, do 6º andar de um prédio num bairro de classe média em São Paulo, Alexandre recebeu o veredicto definitivo de ‘culpado’. A madrasta, Ana Carolina, igualmente acusada pela morte da menina, vive situação idêntica.

Ambos alegam inocência, mas o circo armado pela mídia em torno do caso, com a inestimável contribuição da polícia, fez com que Alexandre e Ana Carolina fossem lançados à fogueira da inquisição. As redes de televisão e emissoras de rádio fazem plantões na porta da delegacia e na entrada do prédio onde aconteceu a tragédia. Os jornais estampam manchetes retumbantes. Vizinhos, que não querem se identificar, dão declarações que incriminam ainda mais o casal.

Pelo menos até agora, não se produziu uma mísera prova concreta contra o pai e a madrasta de Isabella.

E precisa?

Numa carta emocionada, Alexandre reafirma a sua inocência e a da companheira e diz que ‘o sofrimento é muito grande, os culpados serão encontrados’ e que ‘a menina era minha princesa, quando me dei conta do que havia ocorrido, meu mundo acabou’.

E mais: ‘Não faria isso com ninguém, muito menos com minha filha. Amo Isabella incondicionalmente e prometi a ela, em frente ao seu caixão, que, enquanto vivo, não sossego enquanto não encontrar esse monstro. Tiraram a vida da minha princesa de uma maneira trágica e não me permitem sentir falta dela, pois me condenam por algo que não fiz.’

Se Alexandre matou mesmo a filha e ainda conseguiu produzir uma peça de tamanho cinismo, trata-se de um facínora animalesco, que deve ser exemplarmente punido.

A inquisição midiática

Mas, e se não foi ele? Esta é a pergunta tentadora.

Trata-se de um crime bárbaro, brutal, que além de uma menina morta brutalmente pode estar produzindo outras vítimas, assassinadas em vida. É inacreditável como, em nome da sociedade-espetáculo, parte da mídia subverte a lógica de que até prova em contrário, todos são inocentes. Não hesita em condenar pessoas ainda na condição de suspeitas.

O célebre caso da Escola de Base, em São Paulo, é uma lição solenemente ignorada. O que são algumas vidas quando se luta pela maior audiência, pela maior tiragem?

O respeitável (?) público quer sangue? Então, que se atire carne humana aos leões.

Admita-se a hipótese, diante de tantas evidências (que ainda não se converteram em prova, repita-se) de que Alexandre e/ou Ana Carolina sejam culpados pela morte de Isabella.

Ambos estão com prisão preventiva decretada e até agora são os principais (ou melhor, os únicos) suspeitos. Ainda assim, nada elimina os excessos que foram e estão sendo cometidos para manter as labaredas acesas e prolongar ao máximo a superexposição da tragédia.

Alexandre termina sua carta com a frase ‘a verdade sempre prevalecerá’.

Quando ela prevalecer, saberemos se essa é a história de um pai falsamente amoroso que escondia um monstro dentro de si.

Ou a história, tantas vezes repetida, de inocentes da santa inquisição midiática em que, quando a verdade aparece, só existem as cinzas das reputações e vidas lançadas ao vento.

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Jornalista

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/04/2008 Rita Cassia

    Não existe a mínima chance desse casal ser inocente, uma vez que, duarnte todo o sábado até a hora em que ocorreu o fato da morte da menina Izabella, a criança estava em poder do pai e da madastra, descartando-se toda e qualquer hipótese de uma terceira pessoa adulta estar entre eles, nem parente nem estranhos, inclusive até a hora em que a criança entra em casa nos braços do pai, desfalecida ou não, estava nos braços do pai. Portanto, não existe a hipótese de que, no espaço de tempo de aproximadamente 12 minutos, uma pessoa estrangular, asfixiar, rasgar tela de proteção, localizando acessórios como faca e tesoura, guardar os acessórios novamente, e jogar uma criança por uma janela, sem que a criança, sendo tão esperta, esbouçasse se quer um grito de socorro. Com certeza, que, os gritos ouvidos pela vizinhança sairam do desespero do irmão, vendo o próprio pai subir na cama para jogar a irmã pela janela, e quem sabe até assistiu a madastra desesperada sacudindo a menina pelo pescoço na tentativa de despertá-la. A mídia mostrou o relato de uma moradora, que dizia ter ouvido os gritos de uma criança gritar para, para, para pai, sumindo, como se a criança estivesse distanciando, provavelmente, porque o irmão estava vendo o proprio pai jogar a irmã pela janela. Na entrevista ao fantástico, a madastra relatou que um dos filhos os rejeitou quando eles voltaram da prisão.
    Que horror

  2. Comentou em 18/04/2008 agente jonh monk monk

    meu comentário é esse O casal briga por motivos de ciúmes da parte da madrasta a mesma ofende a mãe de isabela com xingamentos e palavras de baixo galão ,isabela acorda e sai do seu quarto e vem defender a mãe é ai que a madrasta cheia de raiva e trastornada de ciúmes ataca a menina isabela asfixiando-a a ponto de a menina desmaiar,aflita e assustada a madrasta chama o marido ,alexandre chega e e vê a filha aparentemente morta ,o mesmo diante daquele quadro assustador ,pensa e agora como explicar para a policia a filha morta no interior do seu apartamento e foi ai que ‘ele’ alexandre teve a infeliz ideia de lançar a vitima pela janela do prédio só que a mesma estava com uma tela de proteção então veio mais uma infeliz ideia de perfurar(cortar) a tela antes disso linpando da menina o sangue que escorreu de sua testa ai a jogou da janela pondo assim a culpa em uma 3º pessoa, que nunca existiu apenas para despistar a justiça esse foi o erro do pai deveria ter peddido ajuda para salvar a sua filha ao invés disso,a lançou pela janela

    falen o que falar pensem o que quiser mas foi isso o que aconteceu

  3. Comentou em 12/04/2008 Marco Antônio Leite

    Se não foi ele e ela, então foi à menina que se suicidou. Primeiro pendurou-se numa corda, porém como a corda não agüentou o peso da garota, ela tomou uma posição mais extrema, ou seja, cortou a rede de contenção e se jogou daquela altura, com a queda veio a falecer. Somente na cabeça de Juiz é que um límpido e definido autores não aceitou a prisão dos envolvidos dessa história. Uma criança a mais uma a menos na cabeça dessa gente não faz falta, muito ao contrario, reduz custo. Quanta insensatez na mente atrofiada para entender que existe uma terceira pessoa nesse caso nebuloso. Nem Mandrake seria tão esperto e rápido para matar e fugir sem ser visto por quem quer que seja, bem como não deixar pistas para que a perícia descobrisse algo relacionado com esse facínora.

  4. Comentou em 11/04/2008 Noedja Kelly

    O verdadeiro problema é que a imprensa está utilizando de sensacionalismo para manipular o público.Quantas versões da história já não surgiram?Basta ter senso crítico para perceber que a imprensa acusa quem o público quer e até a própria justiça decretou a prisão preventiva como se fosse uma resposta para a sociedade.Todos nós de alguma forma estamos julgando,só que
    ninguém lembra que não é bom ser julgado é muito fácil difamar alguém não somos nós que seremos apontados pelo resto de nossas vidas nem tão pouco perdemos uma filha.Se ele estiver fingindo o único prejudicado será ele mesmo,o problema é que a sociedade adotou essa história como sua e tá esquecendo que cada um tem uma vida pra ser tomada conta.O que todos querem é ver uma vítima e um vilão mais esquecem que vivemos na realidade e não na novela e que depois o vilão não tem chances de virar mocinho.

  5. Comentou em 10/04/2008 Marco Antônio Leite

    Se não foi ele, com certeza foi o fantasminha camarada. Ou não? Ora senhor se tudo esta encaminhando para a dupla sinistra, nós pobres mortais vamos questionar o que. E se não foi o pai, as autoridades debitarão na lista de seus equívocos.

  6. Comentou em 10/04/2008 Eduardo Neves

    É incrível como o caso “Isabella” está sendo tratado pela imprensa.
    Do meu ponto de vista está resvalando a um reality show, é tanto assim, que na empresa onde trabalho os funcionários só faltam organizar um bolão de apostas. Todo dia eles chegam disputando opiniões a respeito de novas notícias dadas nos jornais, a cada minuto alguém acessa algum site para ver como andam as investigações, e os julgamentos são ferozes, todos se acham donos da verdade, ninguém analisa com cautela a informação dada, mas sim aproveita dela para garantir sua opinião como a mais válida(estou ganhando). Aqui o julgamento já está feito, o caso está resolvido, cada um já tem seu condenado favorito; a questão agora é convencer os demais. Até a semana passada era assim com os campeonatos de futebol, hoje nem sabem como andam seu clube.

  7. Comentou em 16/04/2007 sandra piccoli

    ALVORADA CIDADE DORMITORIO, DE POA ONDE A MISERIA EO ALCOOL SE MISTURAM COM OUTRAS DROGAS JA NÃO SE COMOVE MAIS COM O SER HUMANO POIS A MISSÉRIA É TANTA QUE VER ALGUEM CATANDO O LIXO DO LIXO DO LIXO,ONDE CRIANÇAS BRIGAM E SE ACUMULAM POR UM PRATO DE SOPA IGUAL AQUELAS SENAS QUE SE VE NA TV DA AFRICA ISSO NÃO COMOVE AS AUTORIDADES LOCAIS POIS COM CERTEZA DIRIAÕ QUE NÃO SÃO MADRE TEREZA E DARIÃO UM LONGO DISCURÇO DO POUCO RECURÇO ORÇAMENTARIO EMPREGOS POUCOS E RAROS SAUDE UM UNICO HOSPITAL ONDE SE ESPERA 9 A 10 HORAS PARA SER ATENDIDO FALAR DE ALVORADA E RIR DE SEU SLOGAN

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