Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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JORNAL DE DEBATES > CAMPOS DOS GOYTACAZES

Candidatos respondem sobre comunicação e jornalismo

Por Vitor Menezes em 02/10/2012 na edição 714

Candidatos nos pleitos municipais esquadrinham a cidade, se preparam com números, monitoram a opinião pública e se põem a falar sobre o que a maioria da população quer ouvir. Quase nunca, no entanto, são convidados a responder sobre uma atividade que, a despeito da amplitude da sua presença e dos investimentos envolvidos, não costuma ser tratada como algo merecedor de uma política pública: a comunicação.

Para agendar o tema em uma disputa pelo cargo de prefeito, a Associação de Imprensa Campista (AIC) concluiu nesta semana uma experiência interessante: a de submeter dez perguntas da área de comunicação pública aos cinco candidatos da cidade de Campos dos Goytacazes (RJ). As respostas foram publicadas no período de 10 a 26 de setembro e estão disponíveis no blog da entidade.

Entre uma ou outra compreensível troca de acusações, comuns na temperatura eleitoral, os candidatos ouvidos pela AIC se posicionaram sobre temas como conselho municipal de comunicação, concurso público para jornalistas, relacionamento com a imprensa e com as redes sociais da internet, utilização da comunicação pública para promoção pessoal do governante, transparência das contas municipais, acesso à banda larga gratuita e, em um caso específico de Campos, o papel do município na morte do jornal Monitor Campista – que encerrou as suas atividades em 15 de novembro de 2009, quando, aos 175 anos, ostentava o título de terceiro jornal mais antigo do país em circulação.

Arma da cidadania

Ainda que com as limitações inerentes ao fato de as perguntas terem sido as mesmas para todos os candidatos, e de terem sido respondidas por e-mail, foi possível apreender, nos discursos de cada um, o que valorizam na área e o que entendem por comunicação. À primeira pergunta, por exemplo, sobre qual seria a sua política pública de comunicação caso fosse eleito, os concorrentes apresentaram visões que privilegiaram o entendimento de que seria preciso dar mais visibilidade às ações da prefeitura.

Candidata à reeleição e líder das pesquisas, Rosinha Garotinho (PR) afirmou que “a Comunicação é uma das áreas mais importantes da administração pública, com a sua missão de informar à população as realizações e os atos de governo em curso, e iremos, cada vez mais, fazer com que esse papel seja exercido em sua plenitude, com a adoção de todos os recursos de mídia hoje disponíveis”.

O candidato José Geraldo (PRP), disse que “a comunicação com a sociedade é forma democrática de um governo interagir com seus munícipes. A liberdade de imprensa que temos hoje garantida constitucionalmente foi, e é, a forte arma da cidadania de nossos tempos no Brasil. A imprensa com jornalismo sério e investigativo tem prestado grandes serviços ao povo brasileiro. Quanto mais intensa é essa prática, mais transparente é o governo. A relação de nosso governo será a mais ampla, aberta e democrática com a comunicação social de nossa prefeitura com a sociedade”.

Divulgação de ações

Outro concorrente, Erik Schunk (PSOL), registrou: “Nós entendemos que a transparência é um dos pilares da administração e vamos fazer uso de todas as ferramentas tecnológicas à mão para que o cidadão tenha as informações disponíveis e como acessá-las e fazer a via contrária, ou seja, abastecer o governo com suas informações e suas demandas para que seja uma comunicação de mão dupla.”

Arnaldo Vianna (PDT) deu a seguinte resposta: “Nossas ações na área da comunicação social visam à modernização, tendo em vista as novas mídias. Nosso objetivo é usar nosso setor de comunicação como uma ponte que aproxime os cidadãos da Prefeitura, usando novas ferramentas. Precisamos ir além da divulgação de ações por meio de anúncios que, em muitos casos, são teatrais e bem distantes da realidade.”

Compromisso assumido

E Makhoul Moussalem (PT) afirmou que, em seu eventual governo, “a política da área de comunicação vai se basear em dois princípios: transparência e acessibilidade, de modo que todas as ações e a própria estrutura da Secretaria de Comunicação estejam voltados para um relacionamento direto e aberto tanto com os veículos de comunicação quanto com a rede de educação pública e o meio acadêmico. De outro lado, a Secretaria [de Comunicação] vai funcionar de maneira coordenada com todas as outras demais secretarias divulgando as ações e campanhas de utilidade pública promovidas por cada uma delas”.

Portanto, como é próprio dos programas de governo, os candidatos assumiram intenções nobres que precisam ser verificadas na prática, o que também se revelou em temas mais espinhosos, como o costume disseminado de utilizar as estruturas de comunicação para fazer proselitismo de governos e de governantes – todos, obviamente, negando que irão fazê-lo. Agora, ao menos em Campos dos Goytacazes, há um compromisso assumido na área, para que a cidadania possa cobrar a sua implementação.

***

[Vitor Menezes é jornalista e professor de Jornalismo no Centro Universitário Fluminense e presidente da Associação de Imprensa Campista]

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