Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

JORNAL DE DEBATES > VENEZUELA

Editor deixa cargo após ameaças a seu filho

06/07/2007 na edição 440

Poucos dias após deixar o cargo de editor do sítio de notícias e opinião Noticiero Digital, por conta de ameaças anônimas a sua família, o jornalista Roger Santodomingo teve uma surpresa. Seu carro, estacionado na frente da casa onde ele mora, em Caracas, explodiu misteriosamente nesta quarta-feira (4/7).


Ex-ativista da Anistia Internacional, Santodomingo já trabalhou para o diário Tal Cual, a emissora de TV Venevisión e a BBC antes de assumir o comando do sítio de internet. ‘O Noticiero Digital é um veículo muito popular que ficou mais popular ainda depois do caso [do fechamento da emissora] RCTV, ao ponto de chegar a ter uma média de 300 mil visitantes’, conta o jornalista.


Ataques


Visto como uma página de oposição, o Noticiero Digital passou a sofrer críticas da mídia governamental e do próprio governo. O sítio e Santodomingo passaram a ser alvos constantes no programa La Hojilla, da estação de TV pública Venezolana de Televisión, cujo objetivo é prejudicar a reputação de veículos de mídia e jornalistas de oposição. Entre as acusações ao editor, estava a de que ele era um agente da CIA, por ter feito uma viagem aos EUA há sete anos.


Santodomingo passou, nas últimas semanas, a sofrer ameaças por telefone e e-mail. No fim de junho, uma mensagem foi colocada no boletim escolar de seu filho de sete anos, Simon, chamando o jornalista de ‘traidor desta nação’. Santodomingo pediu proteção para Simon ao Conselho Nacional pelos Direitos das Crianças. Ele decidiu renunciar ao cargo de editor do sítio para preservar sua família de mais ameaças. Informações da Repórteres Sem Fronteiras [4 e 5/7/07].


 


***


RCTV planeja voltar como canal fechado


A emissora venezuelana Radio Caracas Televisión (RCTV), que não teve sua licença de funcionamento renovada pelo presidente Hugo Chávez, no fim de maio, considera levar sua programação para um canal fechado, por cabo ou satélite. ‘Eu espero que ainda este mês tenhamos novidades sobre transmissões por outros caminhos’, afirmou, esta semana, Marcel Granier, presidente da emissora.


Chávez acusava a RCTV de apoiar um golpe em 2002, que o tirou brevemente do poder, além de violar leis de transmissão e de exibir com freqüência programas com cenas excessivas de violência e conteúdo sexual. A emissora refuta as acusações do presidente.


Perseguição e roubo


Granier disse, entretanto, não saber se conseguirá levar o canal ao ar por cabo na Venezuela, por causa do que chamou de ‘perseguição’ do governo. ‘O governo tem feito tudo o que está a seu alcance para evitar que a RCTV seja exibida’. Ainda assim, ele afirma que a prioridade do canal ainda é tentar voltar aos telespectadores como uma emissora regular em freqüência aberta.


Granier afirmou ainda que iria pedir investigação sobre a ordem da Suprema Corte para confiscar temporariamente os equipamentos de transmissão da emissora, que estão sendo usados por um novo canal estatal que entrou na freqüência desocupada pela RCTV. Ele chamou o ato de ‘roubo’. Informações de Fabiola Sanchez [AP, 5/7/07].

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