Domingo, 23 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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JORNAL DE DEBATES > CHINA

Em ano de Olimpíadas, terremoto tem cobertura ampla

14/05/2008 na edição 485

O terremoto que atingiu a China no início da semana, deixando milhares de mortos, marcou uma leve mudança na cobertura de uma imprensa que costuma ter atuação bastante restrita. O Partido Comunista é acusado com freqüência de abafar grandes acidentes ou epidemias para promover uma falsa imagem de estabilidade e harmonia. A gripe aviária, em 2003, e as repetidas inundações do rio Yangtze, causadas em parte por ineficiência das autoridades, mataram milhares de pessoas, mas tiveram cobertura contida dentro da China.


Em ano de Jogos Olímpicos, entretanto, o governo sabe que tem os olhos do mundo voltados para o país. Durante toda a segunda-feira (12/5), dia do desastre, imagens do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, em locais de desabamentos e confortando os feridos dominaram a programação televisiva. Se em qualquer país que tenha passado por uma tragédia como esta seja comum a repetida exibição de cenas de mães chorando sobre os corpos dos filhos, bombeiros fazendo buscas sobre prédios em ruínas e líderes políticos apoiando de perto as vítimas, na China o cenário é novo.


Além da proximidade das Olimpíadas, que serão realizadas em agosto, em Pequim, outra preocupação recente para o governo é a quantidade de críticas vindas do exterior após os conflitos no Tibete, em março. Para Shi Anbin, professor de estudos midiáticos na Universidade Tsinghua, em Pequim, a reação internacional após os problemas no Tibete teve impacto nos líderes do Partido Comunista. ‘Na minha opinião, o governo tirou algumas lições da resposta negativa’, afirma. ‘Eu acho que isso reflete uma tendência de abertura e reforma’.


Lições


No mês passado, a colisão entre dois trens na província de Shandong matou 72 pessoas, deixou mais de 400 feridos e acabou por revelar a falha de agentes do transporte em comunicar um problema em um trilho em construção. Na ocasião, as informações sobre o acidente foram altamente controladas e jornalistas estrangeiros foram mantidos afastados. Desta vez, entretanto, dezenas de repórteres chineses passaram a reportar ao vivo de locais atingidos pelo terremoto e, pelo menos até o momento, correspondentes estrangeiros não tiveram seu acesso restringido.


Anbin diz que ficou surpreso ao ver a atuação firme do governo e o vigor da imprensa estatal chinesa após o terremoto. A agência estatal Xinhua, principal órgão de propaganda governamental, forneceu atualizações constantes sobre número de mortos e problemas enfrentados por equipes de resgate. Na controlada internet chinesa, sítios foram recheados com vídeos feitos por telefones celulares e comentários de internautas – em sua maioria neutros, mas alguns críticos à resposta militar à tragédia. Algumas mensagens espalhavam o boato de que as autoridades da província de Sichuan, epicentro do terremoto, sabiam que o tremor era iminente e falharam em agir. ‘Esta é a primeira vez em que a mídia chinesa se equiparou a padrões internacionais’, sentencia o professor. ‘Eu acho que o governo está aprendendo algumas lições com o passado’. Informações de Andrew Jacobs [The New York Times, 14/5/08].

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