Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1071
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JORNAL DE DEBATES >

Em defesa do Galvão e da TV Globo

Por Ricardo Kotscho em 26/06/2010 na edição 595

Sei que muitos leitores vão me xingar só de ver o título acima, sem nem ler o resto do texto. A estes peço apenas um pouco de paciência para deixar claro: o fato do técnico Dunga ter se transformado numa Geni da imprensa após aquele arranca rabo com jornalistas da emissora na noite de domingo (20/6), não quer dizer que a TV Globo e seu principal narrador esportivo, Galvão Bueno, devam igualmente ser tratados como inimigos públicos.


Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como já nos ensinava o filósofo Juarez Soares. Nem a Globo, onde já trabalhei, nem o Galvão, que é meu amigo, precisam da defesa deste Balaio. O faturamento e o salário deles independem do que pensam os blogueiros e seus leitores. Basta conferir os índices de audiência que eles alcançam.


Ninguém é obrigado a ouvir o Galvão e ver a Globo. Se eles mantêm a liderança antes, durante e depois desta Copa do Mundo e de todas as anteriores, é porque a maioria da população gosta do trabalho que eles levam ao ar. Claro que tem gente que não gosta, e até os odeia, lançando mundo afora a campanha ‘Cala boca, Galvão’, mas não se pode, em razão de um episódio, desqualificar o trabalho de centenas de competentes profissionais do jornalismo esportivo da TV Globo.


Lado errado


Dunga, por sua vez, tem toda razão em não aceitar privilégios para emissora alguma e está no seu direito de preservar a privacidade dos seus jogadores, que não podem ser tratados como coadjuvantes de luxo em programas da TV Globo, como vimos em Copas do Mundo anteriores. Nem a Globo precisa disso.


Outra coisa é ter um chilique ao vivo e sair disparando palavrões para o mundo todo ver e ouvir seu descontrole emocional, mesmo após mais uma vitória da seleção brasileira, como se viu na entrevista coletiva de Dunga ao final do jogo contra a Costa do Marfim.


Tudo isso poderia ter sido evitado, se o chefe de Dunga, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, numa recaída de maus hábitos, não tivesse acertado com a emissora a liberação de três jogadores para participarem do Fantástico, sem combinar antes com o treinador.


Num momento em que a seleção brasileira vive um clima de harmonia tanto na concentração como dentro do gramado, tudo o que não precisamos é desta guerra entre o técnico e a imprensa, como já aconteceu outras vezes. As Genis da Copa devem ser os nossos adversários, não o Dunga, nem o Galvão, nem a Globo. Estão atirando pedras (no sentido figurado, obviamente) para o lado errado e vão acabar acertando na nossa torcida, que não tem nada a ver com isso.

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