Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

JORNAL DE DEBATES > REINO UNIDO

Emissoras recusam campanha por Gaza

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 27/01/2009 na edição 522

A rede pública britânica BBC e o canal Sky News se recusaram a exibir uma campanha para arrecadar fundos para os habitantes da Faixa de Gaza. O anúncio foi produzido pelo Comitê de Emergência para Desastres, grupo de auxílio formado por organizações como a Cruz Vermelha, a Oxfam e a Save the Children. O objetivo da campanha é fazer um apelo humanitário para ajudar os palestinos que precisam de assistência após o conflito em Gaza, que deixou mais de 1.200 mortos e um rastro de destruição na área.

Os canais temem, entretanto, que, ao exibir o comercial, estejam tomando um lado na guerra entre Israel e o Hamas, que administra Gaza. ‘O conflito em Gaza é parte de uma das mais difíceis e controversas pautas para se cobrir’, alega John Ryley, diretor da Sky News. ‘Nosso compromisso, como jornalistas, é cobrir todos os lados desta história com objetividade e independência’.

Protestos

A decisão de exibir ou não o anúncio levantou um acalorado debate no Reino Unido. A BBC se tornou foco de inúmeros protestos depois de anunciar que não veicularia a campanha. A rede já recebeu mais de 10 mil reclamações e foi criticada por legisladores e líderes religiosos.

Outras emissoras britânicas, como o Channel 4, o ITV e o Five, anunciaram que irão veicular o comercial. Adrian Wells, diretor de notícias internacionais da Sky News, afirmou que o canal compreende as boas intenções dos grupos humanitários que tentam divulgar a situação em Gaza. ‘Deixe-me dizer às pessoas que ficaram zangadas que não há dúvidas sobre o compromisso da Sky em reportar os temas da região. Nós temos nossos repórteres lá desde que foram abertas as entradas de Gaza. Não há nenhuma dúvida de que os telespectadores da Sky estão informados sobre a crise humanitária’, ressaltou.

Ainda assim, as duas companhias foram acusadas de se comportar de maneira covarde. ‘Elas dizem que sua imparcialidade seria comprometida porque o assunto é sensível; mas não é, é uma questão de ajuda humanitária’, diz Avi Shlaim, professor de relações internacionais na Universidade de Oxford.

O Exército israelense deu início a um pesado ataque a Gaza no fim de dezembro depois que o cessar-fogo com o Hamas – que durava seis meses – chegou ao fim e foguetes começaram a ser lançados ao sul de Israel. Depois de três semanas, mais de 1.200 palestinos foram mortos, mais da metade civis. Treze israelenses, incluindo três civis, também morreram no confronto. Informações de Gregory Katz [Associated Press, 26/1/09].

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