Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

JORNAL DE DEBATES > CONFLITO DE INTERESSES

Entrevista na CNN gera debate ético

03/06/2008 na edição 488

Kimberly Dozier, jornalista da CBS ferida no Iraque, foi entrevistada pelo também jornalista Howard Kurtz no programa Reliable Sources, na CNN, no dia 25/5. Problema: a esposa de Kurtz, Sheri Annis, trabalhou na divulgação do livro de memórias da repórter, Breathing the Fire (Respirando o Fogo, tradução livre). Kimberly foi convidada ao programa exatamente para falar do livro. Depois da entrevista, Kurtz elogiou a jornalista, dizendo que a considera uma ‘mulher extraordinária’, para então informar aos telespectadores sobre a ligação indireta com ela. ‘Devo dizer que minha mulher fez algum trabalho promocional para o livro de Kim Dozier’, afirmou.

Este foi apenas mais um episódio confuso no complexo mundo de Kurtz. Ele é pago por duas das maiores empresa de comunicação dos EUA – o grupo The Washington Post Company, onde trabalha como repórter no jornal Washington Post, e a Time Warner, onde trabalha como apresentador na CNN.

Relação indireta

Especialistas em ética jornalística acreditam que, dado o acordo financeiro entre Sheri e a editora de Kimberly, a Meredith Books, Kurtz não deveria ter feito a entrevista. ‘A CNN tem grandes jornalistas. Por que escolher Kurtz, com sua relação indireta com Kim Dozier?’, questiona Thomas Huang, da instituição de ensino jornalístico Poynter Institute. Roy Peter Clark, também do Poynter, concorda. ‘A entrevista teria mais credibilidade se outra pessoa a tivesse conduzido’.

Kurtz defende-se e alega que o fato de ter revelado a relação de sua esposa com a entrevistada foi suficiente. ‘Acharem que foi minha mulher quem colocou Kimberly na pauta do programa é um tanto estúpido. Eu queria agendá-la há um ano, desde que ela me contou que estava escrevendo um livro, que eu cheguei a citar em um longo perfil no Washington Post‘. Ainda assim, ele conta que fez questão de perguntar aos produtores do programa o que achavam da idéia – eles, por sua vez, aprovaram a proposta, desde que o jornalista revelasse a relação de sua mulher com o livro. Informações de Jacques Steinberg [The New York Times, 29/5/08].

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