Terça-feira, 25 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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JORNAL DE DEBATES > OI & LEITORES

Equívocos de opinião e a lógica de granito

Por Pedro Eduardo Portilho de Nader em 28/11/2006 na edição 409

‘Nos habituamos tanto a nos disfarçar para os outros que nos disfarçamos de nós mesmos.’ (La Rochefoucauld)

‘O mesmo museu tinha uma seção em memória do Massacre Armênio (naturalmente, disse ela, alguns turistas vinham esperando ver remanescências do massacre turco dos armênios, e era sempre um choque descobrir que nesse museu a história era contada de forma diferente)’. (O narrador, in Neve, de Orhan Pamuk)

‘Quando um não quer, dois não brigam’ é o provérbio, bastante conhecido, lembrado por Eduardo Guimarães em seu artigo publicado no dia 14. O artigo trata, basicamente, de dois pontos. Por um lado, se esforça em pedir que serenem os ânimos que se exaltaram nos últimos tempos: primeiro, vários articulistas no OI – entre eles, Alberto Dines e Mauro Malin, principalmente – escreveram sobre os escândalos de corrupção nos últimos anos; isso provocou diversas respostas exasperadas, que, por sua vez, teriam causado reações igualmente exaltadas daqueles primeiros. Guimarães assinala que houve extrapolações, com injúrias pessoais, e as rejeita, pedindo educação e respeito nos debates. Por outro lado, procura apontar o que considera equívocos num artigo de Mauro Malin, sublinhando, logo no início, que este respeita os leitores.

O autor sempre reitera o que aparece como o desígnio do artigo: o comedimento dos ânimos, pedindo que as pessoas debatam de forma ponderada, evitando exaltações e hostilidades que não são compatíveis com debates civilizados.

Cada uma das duas partes do artigo de Guimarães é exemplarmente razoável (no sentido de terem razoabilidade, não de serem medianas) quando consideradas isoladamente. Na primeira parte, é nobre o desígnio do artigo apresentado pelo autor: pedir que os debates ocorram de forma educada, ponderada, sem injúrias pessoais. Na segunda parte, ele oferece um exemplo: procura criticar os argumentos de Malin, apontando o que, no seu entender, são os equívocos do articulista. Procura contra-argumentar, evita injúrias, busca, inegavelmente, desenvolver uma forma respeitosa com o artigo que critica, assim como dissera que Malin tinha sido respeitoso com seus leitores.

Os excessos

A questão é que as duas partes não são isoladas. Não é casual que várias vezes o artigo de Guimarães posterga o desenvolvimento da primeira parte para assinalar os ‘equívocos’ de Malin, e só no final ele indica suas respostas rápidas àqueles equívocos. A estratégia discursiva funde as duas partes: ao tratar do desígnio inicial, o artigo mostra ansiedade em assinalar os erros de Malin. Considerando assim, aparece evidente: ao apontar o que ele considera os equívocos cometidos por Malin, Guimarães trata – inadvertidamente ou não (essa distinção não é relevante aqui) – esses e outros ‘equívocos’, de Dines e de outros articulistas, como a causa das manifestações intolerantes que esses articulistas e seus textos sofrem.

Guimarães condena os excessos, as extrapolações ofensivas contidas em muitos comentários, mas seu artigo mais do que sugere que esses comentários imponderados, injuriosos, foram, afinal, decorrentes dos ‘equívocos’ daqueles articulistas. A idéia que aparece subjacente, ainda que não formulada abertamente, é que se não houvesse os equívocos, não ocorreriam os excessos. Evitem-se os equívocos e as reações histriônicas contrárias não ocorrerão mais, é o que se depreende do artigo.

Se no início, ao invocar o serenamento dos ânimos, a ponderação e o respeito nos debates, o artigo parecia ele mesmo pleno de razoabilidade em vez da intransigência e dos excessos que são condenados, no final fica a impressão de que ele não atingiu a questão principal: o comportamento intolerante. Seu alvo central terminou sendo os equívocos de opinião (tomou os argumentos de Malin como exemplo de seu alvo). Teve o mérito de não tratá-los ostensivamente como delitos de opinião, mas, no fim, esses equívocos aparecem como os responsáveis pela reação injuriosa dos comentários contrários. Esse procedimento abre brecha para que os assim considerados equívocos sejam imputados como delitos de opinião.

Ao desaprovar os excessos dos comentários intolerantes, o artigo de Guimarães enfatiza justamente os excessos, negligenciando assim os caracteres intolerantes contidos nos comentários. O artigo sugere que os excessos são conseqüência dos eventuais equívocos de opinião; diferentemente disso, na verdade, os excessos são decorrentes da intolerância dos que cometem os chamados excessos. Num outro artigo meu [‘Liberdade de opinião e seus adversários‘], procurei apontar a intolerância contida em muitos comentários feitos numa situação similar a essa; Guimarães, por sua vez, preferiu ressaltar o que ele considera equívocos de opinião, deixando de lado a intolerância dos comentários (não observa a intolerância desses comentários, apenas seus excessos). Seu artigo rejeita os excessos, mas não desaprova a intolerância.

A responsabilidade

Então, dizer nesse caso que ‘quando um não quer, dois não brigam’ – apontando os ‘equívocos’ de opinião e ressaltando os excessos contrários, porém negligenciando a intolerância – é como considerar que, se Salman Rusdhie não quisesse, não teria havido a fatwa: penaliza-se o romancista por fazer literatura, imputa-se-lhe responsabilidade por ele ter que passar a viver escondido, culpabiliza-o pelos eventuais assassinatos de tradutores e editores de seu livro.

Segundo essa lógica de granito, condenar à morte o romancista, os editores e os tradutores do livro pode ser considerado um excesso que pode ser deplorado, mas a culpa por ocorrer o excesso é do romancista. Se foi declarada a fatwa, é porque Rusdhie escreveu o romance – dito assim, muitos podem achar até razoável, porque seria uma verdade factual, cronológica e positivista –; desta maneira, basta uma torção no sentido e passa-se a considerar que a ocorrência da fatwa é culpa de Rusdhie.

Similarmente, é como dizer que há um excesso em processar Orhan Pamuk por falar, em romance, sobre ‘o massacre turco de armênios’ no início do século 20, mas considerar também que a responsabilidade por existir o excesso seria do escritor: se Pamuk (um) não quisesse, ele não seria processado (não existiria briga). Rejeitam-se, até deploram-se, os excessos cometidos, mas não se aponta a intolerância; antes, culpabiliza-se a liberdade de expressão. Assim, na lógica de granito, Rusdhie, Pamuk e todos que são perseguidos pelos intolerantes são quem provocam os excessos de intolerância. Ainda: é como dizer que o caráter absurdo dos processos na Alemanha hitlerista e na sociedade stalinista fosse decorrência apenas de excessos, não da intolerância que caracteriza a lógica totalitária. Como se os excessos excedessem a lógica totalitária. No entanto, não há excessos na lógica totalitária que a ultrapassem.

As diferenças

Não cabe aqui uma discussão minuciosa sobre a perseguição e a sentença de morte a que foi exposto Salman Rusdhie – o apelo, referente à execução do escritor, lançado a todos os defensores da fé, por quaisquer meios, em qualquer lugar, sem considerar o decorrer do tempo –, mas algumas observações são pertinentes. Já foi apontado que o imame que lançou a fatwa apenas aproveitou a oportunidade para se contrapôr e se superpôr aos sunitas, demonstrando mais intransigência do que esses: seu alvo sendo o conflito religioso interno, não haveria preocupação efetiva com o livro de Rusdhie. Na fatwa, Rusdhie foi apresentado como um herético, autor de uma blasfêmia contida no livro, mas essa acusação era falsa: era bem conhecido que Rusdhie nunca tinha partilhado da fé, de maneira que era errado tratar o livro como prova de apostasia.

É importante lembrar que, no Ocidente, algumas pessoas (sobretudo autoridades religiosas de diferentes confissões) demonstraram repúdio à condenação, mas aproveitaram a oportunidade para criticar uma liberdade de opinião que não conhece limites: assim, criticaram o escritor – e também a liberdade de opinião. No entanto, como já foi apontado alhures, Rusdhie não entrou numa igreja e insultou os crentes – tão somente escreveu um livro para quem quisesse lê-lo. Tomaram o livro como uma manifestação de opinião, considerada má. A fatwa é vista como um excesso que deve ser repudiado, mas a liberdade de opinião é questionada. Aparece aí a lógica de granito: o dogmatismo dessas pessoas se aproveitou do dogmatismo da fatwa declarada contra Rusdhie.

A melhor resposta foi dada pelo próprio Rusdhie em artigo publicado em fevereiro de 1990: em vez de defender sua pessoa, ele corajosamente trata da questão que entrelaça literatura, modernidade e liberdade de expressão. Rusdhie assinala que nunca foi muçulmano, mas, pelo contrário, sempre viveu uma vida de homem laico, pluralista e eclético; portanto é incongruente tratá-lo como apóstata. No entanto, ele não é indiferente à religião de parcela grande da população do país onde nasceu e cresceu. Rusdhie diz que, longe de atacar a fé dos muçulmanos, se sente próximo da sociedade muçulmana, desde que ela não se tranque em certezas fixas – de granito, poder-se-ia acrescentar –, mas se permite questionar (neste sentido, Rusdhie lembra que as sociedades muçulmanas mudaram suas leis e seus costumes ao longo dos séculos). Rusdhie observa que não é intolerante nem indiferente: sua literatura explora a questão da revelação e da fé. Sem a liberdade de desafiar, de ofuscar, de provocar, de questionar as ortodoxias, aponta ele, a liberdade não existe: é preciso reconhecer a diferença de posições.

Ação e reação

Assim, o artigo de Rusdhie deixa entrever a idéia de que não é a liberdade no espaço público que serve à liberdade individual, mas a liberdade de expressão que é importante para se constituir um espaço público aberto, tolerante às diferenças e às dúvidas (estes dois parágrafos, é preciso ressaltar, se beneficiaram diretamente das formulações de um artigo de Claude Lefort a propósito de Rusdhie).

É certo que as situações mencionadas acima não são idênticas e não se deve esquecer suas diferenças intrínsecas. Ser processado judicialmente na Turquia laica, como ocorre com o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura deste ano, não é o mesmo que ter uma fatwa declarando sua execução, e os dois casos não são a mesma coisa que sofrer um julgamento numa sociedade totalitária. Há diferenças também entre os casos na Alemanha hitlerista e no regime soviético: nos julgamentos nazistas, o réu já estava previamente condenado antes de se começar o julgamento, que era apenas um teatro deplorável (repleto de canastrices, como é possível ver em documentário que mostra a atuação histérica e estressada de um juiz nazista), mas o réu não era induzido a se declarar culpado de traição e a pedir sua própria condenação, como costumava ocorrer nos julgamentos stalinistas.

Similarmente, ao rejeitar os excessos, o artigo de Guimarães difere muito daqueles que sequer vêem excessos e nada vêem de errado no histrionismo intolerante. Por outro lado, a ênfase nos excessos negligencia a intolerância. Ao ressaltar os chamados equívocos de opinião, esses são tratados como a origem das reações que se excederam na falta de educação. No entanto, nem é adequado usar o termo ‘reação’, como se fossem respostas legítimas (ainda que inadequadas quanto ao tom excessivo) aos equívocos de opinião, esses, sim, as ações que teriam provocado as reações. O exemplo, feito por Guimarães, de criticar ponderadamente Malin, extravasa no artigo e ultrapassa o propósito de ser um exemplo: se fosse apenas um exemplo de crítica ponderada e civilizada, não haveria a ânsia desajeitada, demonstrada no artigo, em anunciar os ‘equívocos’ de Malin no meio do desenvolvimento do desígnio, não ocorreria a alta ansiedade que resulta na fusão do desígnio e da crítica-exemplo.

Os limites

Em comentário posterior, Guimarães reclama sua tristeza pela pouca adesão manifesta ao desígnio enunciado em seu artigo. Não há motivo para reclamação por isso: ninguém fez reparo ao desígnio em si, ausência de reparos que é relevante – no entanto, talvez seja significativo que ele celebre a alegria pelas adesões, proteste decepção pela falta de mais adesões, mas não observe a falta de reparos ao desígnio em si. Tudo indica que ninguém discordará do desígnio enunciado. Talvez alguns, ou muitos, que não manifestaram adesão completa ao artigo tenham, de alguma maneira, percebido uma inconsistência entre o desígnio em si e a permissividade com a intolerância.

A preocupação direta de Salman Rusdhie é referente ao perigo imenso que há nos dogmatismos contidos na forma de ortodoxia religiosa. Essa preocupação pode – e deve – ser igualmente estendida quanto aos perigos em outras modalidades de dogmatismos, contidos em outros tipos de ortodoxias.

Pode parecer banal, mas é sempre necessário lembrar que a tolerância tem seu limite na agressividade intolerante do outro. Essa proposição oferece a parte substancial que é negligenciada pelo provérbio que movimenta e encerra o artigo de Guimarães. Mais relevante do que a vontade de brigar ou não, a questão principal, e mais séria, é a referente aos limites da intolerância.

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Historiador e doutor em Filosofia pela FFLCH-USP, Campinas, SP

Todos os comentários

  1. Comentou em 05/12/2006 Marcelo del Questor

    Continuando… E de nada adianta ter arroubos violentos, carregando textos com calúnias. Não convence ninguem. Só confirma que foi pego com as calças na mão, se me permite a expressão. Que leiam todos os comentários que fiz aqui. Sempre foquei a imprensa. Sempre defendi a exposição de fatos, independentemente de a quem se referem. Sempre defendi e defendo essa postura igualitária, para que os alvos daquela matéria, tirem eles suas próprias conclusões. Não acredito que a imprensa tenha a capacidade de ser uma formadora de opinião. Forneça ela, fatos para que cada um tenha a sua. Seja ela equivocada ou não. Quanto aos ‘adjetivos elogiosos’, basta rever matérias postadas por alguns jornalistas e comentaristas desse observatório. Depois de ler, desmintam-me. O resto é balela. Ser chamado de puxa-saco e (pau)mandado, fazem parte deste repertório. Bem como, insignificante também faz. Não me ofendo. Não estou aqui para colocar minha opinião a apreciação e nem ao aplauso de ninguem. Estou aqui apenas comentando. E isso também é algo que nos é permitido fazer. Acho que respeito a opinião pessoal de cada um é necessário, mas tolerância com com o comportamento unilateral da ‘entidade’ imprensa não. De resto, tenho muito carinho por todos nós brasileiros, e em especial por mineiros, se me permite o bairrísmo, carinho ainda maior se belorizontinos. Forte abraço.

  2. Comentou em 30/11/2006 Rogério Ferraz Alencar

    O professor Frank Brandi diz que os que defendemos Lula do golpe da mídia formamos mesmo uma matilha, pois temos opiniões idênticas em diversas roupagens. Já Apolônio Silva nos chama de autoritários e fundamentalistas e diz que queremos acabar com a liberdade de expressão. Bem, o professor é o terceiro a nos chamar de matilha. Apolônio deve ser o décimo a nos chamar de fundamentalistas e autoritários e a nos acusar de atentar contra a liberdade de expressão. Além da citação a Stalin, que outros tantos já fizeram, querendo nos ligar ao stalinismo. O professor Brandi deve, pelo menos, admitir que somos, então, duas matilhas: uma contra Lula, outra a favor de Lula. Nós, a favor de Lula, temos a vantagem de, ao menos, usar roupagens diversas, enquanto a lenga-lenga dos tucanos é a mesma. E Apolônio é o tucano mais típico: faz e tenta imputar o malfeito aos outros: quem está atentado contra a liberdade de expressão é o honestíssimo tucano Eduardo Azeredo.

  3. Comentou em 29/11/2006 Fabiana Tambellini

    Não concordo com esse artigo. A esmagadora maioria dos comentários foi respeitosa e contundente na crítica. Os jornalistas é que não estão segurando a onda das críticas, não conseguem lidar com a interatividade. Esse texto tem muito lero lero para tentar defender o indefensável. Assim como alguns leitores, jornalistas também foram intolerantes e agressivos.

  4. Comentou em 28/11/2006 Marcelo del Questor

    Continuando… não deve ofender a fé de ninguem. Ninguem tem esse direito. É lugar comum nos dias de hoje este tipo de comportamento. Desafiar a quem quiser de forma irresponsável e quase sempre
    desrespeitosa. Tecer críticas a comportamentos que se considere errado é direito de todos. A maneira como essas críticas são feitas é que diferem. Um decreto religioso que determina o assasinato de quem quer que seja é intolerável(desculpe o uso da palavra). Mas continuando com minha interpretação leiga, leio mais nesse seu texto. Sinto que nele você defende a posição dos articulístas desse Observatório. Reserva-lhes o direito de serem críticos do que quiserem e da forma que acharem por bem, mesmo que estejam carregadas de desegância e ofensas sendo que quaisquer contestações contrárias são reacionárias, intolerantese violentas. Quem realmente esta sendo intolerante aqui? Quem esta sendo conivente com quem lhe é agradável? O senhor não diz o nome de ninguem aqui. De nenhum articulista deste Observatório. Não faz referência a nenhum segmento da mídia, que porventura esta sendo alvo dos ‘ataques da lógica de granito’. Não textualmente. O faz subliminarmente, como bem condiz a um historiador e erudito filósofo. Mas faz questão de escrever diversas vezes o nome de Eduardo, incluindo no mesmo contexto o seu pseudo-quase-mártir Rushdie, de forma quase tendenciosa. Continua…

  5. Comentou em 28/11/2006 Marcelo del Questor

    Continuando… não deve ofender a fé de ninguem. Ninguem tem esse direito. É lugar comum nos dias de hoje este tipo de comportamento. Desafiar a quem quiser de forma irresponsável e quase sempre
    desrespeitosa. Tecer críticas a comportamentos que se considere errado é direito de todos. A maneira como essas críticas são feitas é que diferem. Um decreto religioso que determina o assasinato de quem quer que seja é intolerável(desculpe o uso da palavra). Mas continuando com minha interpretação leiga, leio mais nesse seu texto. Sinto que nele você defende a posição dos articulístas desse Observatório. Reserva-lhes o direito de serem críticos do que quiserem e da forma que acharem por bem, mesmo que estejam carregadas de desegância e ofensas sendo que quaisquer contestações contrárias são reacionárias, intolerantese violentas. Quem realmente esta sendo intolerante aqui? Quem esta sendo conivente com quem lhe é agradável? O senhor não diz o nome de ninguem aqui. De nenhum articulista deste Observatório. Não faz referência a nenhum segmento da mídia, que porventura esta sendo alvo dos ‘ataques da lógica de granito’. Não textualmente. O faz subliminarmente, como bem condiz a um historiador e erudito filósofo. Mas faz questão de escrever diversas vezes o nome de Eduardo, incluindo no mesmo contexto o seu pseudo-quase-mártir Rushdie, de forma quase tendenciosa. Continua…

  6. Comentou em 28/11/2006 Léo Bueno

    Com todo o respeito, o doutor Pedro Eduardo Nader está equivocado. Se há intolerância no artigo de Eduardo Guimarães, também há no do doutor Nader, como também teria havido no de Mauro Malin, como nos de todos os leitores antes dele. Para o doutor, Guimarães postula indiretamente que a falta de razão por parte de A justifica a intolerância por parte de B. Mas o que ocorre é precisamente o contrário. Ao evocar a tolerância e a civilidade, Guimarães separou o joio do trigo: os que ofenderam Dines e Malin não merecem consideração num debate, mas isso não significa que a opinião dos dois colunistas seja à prova de discordâncias.
    É bom lembrar que em nenhum momento, no artigo ou nos posts, Guimarães foi injurioso a qualquer um dos colunistas, sendo justo, assim, colocá-lo junto do trigo e longe do joio. Isso joga por terra a comparação, a meu ver extremamente infeliz, que o doutor Nader fez com a fatwa contra Salman Rushdie – como se num levante contra o escritor, quem o criticasse, usando do direito humano à livre expressão, estivesse sendo tão nocivo como quem atentasse contra a sua vida.
    Sugiro ao leitor que analise se o texto de Guimarães parece minimamente intolerante. Duvido mesmo que o próprio Malin, razoável como é, pensaria isso.

  7. Comentou em 28/11/2006 Léo Bueno

    Com todo o respeito, o doutor Pedro Eduardo Nader está equivocado. Se há intolerância no artigo de Eduardo Guimarães, também há no do doutor Nader, como também teria havido no de Mauro Malin, como nos de todos os leitores antes dele. Para o doutor, Guimarães postula indiretamente que a falta de razão por parte de A justifica a intolerância por parte de B. Mas o que ocorre é precisamente o contrário. Ao evocar a tolerância e a civilidade, Guimarães separou o joio do trigo: os que ofenderam Dines e Malin não merecem consideração num debate, mas isso não significa que a opinião dos dois colunistas seja à prova de discordâncias.
    É bom lembrar que em nenhum momento, no artigo ou nos posts, Guimarães foi injurioso a qualquer um dos colunistas, sendo justo, assim, colocá-lo junto do trigo e longe do joio. Isso joga por terra a comparação, a meu ver extremamente infeliz, que o doutor Nader fez com a fatwa contra Salman Rushdie – como se num levante contra o escritor, quem o criticasse, usando do direito humano à livre expressão, estivesse sendo tão nocivo como quem atentasse contra a sua vida.
    Sugiro ao leitor que analise se o texto de Guimarães parece minimamente intolerante. Duvido mesmo que o próprio Malin, razoável como é, pensaria isso.

  8. Comentou em 28/11/2006 Rogério Ferraz Alencar

    A tolerância tem seu limite na agressividade intolerante do outro’. Foi o que aconteceu: Alberto Dines foi arrogantemente intolerante e agressivo. Findou por dizer que os leitores não tinham suporte moral e intelectual para contestá-lo. E tudo isso porque os leitores notaram uma mudança cristalina: Alberto Dines deixou de ser observador da imprensa para ser paparicador dela. E é sintomático: o primeiro comentário ao artigo, feito por um jornalista, já diz que os leitores apenas fizeram manifestações arrogantes de ignorância. Isso, depois de dizer que queríamos cassar o direito de Alberto Dines ter opinião, o que não é verdade. A maioria apenas apontou a virada de casaca de Alberto Dines. Por isso, o ex-observador se achou no direito de desancar a todos. Por isso, José de Souza Castro se sente no direito de nos chamar de ignorantes arrogantes. Agora, entre acusações a soviéticos, nazistas, muçulmanos e leitores intolerantes, o autor esqueceu-se de mencionar as agressões do ex-observador e comentar a sentença de morte que George Bush decretou contra Bin Laden, bem como se esqueceu da caçada que o presidente americano decretou contra Sadam Hussein, que culminou com a condenação deste à forca. Bush não é intolerante?

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