Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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JORNAL DE DEBATES > CONY vs. GILMAR MENDES

Espaço público, interesse privado

Por Alberto Dines em 01/02/2005 na edição 314

Ao solicitar uma aposentadoria especial à Comissão de Anistia, o cidadão Carlos Heitor Cony exerceu um dos seus direitos. Qualquer que seja a sua profissão, sentiu-se prejudicado e, dentro dos estatutos e legislação vigentes, recorreu ao Estado para ressarcir-se dos danos materiais que sofreu ao longo do regime militar.

Irrelevante, o fato de ser jornalista. A questão é de foro íntimo. Muitos jornalistas usaram as mesmas prerrogativas enquanto outros, também demitidos de órgãos de imprensa no mesmo período e pelas mesmas razões, consideraram que violências cometidas por empresas privadas (extintas ou não, mas sob injunção do Estado) não devem ser compensadas pelo contribuinte.

A questão muda de figura depois do artigo que o jornalista Cony escreveu na sua coluna na Folha de S.Paulo (‘Formação de Quadrilha’, 18/1, pág. 2) contestando violentamente a opinião de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal. Usou um espaço público para defender interesses pessoais. Se a réplica fosse assinada por um engenheiro ou petroleiro, no lugar de jornalista, jamais teria merecido tal destaque. Configura-se um privilégio auto-concedido. Portanto indevido.

Se a manifestação do magistrado envolvesse questões de interesse público, justifica-se o uso do jornal para defendê-las. Não foi o caso. Além disso, os termos da réplica – pessoais e pesados – caracterizam uma querela com a qual os leitores nada têm a ver.

O Ouvidor da Folha não se manifestou.

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/02/2005 Marcio Peixoto Uruari

    ‘ Usou espaço público para defender interesses pessoais’, diz o Dines no texto comentado aqui. Será que ele esperava que o Cony usasse o espaço das cartas dos leitores para manifestar sua indignação. Ora, deixemos de formalismos numa terra em que é comum um escritor falar, na tv ou no jornal/revista de seu último livro lançado, sem que isso cause rubores ao próprio interessado a a seus lolegas de profissão. Além disso, fiquei como uma dúvida: espaço de jornal, desde quando é público? A Folha por acaso não pertence aos Frias?
    Outra dúvida: acho que o Dines deslocou o PRINCIPAL da questão, ou seja, a atitude condenável de um juiz da nossa corte suprema. Ele não pode (por razões legais) e não deve ( por razões morais) fazer comentários públicos sobre um caso em julgamento no Tribunal onde atua e extrapolar para ‘julgar’ um caso que NÃO ESTÁ E NEM FOI APRECIADO NA JUSTIÇA, pois se deu no âmbito administrativo de uma Comissão que integra o Ministério da Justiça, portanto outro poder da República.
    Foi isso o que fez o Juiz Gilmar ao tecer comentários sobre a situação concreta – já definida, é bom que se diga – do Cony.
    Tenho pensado muito sobre esta situação e confesso que não consigo
    entender porque o Cony virou bode expiatório.
    Tem algo de podre no reino dos jornalistas, pois têm sido eles os que mais têm repercutido esse tema, com as acusações comuns de praxe.
    Acho, sinceramente, que o Observatório, nesse caso concreto, não limpou bem seu periscópio e, sendo assim, submergiu num mar revolto (ou revoltoso?)de insinuações e distorções.
    Marcio Peixoto
    Rio de Janeiro

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