Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > QUARTA-FEIRA, 21/11

EUA acusam fotógrafo de colaborar com o terrorismo

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 21/11/2007 na edição 460

Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 21 de novembro de 2007


IRAQUE
O Estado de S. Paulo


Vencedor do Pulitzer é acusado de terrorismo


‘O Exército dos EUA no Iraque anunciou que processará criminalmente o fotógrafo da agência Associated Press, Bilal Hussein, de origem iraquiana. Vencedor do prêmio Pulitzer de 2005, Hussein é acusado de colaborar com insurgentes. Segundo o Pentágono, ele é ‘um agente terrorista infiltrado na AP’. A agência diz que as acusações são falsas e pede a libertação do fotógrafo, detido desde 2006.’


 


FESTIVAL JODOROWSKY
Luiz Carlos Merten


‘Na tela ou na vida, acredito no risco’


‘Como faz toda quarta-feira, Alejandro Jodorowsky sairá de sua casa, hoje à tarde, em Paris, rumando para o café da esquina, onde já estará à sua espera uma pequena multidão. São as pessoas que todas as semanas fazem fila para que ele lhes leia o futuro nas cartas de tarô. Na próxima semana, não poderá repetir esse ritual. Estará no Brasil para a retrospectiva de sua obra: filmes, gravuras, fotos, quadrinhos e, claro, o conjunto de cartas, mais numerosas e maiores que as de um baralho comum, que utiliza em sua atividade de tarólogo.O evento, com curadoria de Joel Pizzini e Guilherme Marback, começa hoje no Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio. O próprio artista só chegará ao Brasil no dia 26, quando sua mostra desembarca em São Paulo, também no CCBB. Dois dias mais tarde, chega a vez de Brasília. Autor de filmes cults como Fando y Lis, El Topo, A Montanha Sagrada e Santa Sangre, Jodorowsky é um artista multimídia que fez teatro com Fernando Arrabal, criando o Movimento Pânico, e também escreveu quadrinhos ilustrados por Moebius. Ele concedeu ao Estado a seguinte entrevista .


Na última vez em que conversamos, também pelo telefone, seu livro Quando Teresa Brigou com Deus estava sendo editado no Brasil. O que mudou em sua vida desde 2003?


Tudo – acredito que o universo, como as pessoas, está em permanente transmutação. Teresa foi muito importante para mim. Me permitiu decifrar alguns enigmas de minha vida. Sempre quis saber por que meu pai, um judeu de origem russa, me havia criado no ateísmo. Estava numa fase de depressão quando iniciei a terapia regressiva, pesquisando a árvore genealógica de minha família. Descobri essa ancestral que, em 1903, brigou com Deus e com toda a comunidade judaica de uma aldeia da Ucrânia, revoltada porque uma grande enchente levou seu único filho.


Você já conhece o Brasil?


Não – é minha primeira viagem e estou muito excitado. O Brasil é um país misterioso para mim. Me atraem muito os ritos iniciáticos do candomblé.


Você nasceu no Chile. Por que nunca veio aqui?


Por um motivo simples – era tão pobre que, quando morava em Iquique, não tinha dinheiro para ir a Valparaíso. Com efeito, nasci no Chile, mas não me considero chileno. Não me considero pertencente a lugar nenhum.


Mas você deve ter um passaporte, para poder viajar.


Tenho um passaporte francês e vivo na França, mas sou um estrangeiro aqui como o sou no Chile e era no México, onde também vivi. Sou um estrangeiro neste mundo.


Você mesmo se define como um xamã. O dicionário diz que se trata de um mago que controla os espíritos do bem e do mal, de acordo com a cultura de tribos indígenas dos EUA e também religiões primitivas do norte da Ásia. Como você se transformou num xamã?


Há décadas que as pessoas me pedem para fazer chover ou para transformar ferro em ouro, como faziam os velhos alquimistas. Há muito tempo me dedico à elucidação dos mistérios da vida. Tem origem no Movimento Pânico, que criamos, Arrabal, Roland Topor e eu, nos anos 60.


Em que Arrabal o influenciou?


Ele não me influenciou em nada. Participávamos do movimento de igual para igual. Se ele tem uma obra importante como dramaturgo, eu também tenho e a minha obra inteira de teatro está saindo na Espanha, dia 20 (ontem), num volume intitulado Teatro sin Fin (editora Siruela). Mas eu não me interesso muito pelo passado. Se a vida está em permanente movimento, por que permanecer ligado em coisas que já foram?


Dentro do mesmo princípio, você não liga muito para seus filmes cultuados dos anos 60 e 70?


Tive de revê-los todos, pois foram remasteurizados e acompanhei o processo. Mais do que pela dramaturgia ou pelo aspecto iniciático do esoterismo, me interessei pelo aspecto visual.


El Topo bebe na fonte do spaghetti western, misturando Leone e Buñuel na história do cavaleiro errante que precisa livrar uma cidade de quatro pistoleiros. O surrealismo é muito forte em sua imaginação visual.


Quando criamos o Movimento Pânico em, Paris, em 1962, nossas referências eram o deus Pã e o surrealismo de Buñuel e Dalí. Nosso objetivo era traduzir a liberdade em arte e fomos incorporando tudo – pop-art, rock, ficção científica, gibis. A partir de três elementos básicos – terror, humor e simultaneidade-, postulávamos transcender os limites impostos pela sociedade, rechaçando a seriedade artística com uma explosão criativa sem regras. Com o tempo percebemos que o surrealismo foi ficando para trás. Hoje, os elementos oníricos continuam me acompanhando, mas o que me interessa é a psicomagia.


E o que é isso?


É a compreensão da natureza a partir de elementos da psicologia. Ela parte da premissa de que o inconsciente aceita os atos simbólicos como fatos. Interesso-me por psicanálise, mas ela não cura e, em certos casos, leva à dependência. O psicomágico pode receitar atos simbólicos que agem no inconsciente e, se bem aplicados, podem curar certos traumas.


Isso está me parecendo muito esotérico. Vamos trazer o assunto para o cinema. O que a psicomagia tem a ver com cinema?


No meu caso, foi filmando que descobri que o mundo está doente. São males que podem ser sanados. Acredito que o grande desafio da psicomagia é libertar a magia de sua porção mais supersticiosa, atuando no plano do racional. Nunca fiz filmes integrados à indústria cultural. El Topo virou cult nas sessões da meia-noite (midnight movies) que proliferavam por volta de 1970. Era um cinema alternativo a Hollywood, mais sensorial. Todo mundo se escandalizava quando eu dizia que um filme como El Topo era para perder dinheiro. Acredito no risco, na vida como no cinema. Um filme deve ter sobre a percepção o mesmo efeito que uma pílula de LSD sobre o cérebro. Provocando um choque no inconsciente, como a psicomagia, pode curar as neuroses.


Seu cinema traduz um anseio libertário, mas eu confesso que sou louco pela morbidez de Santa Sangre, com aquela ligação incestuosa entre mãe e filho, uma coisa que remete a Psicose, de Alfred Hitchcock, mas com outras intenções.


Num certo sentido, é meu filme mais convencional, porque se pode identificar nele um movimento, com começo, meio e fim, mas é subversivo porque mantém a ambição desmedida por algo superior que mistura crítica religiosa, luxúria, violência, simbolismo e surrealismo.


Seu trabalho mais conhecido nos quadrinhos é a série Incal, desenhada por Moebius. O que ele acrescentou ao seu universo?


De novo, é uma simbiose. Ele desenhava o que eu criava, mas o fato de não ter limites me estimulava a ir mais longe. Em Incal, misturamos tudo, tarô, cabala e Jung, que sempre me interessou mais do que Freud, criando um universo único.


O cinema acabou para você?


Volto a filmar no ano que vem. Tenho três projetos em desenvolvimento. Não sei qual terei condições de filmar primeiro. A questão da produção é sempre complicada. No passado, já tive de desistir de projetos aos quais me dediquei, como Duna. Espero que agora tenha mais sorte.


Serviço


Festival Jodorowsky. Centro Cultural Banco do Brasil (70 lugs.). Rua Álvares Penteado, 112, Centro, tel. 3113-3651. R$ 4. Até 9/12. Abertura dia 28/11′


 


MÚSICA
João Luiz Sampaio


Uma orquestra em busca de futuro


‘Um deles diz: ‘É que nem naquela música do Chico, Construção, sabe?’ E começa a cantar: ‘Morreu na contramão atrapalhando o tráfego.’ E aí imita com os braços um trombone, depois um violino: ‘E a música fica atrás, descrevendo tudo.’ A conversa entre dois jovens, de bermudas, camisetas, chinelos, não tem nada demais. Ou não teria, se não tivesse sido ouvida na porta do Teatro Nacional Cláudio Santoro, no intervalo de um concerto da Sinfônica Nacional, que acabara de interpretar o segundo ato de Parsifal, a última das criações do alemão Richard Wagner. ‘É música descritiva, cara, ópera é isso aí.’


Há algo acontecendo em Brasília. No coração do Eixo Monumental, no fim de outubro, um Teatro Nacional quase lotado assistiu a mais um concerto de uma orquestra que está lutando para redefinir sua imagem no cenário brasileiro. Contrataram um novo maestro, o norte-americano Ira Levin, ex-Municipal de São Paulo; dobraram a quantidade de concertos, foram 35 ao longo do ano, que passaram a explorar um repertório mais arriscado, do qual Wagner é apenas o mais recente exemplo; para o ano que vem, já estão previstos 30 programas diferentes, com obras de autores brasileiros, pilares do repertório (a seqüência da integral sinfônica de Mahler) e peças nunca executadas no País, como o Concerto para Piano do compositor norte-americano John Corigliano, uma seleção de sinfonias do inglês Ralph Vaughan-Williams e a Sinfonia Kullervo, do finlandês Jean Sibelius, além da volta da orquestra à produção de óperas – serão duas, La Wally, de Catalani, e uma dobradinha formada por Il Tabarro, de Puccini, e I Pagliacci, de Leoncavallo. ‘Esta temporada colocou os músicos em contato com um repertório e uma rotina de trabalho a que eles não estavam acostumados. E acho que, apesar de tudo, a orquestra respondeu de maneira excelente ao que foi, no fim das contas, uma total mudança para eles’, diz o maestro Ira Levin.


De volta à porta do Teatro Nacional Claudio Santoro, a conversa continua. ‘Você viu aquele pianista que tocou aí outro dia? Véio, o cara é doido, toca de um jeito que não dá para acreditar (mais tarde a gente descobre que eles estão falando de Nelson Freire).’ O outro entra na história: ‘Eu lembro, eu tava aqui, o cara é de outro mundo. Mas gostei mais de hoje.’ E a conclusão: ‘É Wagner, véio, é Wagner. Wagner é do c….’ Pior que é mesmo. E os trechos escolhidos para o concerto mostram exatamente por quê. Tanto Parsifal quanto A Valquíria mostram o compositor à vontade na construção de uma nova idéia de ópera, de um drama musical em que texto e música se misturam de maneira intensa, o que, se por um lado ainda espanta os ouvidos, de outro exige cuidados na interpretação. Em que pesem alguns problemas pontuais na orquestra, que ainda espera uma nova leva de músicos para completar seus quadros, a Sinfônica Nacional tocou Wagner atenta às necessidades e particularidades estilísticas. Em outras palavras, soou como Wagner deve soar – o que é mais fácil falar do que fazer. A regência de Ira Levin tem culpa nessa história. Atenta a cada detalhe da partitura, permite que ela floresça em todo o seu potencial dramático, levando aos clímax de maneira muito expressiva. E o mesmo vale para a Kundry de Graciela Araya, repleta de coloridos, ou para o tenor Howard Haskin que, apesar do timbre claro, se sai bem na escrita repleta de contrastes de Parsifal e de Siegmund.


E assim a Sinfônica Nacional começa a dar passos em direção a um possível futuro de sucesso. Não há segredos. A experiência nos projetos culturais brasileiras recomenda sempre cautela. Mas parece estarmos diante daqueles momentos em que talento e vontade política se articulam na construção de um projeto. Nesse sentido, tanto as verbas estatais quanto a criação de uma sociedade de amigos para a orquestra são passos importantes. Resta, claro, o desafio artístico. Como reconstruir a sonoridade de uma orquestra? ‘Bem, é preciso impor disciplina, seja no que diz respeito à ética no trabalho quanto na música. Tenho trabalhado bastante com o fraseado, a preocupação com o estilo e, na escolha de maestros e solistas convidados, mantenho a mesma preocupação. E fico feliz em ver que esses artistas já sentem diferença na orquestra e na maneira como ela soa. A questão da sonoridade é complexa e tem a ver, claro, com meu ouvido interno, com o que ouço e tento recriar com a orquestra, mas também está relacionada com a acústica do teatro em que tocamos, muito seca, o que exige um cuidado especial na hora de tocar.’


O repórter viajou a convite da orquestra’


 


ENTREVISTA / MARCO NANINI
Leila Reis


‘Eu entro em crise se me vejo na tela’


‘Marco Nanini é um dos maiores comediantes brasileiros. Há sete anos ele entra no ar como o metódico e incorruptível agente da vigilância sanitária Lineu, na série A Grande Família. Atualmente está em cartaz no Teatro das Artes, no Rio, no papel do prefeito Odorico Paraguaçu, em O Bem-Amado, de Dias Gomes, espetáculo que trará para São Paulo em abril. Nesta entrevista exclusiva ao Caderno 2, Nanini conta que acabou pegando um pouco da calma de seu personagem para contrabalançar a sua ansiedade e revela que odeia se ver na tela: ‘Fico chocado.’


Há sete anos você interpreta o funcionário público incorruptível. O que você pegou do Lineu e o que ele pegou de você?


Os personagens são sempre uma fonte de criação. Acho que pude pegar o lado mais calmo, porque sou superansioso, o inverso do Lineu. Quando ele enlouquece, fica mais engraçado e mais parecido comigo.


Qual a loucura que você gostaria que Lineu fizesse?


Lineu tem pecadilhos que, para ele, são grandes loucuras. Ele já foi para uma pescaria e voltou completamente bêbado, já comeu (sem saber) bolinho de maconha.


Qual a porcentagem de Lineus existente no funcionalismo público brasileiro?


Não tenho a menor noção, porque a gente nunca sabe quem é incorruptível neste país. A honestidade, uma coisa que se passa de pai para filho, fica abalada pela pobreza e pela corrupção deslavada de que a gente tem notícias todos os dias. Só vejo que nem tudo está perdido quando leio no jornal sobre um sujeito que ganha salário mínimo e devolve a soma que achou no lixo.


Como os funcionários públicos enxergam seu personagem?


Eles não se revelam para mim. De vez em quando a Vigilância Sanitária manda uma carta para a Globo elogiando algumas atitudes do Lineu. As manifestações que recebo são em relação ao pai de família, as pessoas me param para dizer que o pai delas é metódico e comportado como o Lineu.


Qual é a vantagem de pertencer ao elenco fixo de uma série? E a desvantagem?


Passei por uma situação parecida com Irma Vap, peça que ficou 11 anos em cartaz. Chega um momento que surge a necessidade de fazer outra coisa para não ficar preso àquela imagem do personagem. Procuro fazer outras coisas no teatro e no cinema para compensar. A contrapartida é que A Grande Família é um programa bem cuidado, os personagens são aprofundados, bem-criados e por isso me dá a possibilidade de fazer o jogo da interpretação.


Você é um dos atores da turma do Guel Arraes. Foi com ele que você fez os melhores trabalhos na TV?


Guel me deu uma curva na carreira. Tinha feito bons trabalhos: as novelas Gabriela, O Cafona, mas ele meu deu um cotidiano de trabalho diferente quando me chamou para fazer a série Brasil Especial baseado na literatura brasileira. Veio depois A Comédia da Vida Privada. TV Pirata foi, a meu ver, a semente para o humor que se estabeleceu. Fui chamado para fazer 12 episódios de A Grande Família e já estou gravando o de número 264.


O que te deu mais dinheiro: teatro, cinema ou televisão?


Foi o conjunto. Quando resolvi ser ator, larguei o trabalho em um banco (emprego que me deram por caridade, porque não sei fazer contas até hoje) e tive um baque financeiro muito grande. Mas consegui me manter na carreira. Então, funciona assim: uma hora o teatro me acode mais do que as outras atividades. Quando é a TV que me acode, posso fazer uma experiência no teatro sem visar ao lucro.


É difícil fazer um Odorico Paraguaçu diferente do de Paulo Gracindo?


Recebi um convite informal para fazer o Bem-Amado no cinema e fui consultado para uma série na TV, mas como esses trabalhos não rolaram, resolvi produzir a peça do Dias Gomes, que nasceu como teatro. O diretor é Enrique Diaz e o elenco é formado pela Companhia dos Atores. Guel Arraes é o produtor artístico. A presença do Paulo Gracindo é muito forte, mas se eu ficar muito preocupado com isso, não faço nada. Foi o mesmo com A Grande Família, se me preocupasse muito com a interpretação do Jorge Dória (o primeiro Lineu), como faria o personagem? Foi difícil, mas consegui achar um canto para fazer um Odorico diferente. Em abril, a peça vai para São Paulo, para o Teatro Cultura Artística.


Qual o tipo de personagem que mais o agrada?


Não tenho personagens preferidos. Eu gosto muito de pesquisar e, se pudesse, faria somente isso. É uma diversão construir personagens.


Qual o personagem que mais o frustrou?


Edmond Kean, protagonista da peça Kean, sobre um ator shakespeariano. Foi muito difícil entrar no personagem, eu entrava intranqüilo no palco. Mas fez um grande sucesso.


E na televisão?


Houve um momento em que comecei a perceber que, se não tomasse cuidado, iria me tornar uma maçaneta de porta nas novelas, de tanto que fui ficando na periferia das tramas. Foi quando Guel me chamou para fazer outras coisas.


Há quanto tempo você trabalha em televisão?


Comecei na primeira novela escrita por Dias Gomes, sob pseudônimo (Stela Caldéron), como figurante: Ponte dos Suspiros (1969). Eu era estudante de teatro no Rio e fazia aulas de esgrima, quando nos procuraram para lutar e morrer na novela de capa e espada. O curioso é que fiz o seu último trabalho antes de ele morrer (1998), a minissérie Dona Flor e Seus Dois Maridos.


Qual é o seu grande projeto?


É continuar vivendo do ofício de ator. E tocar bem a produtora Pequena Central, para poder escolher o melhor. Sou co-produtor do filme Irma Vap, da Carla Camurati, e vou produzir uma peça de Aloísio Abranches. Temos um galpão na zona portuária do Rio onde há sala de ensaios, oficina de figurinos. Temos uma casa dividida em três apartamentos para abrigar atores que vêm de fora. Minha diversão é produzir cinema e teatro.


Como vê o conteúdo da TV?


Não vejo TV, não consigo sequer assistir a um DVD. Perdi o hábito de ouvir música em CD e não vou ao cinema.


Você gosta de se ver na tela?


Jamais. Uma vez, no teatro, eu interpretava uma menina adolescente e me sentia assim no palco. Quando vi o vídeo, enxerguei um senhor imitando uma adolescente e fiquei chocado, foi muito chato. Então, não assisto, porque entro em crise. Quando fiz o filme Feliz Ano Velho, tive de dublar meu personagem. Quando me sentei no estúdio e vi aquela cara enorme, tive um choque, perdi a voz. Dei um prejuízo horrível, passei três dias com um japonês massageando minhas cordas vocais. Quando fiz Carlota Joaquina, Carla Camurati, que já sabia do meu trauma, me chamou para dublar aos poucos, em doses homeopáticas. Hoje consigo me ver e ficar só chateadíssimo.’


 


TELEVISÃO
O Estado de S. Paulo


Cumbica em foco Discovery estréia Aeroporto


‘Em época de crise aérea, o Discovery Channel vai apresentar, na sexta-feira, às 22 horas, o documentário Aeroporto 24/7: São Paulo, gravado em Cumbica. O programa acompanha a rotina dos profissionais da Infraero, da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério da Agricultura no Aeroporto Internacional de Guarulhos.


Foram seis semanas de gravação – de 1º de maio até 15 de junho – para captar a movimentação no maior aeroporto da América do Sul. Logo no primeiro capítulo, a atração mostra um dos reflexos da crise aérea no País com o desvio de vôos do Aeroporto de Congonhas para Cumbica, além do esquema de segurança armado para a chegada do papa Bento 16.


A série é formada por seis capítulos com 30 minutos de duração. O Discovery apresentará dois episódios a cada sexta-feira, até o dia 7 de dezembro. O documentário fará parte do bloco Verde e Amarelo do canal, voltado às atrações com temática brasileira.


Aeroporto 24/7: São Paulo foi produzido com apoio da Ancine, em parceria com a Rex Produções, que foi parceira do grupo Discovery nos episódios brasileiros dos realities Troca de Esposas e Enquanto Você não Vem no canal People+Arts.’


 


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 21 de novembro de 2007


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘God is Brazilian’


‘Manchete da Folha Online no final do dia e depois no ‘Jornal Nacional’, ‘Arrecadação bate recorde’.


Até então, em destaque no Globo Online e outros, ecoava a declaração ‘Deus é brasileiro’, de Lula. Ou ‘God is Brazilian’, no título de despacho postado por Google e outros. Era referência ao campo de Tupi. Mas foi no ato que lançou a siderúrgica de Pecém -com outro destaque, para a estatal Agência Brasil: ‘Lula conclama setor a competir com a China’. Mais investimento interno da Vale, como ele pressiona há semanas. O anúncio ecoou por Dow Jones e outras, ressaltando a declaração do presidente da empresa, de que a ‘intenção é trazer mais fábricas ao Brasil’.


‘ENORME’


Nas capas do ‘Clarín’ e do ‘La Nación’, ontem, Cristina Kirchner e Lula em ‘relação estratégica’. No primeiro, em texto paralelo, o enunciado de que deram ‘impulso a uma busca conjunta de petróleo na costa argentina’. A Petrobras teria ‘indícios fundados de enorme manancial, no mar’.


E já se fala agora em unir a estatal brasileira à neo-estatal Enarsa para a prospecção.


PARA TODOS


A Bloomberg espalhou que, segundo o ministro das Minas e Energia, o Brasil ‘não vai limitar a venda de blocos para exploração perto do campo de Tupi à estatal Petrobras’. Eles saíram do leilão, mas ‘o Brasil não tem interesse em reviver o monopólio de exploração’.


A sombra que envolveu o assunto causou reação do correspondente do ‘Financial Times’ Jonathan Wheatley.


GOLDMAN SACHS FALOU


Nas manchetes dos sites financeiros globais, sobre o BC americano, ‘Fed está pessimista’, mais a notícia do dia: outro grupo financeiro ‘perdeu um terço de seu valor’. E recorreu, para sobreviver, ao festejado Goldman Sachs.


Este vem de receber longo perfil no ‘New York Times’ por ter previsto a turbulência no crédito e muito mais; por exemplo, criou o acrônimo Brics. Pouco antes do Fed, o Goldman soltou relatório ainda mais ‘sombrio’. Outros bancos dos EUA vão lutar ‘só para sobreviver’ à crise que deve tomar mais ano e meio -e parte do que restar pode ser acabar comprado por ‘instituição dos emergentes’.


CORREÇÃO DE LIMPEZA


O ‘Barron’s’ deu análise sobre ações nos emergentes, dizendo que ‘os investidores deveriam estar de olho no Brasil, agora’. O país tem ‘todos os elementos de um ajuste pendente’. Previu ‘boa correção de limpeza’, o que é ‘positivo no longo prazo’.


BRASIL E O ORIENTE


A AP despachou e o ‘Miami Herald’ destacou a lista de ‘convites’ dos EUA para a conferência sobre paz no Oriente Médio: EUA, Israel, ‘palestinos’, ONU, União Européia, Rússia, Tony Blair, Liga Árabe, o G8. Lá pelo fim, sob ‘Outras nações’, Brasil.


A ÚLTIMA


Em destaque no canal France 24 e no site do ‘Le Monde’, os milhares de manifestantes em greve que tomaram a França. No ‘Le Figaro’, a resposta do presidente Nicholas Sarkozy, afinal, ‘Não vamos ceder’.


A ‘Economist’, no editorial ‘O momento Thatcher de Sarkozy’, defendeu que ele ‘não ceda’, como a britânica Margaret Thatcher na greve dos mineiros de 1984/85. ‘O apetite por reformas se esvai na Europa’ e está seria ‘a última chance em bom tempo’.


O DIA SEGUINTE, EM SP


Saiu em longo texto no ‘Christian Science Monitor’, de Boston, e repercutiu por ‘USA Today’ e outros o início da distribuição de ‘pílulas do dia seguinte’ nas estações de metrô de São Paulo, ‘o Estado mais populoso do país’.


É ‘parte do novo esforço’, que reúne o governo estadual e o federal, ‘para combater as estatísticas estratosféricas de gravidez indesejada e aborto ilegal’. Vem mais por aí.’


 


IRAQUE
Folha de S. Paulo


EUA prendem fotógrafo por 19 meses por suposto laço com terror


‘Os Estados Unidos anunciaram ontem que denunciarão por terrorismo Bilal Hussein, 36, vencedor do prêmio Pulitzer de fotojornalismo pela cobertura da Guerra do Iraque. O fotógrafo da agência de notícias Associated Press está detido há 19 meses sem nenhuma acusação formal.


‘Estamos esperançosos de que agora haja, finalmente, alguma resolução sobre esta longa prisão, mas tememos que os direitos legais de Bilal sejam ignorados -ou mesmo violados’, disse ontem Tom Curley, presidente da AP. O caso será levado à Justiça iraquiana, que decidirá sobre a pertinência do julgamento. Se condenado, Bilal pode ser sentenciado à morte.


Segundo o porta-voz do Pentágono Geoff Morrell, há novas provas -’convincentes’ e ‘irrefutáveis’- da ligação entre Bilal e grupos insurgentes.


‘Os militares vêm dizendo isso há 19 meses, mas quando pedimos para ver o que é tão ‘convincente’, recebemos de volta algo que nada tem de convincente’, disse ontem Dave Tomlin, conselheiro jurídico da AP. Ele criticou também o sigilo mantido sobre as supostas evidências, que ‘impossibilita’ a defesa de seu cliente.


Segundo a AP, sua própria investigação interna, coordenada pelo ex-procurador federal norte-americano Paul Gardephe, não encontrou sinais de que Bilal ‘estivesse fazendo nada além de trabalhar como jornalista em um zona de guerra’. Entre as provas anteriormente citadas pelo Comando Militar dos EUA no Iraque estão a posse de propaganda insurgente, de material usado na fabricação de bombas e da fotografia de uma instalação militar norte-americana.


Parte da equipe da AP que venceu em 2005 o prêmio Pulitzer -um dos mais importantes do fotojornalismo mundial-, Bilal está entre os mais conhecidos dos 14 mil detentos mantidos pelos EUA no Iraque. Não é, porém, o único profissional de imprensa preso.


Levantamento da Comissão de Proteção aos Jornalistas, uma das ONGs que pedem a libertação imediata de Bilal, relata dezenas de prisões, sobretudo de profissionais iraquianos, nos últimos três anos. Quase todos foram libertados rapidamente. Mas, em pelo menos oito casos documentados, os jornalistas foram mantidos no cárcere por semanas ou meses pelo Exército americano sem acusação formal.’


 


CONSCIÊNCIA NEGRA
André Caramante


Mano Brown e o líder dos Panteras Negras protestam contra terrorismo estatal


‘A reunião, organizada pelo Núcleo de Desenvolvimento Islâmico Brasileiro, foi quase secreta, na véspera do dia da Consciência Negra, e teve como objetivo criar um elo entre os negros do Brasil e os dos EUA. ‘Somente os loucos estão aqui hoje’, disse Pedro Paulo Soares Pereira, 37, ícone da cultura negra.


Pereira é o Mano Brown, voz guia do grupo de rap Racionais MC’s e, na sede da ONG Ação Educativa, centro de São Paulo, a ‘ponte’ para ações sociais de conscientização entre negros brasileiros e norte-americanos começou a ser erguida a partir do contato do rapper com Fred Hampton Jr., líder do movimento pela igualdade racial Black Panthers (Panteras Negras), criado nos anos 60 nos Estados Unidos. Ele é filho de Fred Hampton, morto em 1969 pelo FBI.


Por quase três horas, Brown e Hampton Jr, chamado de ‘ministro’ pelos panteras negras, debateram o que chamam de ‘terrorismo estatal praticado pelos governos dos EUA e do Brasil contra os negros’.


Em um dos momentos do encontro, Hampton Jr disse a Brown que o governo dos EUA ajudou, ‘jogando bombas em uma represa’, a piorar a situação dos negros de Nova Orleans vítimas do furacão Katrina, em agosto de 2005. A ação, disse, teria atendido aos interesses de empresários amigos do presidente George W. Bush.


Hampton Jr disse ter vergonha de pessoas como a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, e do senador Barak Obama, candidato à presidência dos EUA. ‘Eles não representam os negros.’


‘Chegamos num momento em que não basta fazer filmes sobre preto, só. Que não basta gravar disco de rap falando da nossa realidade, a gente está colocando nosso orgulho em jogo. Eu acredito que os negros não precisam de super-herói’, disse Brown, para quem ‘o hip hop brasileiro está enfraquecido financeiramente, mas não ideologicamente’.


Para Hampton Jr, o hip hop ainda é, apesar das distorções causadas pelos rappers norte-americanos com a ostentação por dólares, carrões e a discriminação contra as mulheres, uma das mais fortes ferramentas para unir e conscientizar os negros de todo o mundo.


O black panther também disse saber da ‘revolução’ que Brown e seus parceiros de Racionais fazem com o rap Brasil afora. Ao final do encontro, Brown e Hampton Jr cerraram os punhos (saudação padrão dos black panthers) e foram aclamados pelas cerca de 60 pessoas que participaram do evento.’


 


CRIME
Silvana de Freitas e Flávio Ferreira


STJ decide manter jornalista Pimenta Neves em liberdade


‘O STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu ontem manter em liberdade o jornalista Antonio Pimenta Neves, condenado a 18 anos de prisão pela morte da ex-namorada e também jornalista Sandra Gomide.


O julgamento que garantiu a liberdade a Pimenta Neves foi realizado pela 6ª Turma do STJ, que concedeu a vitória ao réu por unanimidade. A turma ratificou a liminar concedida em favor de Pimenta em uma ação de habeas corpus, no fim de 2006.


A ministra Maria Thereza de Assis Moura, relatora da ação, justificou sua decisão com base na jurisprudência do STF (Supremo Tribunal Federal) e do STJ (Supremo Tribunal de Justiça). Segundo ela, os tribunais já decidiram várias vezes que réus que respondem a processos em liberdade têm direito a recorrer soltos.


Os advogados de Neves dizem que ele não pode cumprir a pena enquanto houver possibilidade de recurso às instâncias superiores.’


 


ARTE
Mario Gioia


Fórum em SP discute os rumos da arte atual


‘Fortalecer e aprofundar o debate sobre a arte brasileira, desvinculando-a da indústria de entretenimento. O simpósio ‘Pensar a Arte Hoje – Perspectivas Críticas’ começa hoje no Centro Universitário Maria Antonia, em São Paulo, e tem como um de seus objetivos tal discussão, em um momento de especial popularidade de artistas do país no exterior.


Participam do fórum importantes críticos de arte e curadores do país, como Sonia Salzstein, Tadeu Chiarelli e Paulo Sergio Duarte, artistas como Nelson Felix e Iole de Freitas, além de críticos estrangeiros como o britânico Guy Brett e o alemão Robert Kudielka, entre outros.


De acordo com Salzstein, uma das coordenadoras do simpósio, ‘o debate sobre a arte no Brasil está empobrecido. O pesquisador deve combater a indiferenciação progressiva da arte e do entretenimento’.


O fato de ser a segunda edição do simpósio, organizado por instituições públicas, fortalece a continuidade dos debates, avalia Salzstein.


‘Após anos de leis de incentivo, é preciso questionar o que se tem feito em termos de políticas públicas para a cultura.’


Troca


Salzstein explica que a organização do simpósio montou-o tentando fazer uma mistura entre pesquisadores, curadores, críticos e os próprios artistas. ‘O objetivo é permitir que eles possam expor suas experiências, para que a discussão seja mais aprofundada’, diz.


Entre os convidados estrangeiros, Brett talvez seja o mais conhecido dos brasileiros. Um dos mais importantes incentivadores de artistas brasileiros no circuito europeu, o britânico escreve textos sobre nomes brasileiros desde 1964, quando, sob o pseudônimo de Gerald Turner, publicou artigo sobre a obra do escultor Sergio Camargo (1930-1990) para a galeria Signals, em Londres.


Brett, depois, se firmaria como um dos mais assíduos ensaístas da obra de Hélio Oiticica (1937-1980), Lygia Clark (1920-1988), Mira Schendel (1919-1988) e Antonio Manuel, entre outros. Parte importante desses textos está reunida em ‘Brasil Experimental’ (ed. Contracapa, R$ 85, 296 págs.).


Kudielka e o belga Thierry De Duve já foram convidados de outros seminários no Brasil. Já a indiana Kapur foi jurada da Bienal de Veneza e assinou curadorias para a Tate Modern, entre outras instituições. ‘Acho importante a vinda dela ao Brasil, não só por sua atividade curatorial, mas por ser da Ásia e de um país que desconhecemos em relação à arte contemporânea’, diz Salzstein.


Tadeu Chiarelli vai expor na terça painel sobre os núcleos históricos e as salas especiais da Bienal de São Paulo. ‘A apresentação tinha sido definida antes do anúncio da próxima Bienal [que, em 2008, terá um andar inteiro vazio]. Será uma chance para discutir o envelhecimento de instituições do gênero, não só no Brasil.’’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


TVs batem recorde de vendas no 2º semestre


‘Depois de um primeiro semestre fraco, em que registraram queda de 5% em relação ao mesmo período de 2006, as TVs estão tirando a barriga da miséria neste final de ano. Desde julho, as vendas de anúncios têm crescido 25% por mês.


‘Estamos com problemas sérios de falta de espaço para anúncios. Há três anos eu não via o mercado tão aquecido como agora’, afirma Marcelo Mainardi, diretor-executivo comercial da Band, que deve fechar 2007 com um crescimento de 28% sobre 2006.


Diretor-geral comercial da Globo, Willy Haas confirma o bom momento da TV e diz que o crescimento é da mídia em geral. Segundo Haas, por causa do primeiro semestre negativo, o mercado deve encerrar o ano com um crescimento de 6,5% a 7%, em desempenho semelhante ao da Globo. Para 2008, o executivo prevê um aumento de 6% a 6,5% nas receitas.


Walter Zagari, vice-presidente comercial da Record, diz que a emissora terá um faturamento de R$ 1,360 bilhão, 36% a mais do que em 2006.


A Rede TV! também está em festa. ‘Estamos batendo recordes históricos’, diz Antonio Rosa Neto, diretor comercial.


Segundo os executivos, o bom momento se explica não só pelo aquecimento da economia, mas também porque o segundo semestre de 2006 foi fraco. Por causa da Copa, os anunciantes investiram mais no primeiro semestre.


ENQUADRADO 1


Por determinação do Ministério Público Federal, o Ministério da Justiça instaurou procedimento administrativo contra o SBT. A emissora exibiu em 22 de julho, a partir das 21h, o filme ‘Sobre Meninos e Lobos’, inadequado para antes das 22h.


ENQUADRADO 2


O SBT só será punido, com multa, se for condenado na Justiça em eventual ação movida pelo Ministério Público. A emissora não comentou.


ENQUADRADO 3


O Ministério da Justiça também abriu procedimento administrativo contra a Rede TV!, pela exibição de ‘linguagem metaforizada, obscena e de conteúdo sexual/erótica’ no ‘A Tarde É Sua’, em 2006. O departamento jurídico da rede diz que não foi ‘nada grave’.


TROCA-TROCA


O canal pago GNT está gravando programas em que seus apresentadores invertem os papéis. Diogo Mainardi já fez um ‘Irritando Fernanda Young’ em que Fernanda Young era a ‘convidada’. Hoje Mônica Waldvogel entrevista Marília Gabriela em um ‘Marília Gabriela Entrevista’.


PAPAI NOEL


A Globo lança em dezembro um DVD com seis episódios de Natal de ‘A Grande Família’. Também chega às lojas em dezembro o DVD da série ‘Mulher’, originalmente exibida em 1998 e 1999.


PLANETA BOLA


A Globo, que já vende imagens do futebol brasileiro para mais de cem países, acaba de fechar negócio com TVs do México e da Finlândia.’


 


Cristina Fibe


TNT exibe ‘Projeto 48’ feito no Brasil


‘Reality show que se destaca entre os programas neste formato, o ‘Projeto 48’, da TNT, une o exibicionismo e a curiosidade alheia a algo útil -é uma vitrine para aspirantes a cineastas que, no Brasil, têm poucos caminhos para entrar no mercado de trabalho. A combinação de calouros com vontade de filmar e um canal com infra-estrutura e interesse em exibi-los resulta em um curta-metragem feito em 48 horas e em um programa de um mês, em quatro episódios, apresentados pela atriz Maria Luisa Mendonça.


A edição atual, a sexta do ‘Projeto 48’, estreou no último dia 7, e hoje exibe o terceiro episódio, com bastidores das filmagens do curta ‘Vintage’. A premissa, elaborada pelo trio Juliana Curi, 24, André Batista, 32, e Paulo de Tarso, 37, não é muito original: uma mulher solitária projeta no manequim de uma loja o homem ideal, com quem sonha ter um relacionamento amoroso.


Mas os três ‘desafios’ impostos pelo canal podem acrescentar certo frescor à obra. A equipe teve que adequar o roteiro para usar um manequim oriental e um globo em que a atriz pudesse voar e para incluir um evento dentro de um circo. O resultado do trabalho poderá ser visto na próxima quarta-feira, dia 28. O programa tem reprises às sextas, à meia-noite, e aos domingos, às 14h.


PROJETO 48 – BRASIL


Quando: hoje, às 19h


Onde: TNT’


 


Folha de S. Paulo


Brasil ‘passa em branco’ no Oscar da televisão mundial


‘A 35ª cerimônia de entrega do Emmy International (o Oscar da TV), realizada anteontem à noite, em Nova York, consagrou a produção televisiva inglesa, que recolheu seis prêmios. O Brasil, que concorria em sete das nove categorias, não levou nenhuma estatueta.


Entre os programas de arte, o júri preferiu ‘Simon Schama’s Power of Art: Bernini’ (o poder da arte de Simon Schama: Bernini) a ‘Elis Regina – Por Toda a Minha Vida’, da Globo.


Na disputa entre os atores, Pierre Bokma, do holandês ‘The Chosen One’ (o escolhido), e Jim Broadbent, do inglês ‘The Street’, derrotaram Lázaro Ramos (‘Cobras e Lagartos’). ‘The Street’ também se sagrou melhor drama, categoria em que concorria ‘Mothern’ (GNT).


A atriz francesa Muriel Robin levou o prêmio a que concorria Lília Cabral (por ‘Páginas da Vida’), e o infantil polonês ‘The Magic Tree’ (a árvore mágica) deixou para trás ‘O Menino Maluquinho’ (da TVE Brasil).


A comédia da Globo ‘Os Amadores’ foi preterida em favor da inglesa ‘Little Britain Abroad’ e a minissérie ‘Antonia’ perdeu para outro título inglês na categoria que também considerava telefilmes: ‘Death of a President’ (morte de um presidente).’


 


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