Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

JORNAL DE DEBATES > BOLÍVIA

Evo Morales ataca a mídia

28/09/2007 na edição 452

Desde que assumiu o poder em 2006, o presidente da Bolívia Evo Morales vem enfrentando críticas de alguns veículos de comunicação e chegou a acusar a mídia de ‘ser seu inimigo número um’. No atual período, em que o país está em vias de aprovar o projeto de uma nova Constituição, a relação entre o líder da Bolívia e a imprensa está ainda mais conflituosa.


A proposta para a nova Constituição inclui cláusulas para reeleição presidencial consecutiva e ilimitada, além de outras que garantem mais poder à maioria indígena marginalizada do país em assuntos como reforma agrária, autonomia regional e direitos humanos. O fato do presidente de um país com forte presença de índios e divisões étnicas profundas ser um índio aymará e ex-fazendeiro de coca significou, para a maioria, a vitória contra a minoria branca da elite.


Nesta semana, jornalistas foram convocados ao palácio presidencial por Morales para uma coletiva. Segurando a cópia do La Razón, o jornal de maior circulação na capital La Paz, o presidente criticou dois artigos específicos e declarou que o diário ‘mente e desinforma constantemente’. O líder boliviano ainda alertou os proprietários espanhóis do diário que está pensando em nacionalizá-lo.


La Razón, de propriedade do Grupo Prisa, com sede em Madri, publicou matérias de capa em dois dias consecutivos que não agradaram em nada ao presidente. Uma alegava que o país ficou mais pobre depois que a indústria do petróleo foi nacionalizada, e a segunda acusava a Bolívia de perder US$ 600 milhões em ajuda dos EUA. Morales é um crítico aberto do governo americano.


O presidente ainda acusou os artigos de fazerem parte de uma campanha para prejudicar a reputação de sua administração. ‘Os bolivianos irão julgar esses tipos de distorção que vêm de algumas mídias’, disse. Em resposta, o La Razón publicou editorial afirmando que a reação de Morales foi excessiva e sem precedentes em 25 anos desde que a democracia foi restabelecida na nação de mais de 9 milhões de habitantes. Embora integrantes do governo declarem que querem promover a liberdade de expressão, jornalistas bolivianos estão preocupados com propostas de lei que restringem o trabalho da imprensa. Informação de Carlos Lauría [Comitê de Proteção para Jornalistas, 25/9/07].

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