Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

JORNAL DE DEBATES > THE WASHINGTON POST

Falando de fé

09/01/2006 na edição 363

Falar sobre religião é complicado, ainda mais diante de milhares de pessoas, cada qual com sua crença – ou descrença – e opinião. Deborah Howell abordou o tema em sua coluna semanal no Washington Post [8/1/06], ressaltando a falta de destaque dada à cobertura religiosa no jornal.

Segundo a ombudsman, muitos leitores do Post ligam para o assunto, mas costumam achar que jornalistas não se importam tanto como eles. ‘Jornalistas são iguais aos leitores. Alguns são religiosos; outros não. Eu não acho que isso importe desde que religião e questões espirituais sejam reportadas de maneira profunda e com sensibilidade’, afirma ela.

Deborah diz que não vê problema com a cobertura do Post, mas defende que ela deveria ser mais ampla. Houve um renascimento de reportagens com temas religiosos nos últimos anos no Post e no jornalismo americano em geral, aponta ela. Mesmo assim, o tema não chega nem perto da atenção recebida por assuntos ligados a esportes, entretenimento e política, por exemplo.

Alvo fácil

Com a cobertura minguada, qualquer pequena matéria ou citação que explore questões religiosas acaba virando alvo fácil de um ou outro leitor ofendido. Deborah dá como exemplo um artigo sobre as exageradas festas de bar mitzvah de Nova York, publicado em dezembro, que recebeu críticas de leitores judeus. Eles reclamavam que a história corroborava o clichê de que judeus só ligam para dinheiro, sem explicar o sentido espiritual da festa. O repórter responsável pelo texto, que também é judeu, afirma que as festas citadas são realmente ‘extravagantes, esquisitas, competitivas e obcecadas por status’ e que não tinha como objetivo fazer um retrato completo do judaísmo, mas mostrar apenas um pedaço pequeno de algo que realmente acontece.

Deborah diz que achou a matéria fascinante e assustadora. ‘Eu entendo as reclamações e até simpatizo com elas, mas também penso que esta era uma história que valia a pena ser contada’, completa. A ombudsman tenta justificar, com este exemplo, a afirmação de que ‘leitores não se ofenderiam por uma matéria ocasional ou referência que vêem como insensível se acreditassem que o Post faz da cobertura religiosa uma de suas prioridades’.

‘Eu não quero que o Post ignore histórias interessantes, principalmente com a explosão da diversidade de religiões em sua área’. Deborah conta que leu algumas ótimas matérias sobre religião, recentemente, e gostaria de tê-las visto em seu jornal. Entre elas, está uma sobre o papa Bento 16, que afirmou que doenças mentais são uma ‘emergência’ causada pela erosão dos valores morais e instabilidade global, e outra sobre como os cristãos iraquianos exilados votaram na recente eleição de seu país.

Como nem tudo está perdido, a ombudsman conta que leu algumas poucas – mas excelentes – matérias no Post na época das festas de fim de ano. Uma delas, publicada logo depois do natal, contava a história de uma mulher sem-teto que dormiu em ônibus por dois anos, até que um doador anônimo, movido por fé religiosa, encontrou um apartamento para ela, o mobiliou e deixou um ano de aluguel pago. ‘Agora, esta é uma fonte anônima para se amar’, brinca Deborah.

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