Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 24 E 25/02

Folha de S. Paulo

26/02/2007 na edição 421


MÍDIA & POLÍTICA
Ranier Bragon e Letícia Sander


Verbas compram reportagens em imprensa regional


‘Do total da ‘verba indenizatória’ que a Câmara destinou aos deputados em
janeiro, 15% se referem ao ressarcimento de supostos gastos com a chamada
‘divulgação do mandato parlamentar’. A Folha constatou que o dinheiro público é
usado, entre outras coisas, para fins eleitorais e para a compra de reportagens
benéficas aos deputados em órgãos de imprensa regionais.


O caso mais evidente é o do líder da bancada do PMDB, Henrique Eduardo Alves
(RN), que afirmou, em um primeiro momento, manter um contrato com o jornal que
controla, a ‘Tribuna do Norte’.


O diário publicaria notícias sobre as atividades do deputado em Brasília e,
em troca, receberia como remuneração a verba do deputado destinada à ‘divulgação
do mandato’.


‘Tem contrato, tem recibo, tudo direitinho do jornal, tem recibo guardado,
tudo direitinho’, afirmou o deputado, em um primeiro contato.


Depois, ele retificou: ‘Não é um contrato formal. Eu pago e eles dão
recibo.’


O peemedebista afirma que as ‘reportagens’ são produzidas quase sempre por
meio de entrevistas que ele concede ao seu assessor de imprensa.


Entre as ‘reportagens’ destacadas pelo deputado está a sua eleição para a
liderança do PMDB, uma entrevista sobre o apoio do PMDB a Luiz Inácio Lula da
Silva e a descrição da sessão para a eleição do novo presidente da Câmara,
presidida por ele em 1º de fevereiro.


‘Quando fui presidir a eleição da Câmara, publicamos uma página inteira, uma
foto nossa, tenho dez mandatos. Tô no décimo mandato, aí fizemos uma página no
jornal muito bonita’, disse. Alves presidiu a sessão por ser o deputado com o
maior número de mandatos.


Em janeiro, ele foi reembolsado pela Câmara em R$ 10,5 mil por gastos a
título de ‘divulgação do mandato’. Ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o líder
do PMDB declarou um patrimônio de R$ 1 milhão, que inclui ações em rádio e
TV.


Exemplo semelhante a Folha encontrou no gabinete do deputado Osvaldo Reis
(PMDB-TO). Dois de seus assessores afirmaram, em conversa informal, que parte da
‘verba indenizatória’ é usada para pagar ‘notas’ nos meios de comunicação de
Tocantins e do sul do Maranhão, área de atuação política do deputado.


De acordo com eles, se não houver pagamento, não sai nenhuma notícia sobre o
deputado na imprensa local.


Uma vez remunerados, as rádios e jornais, ainda segundo os assessores,
reproduziriam na íntegra as informações prestadas pelo gabinete do deputado.


O argumento foi usado para justificar a impressão de 20 mil exemplares de um
tablóide, ao custo de R$ 13 mil, para distribuição aos eleitores de Osvaldo
Reis. O jornal, de oito páginas, se resume à transcrição de dois discursos do
deputado no plenário da Câmara, à relação de seus projetos apresentados, à
listagem das emendas que ele apresentou ao Orçamento da União e à sua
biografia.


O uso político da verba também fica explicitado no caso do deputado João
Caldas (PR-AL).


Acusado de envolvimento na máfia dos sanguessugas, ele não se reelegeu.


No último mês de mandato, admitiu ter gasto os R$ 15 mil da verba
indenizatória para fazer uma ‘prestação de contas’ de seu período na Câmara.
Disse ter mandado cartas para que as pessoas não se esquecessem dele. ‘Político
tem que interagir com a sociedade’, defendeu.


Não reeleito, o ex-deputado Babá (PSOL-PA, que se candidatou pelo RJ) também
gastou 100% da verba indenizatória a que tinha direito em janeiro, dos quais R$
10,6 mil para ‘divulgação da atividade parlamentar’.


Ele disse ter gasto o valor com a publicação de um livreto reunindo algumas
de suas idéias e bandeiras, entre elas a defesa do não-pagamento da dívida
externa.


‘Foi distribuído gratuitamente’, explicou, acrescentando que sempre fez parte
de sua atuação política a publicação de boletins do gênero.’


RUY CASTRO NA FSP
Luiz Fernando Vianna


Ruy Castro estréia como colunista da Folha amanhã


‘Ruy Castro é um carioca que nasceu em Caratinga (MG). Como outros mineiros,
gaúchos, franceses ou cipriotas, adotou o Rio como casa e causa. Para ele, o que
diferencia a cidade de qualquer outra do Brasil é não ser ‘um amontoado de gente
de todos os lugares’.


‘Aqui, as pessoas se misturam e se tornam cariocas. Elas adquirem uma visão
que é a soma de todas as partes’, afirma.


É essa visão, fortalecida por um dos textos mais saborosos do país, que
Castro mostrará a partir de amanhã na página A2 da Folha, na coluna ‘Rio’. Ele
escreverá às segundas e quartas-feiras e aos sábados, revezando-se com Carlos
Heitor Cony (terças, quintas e domingos) e Nelson Motta (sextas).


Nos dois primeiros artigos, homenageará Otto Lara Resende, que ocupou o mesmo
espaço em 1991 e 1992, e Cony.


‘É um rito de passagem necessário. Otto mudou a cara da coluna. Com o peso da
marca Otto Lara Resende, ele podia fazer coisas mais pessoais, até
confessionais. E Cony manteve a linha, alternando textos evocativos, líricos,
com análise da situação política, mas nunca do ponto de vista do comentarista
político profissional’, diz Castro, que pretende seguir o tom.


Ele estréia no dia em que completa 59 anos, e bem perto de completar 40 anos
de imprensa -foi em março de 1967 que ingressou no extinto ‘Correio da Manhã’.
Trabalhou em ‘O Pasquim’, ‘Manchete’, ‘Jornal do Brasil’, ‘O Globo’ e ‘O Estado
de S. Paulo’, entre outras publicações.


É sua terceira passagem pela Folha. Como repórter ou colaborador, escreveu no
jornal de 1983 a 87 e de 1993 a 96.


Risco e prazer


Mesmo quando morava em São Paulo, contribuía com personagens, temas e climas
cariocas. Na coluna, é provável que também forneça defesas do Rio contra a
imagem da cidade como um parque temático da violência. ‘O carioca sempre viveu
no limite entre o risco e o prazer, entre a dança e a morte, e fazendo de tudo
isso um carnaval no fogo, descalço em brasas’, diz ele.


‘Carnaval no Fogo’ (2003) é um de seus 11 livros de não-ficção, quase todos
best-sellers, quase todos editados pela Companhia das Letras. Exemplos: ‘Estrela
Solitária’, sobre Garrincha, vendeu 78 mil exemplares até hoje; ‘O Anjo
Pornográfico’, sobre Nelson Rodrigues, 72 mil; e ‘Chega de Saudade’, sobre a
bossa nova, 62 mil. Mas isto só no Brasil, já que há edições em outros países. A
biografia de Carmen Miranda (2005), por exemplo, começou agora em Portugal sua
carreira internacional.


Em junho sai mais um título: ‘Tempestade de Ritmos – Jazz e Música Popular no
Século 20’, coletânea de artigos publicados na imprensa.


Embora já tenha escrito três livros sobre a bossa nova, Castro não é daqueles
que idealizam os ‘anos dourados’, o final da década de 1950. Na verdade, seu
bordão atual é ‘nos anos dourados não tinha isso, não’. Refere-se, por exemplo,
ao número maior de ofertas culturais e à revitalização da Lapa.


Infância no Rio


Com tias no Rio, Castro passou boa parte da infância na cidade, mais
especificamente na Lapa e no Flamengo (zona sul).


Na juventude, enquanto estudava ciências sociais na UFRJ e começava no
jornalismo, morou no lendário Solar da Fossa, abrigo de Caetano Veloso, Paulinho
da Viola e outros -e onde hoje fica o shopping Rio Sul, em Botafogo. Nessa
época, conheceu os melhores boêmios e artistas da cidade.


A paixão pela cidade explica os cerca de 3.500 livros sobre o Rio que tem
numa só estante. É a sua ‘guanabarina’, diz, adaptando o termo ‘brasiliana’ dado
às coleções sobre o país.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Helena deve ficar com Clara em ‘Páginas’


‘Autor de ‘Páginas da Vida’, que acaba nesta sexta, Manoel Carlos decidiu
manter suspense sobre quem ficará com os gêmeos Clara (Joana Mocarzel) e
Francisco (Gabriel Kaufmann).


A Justiça dará a guarda de Francisco a seu pai, Léo (Thiago Rodrigues). Mas
nos bastidores da novela aposta-se em uma reviravolta: nas derradeiras cenas, o
menino deve optar pelo avô, Alex (Marcos Caruso).


Os textos já enviados por Manoel Carlos à produção indicam que a disputa
judicial pela guarda de Clara terá outro desfecho: Helena ganhará de Léo. No
tribunal, todos os argumentos de Léo e sua amada, Olívia (Ana Paula Arósio),
serão desmontados pela advogada de Helena, Tereza (Renata Sorrah).


Olívia acusará Helena de ‘deslize moral’, de ter ajudado a avó (Marta/Lília
Cabral) a encobrir uma grande mentira.


Tereza responderá dizendo que o processo de adoção de Clara foi legal e que
ninguém sabia quem era o pai dela. Uma vez que Clara foi rejeitada pela avó e o
pai abandonara a mãe, a adoção se tornara ‘indiscutível’, defenderá Tereza.


Para a atriz Regina Duarte, não faz sentido Clara ficar com Léo. ‘Acho que a
Helena tem que ficar com a Clarinha de qualquer maneira. Ela se preocupa, educa,
ama, cerca a filha de todos os cuidados. Mais do que conviver com pessoas do
mesmo sangue, acho que a qualidade da educação de quem adota é que importa’,
afirma.


FÓRMULA FEMININA 1 A Globo vai dar um toque feminino às suas transmissões de
Fórmula 1. Numa decisão inédita, escalou a repórter Mariana Becker (que
eventualmente apresenta o bloco esportivo do ‘Bom Dia Brasil’) para cobrir
algumas corridas de 2007.


FÓRMULA FEMININA 2Será, por enquanto, apenas um teste. Mariana dividirá a
reportagem dos GPs com o jornalista Carlos Gil. E Pedro Bassan, repórter de F1
nos últimos anos e agora correspondente na China, cobrirá os três primeiros GPs.
Só depois ele passará o posto para Gil e Mariana.


OLHO NO OLHOO ator Felipe Folgosi (ex-Globo e SBT) foi contratado pela
Record. Fará ‘Caminhos do Coração’, de Tiago Santiago, substituta de ‘Vidas
Opostas’.


EFEITO NATURALA Globo promete uma abertura sem efeitos especiais para
‘Paraíso Tropical’, que substitui ‘Páginas da Vida’ no dia 5. A vinheta terá
imagens aéreas de Copacabana, onde a trama será ambientada. O vôo, de
helicóptero, começa em um trecho de mata atlântica próximo do bairro. O
telespectador terá a sensação de que está vendo uma ilha tropical, que de
repente vira cidade.


MPB TOTALA música de abertura de ‘Paraíso Tropical’ será ‘Sábado em
Copacabana’, na voz de Maria Bethânia. E estarão na trilha Simone, Danilo e Nana
Caymmi, Ana Carolina, Marina, Elis Regina, Martinália, Nando Reis, Bebel
Gilberto e Cazuza, Chico Buarque e Erasmo Carlos, Caetano Veloso, Gal Costa e
Milton Nascimento.’


Bia Abramo


Abusada, Monique Evans salva Rede TV!


‘E VIVA a falta de senso de noção de Monique Evans! Carnaval sem suas
apalpadelas por cima de sutiãs de biquíni e por baixo de saiotes diminutos de
travestis, transgêneros, transexuais e outras modalidades sexuais que pululam na
entrada do Baile Gay (antigo Gala Gay) não é Carnaval.


Foi, digamos, o que se salvou da tentativa capenga da Rede TV! de fazer uma
‘grande’ cobertura a partir dos bastidores. Saiu o anárquico pessoal do ‘Pânico
na TV!’, entrou um verniz de profissionalismo e a ajuda de colaboradores
‘insiders’ (como a drag queen Léo Áquila), mas não adiantou muito.


O grande trunfo da emissora, a sempre interessante entrada do baile do Scala
na terça-feira de Carnaval, transformou-se numa mixórdia de entrevistas
repetidas (às vezes, mais de uma vez), falta de timing e farpas trocadas no ar
pelas duas estrelas da cobertura, Evans e Áquila.


Monique é das antigas -abusada, détraquée, indisciplinada- e trata seus
entrevistados com intimidade e irreverência no limite do invasivo. Léo é
politicamente correta e obediente, embora tenha uma certa verve para conduzir
entrevistas com seus pares. Um absurdo casal formado por um mexicano de mentira
e uma peituda ainda mais falsa, mais um repórter, uhn, normal também estavam no
jogo e disputavam mais ou menos os mesmos personagens.


No estúdio, Nelson Rubens ‘ancorava’ a mixórdia e chamava o queridinho da
emissora, Ronaldo Ésper, para comentar, por assim dizer, as fantasias.
Basicamente, era muita gente para um assunto que é sempre o mesmo -é verdadeiro
ou falso? O que se revela e o que se esconde? Onde começa e onde acaba?


E, justamente por isso, Monique, debochada, mas, por alguma razão,
extremamente empática com seus entrevistados, é quem toca, literalmente, melhor
no tema.


Uma (última) palavra sobre ‘Páginas da Vida’: às vésperas do final, uma
eficiente assessoria de imprensa informa que: a) um novo personagem infantil
entra na novela; b) um outro personagem morre num ataque a um ônibus,
‘inspirado’ por episódios semelhantes ocorridos recentemente no Rio; c) a novela
foi o programa mais visto em fevereiro.


Duas conclusões emergem desse conjunto de fatos: que a narrativa da novela,
por si só, mostrou-se incapaz de criar expectativa (do tipo quem vai ficar com
quem, quem matou quem, qual é a punição para o mau etc.) e que, apesar desse
afrouxamento geral de qualidade, a novelona das oito que passa às nove é bom
negócio para os anunciantes.


Sinal de que a Globo não vai mexer na fórmula tão cedo.’


Cássio Starling Carlos


Série engrena ao assumir modelo de HQ


‘A estréia de ‘Heroes’ nos EUA foi cercada de ‘hype’ midiático, com o óbvio
objetivo de provocar um culto como o de ‘Lost’. Cada um usa as armas que tem,
mas o episódio-piloto de ‘Heroes’ não chega a entusiasmar. A armadura encontrada
por seus criadores é demasiado rígida para apresentar e suprir com coerência o
grande número de personagens e situações do primeiro episódio. Falta um elemento
catalisador intenso como o acidente aéreo de ‘Lost’.


Só a partir do segundo episódio as histórias paralelas ganham fôlego,
sobretudo quando a série recorre ao sempre eficaz ‘cliffhanger’ (gancho),
deixando o espectador em suspenso ao final, e assume a influência das HQs no
divertido personagem Hiro. A fórmula é uma mistura de ‘24 Horas’ (no ritmo e na
sucessão de viradas dramáticas) e ‘X-Men’ (cada protagonista descobre aos poucos
os seus poderes e começa a enfrentar os inimigos).


Enquanto os sobreviventes de ‘Lost’ se envolvem em mistérios cada vez mais
incríveis, conduzindo a série para o atual beco sem saída da terceira temporada,
os super-humanos de ‘Heroes’ já começam a se confrontar com perigos mais reais e
imediatos, desde uma catástrofe nuclear até um prosaico casamento em crise.


Transferir os confrontos de um espaço além da imaginação ao mundo em que
vivemos talvez seja o verdadeiro superpoder de ‘Heroes’ no combate pela
audiência. Mas terão seus personagens força para sobreviver aos muitos
superburacos do roteiro? Isso só o controle remoto dirá.


HEROES, Quando: sexta, dia 2, às 21h, Onde: Universal Channel’


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