Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 3 E 4/5

Folha de S. Paulo

06/05/2008 na edição 484

CASO ISABELLA
Mario Cesar Carvalho

Marketing da morte

‘QUALQUER QUE seja o desfecho do caso Isabella, o maior derrotado dessa tragédia é a polícia. Não por causa da investigação, de qualidade sofrível, como é a regra no Brasil. Mas por ter embarcado no marketing da morte, por ter alimentado o circo da mídia na tentativa de polir a sua imagem, marcada por acusações de extorsão e violência.

Ao jogar no lixo a discrição e a prudência que devem acompanhar qualquer apuração de homicídio (nem precisa ser de uma criança), a polícia paulista agiu como um vingador barato: fez justiça com as próprias mãos ao condenar, na prática, o pai e a madrasta da menina.

Não é essa a função da polícia nas democracias. Polícias eficientes são sempre discretas. O exemplo clássico é a Scotland Yard britânica, instituição na qual a fleuma virou até motivo de piadas.

O comedimento policial tem uma razão estratégica (a exposição excessiva prejudica a investigação) e um sentido jurídico (a polícia pode errar, o que ocorre com uma freqüência mais do que tolerável). Estridência policial tem outras motivações. Serve para tentar encobrir ineficiência, para pressionar os investigados a confessar algo que a polícia não consegue provar, para inflar o ego dos policiais e para tentar melhorar a imagem da corporação. A idéia por trás dessa ação é simplória: vamos mostrar trabalho para as pessoas esquecerem que polícia é um poço de ineficiência e de corrupção.

Não deixa de ser curioso que o único político a reclamar da ‘pirotecnia’ da polícia tenha sido o presidente Lula, beneficiário indireto da força mais marqueteira do país, a Polícia Federal e suas ações hollywoodianas.

O silêncio do PSDB paulista sobre a questão, porém, parece mais prenhe de sentidos do que o pito de Lula. Os tucanos governam São Paulo há 14 anos. Nesse período, o número de homicídios no Estado caiu mais de 60% (um mérito, ao menos parcial, da polícia), mas a corrupção ganhou uma escala industrial inusitada -num único caso, do traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía, há relatos de que policiais civis teriam arrancado dele quase R$ 2 milhões para não prendê-lo. Nenhum policial foi punido até agora.

O caso Isabella revela que o descontrole da polícia é maior do que os especialistas imaginam. Os delegados, com o silêncio do governo Serra, jogaram com os mais baixos instintos da população para parecerem os heróis que vão acabar com a impunidade. Inventaram uma nova categoria de heróis -os heróis do linchamento.

É óbvio que não se constrói uma cena dessas sem a ajuda, ou o silêncio, da TV, das rádios e dos jornais. Se o caso Isabella fosse um julgamento, polícia e mídia deveriam estar juntinhas no banco dos réus.

MARIO CESAR CARVALHO é repórter especial’

 

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Henrique Carlos Gonçalves, Marilena Lazzarini e Ronaldo Laranjeira

O desespero do lobby da cerveja

‘A CÂMARA dos Deputados votará em breve projeto de lei do Executivo que proíbe a veiculação de propagandas de cerveja nos meios de comunicação antes das 21h.

É uma medida branda, bem distante da proibição total da propaganda de bebidas alcoólicas defendida pelo Movimento Propaganda Sem Bebida, que reúne mais de 300 organizações da sociedade civil, entre entidades médicas, ONGs que trabalham com dependência química e saúde mental, igrejas, universidades, sindicatos, conselhos profissionais, conselhos municipais de políticas públicas de álcool e drogas, serviços de saúde e órgãos de defesa do consumidor.

Cerca de 70% da população brasileira, conforme pesquisa da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas), também aprova a proibição da propaganda de cerveja e outras bebidas nos meios de comunicação.

Pela atual legislação, a propaganda de cerveja tem tratamento privilegiado em relação aos comerciais de bebidas destiladas, que, desde 1996, são proibidos na televisão antes das 21h.

É preciso corrigir essa anomalia legal. Para a saúde, muito mais significativa que a gradação alcoólica é a quantidade consumida. Recente pesquisa revelou que, entre os brasileiros que têm uma relação problemática com o álcool, a cerveja representa 73% das doses ingeridas.

O uso de álcool, turbinado pela propaganda de cerveja, é um dos mais graves problemas de saúde e segurança pública no Brasil.

É responsável por mais de 10% de todos os casos de adoecimento e morte. Segundo o Denatran, mais de 50% dos acidentes de trânsito fatais estão relacionados ao consumo de álcool, que está também ligado a abandono de crianças, homicídios, delinqüência, violência doméstica e abusos sexuais. A presença do álcool é detectada em 70% dos laudos cadavéricos de mortes violentas, a maioria jovens.

O consumo abusivo de álcool custa caro à sociedade e ao Sistema Único de Saúde, em tratamento de doenças, atendimentos em prontos-socorros, internações psiquiátricas, faltas no trabalho, além dos custos humanos com a diminuição da qualidade de vida dos usuários e de seus familiares.

Atualmente, mais de 10% dos brasileiros podem ser considerados dependentes do álcool. E o mais alarmante: diversos estudos confirmam que a idade com que adolescentes começam a beber está caindo no Brasil, e a freqüência, aumentando.

Por não ser regulada -as propostas de auto-regulação são risíveis-, a propaganda de cerveja dirige-se ostensivamente aos jovens, valoriza o consumo em grandes quantidades e o associa ao bom êxito social e sexual.

A penetração da publicidade no mundo das crianças e dos adolescentes, sua receptividade e recordação estão ligadas à iniciação do consumo.

A propaganda de cerveja é ato puramente comercial, tem a função exclusiva de venda e, por isso, não é razoável reduzi-la, como defendem alguns, a simples expressão do livre pensamento. Como fez acertadamente o Parlamento brasileiro ao proibir a propaganda de cigarro, isso não significa censura ou qualquer outra forma de atentado ao Estado democrático de Direito.

A publicidade é lícita, mas não configura, por óbvio, direito absoluto. É, aliás, a própria Constituição Federal brasileira que admite a restrição da propaganda de bebidas alcoólicas, entre outros produtos com potencial lesivo à saúde e ao meio ambiente. Por isso, pedimos aos senhores deputados federais que não se deixem levar somente pela campanha desesperada e pelo lobby agressivo da indústria da cerveja, das grandes emissoras de TV e das agências de publicidade. Afinal, estão movidos unicamente pelo temor da queda de faturamento e pela perda de parte da capacidade de convencer novos consumidores. Fiquem conosco, com a saúde e a vida de nossos jovens.

HENRIQUE CARLOS GONÇALVES, 60, é médico pediatra e presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.

MARILENA LAZZARINI, 59, é coordenadora-executiva do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e ex-presidente da Consumers International.

RONALDO LARANJEIRA, 51, é médico psiquiatra, professor e coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).’

 

GOVERNO
Daniel Castro

Ministro leva 5 assessores e sogros a feira de TV nos EUA

‘O ministro das Comunicações, Hélio Costa, levou a mulher, cinco assessores e os sogros a uma feira de televisão em Las Vegas (EUA), a NAB 2008, no mês passado. O ministro e os assessores tiveram suas despesas pagas pelo governo -foram R$ 83.500 em diárias e passagens. O governo enviou ainda um assessor técnico do Ministério do Desenvolvimento.

O sogro, Silvério Galvão, e a sogra, Rhamanita Xavier, viajaram em um pacote promocional da Aesp (Associação das Emissoras de Rádio e Televisão de São Paulo), a ‘sucursal paulista’ da Abert (a associação nacional dos radiodifusores).

Os pacotes eram exclusivos para emissoras de rádio e custaram cada um entre R$ 2.700 e R$ 4.000, segundo a Aesp. O ministro e seus assessores gastaram em média R$ 14 mil cada um com diárias e passagens.

O pacote da Aesp dava direito a passagens de classe econômica pela Delta Airlines e cinco diárias (de 13 a 17 de abril) no hotel e cassino Planet Hollywood. A Aesp divulgou que levou 353 pessoas à NAB 2008.

Reservadamente, radiodifusores ouvidos pela Folha afirmam que a Aesp pagou passagens e estadias dos sogros de Hélio Costa, como uma compensação pelo fato de o ministro ter prestigiado eventos da entidade em Las Vegas.

A Aesp negou que tenha pago as despesas de Rhamanita Xavier, mãe da mulher do ministro, Ana Carolina Xavier Costa, e de Silvério Galvão, padrasto dela. Confirmou apenas ter custeado as despesas de ‘12 ou 14’ deputados federais, segundo seu presidente, Edilberto de Paula Ribeiro. Em nota, o ministério afirmou que as despesas de Rhamanita e Galvão foram custeadas pelo casal.

Ribeiro admitiu que, embora os sogros de Hélio Costa não sejam radiodifusores, eles viajaram na quota de uma rádio de Minas Gerais (ele não informou qual). Segundo ele, cada emissora tem direito a quatro pacotes. ‘Alguma emissora os inscreveu’, afirmou.

A funcionária da agência de viagens (Advance) que negociou os pacotes da Aesp disse que só intermediou a operação e que não sabe quem pagou o quê. Ribeiro, da Aesp, sustenta que os sogros de Costa pagaram diretamente à entidade.

Perguntado se teria como comprovar o pagamento das despesas por parte dos sogros, o presidente da Aesp afirmou: ‘Onde vocês querem chegar? Querem entrar na contabilidade de uma entidade de classe que tem 75 anos?’

Ribeiro diz não ver nenhum problema ético em parentes do ministro das Comunicações tirarem proveito de benefícios de uma entidade de radiodifusores. ‘Eu, por exemplo, levei meu sogro e minha sogra também. É um direito meu. Tenho direito a quatro pacotes, estou pagando por isso.’

Assessores

Quase toda a cúpula do ministério foi à NAB, promovida pela National Association of Broadcasters, a Abert dos EUA. Dos três secretários, apenas o executivo não foi. Viajaram os secretários de Telecomunicações (Roberto Pinto Martins) e de Comunicação Eletrônica (Zilda Beatriz Silva de Campos Abreu), o consultor jurídico (Marcelo Bechara), o diretor de outorgas (Carlos Alberto Freire Resende) e o assistente Edno Fernandes Aguiar.

Radiodifusores ouvidos pela Folha dizem que Edno Aguiar foi visto em Las Vegas atuando como motorista dos sogros, que são pessoas idosas.’

 

Foi preciso levar comitiva técnica, diz ministério

‘A assessoria de imprensa do Ministério das Comunicações afirmou, via e-mail, que ‘todas as despesas de passagens e diárias’ da viagem à NAB 2008, em Las Vegas, ‘foram exclusivamente por conta do sr. Silvério Galvão e da sra. Rhamanita Xavier’, sogros do ministro.

O ministério afirmou que Costa e os cinco assessores gastaram R$ 22,6 mil com diárias e R$ 60,9 mil com passagens. ‘Lembramos que uma despesa como esta é excepcional, ocorrendo uma vez apenas neste ano, e que não se repetirá em nenhum outro evento.’ A assessoria atribui a viagem dos assessores à importância da NAB. ‘A NAB é o principal evento anual dos setores de radiodifusão e telecomunicações do mundo. O governo fez apresentações e contatos sobre os principais programas da área, sobretudo rádio e TV digital, buscando assim gerar novas oportunidades, parcerias e negócios para o país.’

‘Foram negociados na feira mais de US$ 50 bilhões. Pela primeira vez, o Brasil teve um estande com a participação de empresas brasileiras. Só do pólo de Santa Rita de Sapucaí (MG), foram pelo menos dez empresas. Por isso houve a necessidade de levar a comitiva técnica do ministério e também para que eles entrassem em contato com o que há de mais moderno e atual no setor’, afirma.

O ministério nega que o assistente Edno Aguiar tenha atuado como motorista dos sogros de Costa. Diz que ele é ‘técnico de informática’ e viajou porque ‘acompanha um dos principais projetos da pasta, o Cidades Digitais’.’

 

CUBA
Folha de S. Paulo

Computador chega às lojas por US$ 780

‘O governo de Cuba, que em março liberou a venda de produtos eletrônicos, colocou ontem computadores nas lojas pela primeira vez. O chinês Qtech -com monitor, teclado e mouse- custa US$ 780 (R$ 1.300) e tem sistema operacional da Microsoft (provavelmente pirateado, já que empresas americanas não podem fazer negócios com a ilha).

Com salário médio equivalente a US$ 19,50, poucos cubanos podem pagar por ele, mas muitos foram conhecer a novidade. O produto estava em falta quando a venda foi liberada. Brian Brito economizou dois anos para se presentear no seu 15º aniversário. ‘É bom para jogar.’’

 

PROPAGANDA
Peter Eisler

Pentágono lança ofensiva na internet

‘DO ‘USA TODAY’ – O Departamento da Defesa dos EUA está criando uma rede de sites de notícias em línguas estrangeiras e contratando jornalistas locais para escrever sobre os acontecimentos correntes e produzir outras formas de conteúdo que promovam seus interesses e contrabalancem a mensagem de extremistas. Os sites noticiosos foram inspirados em iniciativa semelhante desenvolvida no passado visando os Bálcãs e o norte da África e são parte de uma ação do Pentágono para expandir as ‘operações de informações’ na internet.

A iniciativa não foi revelada publicamente. No caso do iraquiano Mawtani.com, no ar desde outubro, só um link no pé da página revela o patrocínio do Pentágono. À primeira vista, parece um site convencional. Grupos de defesa da liberdade de imprensa dizem que os sites são enganosos e podem facilmente ser confundidos com noticiários independentes.

‘O que eles estão tentando é controlar a mensagem, contornando a mídia e apresentando a versão deles diretamente aos usuários; é uma responsabilidade séria informar as pessoas qual é a fonte dessas notícias’, diz Amy Mitchell, diretora-assistente do Projeto de Excelência em Jornalismo.

Funcionários do Pentágono dizem que os sites são uma forma legítima e necessária de promover os objetivos políticos dos EUA e rebater as mensagens dos extremistas religiosos e políticos. Eles afirmam ainda que os EUA e seus aliados têm sido superados na batalha por levar informações a audiências do Iraque e outros países.

‘É importante conquistar a atenção dessas audiências estrangeiras e informá-las’, disse Michael Vickers, secretário-assistente de Defesa para operações especiais e esforços de estabilização.

‘Nossos adversários usam a internet em benefício próprio, de modo que temos a responsabilidade de rebater suas mensagens com informações precisas e verossímeis.’

América Latina

O Comando Sul das Forças Armadas norte-americanas está criando um site semelhante ao mawtani.com para as audiências latino-americanas. O Comando do Pacífico, que cobre a região asiática, também está interessado em estabelecer um site noticioso, segundo um porta-voz da Marinha.

Em memorando distribuído em meados de 2007, o secretário-assistente da Defesa Gordon England informou todos os comandantes regionais de que o desenvolvimento de sites como esses era ‘parte essencial da responsabilidade ao formular um ambiente de segurança em suas respectivas áreas’.

O conteúdo dos sites noticiosos é redigido por jornalistas locais contratados para escrever reportagens que se enquadrem aos objetivos do Pentágono. Militares ou empresas terceirizadas revisam as matérias para garantir que sejam compatíveis com esses objetivos. Os repórteres só são pagos por trabalhos postados nos sites.

Os sites noticiosos se seguem ao lançamento no ano passado, pelo Pentágono, de uma ‘iniciativa transregional’, com o objetivo de criar ‘um mínimo de seis’ sites noticiosos dirigidos pelos comandos militares dos EUA, segundo notificação do Comando de Operações Especiais a empresas interessadas em operar esses sites.

‘Os jovens nas ruas gostam da internet, e essa é a maneira pela qual eles se comunicam, sabem do que acontece no mundo, se mantêm informados. E eles escolhem com cuidado as fontes de notícias que usam’, disse o coronel Jerry O’Hara, do Exército. ‘Temos de estar envolvidos nisso a fim de garantir comunicação efetiva.’

‘Isso é deliberadamente enganoso e debilita a imagem do jornalismo como observador objetivo’, rebate Marvin Kalb, pesquisador do Centro Joan Sorensen de Imprensa, Política e Questões Públicas na Universidade Harvard. Ele aponta que boa parte da audiência que o Pentágono visa atingir vive em regiões do mundo onde as pessoas esperam que as notícias sejam controladas pelo governo. ‘Somos a exceção, e, infelizmente, tornamo-nos cada vez mais parecidos com o resto do mundo quando agimos assim’.

Tradução de PAULO MIGLIACCI’

 

TECNOLOGIA
Folha de S. Paulo

Microsoft eleva oferta pelo Yahoo!, diz ‘NYT’

‘A Microsoft retomou as negociações com o Yahoo! e aumentou a sua oferta pela concorrente em ‘vários dólares’ por ação, de acordo com o ‘New York Times’, mas o negócio não deveria ser fechado ontem.

Nos últimos dias, ainda segundo o jornal, a Microsoft estudava a possibilidade de aumentar a sua oferta, atualmente avaliada em US$ 29,30 por ação, para até US$ 33. Alguns acionistas do Yahoo! já sinalizaram que desejam pelo menos US$ 35. Cada dólar que a Microsoft oferece a mais pela rival significa um acréscimo de US$ 1,4 bilhão no valor final da transação, de acordo com o ‘Wall Street Journal’.

Com a possibilidade de avanço nas negociações, as ações do Yahoo! subiram 6,9% ontem, para US$ 28,67. Já os papéis da Microsoft caíram 0,54%, para US$ 29,24.

Os dois lados já vinham mantendo contato durante esta semana, mas as negociações não avançaram em relação ao preço a ser pago pelo Yahoo!. Apesar de no último sábado ter expirado o prazo estabelecido pela Microsoft para que a diretoria do Yahoo! aceitasse a proposta inicial, a empresa esteve relutante em fazer uma oferta diretamente aos acionistas.

Anteontem, entretanto, a Microsoft deu sinais de que poderia ignorar a recusa da diretoria do Yahoo! e fazer a oferta aos acionistas. Agora, fontes próximas às duas empresas indicam que há uma tentativa de chegar a um acordo amigável.

Também anteontem, o executivo-chefe da Microsoft, Steve Ballmer, afirmou a seus funcionários que não pagará ‘um centavo a mais’ do que acredita valer o Yahoo! e que o próximo passo da empresa para adquirir o grupo de serviços de internet será divulgado em breve

‘Temos, basicamente, três grandes opções na nossa frente’, afirmou Ballmer, ressaltando que ‘há o acordo amistoso, o acordo hostil e o terceiro caminho, que é, simplesmente, nós nos desentendermos’.

Em entrevista, Ballmer afirmou que está confiante de que sua empresa pode desenvolver um negócio competitivo na área de publicidade on-line sem comprar o Yahoo!, mesmo que demore mais tempo.

As negociações entre as duas empresas se arrastam desde o início de fevereiro, quando a empresa de Ballmer e de Bill Gates fez uma proposta de US$ 44,6 bilhões, que foi recusada pelo Yahoo!.’

 

FUTEBOL
Rodrigo Mattos

Cade vai rever acordo de TV, mas C13 ignora

‘A SDE (Secretaria de Direito Econômico) condenou o modelo de contrato de direitos de transmissão de TV do Brasileiro, firmado entre Globo e Clube dos 13, desde 1997 a 2008. Seu parecer diz que há cláusulas que prejudicam a concorrência.

O caso será julgado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que pode proibir condições favoráveis ao monopólio em novos contratos e multar a Globo e o C13.

Só que a emissora e a entidade já fecharam o novo acordo do Brasileiro para TV aberta que valerá de 2009 a 2011 -faltam as assinaturas. E são mantidas duas condições condenadas pelo parecer do governo.

As partes não planejam mudanças. E o C13 entende que, quando o contrato for registrado, não poderá ser alterado.

A SDE pediu a proibição da cláusula de preferência dos contratos do Nacional. Nela, a Globo tem direito de adquirir o Brasileiro se igualar a propostas de concorrentes. E obriga o C13 a dar prazos para a emissora carioca cobrir essas ofertas.

O órgão diz que essa cláusula bloqueou a participação de concorrentes nos direitos de TV. E o parecer indica que a emissora carioca participou da elaboração dos contratos, abusando de posição dominante.

Por isso, Globo e C13 são condenados por infração à ordem econômica. A primeira pode ser condenada a multa entre 1% e 30% de seu faturamento anual, que chega a R$ 6,5 bilhões. E a entidade desportiva pode levar uma multa entre R$ 6.000 e R$ 6 milhões.

‘Parecer é opinião. Temos opinião diversa. O Cade vai decidir’, afirmou o advogado do C13, Celso Rodrigues, que defende a cláusula de preferência como comum em contratos.

No processo administrativo, sobre a preferência, a Globo alega que o direito antitruste aceita condutas para proteger empresas. O executivo da Globo Esporte Marcelo Campos Pinto foi procurado, mas seu celular estava desligado.

Assim, Globo e C13 mantiveram a cláusula de preferência no contrato do Brasileiro de 2009 a 2011, já fechado. Esse foi o principal motivo para a Record ter desistido de concorrer.

A SDE ainda recomendou mudança no formato de venda de jogos do Brasileiro. Quer dois pacotes: um com jogos nas quartas-feiras e nos domingos, e outro nas quintas-feiras e nos sábados. Mas uma emissora pode comprar ambos, desde que transmita todos ou os repasse.

O novo contrato do Nacional mantém formato do anterior, só com jogos nas quartas e nos domingos. ‘Se uma emissora pode comprar dois pacotes, como estaria rompendo possível monopólio?’, disse Rodrigues.

O SDE ainda condenou a venda casada de todos os direitos do Brasileiro, incluindo TV aberta e fechada, mas o C13 já separou esses direitos.’

 

LIVROS
Marco Aurélio Canônico

Livro traz a diversidade das assinaturas de Millôr

‘A história é conhecida: Millôr, na verdade, é Milton -ou pelo menos o foi até os 17 anos, quando bateu o olho na certidão de nascimento e viu que, na caligrafia do escrivão, aquele ‘t’ mal cortado mais parecia um ‘l’ com acento ao lado, e o ‘n’ lembrava muito um ‘r’.

Foi como Millôr que este Fernandes assinou ao longo de sua prolífica carreira (de desenhista, jornalista, escritor, tradutor), e é de suas assinaturas que trata o livro ‘Um Nome a Zelar’, que está sendo lançado pela editora Desiderata.

Não se está falando aqui de um simples rabisco em papel, é claro. Como escreve o jornalista Mario Sergio Conti no prefácio da obra, ‘a gracinha com o nome não parou na criação do prenome. Ao longo de 70 anos, Millôr reescreveu, redesenhou, repintou, remontou e regravou o nome milhares de vezes.’

Cada assinatura de Millôr é uma invenção gráfica e uma demonstração de seu traço peculiar. Muitas vêm com piadas; outras, com referências a artistas célebres. Há até braile e linguagem de sinais.

A Folha tentou falar com Millôr por e-mail, mas o artista, notoriamente avesso a entrevistas (‘Não gosto de entrevistas. Ponto’, foi uma de suas respostas), não se alongou ao escrever de volta.

A exceção foi quando a reportagem perguntou do que, além de sua própria produção, Millôr assinaria embaixo. ‘Em qualquer afirmativa do Lula. Não é assim que faz a maior parte do povo brasileiro? Ou você duvida de estatísticas? Ou duvida do povo brasileiro?’, respondeu.

Sobre a singularidade de seu nome -no prefácio, ele corrige Conti, que o cita como ‘único’ Millôr do país-, o artista diz que existem oito homônimos e que chegou a conhecer um deles, ‘Millôr Duval’. E, como lembra no livro, na Catalunha seu nome é corriqueiro: lá, ‘millor’ é ‘melhor’.

UM NOME A ZELAR

Autor: Millôr Fernandes

Editora: Desiderata

Quanto: R$ 49,90 (112 págs.)’

 

Marcelo Pen

MPB e violência marcam nova obra de Molica

‘Em uma madrugada brumosa de fim de setembro, o corpo despedaçado de uma mulher jaz em um saco, junto à pedra que liga as praias do Arpoador e do Diabo, no Rio de Janeiro. Observam-no cinco pessoas: o viúvo, dois policiais, um fotógrafo e o repórter Ricardo Menezes, protagonista de ‘O Ponto da Partida’, novo romance do jornalista e escritor Fernando Molica.

Enquanto espera a remoção do cadáver, Ricardo lembra histórias de outra época, aparentemente mais amena, quando ‘repórter não precisava escrever’. Com a lembrança desses casos folclóricos, ele procura amenizar a barbaridade do crime atual. Mas o refrigério não chega. Talvez porque a causa não esteja tanto na grotesca visão do corpo esquartejado nem na proximidade do viúvo tomado pela dor. A bruma que descera sobre a paisagem carioca expressa menos o estado de descompasso social, cujos resultados explodem no fim do romance do que a ambigüidade essencial do protagonista.

Com efeito o assassinato, em sua violência, não tem ligação aparente com crimes oriundos de uma idéia de conflito social.

Por que uma mulher de 50 e poucos anos, com três filhos e um neto, moradora do Botafogo, seria morta e retalhada com extremo de crueldade? Por que nenhum dos filhos foi velá-la?

Por que o cadáver se mostra acéfalo -o que fez o viúvo reconhecer a esposa pelas roupas que ela vestia?

O significado latente dessas perguntas está em Ricardo. Separado da mulher, uma advogada corrupta, há cerca de 15 anos, ele nunca recompôs a vida. Não permite laços afetivos de nenhuma ordem. Encontra-se relutantemente com os filhos (descritos como estragados pela mãe) uma vez por mês, em reuniões que terminam em briga. Tem o hábito de esconjurar a influência da ex-mulher por meio de mandingas pueris.

Se Ricardo não é o assassino do Arpoador, liga-se a ele por elos profundos, inconscientes.

Como ele mesmo diz, ‘livrar-se da Adélia estava na ordem do dia’; um banimento que ele classifica como ‘cruel’ e que naturalmente constituía em ‘cortar’ os laços com a ex-mulher. Ricardo é um monstro de egoísmo, e seu isolacionismo bairrista reflete sua incapacidade de admitir o outro. Escritor hábil, Molica infelizmente não explora a fundo essas ambigüidades. Redime de certo modo seu personagem ao sublinhar sua devoção a antigos ícones da MPB (deuses intocáveis) e ao esboçar uma tentativa de redenção final que não digere as contradições.

Trata-se de uma contradição que só se exacerba pelo fato de ele buscar reconciliar-se com os filhos justamente quando, com o sol dissipando as névoas, o Rio mergulha no que parece ser o prelúdio da temida e não esconjurável guerra civil.

O PONTO DA PARTIDA

Autor: Fernando Molica

Editora: Record

Quanto: R$ 32 (192 págs.)

Avaliação: regular’

 

Oscar Pilagallo

Esboço biográfico joga luz sobre história de Raúl Castro

‘Raúl Castro, o novo líder de Cuba, ainda é um desconhecido. Embora observadores mais atentos estejam cientes de que se trata de um político pragmático, com talento para a administração, a biografia do irmão do líder Fidel Castro é, em grande parte, ignorada.

Poucos sabem que se trata de um homem que contemporiza diante de decisões desagradáveis, depende psicologicamente da aprovação de terceiros e é avesso a leituras. Ou que, inseguro desde a juventude (chegou a treinar como toureiro para melhorar a autoconfiança), tornou-se alcoólatra (ainda não recuperado).

Esse perfil de Raúl, que completa 77 anos em um mês, foi traçado por Brian Latell em ‘Cuba sem Fidel’. Ex-agente da CIA, Latell tem autoridade. Foi o responsável por corrigir um erro de avaliação do governo americano, que o subestimava.

Apesar do que o título sugere, o livro não é principalmente sobre Raúl. Fidel merece bem mais espaço. Mas o revolucionário histórico é conhecido de todos, e Latell, que cita extensivamente a entrevista que Fidel concedeu a Frei Betto em 1985, não apresenta novidade. Assim, a obra vale pelo esboço biográfico de quem, a partir de agora, dá as cartas na ilha.

Raúl é retratado em dois momentos. Nos primeiros tempos da revolução, quando ostentava um longo rabo-de-cavalo que lhe valeu o apelido de El Chino, militava na linha-dura.

Era também chamado de ‘Robespierre de Cuba’, referência ao terror jacobino que espalhou com muitas execuções no país. Nessa época, empurrado por Fidel, aproximou-se de Moscou. Apreciava a cultura soviética a ponto de manter em seu gabinete suvenires do país que sustentaria Cuba.

Mas esse é o Raúl do passado. Mais útil é conhecer o Raúl de hoje. Sua base são as Forças Armadas, a instituição cubana mais bem preparada, em parte pela meritocracia que Raúl, enquanto ministro da Defesa, fez prevalecer nas promoções.

Futuro

O que esperar de seu governo? Na economia, uma abertura já em curso, tendo como modelo a China. Na política, a manutenção da ditadura comunista (Latell vislumbra a possibilidade da eleição de um presidente civil, mas esse fato isolado pouco significaria). Na diplomacia, Raúl deve tentar aproximação com os Estados Unidos. Evidência disso, argumenta o autor, é o fato de, enquanto ministro, ter aprovado o uso da base de Guantánamo pelos EUA para receber suspeitos de terrorismo.

Para Latell, o futuro de Raúl dependerá de como ele lidar com a sociedade civil. ‘Ele terá de adotar medidas palpáveis a fim de aplacar o descontentamento geral e elevar o padrão de vida das massas, sem, no entanto, abrir as válvulas de forma muito exagerada ou muito precipitada.’

Apesar do posfácio escrito em fins de 2007, ‘Cuba sem Fidel’ tem, aqui e ali, informações defasadas, um defeito menor diante da lacuna que preenche.

OSCAR PILAGALLO é jornalista e autor de ‘A História do Brasil no Século 20’ (em cinco volumes, pela Publifolha).

CUBA SEM FIDEL

Autor: Brian Latell

Tradução: Jorge F. Soares

Editora: Novo Conceito

Quanto: R$ 39,90 (346 págs.)

Avaliação: bom’

 

***

Compilação funciona como aula de reportagem

‘O escritor Charles Dickens, certo dia em 1845, decidiu assistir a uma execução na guilhotina em Roma. Logo que a cabeça rolou, ‘o carrasco já a segurava pelos cabelos, mostrando-a às pessoas, antes que se soubesse exatamente que a lâmina caíra com todo peso e um barulho de chocalho’.

Em 1982, Robert Fisk entrou no campo de refugiados palestinos de Chatila após o massacre promovido pela direita cristã. Havia crianças entre as vítimas. Ele vê uma menina. ‘Tinha os cabelos curtos e cacheados, e o olhar carrancudo nos fitava. Estava morta.’ Dickens abre e Fisk (com outro texto) fecha a coletânea ‘O Grande Livro do Jornalismo’.

São exemplos de ‘relatos objetivos, mas apresentados de uma forma muito particular’, na definição de boa reportagem de Jon Lewis, o organizador. Há uma outra execução no livro, a da espiã Mata Hari, em 1917, que, segundo Henry Wales, ‘morreu encarando literalmente a morte, pois recusou ter os olhos vendados’.

A predominância, no entanto, é de relatos de guerras, o que é natural, uma vez que são matéria-prima por excelência da reportagem. A do Vietnã é vista por Michel Herr, que seria o responsável pelo argumento de ‘Apocalypse Now’. Ele entrevista um piloto de helicóptero: ‘Vietnã, cara, a gente bombardeia e dá comida, bombardeia e dá comida’.

O livro é um mosaico. A feminista Gloria Steinem conta sua experiência como coelhinha da ‘Playboy’; Jack London perambula por uma São Francisco arrasada pelo terremoto de 1906 (‘Só uma vez o sol rompeu a mortalha da fumaça, vermelho-sangue e com um quarto do seu tamanho normal’); Maureen Cleave ouve de John Lennon que os Beatles são mais populares do que Cristo.

E há os grandes nomes: John Reed, Dorothy Parker, John Steinbeck e George Orwell, este com uma pungente descrição da pobreza do norte industrial da Inglaterra em 1937. São 54 autores. É pouco mais da metade do original, mas a seleção é defensável. Há falhas pontuais, como a eventual falta de contexto. E equívocos, como afirmar que 1966 foi o começo do fim dos Beatles. A leitura dos mestres, porém, é uma aula de jornalismo.

O GRANDE LIVRO DO JORNALISMO

Organização: Jon E. Lewis

Tradução: Marcos Santarrita

Editora: José Olympio

Quanto: R$ 49 (378 págs.)

Avaliação: bom’

 

TELEVISÃO
Laura Mattos

Novo autor fura ‘panelinha’ da Globo

‘Quando João Emanuel Carneiro nasceu, em 1972, quase toda a restrita panelinha de autores de novelas das oito da Globo já estava no batente.

Em 2 de junho, entra no ar ‘A Favorita’, sua terceira novela e a primeira no horário nobre. Roteirista premiado pelo filme ‘Central do Brasil’ (1998), de Walter Salles, Carneiro teve de fazer o que parecia impossível para ganhar uma vaga às 21h na Globo: bater recordes no Ibope com as suas duas primeiras novelas, ‘Da Cor do Pecado’ (2004) e ‘Cobras & Lagartos’ (2006), exibidas às 19h.

‘A Favorita’ será protagonizada por Patrícia Pillar e Cláudia Raia. Uma das duas personagens matou o homem com o qual ambas estavam envolvidas. O autor diz que nem ele sabe ainda qual é a assassina. É sobre esse ‘jogo’ e outros assuntos, de política ao caso Isabella, que ele fala à Folha.

FOLHA – O que pretende com ‘A Favorita’?

JOÃO EMANUEL CARNEIRO – Pretendo discutir o julgamento que fazemos das pessoas. De uns tempos para cá, tenho tido cada vez mais dúvidas. Dúvidas quanto ao caráter de muita gente, se o meu gerente de banco tem boas intenções quando diz que tenho que investir no fundo tal, se muitas pessoas tentam se aproximar de mim por interesse depois que me tornei um autor de novela, e muitíssimas dúvidas quanto aos políticos que se dizem inocentes. O que mais nos transtorna no caso Isabella é ainda o fiapo de dúvida que resta. Será que o pai pode ser inocente? Quis acreditar quando afirmou que não matou a filha. Não posso admitir que um pai atire a filha pela janela.

FOLHA – Como resume a novela?

CARNEIRO – Essa novela é um brinquedo novo para mim. Tenho duas protagonistas, Flora [Patrícia Pillar] e Donatela [Cláudia Raia]. Uma das duas matou o marido de Donatela e amante de Flora, Marcelo, pai de Lara [Mariana Ximenes] com Flora. Uma das duas está mentindo. Eu mesmo não sei qual. Num dado momento, vou julgar as personagens e dar um veredicto. Minha decisão vai depender, é claro, da química da novela no ar com o público, da atuação das atrizes, de tudo. É um jogo muito estimulante. Uma história pirandelliana.

FOLHA – Abordará a política?

CARNEIRO – A novela não trata especificamente de política nem pretende comentar a cena política brasileira atual. Tem o personagem do Milton Gonçalves, o Romildo, que é um político que quer que o filho alcoólatra siga a carreira dele, mas o foco é na intimidade dos personagens. Me interessa saber até onde são capazes de ir antes de traírem os seus princípios. O assunto é a ética pessoal. O Romildo é apaixonado por Arlete (Ângela Vieira), que gosta dele, mas não admite manter uma relação com ele porque é corrupto. Ou ele abdica do cargo para ficar com ela, ou ela capitula e se casa com um homem de quem gosta, mas que tem uma falha de caráter grave no ponto de vista dela. Algum dos dois vai trair seus princípios?

FOLHA – Mais uma vez, você terá personagens negros importantes. Apesar de ter feito a primeira protagonista negra de novela [Taís Araújo, ‘Da Cor do Pecado’] e do personagem forte de Lázaro Ramos [‘Cobras & Lagartos’], diz não se interessar por falar de racismo. Por quê?

CARNEIRO – Não faço novelas pensando em lançar polêmicas sociológicas, sociopolíticas, para chamar atenção. Me interessa contar a história. Colocar personagens negros não tem que ter objetivo nenhum. As pessoas no Brasil são brancas, negras, mestiças, mulatas, cafuzas, mamelucas. Se todos fossem louros na novela, a trama teria que se passar na Suécia.

FOLHA – Lília Cabral disse que sua personagem em ‘A Favorita’ poderia ser homossexual. Ainda é interessante abordar o homossexualismo, agora que personagens gays se tornaram obrigatórios em novelas?

CARNEIRO – Gays são obrigatórios? Não são, não. Tudo o que é obrigatório é de uma chatice inominável. Nas minhas novelas, não tem nada obrigatório. Gay não é interessante por ser gay. A história é que tem que ser interessante, assim como a de um heterossexual. Lília será uma mulher tradicionalista massacrada pelo marido e agarrada àquele casamento como uma tábua de salvação. Mais uma vez a questão da ética: será ela capaz de trair os seus princípios e cornear esse homem?

FOLHA – Por que desistiu de ambientar a novela no Centro-Oeste? Não seria bom fugir do eixo Rio-SP?

CARNEIRO – Queria sair do cenário urbano. Não sei fazer uma novela regionalista, como o Benedito Ruy Barbosa. A saída foi fazer uma trama ‘rurbana’, meio passada na cidade e meio no campo. Metade dos personagens mora em cidade; a outra, na vila planejada da fábrica próxima à cidade. A princípio, pensei em levar a novela a Brasília, um cenário urbano novo, com uma personalidade arquitetônica própria. Mas foi impossível, sairia muito caro deslocar as gravações. A estrutura da Globo fica no Rio e em São Paulo. Finalmente, a novela acabou se passando em São Paulo. O [diretor] Ricardo Waddington pegou o centro da cidade, está dando uma cara meio anos 50, de filme noir.

FOLHA – Sua primeira novela teve 32 personagens, a segunda, 24. Quantos terá ‘A Favorita’? Está difícil escalar elenco na Globo?

CARNEIRO – Só 33 personagens. Gosto de concentrar a história. Acho que um defeito das novelas ultimamente é que elas se dispersam demais entre muitos núcleos e personagens.

FOLHA – O que significa para você a estréia no horário nobre da Globo?

CARNEIRO – Significa que vou ter mais gente no sofá, gente que parou para ver minha novela. É um alívio depois de duas novelas das sete, que têm que prender o espectador pelo laço.’

 

Carneiro não fala de acusação de plagiar cineasta

‘Uma bomba explodiu às vésperas de João Emanuel Carneiro estrear sua segunda novela, ‘Cobras & Lagartos’, em 2006.

O cineasta Walter Salles, até então amigo de Carneiro e para quem ele havia trabalhado no roteiro de ‘Central do Brasil’ (1998) e de ‘O Primeiro Dia’ (1999), acusou o novelista de plagiar seu novo filme, ‘Linha de Passe’.

O longa, de Salles e Daniela Thomas, disputará a Palma de Ouro no Festival de Cannes, que começa dia 14, e teve o roteiro modificado por Bráulio Mantovani (‘Cidade de Deus’).

Salles afirmou que o mocinho de ‘Cobras & Lagartos’, um motoboy que tocava música clássica interpretado por Daniel de Oliveira, era plágio de um personagem de ‘Linha de Passe’, no qual Carneiro havia trabalhado como roteirista. O caso foi revelado pela Folha, e o autor da novela, procurado insistentemente pela reportagem, nunca quis rebater as acusações. À época, a Globo fez mudanças no personagem, regravou capítulos e chamou a questão de ‘mal-entendido’.

Na entrevista desta página sobre ‘A Favorita’, que Carneiro preferiu fazer por e-mail, a Folha voltou a questioná-lo sobre a acusação e perguntar por que nunca quis falar da polêmica. ‘Esse assunto ainda é um trauma recente e eu prefiro não falar sobre isso’, respondeu.

Carneiro havia ido trabalhar com Salles porque chamara a atenção do mercado cinematográfico ao ser premiado, aos 22 anos, no Festival de Gramado pelo seu curta-metragem ‘Zero a Zero’. Filho de família intelectualizada, ele trabalhou pela primeira vez com 14 anos, com o escritor e desenhista Ziraldo.’

 

‘Aprendiz 5’ entra no ar com prêmio de R$ 2 mi

‘A Record está se vangloriando de pagar ‘o maior prêmio da televisão brasileira’. Na próxima terça-feira, às 23h, entra no ar o ‘Aprendiz 5 – O Sócio’.

Desta vez, o vencedor receberá R$ 1 milhão em ações de uma nova empresa do apresentador e publicitário Roberto Justus e mais R$ 1 milhão para colocar no bolso.

O novo aprendiz será sócio da Brainers, uma ‘encubadora de novos negócios’. Não será escolhido por uma proposta de novo negócio, como aconteceu na quarta edição, mas basicamente por seu desempenho nas provas e na sala de reunião, a exemplo das três primeiras, em que os vencedores foram contratados para trabalhar no grupo de Justus e com seus parceiros.

Da Brainers também faz parte o vencedor do ‘Aprendiz 4’, Tiago Aguiar, que levou Justus a ser seu sócio na fabricação de lenços umedecidos para lavar automóveis. O produto, segundo o apresentador, passará a ser vendido ainda neste ano.

Tão nova no mercado, a Brainers já se meteu em uma grande polêmica. Justus a criou inicialmente com a intenção de produzir programas de televisão e fornecê-los às emissoras. Contratou Milton Neves e produziria com ele o ‘Terceiro Tempo’ para a Band.

Pouco antes da estréia, contudo, o publicitário desistiu de se envolver com produção de televisão, por pressão da Record. A emissora não queria que o vencedor do ‘Aprendiz’, seu principal reality show, fosse trabalhar em uma empresa que faria programas para TVs concorrentes.

No lançamento de ‘Aprendiz 5’, Justus afirmou ter concluído que haveria ‘conflitos de interesse’ pelo fato de ele apresentar o reality show na Record e de ser publicitário.

Na quinta edição do bem-sucedido ‘Aprendiz’, Justus manterá como consultor Walter Longo e lançará um novo nome, Claudio Forner.

Para o próximo ano, a Record planeja fazer o ‘Aprendiz’ com celebridades, como nos EUA. O vencedor doa dinheiro a instituições de caridade.

APRENDIZ 5 – O SÓCIO

Quando: estréia nesta terça, às 23h

Onde: na Record’

 

Lucas Neves

Monk flerta com o crime no fim do 6º ano

‘Na reta final da sexta temporada da série ‘Monk’, o detetive protagonista experimenta o outro lado da lei. ‘Mr. Monk Is on the Run’ (ou ‘Monk, o Fugitivo’, como sugere o Universal Channel, que exibe amanhã a segunda parte do episódio) flagra o policial na posição de acusado do homicídio de um suposto ladrão de componentes eletrônicos.

Preso, ele logo deixará o campo de visão dos coleguinhas -para ressurgir, sob outra identidade, como empregado de um lava-jato no meio do Estado de Nevada. Antes disso, a fim de confundir quem está em seu encalço, será ‘morto’ em circunstâncias obscuras pelo companheiro Stottlemeyer.

Todo esse jogo de esconde-esconde servirá para desmantelar a quadrilha comandada, desde a cadeia, pelo balofo Dale Biederbeck -que conta com simpatizantes nos altos escalões do governo da Califórnia, como se descobrirá mais adiante. De quebra, Monk colherá mais uma ou duas pistas sobre a morte de sua mulher, Trudy -trauma do qual a seqüela mais visível é o transtorno obsessivo-compulsivo.

A competente conclusão de temporada indica que a série tem fôlego para ir além dos 16 episódios do sétimo ano, que começam a ser exibidos nos EUA em julho.

MONK – FIM DA 6ª TEMPORADA

Quando: amanhã, às 19h

Onde: no Universal Channel’

 

 

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O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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