Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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Folha de S. Paulo

15/09/2009 na edição 555

ARGENTINA
Silvana Arantes

Desprezo norteia crise entre Cristina e mídia

‘‘Antes eles terão de passar por cima do meu cadáver!’. Com essa frase, Cristina Kirchner prometeu ao seu marido, Néstor Kirchner, que manteria os jornalistas longe dele.

Repórteres, fotógrafos e cinegrafistas tentavam ter acesso ao hospital onde Kirchner, que era o presidente da República naquele ano de 2004, havia sido operado às pressas, após crise hemorrágica. Ele pediu que a mulher não o deixasse ser flagrado em condições tão frágeis.

Vem sobretudo desse episódio o desprezo e o ressentimento de Cristina pela imprensa.

Na última quinta, 200 fiscais da Receita inspecionaram a sede do jornal ‘Clarín’, o maior da Argentina, que hoje tem uma relação conturbada com os Kirchner. Anteontem, o governo negou ter ordenado a blitz, e a mandatária disse preferir ouvir ‘bilhões de mentiras a ser responsável por fechar a boca de alguém’.

Contudo, ela julga vulgar, e às vezes cruel, o interesse jornalístico por todos os aspectos da vida dos governantes. Ao menos é o relato que fez à sua biógrafa Olga Wornat, registrado no livro ‘Reina Cristina’ (Rainha Cristina, editora Planeta).

Há outro aspecto que torna a hoje presidente argentina avessa ao contato com os jornalistas. Como Wornat deixa claro, Cristina menospreza e não hesita em humilhar interlocutores que acha medíocres.

Um indício de que considera os jornalistas assim Cristina deu na semana passada, quando abordada pelo ‘CQC’ (programa argentino que originou a versão da TV brasileira).

O repórter citou suposto desejo do casal Kirchner de se ‘perpetuar no poder’. Ela reagiu dizendo: ‘Perpetuar-se no poder com o voto popular?! Atenção! Jornalistas têm de pensar antes de perguntar’.

Ele não desistiu: ‘Penso muitas coisas. Agora, por exemplo, estou pensando em 50 causas [número estimado de processos de suspeita de corrupção e enriquecimento ilícito no governo Kirchner]’. Ela se retirou, desafiando: ‘Comprove!’.

A indiferença do poder político pelos meios de comunicação no governo Cristina Kirchner é definida como ‘preocupante’ pela Sociedade Interamericana de Imprensa.

Mas a Casa Rosada nunca foi sensível à crítica de que, ao não falar com a imprensa, a presidente termina por dificultar o acesso a informações, além de dar um sinal de desprezo a uma instituição democrática.

Um ex-ministro do governo Cristina Kirchner afirmou na semana passada a um grupo de jornais, entre eles a Folha, que o fato de o chefe de gabinete da Presidência da República pronunciar-se diariamente sobre questões do governo é considerado na Casa Rosada mais do que suficiente para prover informações à imprensa e respeitá-la em sua devida medida.

Embora não dê entrevistas, ela é presença constante no rádio e na TV, já que a maioria dos atos em que discursa é transmitida nacionalmente.

Desde seu ingresso na política, Cristina é considerada uma oradora muito hábil. Ela mantém o hábito de falar de improviso e modula o discurso de acordo com o perfil da plateia.

A um auditório formal, adota tom sóbrio. Com populares, sobe a voz e a emoção. ‘Sozinha eu não posso. Mas quando vocês me dão um beijo, um aceno, me dão carinho, é como se me injetassem quilos de força. Peçam a Deus todas as noites que me faça mais inteligente, melhor e mais comprometida com o povo’, disse, ao inaugurar uma obra para hidratação de água num município pobre de Buenos Aires, no último dia 24.

Três dias depois, na Bolsa de Comércio, desenhou de si uma imagem provavelmente oposta à que os empresários de terno escuro à sua frente têm dela. ‘Não sou mulher de aceitar desafios. E não por ser mulher.’

Por mais que tente matizar a imagem, Cristina é vista com desconfiança na imprensa e no meio empresarial. Seu projeto de Lei de Serviços Audiovisuais enviado ao Congresso suscitou questionamentos a seu apreço pela democracia, apesar de ela ter lutado contra a ditadura.

O governo diz visar o fim de monopólios e ampliar a democracia, garantindo a exploração de meios de comunicação de massa a setores sem interesse comercial, como igrejas, universidades, ONGs e sindicatos.

A oposição enxerga em artigos como o que determina a revisão das concessões a cada dois anos um mal disfarçado propósito de controlar os meios de comunicação.’

 

REFORMA ELEITORAL
Alexandre Hohagen

A internet e a democracia brasileira

‘NOS ÚLTIMOS tempos, os benefícios que a web empresta ao cenário político tornaram-se visíveis em escala global.

A campanha presidencial de Barack Obama nos EUA, por exemplo, mostrou ao mundo o potencial que a internet tem para o engajamento do cidadão comum na discussão política.

Mais recentemente, mesmo sob o duro regime político do Irã, a rede mundial de computadores comprovou mais uma vez sua forte vocação democrática.

A internet vai além de favorecer a livre expressão. Ela permite a inclusão de candidatos e partidos com menos recursos e confere transparência às doações e à publicidade.

Esse é um movimento ao qual o Brasil não pode mais ficar alheio, ainda mais em meio à mobilização social pela ampliação da transparência das instituições políticas nacionais.

Por isso, vale acompanhar de perto as discussões que vêm acontecendo no Congresso Nacional, que está prestes a promover um grande avanço aprovando a liberação do uso da internet no processo eleitoral.

Trata-se de um projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados em junho e que deve ir à votação no Senado nesta terça-feira. Ele inclui a regulamentação do papel que a web exercerá na chamada reforma eleitoral.

No país, a crescente utilização da internet por parte de candidatos, partidos e eleitores já é realidade. No entanto, na última eleição, as incertezas quanto ao que era permitido pela legislação inibiram o aproveitamento de tudo o que a rede tem a oferecer.

Entendimentos jurídicos diversos e decisões judiciais desencontradas colocaram em risco o delicado equilíbrio entre a livre manifestação das opiniões políticas e o estímulo ao debate eleitoral, de um lado, e o combate a eventuais comportamentos abusivos do outro.

Felizmente esse cenário parece estar perto do fim. Com mais de um terço da população com acesso à web no país, índice que cresce cerca de 15% ao ano, podemos esperar para 2010 algo semelhante ao ocorrido nos Estados Unidos no ano passado.

A iniciativa do Congresso fortalece as instituições políticas e avança na consolidação da democracia ao permitir que todo tipo de ferramenta online -sites, blogs, redes sociais, comunicadores instantâneos etc.- possa ser utilizado eleitoralmente.

O livre uso da internet eleva o grau de informação sobre candidatos, partidos e propostas. Também aproxima candidatos e cidadãos de maneira inédita ao possibilitar a interação direta e reativar a capacidade de mobilização social em torno de boas ideias. A aproximação também se dá com a regulamentação das doações online, desburocratizando a contribuição de pessoas físicas.

Outro ponto favorável do projeto é permitir a propaganda eleitoral paga pela internet. De uma tacada só, tal decisão desfaz uma inexplicável injustiça cristalizada na legislação contra os meios online, estimula a presença de conteúdos positivos na rede e cria um canal mais econômico de publicidade de massa para partidos e candidatos.

Com isso, barateia o orçamento das campanhas, incentiva o crescimento de uma indústria em franco desenvolvimento no país e gera empregos qualificados no curto prazo.

Mas aqui o Congresso deveria ir além, espelhando-se nos exemplos internacionais e apostando com menos timidez na web.

O projeto poderia ser menos restritivo, estendendo a propaganda paga a todos os sítios, independentemente da classificação de seu conteúdo, e também para as disputas de todos os cargos majoritários (além de presidente, senadores, governadores e prefeitos).

A Justiça Eleitoral ficaria encarregada de regular detalhadamente procedimentos que assegurem a igualdade de oportunidades e o respeito às circunscrições eleitorais, entre outras preocupações manifestadas pelos congressistas.

Na reta final da discussão, espera-se também que o Congresso Nacional se previna contra medidas voltadas à ampliação do controle sobre os meios online e que impliquem limitações às inovações propostas.

A própria experiência das últimas eleições no Brasil mostra que, ao mirarem em uma regulação acentuadamente restritiva, os legisladores podem acertar o alvo errado, matando o potencial democrático da web e gerando normas ineficazes em um território de abrangência mundial, como é o da internet.

A riqueza da internet reside justamente na liberdade de expressão que ela oferece e na horizontalidade de seu desenho, inclusivo e transparente. É hora de observar para que não ocorra a invalidação dos efeitos positivos da proposta, o que frustraria a grande expectativa da sociedade.

ALEXANDRE HOHAGEN é diretor-geral do Google na América Latina.’

 

Renan Ramalho e Flávio Ferreira

Para especialistas, reforma eleitoral é fraca e superficial

‘O projeto de lei nº 141, que está em trâmite no Senado e altera regras do Código Eleitoral, da Lei dos Partidos Políticos e da Lei das Eleições, estabelece mudanças superficiais e não promove avanços significativos no sistema político nacional.

Essa é a análise dos cientistas políticos e especialistas em direito eleitoral ouvidos pela Folha, que consideram um exagero chamar de ‘lei de reforma eleitoral’ o projeto em andamento no Congresso.

Senadores de vários partidos também estão insatisfeitos com a abrangência do texto, que deve ser votado na terça-feira, e apontam vários ‘culpados’ para esse fato.

O projeto pode levar a avanços em pontos como o uso da internet nas eleições e o modo de substituição de políticos cassados durante o mandato, mas questões como a adoção do voto distrital ou em lista fechada, que poderiam repercutir diretamente na qualidade dos representantes eleitos, estão fora do texto da proposta.

O cientista político Carlos Ranulfo, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), qualifica de ‘marginais’ as alterações previstas no projeto de lei. ‘Quando você toca em pontos polêmicos, qualquer coesão política se desfaz, porque cada político passa a fazer contas para defender sua sobrevivência, e a maioria prefere ficar do jeito que está. E a falta de consenso abre espaço para o Judiciário atuar’, diz Ranulfo.

Sobre a falta de alterações significativas no sistema político, o professor emérito de ciência política da UFMG Fábio Wanderley Reis afirma que a atenção voltada para crise do Senado impede discussões aprofundadas. ‘A maneira de afogadilho como [a reforma] está sendo feita não recomenda o debate.’ Ele defende a adoção do voto em lista como meio de fortalecer os partidos e o financiamento público de campanha, para equilibrar a disputa.

O ex-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e advogado Carlos Velloso afirma que o projeto ‘é um batom que está se passando, não tem nada de significativo nessa chamada reforma. E ela está tendo o condão de desagradar praticamente a todo mundo’.

Para Velloso, ‘uma reforma eleitoral não prescindiria de uma disciplina a respeito do sistema de voto. Nós praticamos o voto proporcional puro, que se revelou comprometido em virtude dos abusos do poder econômico e do poder político. Penso que teríamos que caminhar para o voto distrital’.

Congresso insatisfeito

Relator do projeto na Câmara, o deputado Flávio Dino (PC do B-MA) justifica a pouca abrangência do projeto de lei dizendo que nenhuma reforma daria conta de resolver todos os problemas de uma vez. ‘Acreditar nisso é salvacionismo, messianismo e autoritarismo. É óbvio que é insuficiente e sempre será’, afirma.

Com relação a sistema distrital misto, lista fechada e financiamento público, Dino justifica: ‘Neste instante não há maioria política na sociedade e, portanto, no Parlamento’ para implementá-las.

Eduardo Azeredo (PSDB-MG), um dos relatores do projeto no Senado, concorda que ‘foi a reforma possível’, mas põe a culpa no governo. ‘Não há como fazer uma reforma política se o Executivo, com sua base no Congresso, não estiver devidamente interessado.’ Mas reconhece que ‘o próprio PSDB não tem consenso sobre a forma de eleger deputados’.

Para o outro relator no Senado, Marco Maciel (DEM-PE), o ideal seria estabelecer a cláusula de desempenho, em que o partido precisa de uma porcentagem mínima de votos para ter direito a uma cadeira na Câmara. Mas, como a proposta altera a Constituição, deve ser aceita por 3/5 dos congressistas e votada em dois turnos. ‘Neste momento, o processo eleitoral já foi para as ruas, já tem pré-candidatos. Não tem clima para uma reforma mais ampla.’

Aloizio Mercadante (PT-SP) também reclama que a reforma deveria ser mais profunda, pois não trata do financiamento e do uso de caixa dois na campanha. Mas nega a culpa do governo e atribui a inércia à Câmara.

‘Os deputados têm insegurança de mudar regras que permitiram que eles lá chegassem’, diz. Ele, porém, defende o que considera avanços na reforma: a proibição de candidatos inaugurarem obras e criarem ou ampliarem programas sociais nos quatro meses que antecedem a eleição e a restrição a outdoors nas ruas.

O vice-líder do PMDB na Câmara, Mendes Ribeiro (RN), reconhece que as mudanças não configuram uma reforma, mas foram feitas para ‘ninguém poder reclamar’ sobre decisões do Judiciário sobre as regras. ‘Isso não é uma resolução do TSE. Não tem como dizer que não conhece a lei, que não participou’, afirma.’

 

TELEVISÃO
Daniel Castro

SBT entra na casa em que Michael Jackson morreu

‘O SBT exibirá nesta quarta-feira um documentário que faz um ‘tour’ pelo interior da casa onde Michael Jackson viveu seus últimos seis meses, no bairro de Holmby Hills, em Los Angeles (EUA). Foi lá que Jackson sofreu uma parada cardíaca, em 25 de junho.

Será a primeira vez que uma emissora brasileira mostrará a casa por dentro. O ‘Fantástico’, que apresentou o rancho de Neverland, não passou dos portões do imóvel de Holmby Hills, que será habitado por uma brasileira, Ira Barbieri.

O SBT comprou o documentário com exclusividade porque tem parceria com a Warner, que o está distribuindo.

Intitulado ‘Inside the Michael Jackson Mansion’ (Por dentro da mansão de Michael Jackson), o programa traz imagens da suíte principal, de 13 banheiros e de 12 lareiras do imóvel, além do estúdio em que o popstar ensaiava e de um cinema em estilo russo. Jackson pagava US$ 100 mil mensais para morar na casa, avaliada em US$ 38 milhões.

As imagens são alternadas com depoimentos do próprio Michael Jackson, amigos, produtores, coreógrafo e até da nutricionista do astro.

O SBT vai misturar o documentário com material próprio. Na última quinta à noite, enviou para Los Angeles o jornalista Luiz Bacci, que iria entrevistar vizinhos e brasileiros e percorrer o trajeto das caminhadas de Michael Jackson por Holmby Hills.

O material será exibido no ‘SBT Repórter’, após o novo ‘Um contra Cem’. Ou seja, servirá para alavancar a estreia de Roberto Justus na emissora.

AS APARÊNCIAS ENGANAM

Aos 39 anos, Daniel Boaventura já tem uma considerável lista de musicais em seu currículo (entre eles, ‘Chicago’), mas está tendo aulas de valsa, tango, bolero e samba para interpretar Sólon, seu personagem em ‘Cama de Gato’. ‘Confesso: não sou um bailarino, não sou dos mais malemolentes’, brinca o ator, baiano, também cantor. Na nova novela das seis, Sólon terá um salão de danças.. ‘Ele é um brasileiro que finge ser argentino, bem-sucedido e solteiro’, diz. ‘Apesar do passado misterioso e das atitudes antiéticas, é um cara de bom coração’, conta.

MOCINHA AZEDA

Azedaram as relações entre a Record e Bianca Rinaldi. A ex-paquita dificilmente manterá o posto de primeira atriz da TV de Edir Macedo. É que, assediada pelo SBT, Bianca se recusou a assinar um novo contrato com a Record. A emissora queria ampliar o vínculo da protagonista de seus maiores sucessos (‘A Escrava Isaura’, ‘Prova de Amor’, ‘Os Mutantes’) até 2013.

O atual contrato de Bianca com a Record vence em 2011. A negativa da atriz em assinar um novo foi interpretado pela cúpula da rede como um sinal de que ela poderá migrar para o SBT. Ex-Record e recém contratado por Silvio Santos, Tiago Santiago não esconde que quer Bianca no elenco de sua primeira novela no SBT..

CONTA GLOBAL 1

A Globo apresentou às agências, na quinta, seus planos de patrocínio para a Copa da África do Sul e para o futebol em 2010. Para a Copa, ela oferece seis cotas (uma já foi comprada pela Coca-Cola) por R$ 81,850 milhões cada uma, aumento de 37% em relação a 2006.

CONTA GLOBAL 2

Já as cinco cotas do projeto Futebol 2010 (que inclui todos os jogos, menos os da Copa) custarão R$ 116 milhões cada uma, alta de apenas 3,7% em relação a 2009 (R$ 112 milhões). Os compradores do Futebol 2010 têm prioridade nas cotas da Copa.

A ÚLTIMA NOVELA

Em entrevista à revista ‘Tpm’ que circula a partir de quarta, Manoel Carlos diz que ‘Viver a Vida’, que estreia amanhã, poderá ser sua última novela. ‘Tenho 76 anos. Por mais que eu viva, não vivo mais 20 anos. Então, é preciso que eu pare. Tenho vontade de que seja a última, sem nenhuma morbidez’, declara o autor, quatro novelas e duas minisséries nos últimos dez anos. Ele fala também de mulheres, casamentos e… ‘teste do sofá’. Segundo ele, ninguém mais troca sexo por emprego. ‘As mulheres já não são passivas como antigamente. Hoje elas denunciam.’’

 

Clarice Cardoso

Samuel L. Jackson é queridinho das TVs

‘Com troca-troca de horários de programas e guerras entre emissoras, poucas coisas são tão certas na vida de um telespectador quanto encontrar um filme com Samuel L. Jackson no horário nobre.

Seja como tira durão ou lutando com cobras em um avião, ele foi o ator que mais fez companhia no sofá a quem assistiu a filmes nas TVs abertas nos primeiros meses do ano, segundo levantamento feito pela Folha: estrelou pelo menos 11 dos cerca de 851 filmes exibidos no período.

Em segundo lugar ficou Whoopi Goldberg, que, mesmo afastada das grandes telas, continuou próxima do público em oito filmes e divide esse lugar no pódio com Adam Sandler, Arnold Schwarzenegger e Tommy Lee Jones.

Para o balanço, foram utilizados dados fornecidos por SBT, Record e Bandeirantes. Quanto aos longas exibidos pela Globo, que não enviou as informações solicitadas pela reportagem, levou-se em conta a lista de títulos publicada nesta Ilustrada, desconsiderando-se a sessão Intercine (em que o telespectador pode optar entre dois longas). RedeTV! e Gazeta não exibiram filmes no período .

Reprises

Se para o assinante de canais pagos a grande reclamação são as reprises, a questão não é tão marcante nas TV abertas: menos de dez filmes foram exibidos mais de uma vez e, na maioria das vezes, as repetições aconteceram nas sessões das madrugadas.

O motivo é que, em geral, os filmes já exibidos ficam na ‘geladeira’ por um tempo antes de voltar ao ar, explica Helio Vargas, diretor de programação da Bandeirantes. ‘Normalmente, temos um critério de deixar o filme ‘descansando’ antes de reprisá-lo. Um ano para um filme que deu boa audiência é um bom tempo. Isso porque é evidente que um filme que nunca passou na TV tem mais apelo, mais chances de dar ibope, porque a pessoa até se programa para assistir a algo que esperava chegar à televisão.’

Com isso em mente, os canais exibiram em sua maioria filmes mais recentes: 58,4% tinham menos de uma década. Além disso, a aposta em blockbusters com sucesso já mais do que testado nos cinemas, locadoras e canais pagos é tática para se ter atrativos em um horário no qual a concorrência anunciou algum programa forte ou ainda alavancar programas novos da própria emissora.

Como funciona

O tempo que um lançamento leva para chegar a um canal aberto varia de acordo com a distribuidora. Se em alguns casos eles percorrem antes o roteiro cinema-DVD-cabo, em outros ele vai direto para a TV.

A compra é feita normalmente em pacotes e não é raro que o programador, para poder incluir no embrulho um sucesso de público, negocie vários outros títulos que podem nunca ser exibidos. ‘A gente sempre compra um pouquinho a mais. Raramente é o número exato que vamos programar, até para termos uma reserva’, diz Vargas. Procuradas, as demais emissoras não quiseram se manifestar sobre o assunto.’

 

Bia Abramo

Pitadas de sabedoria do domingo

‘FRASE entreouvida durante o programa do Faustão: ‘O importante é a Glória [Perez] ter pintado esse quadro da psicopatia, diferenciando a psicopatia da loucura’. Era domingo e no palco do programa de variedades do apresentador Fausto Silva estavam as estrelas do elenco da novela da Globo ‘Caminho das Índias’.

Tony Ramos, Eliane Giardini, Juliana Paes, Rodrigo Lombardi, todos sorridentes e triunfantes falavam sobre o sucesso da novela, apesar de a tarefa ali -bombar mais um tantinho a audiência da última semana- ser das mais chatinhas. Estava também o diretor-geral Marcos Schechtman. A frase, justamente, era deste último.

A gente pode pensar de dois jeitos sobre isso. Se o dia estiver assim, mais bilioso e difícil, podemos chegar à conclusão de que a frase contém, em si, sua negação. Ora, se a intenção da autora Glória Perez com o tema social da vez era, justamente, utilizar a novela para esclarecer determinadas concepções do senso comum sobre as doenças mentais, como, por exemplo, a diferença entre as psicoses, podemos ver aí na frase o fracasso da empreitada. Pelo jeito, nem sequer o próprio diretor da novela entendeu.

O dia de hoje, entretanto, convida ao bom humor. Daí a gente pode desfranzir o cenho e achar que é isso aí, que existe a loucura genérica, aquela que tem os comoventes olhos azuis de Bruno Gagliasso e merece tratamento, proteção e uma noiva doce (ainda por cima médica!) como Marjorie Estiano, e existe a psicopatia, matriz de todos os vilões e vilãs. E que, para tratar do assunto, uma fórmula moral do tipo ‘essa loucura genérica é do bem, a psicopatia é do mal’ é mais do que suficiente e a gente fica grato por alguém resolver esse problema para a gente, não é mesmo?

E que, quando se trata de entretenimento de massa, vale o velho desaforo popular: para quem é, bacalhau basta. Ou seja, para fazer com que a novela pareça mais do que, de fato, é, não precisa mais do que armar um discurso gago sobre sua profundidade, escrever isso tudo no farto e extenso material de divulgação que circula por terra, mar e ar e deixar a coisa rolar. Todo mundo acredita, repete e, pronto, acaba colando.

Nada como uma boa dose de esclarecimento, uma pitada de sabedoria, para, como dizia a radiosa Juliana Paes alguns momentos antes, a gente ficar refletindo enquanto espera aquilo que de fato interessa, ou seja, as ‘Videocassetadas’…’

 

NA REDE
Folha de S. Paulo

Folha lança hoje a edição digital do jornal

‘A Folha lança hoje sua edição digital, a versão on-line do jornal impresso. Com ela, a partir das 5h30, os assinantes poderão acessar todas as páginas do jornal exatamente como foram publicadas.

A versão digital terá o mesmo conteúdo da edição SP, que, por ser concluída mais tarde, traz noticiário mais atualizado.

Desse modo, o leitor poderá ver não só o texto integral, mas o desenho da página, com imagens e quadros explicativos.

‘Com este novo produto procuramos atender um público que busca aliar as vantagens do jornal impresso – como hierarquização de notícias, diagramação, infográficos e fotografias – com a velocidade, praticidade e interatividade que a internet e os meios eletrônicos permitem’, afirma Murilo Bussab, 40, diretor de Circulação da Folha.

Com a edição digital, o jornal também poderá levar a todos os leitores suplementos como Revista da Folha, Guia da Folha, revista Serafina e o Guia de Livros, Discos e Filmes.

Para ler, basta entrar no site www.folha.com.br/digital. O sistema de navegação, desenvolvido pela Digital Pages, é fácil e rápido.

Inicialmente, todos os internautas poderão consultar a edição digital da Folha por um período de 30 dias. Depois desse prazo, o internauta terá de fazer um cadastro para continuar lendo o jornal por mais 30 dias.

Após esse período de teste, a edição digital só estará disponível para assinantes.

‘Embora a Folha tenha a maior rede de distribuição dos jornais brasileiros, chegando a centenas de cidades em todos os Estados do país, ainda assim não conseguimos abranger plenamente o território nacional’, explica Bussab: ‘Considerando também os brasileiros que moram fora do país e que gostariam de ter um contato mais próximo com o jornal, temos um contingente de pessoas que não estavam sendo atendidas pelo nosso produto. A versão digital passa então a ser uma excelente maneira de ampliar o público leitor da Folha’.

A edição digital tem um bom mecanismo de busca e várias ferramentas para facilitar a vida do leitor, que poderá folhear as edições anteriores, acessar rapidamente os colunistas, enviar notícias para os amigos, fazer anotações ou marcar itens que deseja ler mais tarde. ‘O design da nossa edição é bastante amigável e passará por constante aprimoramento’, diz Bussab: ‘Na próxima semana, os leitores já verão matérias da Revista da Folha com um vídeo acrescentado’.’

 

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