Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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ENTRE ASPAS >

Gerente da TV Brasil irá processar jornalista demitido

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 10/04/2008 na edição 480

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 10 de abril de 2008


TV BRASIL
Wilson Tosta


Acusada de censura na TV pública irá à Justiça


‘A gerente de Telejornais da TV Brasil, Jaqueline Paiva, vai processar por injúria o jornalista Luiz Lobo, ex-editor-chefe do Repórter Brasil, telejornal noturno da emissora. Demitido, Lobo a acusou de censurar textos jornalísticos da emissora para atender a interesses do Palácio do Planalto, onde seu marido, Nelson Breve, trabalha como assessor.


Jaqueline nega a acusação, afirma que o jornal era fechado em equipe e acusa Lobo de faltar à maioria das reuniões do telejornal. Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que opera a estação, afirmou que Jaqueline terá de se explicar na comissão que apurará o caso. Lobo não quis comentar o assunto.


‘O que ele (Lobo) fez não tem preço’, disse Jaqueline ontem, explicando que a EBC custeará o processo e o advogado, segundo seu estatuto. ‘Ele expôs toda uma redação que trabalha sob cobrança intensa.’ A jornalista afirmou ainda que não vê problemas em depor na comissão de sindicância.’


 


DEBATE
Eugênio Bucci


Comunicação é diálogo


‘Ninguém é dono da razão final a priori. A razão não se impõe pela propaganda, pelo monólogo do proselitismo. Ela só adquire validade quando faz sentido natural para o conjunto dos interlocutores – e comunicar é justamente isto: tecer o sentido comum. Comunicar é buscar pontes de entendimento. É dialogar.


Os responsáveis pela mediação do debate público não podem mais ignorar o fato de que nada é mais danoso – e enganoso – do que pôr os meios de comunicação a serviço de ideários prontos e fechados. Esse tipo de prática – em meios públicos ou privados, tanto faz – não constrói confiança, não estimula a divergência e a participação crítica, não emancipa o cidadão. Nos dias atuais, de inovações tecnológicas e políticas que não cessam, nenhuma sociedade gera um espaço público saudável na base da obediência e da concordância. Foi-se o tempo em que comunicação era um alto-falante na pracinha da província. Foi-se o tempo em que a receita era adestrar as massas.


As técnicas de massificação corroem a credibilidade dos próprios meios. Não promovem o encontro de opiniões complementares, não respeitam nem assimilam os pontos de vista alternativos – apenas militam para fazer prevalecer o interesse de quem exerce poder econômico ou político sobre a mediação do debate. Não raro, poder abusivo. A massificação até consegue potencializar fanatismos de diversas naturezas, mas não gera sabedoria compartilhada. Pode compactar as maiorias em momentos específicos, mas no longo prazo conduz à destruição. O século 20 é pródigo em exemplos trágicos – e, no século 21, ainda há quem insista em retomar e reeditar as fórmulas ultrapassadas.


Aos mais ansiosos os três parágrafos acima talvez soem genéricos, abstratos, descolados das atualidades ditas jornalísticas, dos dossiês da vida, da dengue desgovernada, dos congestionamentos. E, no entanto, essas palavras, assim mesmo, aparentemente vagas, tocam no âmago da qualidade do debate público e na capacidade que ele tem ou não tem de encarar e superar seus impasses. Eis aqui um dos temas mais graves dos nossos tempos. Um dos mais urgentes, também. Eis aqui um tema visceralmente jornalístico.


No universo da comunicação social brasileira, temos vivido sob o risco crescente da polarização extremada e suas deturpações inerentes: a desqualificação de quem diverge, a tentativa de dizimar a reputação alheia, a agressividade que se volta contra a pessoa sem se ocupar dos argumentos, as manipulações deliberadas. O mesmo risco pesa de modo particular sobre o jornalismo. Embora não caiba, aqui, nenhum tipo de generalização, é possível notar, em alguns episódios, que notícias e manchetes são moldadas, voluntária ou involuntariamente, segundo uma lógica que tende a submeter o significado dos fatos a uma disputa meramente partidária e ocasional. Aí, o relato dos acontecimentos vira um acessório no embate oposição versus situação e o noticiário se reduz a um ringue em que se enfrentam as vaidades da esquerda, ou do que se diz esquerda, e da direita, ou daquilo que se supõe ser a direita. De um lado, é notícia o que fere o governo. Do outro lado, é notícia o que desmoraliza a oposição. Onde estão os fatos? Onde estão as discussões de fundo? Onde está a realidade complexa e surpreendente? Será que o que define a essência de um veículo jornalístico, então, é isto: saber se ele é contra ou a favor desse ou daquele governo?


O jornalismo – assim como a comunicação social – não funciona adequadamente quando se deixa reger pelos parâmetros da lógica partidária. Ao se render a esses parâmetros, a imprensa renuncia a seu campo próprio e se converte em instrumento de causas estranhas ao direito à informação. A própria política – a política em seu sentido mais alto – sai prejudicada.


Em vez de operar segundo ditames partidários de ocasião, cabe à imprensa observar e cobrir os partidos e suas escaramuças, vendo-os de fora. Os interesses dos partidos e dos governos devem representar, para os encarregados da comunicação social, não uma baliza para alinhamentos ou combates sistemáticos, mas um fenômeno externo. Infelizmente, contudo, se observarmos com cuidado, veremos que esse tipo de desvio ainda não foi totalmente superado. Entre nós ainda sobrevive uma concepção excessivamente instrumental dos meios de comunicação, que são vistos – e, por vezes, são administrados – como porta-vozes da corrente A ou B e nada mais.


Ora, sem prejuízo das visões de mundo que toma como missão – visões que jamais se deveriam rebaixar a programas partidários -, um órgão de imprensa alcança sucesso quando presta serviços e dá voz a seu público e quando abre novos canais entre os cidadãos. Sobretudo agora, com as novas tecnologias, o diálogo passa a ser o centro do sistema nervoso da comunicação. Os veículos ganham mais vitalidade quanto mais escapam da opacidade, quanto mais refletem a diversidade e quanto menos pretendem ser, eles mesmos, uma posição fechada a ser seguida pelo rebanho.


O Brasil precisa de pontes de diálogo – e só poderá obtê-las da qualidade de sua comunicação social, não das querelas partidárias. Há bons pensadores de um lado e de outro. Há homens públicos de valor dentro e fora do governo. Que suas idéias dialoguem no espaço público. Se a comunicação social e o jornalismo se deixarem formatar e organizar pelas trincheiras que partidos raivosos tentam imprimir sobre a realidade, não serão capazes de erguer as pontes necessárias. Continuarão, eles mesmos, entrincheirados. Abdicarão de seu compromisso com o público e com a busca da verdade – que, a propósito, não é monopólio nem de governos nem da oposição.


Eugênio Bucci, formado em Jornalismo e Direito pela


USP, doutor em Ciências da Comunicação pela mesma


universidade, escreve quinzenalmente para o Observatório da Imprensa na internet’


 


DOSSIÊ
Felipe Recondo e Fausto Macedo


Senha coletiva dificulta detectar autor do dossiê


‘O compartilhamento de senhas entre os funcionários com acesso aos computadores da Casa Civil deve dificultar o trabalho dos peritos que analisam os seis computadores apreendidos no Planalto. O delegado da Polícia Federal Sérgio Menezes, responsável pelo inquérito que apura o vazamento do dossiê com gastos do cartão corporativo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, poderá, então, recorrer aos interrogatórios e cruzamentos de datas e hora de utilização das máquinas para identificar o servidor responsável pelo vazamento.


Os cinco laptops e um computador de mesa foram apreendidos na terça-feira no Palácio do Planalto, com a anuência da Casa Civil, e começaram a ser periciados ontem na Superintendência Regional da PF em Brasília, com apoio do Instituto Nacional de Criminalística (IMC). A perícia ficará pronta na próxima semana.


Esses seis computadores, de acordo com a Casa Civil, eram usados por um número restrito de funcionários, que dividiam uma senha. Com a investigação, a PF quer identificar o servidor responsável pelo vazamento dos dados tidos como sigilosos pela Presidência da República.


A perícia nos computadores seria feita, inicialmente, pelo Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), vinculado à própria Casa Civil. Mas, no segundo dia do inquérito, o delegado resolveu recolhê-los para uma auditoria própria. ‘O crime está organizado e informatizado, daí a importância de um quadro de peritos tão bem preparados como os nossos’, destaca Octavio Brandão Caldas Netto, presidente da Associação Nacional dos Peritos Federais.


ETAPAS


De acordo com peritos da própria PF, na primeira fase da inspeção nos computadores, os técnicos fazem o espelhamento ou produção de cópia integral do conteúdo do HD, a memória, do equipamento.


A perícia cria, em seguida, um software específico para armazenar as informações que interessam ao inquérito. A captura alcança até áreas que não têm nenhum arquivo visível.


Esse procedimento dura, em geral, duas horas. É feito cautelosamente para evitar riscos de lesões ao arquivo. Para cumprir essa busca, a perícia usa um duplicador – dispositivo que serve para descolar os dados, ponta a ponta. Essa medida garante a integridade do material original.


Os peritos utilizam programas que lhes permitem vários avanços, como: a recuperação de arquivos apagados, a indexação do conteúdo da mídia, a categorização da base de dados, dividida em imagens, planilhas e documentos. Também fazem a conversão de formatos, principalmente na busca de e-mails, e mira programas de bate-papo e blogs.


Eles adiantam que podem encontrar dificuldades se a senha para abrir o computador é de uso comum, como acontecia na Casa Civil. Eles dizem que isso praticamente inviabiliza a identificação do usuário-alvo. O recurso, nesse caso, é promover cruzamento que inclui identificação de horários de acesso para tentar a individualização e interrogam os usuários.


A perícia pode não se limitar aos computadores. Em muitos casos ela avança sobre servidores de empresas e provedores de internet. Por enquanto, não há indicativo de que a PF usará essa ferramenta.’


 


TECNOLOGIA
Jamil Chade


Brasil cai em ranking tecnológico global


‘O Brasil despencou no ranking tecnológico mundial. Em uma classificação feita pelo Fórum Econômico Mundial, o País aparece apenas na 59ª posição entre as economias que mais conseguem tirar proveito das novas tecnologias para incrementar sua produtividade. O levantamento tem 175 nações.


As falhas na educação e um ambiente regulatório inadequado impedem, segundo o estudo, que o País avance no uso das tecnologias. De acordo com o Fórum, o País está mal posicionado no ranking dos governos que mais priorizam o uso de tecnologias. No topo do ranking, estão Dinamarca, Suécia, Suíça, Estados Unidos e Cingapura. Entre os latino-americanos, o líder é o Chile, na 34ª posição.


O Brasil vem caindo desde 2005, assim como os demais países latino-americanos. Há três anos, o País ocupava a 52ª posição. Em 2006, passou para a 53ª colocação, e agora está atrás de Turquia, México, China, Jamaica, Arábia Saudita, Índia e Barbados. A Ásia e o Oriente Médio, de outro lado, são as regiões que mais sobem no ranking.


‘Há certos avanços no Brasil. Mas a realidade é que outros países estão avançando de forma mais rápida no uso das tecnologias. Isso deveria ser um motivo para o Brasil parar e pensar por que isso está ocorrendo’, afirmou Irene Mia, autora do levantamento. ‘Não se pode ficar parado quando o assunto é tecnologia.’


Segundo ela, o Brasil tem um ‘problema estrutural’. ‘Não se trata de falta de acesso à tecnologia, mas o ambiente regulatório é algo que precisa melhorar, e a educação ainda é pobre’, disse. Para o Fórum, a tecnologia sozinha não gera a competitividade de uma economia. ‘Tudo depende do ambiente em que é usada’, explicou Irene. ‘A Justiça é lenta e o País não é propício para que se possa abrir rapidamente um negócio. O Brasil não tem um sistema eficiente.’


No que diz respeito à educação, os especialistas apontam que a tecnologia somente pode criar competitividade se uma população estiver pronta para tirar proveito dela. E o Brasil, segundo Irene, ‘não tem uma educação de primeira classe’.


No ranking mundial de indicadores de qualidade do ensino de matemática e ciências, por exemplo, o Brasil está na 114ª posição. No critério de qualidade do sistema educacional, o País ocupa a embaraçosa 117ª posição.


Quanto ao ambiente regulatório, o Fórum destaca a necessidade de reformas no sistema tributário, que coloca o país na 127ª posição entre as economias analisadas. O peso da regulação do Estado também é criticada. O Brasil aparece na 125ª posição por esse critério.


Outros problemas são a falta de eficiência do poder Judiciário e a proteção da propriedade intelectual.


NÚMEROS


53º lugar o Brasil ocupava no ranking elaborado pelo Fórum Econômico Mundial com base nos dados de 2006. No levantamento do ano passado, caiu para a 59.ª posição 175 países fazem parte do ranking, que é liderado pela Dinamarca, seguida por Suécia, Suíça, Estados Unidos e Cingapura


127ª posição o Brasil ocupa no levantamento que analisa o ambiente regulatório’


 


PUBLICIDADE
O Estado de S. Paulo


Maradona agora é estrela da Coca-Cola


‘Após protagonizar, com sucesso, a campanha publicitária do guaraná Antarctica, o jogador argentino Diego Maradona agora é estrela da nova campanha da Coca-Cola. A propaganda, que começa a ser veiculada no domingo, lança a pergunta: ‘Quem é o Melhor? Maradona ou Biro-Biro?’As pessoas poderão votar em urnas instaladas nos pontos-de-venda.’


 


INTERNET
O Estado de S. Paulo


Yahoo testa parceria de buscas com Google


‘O Yahoo deve anunciar que planeja vender seu negócio de anúncios em páginas de busca ao Google. Um teste com porcentagem limitada das buscas no Yahoo será feito para avaliar a receita potencial de um acordo sobre publicidade. O arranjo não impede, mas é parte da busca do Yahoo por alternativas à oferta hostil feita pela Microsoft.’


 


Rosa Costa e Carolina Freitas


Orkut vai abrir página suspeita de pedofilia


‘A CPI da Pedofilia aprovou ontem um requerimento de quebra de sigilo de 3.261 álbuns privados hospedados no site de relacionamento Orkut, suspeitos de conterem fotos pornográficas de crianças e adolescentes. A iniciativa do presidente da comissão, senador Magno Malta (PR-ES), atende ao pedido do Ministério Público, que desde 2004 vem tentando obter da Google do Brasil, dona do Orkut, acesso a dados suspeitos, sobretudo fotos que estimulam a pedofilia, como o procurador da República em São Paulo Sérgio Suiama revelou à comissão.


Segundo ele, 90% das 56 mil denúncias de pedofilia na internet recebidas nos últimos dois anos envolveriam a utilização do Orkut. E a situação piorou com a instalação, em 2007, de uma ferramenta que permite a hospedagem de álbuns fechados, tornando a ação de pedófilos mais fácil e ágil.


‘A disseminação do Orkut no Brasil tornou o País um distribuidor de pornografia infantil e a Google parece não se preocupar com isso’, acusou Suiama. O procurador disse que o Brasil é o local da América Latina com maior número de internautas (42 milhões de usuários). Um terço deles tem entre 10 e 15 anos de idade, ‘o que torna mais urgente a adoção de medidas para combater a divulgação de pornografia infantil no Orkut e o aliciamento de crianças em salas de bate-papo, onde é freqüente a presença de pedófilos’. Ele defendeu a adesão do Brasil à Convenção Internacional contra o Cibercrime, conhecida como Convenção de Budapeste, apoiada por 27 países da União Européia, além de Japão, Estados Unidos, Coréia do Sul e África do Sul.


Suiama também acusou a Google de apagar provas de crimes de pedofilia, ao simplesmente tirar do ar as páginas denunciadas pelos usuários. De acordo com o procurador, a simples retirada do ar das páginas destrói provas contra os criminosos, impedindo a investigação. O ideal, disse, seria que as páginas fossem tiradas do ar e arquivadas por um certo período, durante o qual ficariam à disposição do Ministério Público.


O procurador relatou ainda aos parlamentares que a matriz da Google, na Califórnia (Estados Unidos), atrapalha as apurações de crimes no Orkut ao impedir a filial brasileira da empresa de responder a ordens judiciais. Segundo Suiama, a companhia defende que o escritório no Brasil só trate de questões comerciais. Isso obriga as autoridades brasileiras a enviarem qualquer pedido de informação aos Estados Unidos. ‘Os crimes cometidos por usuários no Brasil são nacionais’, afirmou o procurador. ‘A filial brasileira é que deve responder por eles.’


GOOGLE


Também presente na CPI, o presidente da Google, Alexandre Hohagen, informou que a empresa poderá adotar o uso de filtros para impedir a divulgação de fotos com pornografia infantil, especialmente no Orkut. Ele também anunciou que manterá por seis meses os registros de computadores que divulgam ou acessam conteúdos ilícitos, além de notificar às autoridades e fornecer provas (imagens e textos) do que foi divulgado por meio do provedor.


Essa informação surpreendeu o procurador e o presidente da SaferNet Brasil, Thiago de Oliveira. Ele lembrou a dificuldade existente até agora nos contatos com a Google. Já Sérgio Suiama cobrou a imediata implementação das mudanças.


Segundo o procurador, nos últimos três anos, o que tem prevalecido é a recusa da empresa em fornecer informações sobre sites denunciados por pedofilia. A operadora, de acordo com o procurador, teria igualmente resistido ao pedido de prorrogar a manutenção de dados além dos atuais 30 dias, considerados insuficientes para a Justiça comprovar a ‘materialidade’ dos crimes e, com isso, punir seus responsáveis.’


 


DOCUMENTÁRIO
O Estado de S. Paulo


Documentário brasileiro vence em Toulouse


‘O filme brasileiro Romance do Vaqueiro Voador, de Manfredo Caldas, recebeu neste sábado o prêmio Signis de melhor documentário do Festival de Toulouse, na França. O longa, que conta a história da construção de Brasília, foi premiado por seu ‘estilo audaz’ e pela maneira como honra o ‘dever de memória’. A mostra começou no dia 28 de março e terminou no último domingo. Para a mostra oficial do evento foram selecionados O Grão, do estreante Petrus Cariry, e Otávio e as Letras, de Marcelo Masagão. Um total de 14 longas-metragens integraram a competição, além de nove documentários e oito curtas-metragens.’


 


LIVROS
Motoko Rich


Editoras enfrentam fraudes literárias


‘Um dia depois que a autora de Love and Consequences (amor e conseqüências) confessou que havia feito o livro de memórias sobre sua suposta vida de criança criada em orfanato, na região centro-sul de Los Angeles infestada de gangues, os holofotes se voltaram para sua editora e a mídia que divulgou o que parecia ser uma autobiografia quentíssima.


Geoffrey Kloske, editor da Riverhead Books, a unidade do Penguin Group USA que lançou o livro de Margaret Seltzer, sob o pseudônimo de Margaret B. Jones, garantiu que não havia nada que ele ou Sarah McGrath, a editora do livro, pudessem ter feito para impedir a autora de mentir. ‘A autora chegou a extremos: forneceu pessoas que agiram como seus irmãos de criação. Um professor respaldou seu trabalho e um autor pareceu corroborar sua história.’ Kloske lembrou que Seltzer assinou um contrato em que prometera dizer a verdade. A Riverhead recolheu quase 19 mil exemplares do livro e ofereceu a devolução do dinheiro a compradores.


Margaret Seltzer avisou à editora que queria usar o pseudônimo porque era o nome pelo qual era conhecida entre as gangues e porque tentava restabelecer os laços com sua mãe verdadeira e o uso do nome real complicaria a tentativa. Mas ela mentiu a eles e no livro sobre a maioria dos elementos básicos de sua identidade, alegando que era mestiça de índio americano e que se mudara de orfanato a orfanato quando criança. Na verdade, conforme admitiu recentemente, ela cresceu com sua família biológica no próspero bairro de Sherman Oaks de Los Angeles e se formou numa escola episcopal particular.


Sarah McGrath, que nunca se encontrou com a autora nos três anos que passou editando o livro, garantiu que Seltzer, que vive em Eugene, Oregon, havia fornecido o que disse serem fotos de seus irmãos de criação, uma carta de um líder de gangue corroborando sua história e apresentado sua agente, Faye Bender, a uma pessoa que alegava ser uma irmã de criação.


A editora alegou ter confiado em Margaret também porque ela fora indicada por um ‘agente literário respeitável’ que, por sua vez, recebera referências da editora de um escritor com quem Faye Bender havia trabalhado.


Apesar de editar o livro depois do escândalo que cercou James Frey, autor do best-seller de memórias Um Milhão de Pedacinhos (Objetiva), que admitiu inventar ou exagerar detalhes em seu relato de viciado em drogas e sobre sua recuperação, Sarah confessou não ter checado partes da história de Seltzer nem seus antecedentes. ‘Tive várias conversas com ela sobre a necessidade de ser honesta e se ater aos fatos.’


Faye Bender, agente de Seltzer, revelou mais tarde que a autora vinha usando uma falsa persona havia anos e que amigos e colegas acreditavam que ela havia crescido num orfanato numa zona dominada por gangues de LA. ‘Jamais houve alguma razão para duvidar dela’, ressaltou Bender. Alguns jornalistas que entrevistaram Margaret Seltzer também foram fisgados por sua história. Tom Ashbrook, o apresentador do programa On Point da rádio pública, fez uma entrevista com Seltzer (como Margaret B. Jones) em que ela contou sua vida falsa.


Mimi Read, uma repórter freelance, escreveu um perfil de Seltzer na seção House & Home do New York Times e não questionou nada. ‘Ela parecia ser quem dizia que era. Nada em sua casa, sua conversa me levou a acreditar em outra coisa.’ Mimi falou com o noivo de Seltzer e também pediu a ela informações sobre o tio Madd Ronald, que, segundo a autora, fora o líder de sua gangue e agora estava preso. Forneceu um nome de prisão e um número de identificação presidiária e um editor de texto confirmou que a prisão existia.


Num panorama editorial atingido por escândalos como as invenções de Frey e a fraude perpetrada por Laura Albert, a mulher que posou como o romancista JT LeRoy, um suposto viciado e filho de uma prostituta de West Virginia, outros editores e agentes garantiram que seu negócio ainda operava na base da confiança.


‘Esse setor não é capaz de verificar cada mínimo detalhe’, disse Ira Silverberg, agente que representou JT LeRoy e Ishmael Beah, autor do best-seller de memórias Muito Longe de Casa (Ediouro), recentemente acusado por jornalistas australianos de distorcer o fato de ter servido como soldado infantil na guerra civil em Serra Leoa, nos anos 1990, o que tem sido negado por ele e seus editores. ‘Assim, apresentar-se como alguma coisa que você não é, trai toda a confiança.’


Nan A. Talese, que publicou Um Milhão de Pedacinhos, de Frey, anunciou que a combinação desses episódios recentes pode começar a mudar as práticas do setor. ‘Acho que os editores terão de mencionar as coisas que aconteceram recentemente e dizer para seus autores: ‘Se tem alguma coisa em seu livro que possa ser descoberta como inverídica, é melhor nos dizer agora mesmo, e trataremos disso antes de publicá-lo’, avisou Talese. E recomendou: ‘Não creio que exista outra maneira de se checar os fatos de cada livro. Seria muito insultante e negativo na relação autor-editor.’


Sarah Crichton, editora de seu próprio selo na Farrar, Straus & Girroux e editora de Muito Longe de Casa, de Ishmael Beah, garantiu ter verificado antecedentes do autor. ‘Venho do jornalismo e queria ter certeza de que o registro histórico era preciso’, acrescentou Sarah Crichton, ex-editora de Newsweek. ‘Mas confesso que fiz a checagem para nos proteger, porque sabia que estaríamos publicando essa obra num panorama modificado.’ TRADUÇÃO DE CELSO MAURO PACIORNIK’


 


Ubiratan Brasil


Mistérios da falta de comunicação


‘O silêncio nem sempre acalma, acomoda, pacifica. Em suas entranhas, existe, muitas vezes, um poder corrosivo que destrói até a mais inquebrantável das relações. Interessada na incomunicabilidade que muitas vezes surpreende pessoas que se amam, a escritora Lya Luft produziu um punhado de contos que, reunidos, formam o volume O Silêncio dos Amantes, que a editora Record lança neste fim de semana (160 páginas, R$ 28).


Tratava-se, originalmente, de um romance, que não se sustentou como tal e, fragmentado, resultou em 20 contos, costurados por uma mesma dor: a incompreensão que subitamente nasce em relações aparentemente bem estabelecidas. ‘Conto também sobre o amparo que certas pessoas necessitam e que, por um motivo ou outro, não recebem no tempo certo’, explica Lya, que conversou com Estado por telefone, de Porto Alegre.


Nesse caminho, trilham histórias como a do rapaz incompreendido pelos pais e que desaparece misteriosamente (voando, reza uma lenda); ou do menino que não se sente encaixado no mundo por ser anão. Histórias cujo destino não seria trágico se uma frase, aquela esperada, fosse dita. Contos que Lya (grande fenômeno editorial com Perdas & Ganhos, que freqüentou a lista dos mais vendidos por 80 semanas) narra com seu tradicional cuidado com a palavra e que marcam sua volta à ficção desde O Ponto Cego, de 1999.


Por que você demorou para voltar à ficção?


Na verdade, esse livro teve um destino estranho. Eu até escrevi rápido, mas antes era para ser um livro de ensaios na linha de Rio do Meio e Perdas e Ganhos, sobre incomunicabilidade humana. Depois, apareceram alguns personagens e cheguei a escrever 50, 60 páginas com a idéia de um romance, já com esse título. Mas, se não me apaixono pelo livro, fico infeliz. Até que, ao acordar certo dia, descobri que o romance tinha se fragmentado em contos e, em cinco ou seis meses, conclui o trabalho. Gosto muito de escrever e produzi justamente o que queria. Todos têm uma linha bem firme que os une: a incomunicabilidade.


O que te motivou a escrevê-los?


Eu me considero sobretudo uma ficcionista. Para Não Dizer Adeus é um pequeno romance e o próprio Rio do Meio tem muitas histórias ali, escondidas. Mas eu me permito dar esses pequenos passeios pela crônica, poesia, ensaios. Mas sou sempre eu mesma, me expressando e várias maneiras. Não planejo minha obra, nem faço projetos anteriores.


As histórias continuam como uma biografia de suas inquietações e assombramentos, como você disse certa vez?


Sim, não é minha vida, que é bem simples – tive uma infância feliz, tranqüila. Não tive uma mãe alcoólica, nem um filho anão (risos). São assuntos que me incomodam, me fascinam, a questão da incomunicabilidade: a palavra que você não disse quando devia ter falado e a palavra que você disse quando devia ter-se calado. A grande dificuldade dos relacionamentos humanos se baseia em grande parte na incomunicabilidade, da forma que você vê o outro e como isso pode provocar o preconceito. Daí vem a origem de meus personagens: o anão, a autodestruição da mãe alcoólica, o marido suicida. Quanto conhecemos do outro com quem convivemos? Boa parte da arte universal surgiu a partir dessa questão sobre quem é o outro.


Há algum conto no qual você tenha utilizado a própria experiência?


Talvez O Jardim das Visões. Desde muito pequena, sempre fui muito interessada em observar as pessoas, minhas tias, por exemplo. Eu gostava de criar amigos imaginários – foram muitos e até criei várias famílias deles. Mas, volto a lembrar que o conto não trata da minha vida.


Essa inquietação é percebida ao longo de sua obra: a busca por uma resposta que nunca vem…


E, por não entender isso, acabo escrevendo. Sempre a questão das relações humanas, o drama da existência, que tanto pode ser fascinante como cruel. Escrevi uma coluna sobre o mal de Alzheimer, o mistério de uma pessoa que entra em um outro mundo onde você não a acompanha mais. É algo trágico, inexorável. Minha mãe morreu desse mal depois de muitos anos. Por isso que a vida é bela e cruel.


O medo da incomunicabilidade atinge principalmente os escritores?


Nunca pensei nisso. A literatura é um território muito feliz para mim. Nunca pensei em ser compreendida, pois a arte não pode ser compreendida, mas perseguida. Ela deve desencadear em qualquer tipo de leitor a sua possibilidade de emoção e de criação do pensamento. Não me preocupo em ser lida ou mesmo compreendida.


E o que você me diz da incomunicabilidade no silêncio?


Ninguém nunca se comunica perfeitamente, tampouco é inteiramente compreendido. É o que torna a vida interessante.


Mas não é uma fonte de tristezas?


Não, porque o mistério torna o outro interessante. Veja os relacionamentos amorosos e familiares, que nos são mais próximos. Se você conhece tudo sobre o outro, a vida se tornaria um tédio completo. Nem renderia boas histórias para a literatura. Trato bem disso em uma das histórias, O Que a Gente Não Disse, sobre a mulher que se surpreende quando o marido se suicida: ela acreditava conhecer tudo sobre ele, mas não sabia do essencial. Não vejo, portanto, apenas crueldade e tristeza no silêncio, mas também momentos engraçados, ternos. O que pretendo sempre é, ao narrar essas histórias, mesmo as mais difíceis, fazer com muita poesia.


A infância também é um período que provoca surpresas?


Sim. Tenho apenas um livro autobiográfico, Mar de Dentro, em que relato as memórias que tenho da minha infância entre os 2 e os 12 anos. Tudo está guardado ali, como uma raiz: a visão de mundo que tenho daquela época é muito mágica, que me carrega até hoje. Não sou alienada, veja bem. Afinal, em tudo está envolvido o mistério. Eu me lembro da minha mãe, nos muitos anos que teve Alzheimer, enveredou para aquele outro mundo. Assim, a melhor maneira de lidar com ela não era questioná-la sobre seus esquecimentos, mas participar do mesmo jogo. Com isso, percebi que o horroroso pode ser também fascinante. Afinal, quem era essa outra pessoa que estava dentro do corpo que, um dia, foi minha mãe?


E planos para o próximo livro?


Estou já rascunhando algo, no qual vou tratar sobre os mitos, medos e inverdades que nos limitam, que nos dominam, e acabam também nos cegando e impedindo nossa felicidade. Mas, como já disse antes, não faço planos. Talvez seja para 2009, quem sabe 2010.


Trecho


Sem que eu soubesse, as coisas não ditas haviam crescido como cogumelos venenosos nas paredes do silêncio, enquanto ele ficava acordado na cama, fitando o teto, com o branco dos olhos reluzindo na penumbra. Se eu o interrogava, o que você tem amor? ele respondia que não era nada, estava pensando no trabalho. A gente sabia que era mentira, ele sabia que eu sabia, mas nenhum de nós rompeu aquele acordo sem palavras. Nunca imaginei o mal que o roía. Era impossível qualquer coisa tornar a morte algo melhor do que tudo que tínhamos. Isso era o que eu achava. Ele também falava pouco no passado, a infância numa cidadezinha do interior, o monte de irmãos, os pais morrendo cedo, ele responsável pelos menores. Haveria ali, com uma raiz venenosa, alguma coisa tão triste que o levava a querer morrer?


Antes nunca pensei nisso. A gente não comentava nada que nos perturbasse. Eu era uma pessoa muito prática, para mim importava o presente. Vivia ocupada sendo feliz, tentando fazê-lo feliz, organizando família, parindo filhos, levando as crianças para a escola, indo às reuniões de pais. Estava distraída sendo fútil, sendo alegre, sendo realizada com meu marido amado e meus filhos saudáveis, gastando pouco em roupas minhas, botando termômetro quando um deles estava com febre, fazendo bolo nas tardes de sábado. (O Que a Gente Não Disse)’


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Público salva vilão


‘A voz do povo é a voz… do autor. Depois de aprontar muito durante toda a novela, o vilão e homem de gelo de plantão, Marconi Ferraço (Dalton Vigh), será salvo pelo gongo, ou melhor, pelo ibope, em Duas Caras.


Sim, o autor da trama, Aguinaldo Silva, confessa que mudou de idéia em relação ao destino do antagonista por causa da pressão do público. Ferraço não irá mais morrer como estava previsto na sinopse original do folhetim: o vilão seria assassinado por Sílvia (Alinne Moraes) na tentativa de salvar Maria Paula e o filho.


‘Se o público quer que ele fique com a Maria Paula (Marjorie Estiano), não posso deixar de ouvi-lo. Mas também não posso deixar de levar em conta que Ferraço cometeu vários crimes, ele não pode ficar com Maria Paula e com o filho antes de ser punido’, fala Aguinaldo. ‘Ferraço então concluirá que a purgação de seus pecados é uma etapa inevitável no seu processo de redenção.’ Segundo o autor, o empresário vai se apresentar à polícia e ser preso.


Casada novamente com Ferraço, Maria Paula assumirá a frente dos negócios e, quando ele sair da cadeia, estará à sua espera ao lado do filho.’


 


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 10 de abril de 2008


TRANSPARÊNCIA
Folha de S. Paulo


Os males do sigilo


‘DOS VÁRIOS enigmas que cercam o caso do dossiê de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, existe um especialmente relevante, que foge às atribuladas circunstâncias das investigações e desmentidos oficiais. Pode resumir-se numa questão: por que deveriam ser sigilosos os gastos pessoais de um presidente da República?


Em seu depoimento à CPI dos cartões corporativos, o ministro Jorge Félix, do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), contribuiu pouco para esclarecer essa questão. Deveriam permanecer ocultos os gastos com alimentação e bebidas no avião presidencial? ‘Em princípio, sim’, respondeu o ministro.


Todavia, parece razoável dizer que a atual crise política, que tantas energias e tempo tem consumido do Executivo e do Congresso, poderia ter sido evitada caso prevalecesse a regra de máxima transparência possível nas despesas palacianas.


Só por um espírito de demagogia elementar alguém diria que padrões elevados de consumo não se justificam numa residência presidencial. Não faz sentido esperar que o presidente do Brasil se aloje numa casa operária, ou que receba seus visitantes com uma dieta, digamos, à base de tapioca. Entre a despesa adequada ao cargo e o abuso principesco há, por certo, uma diferença, que só a ausência de sigilo permitiria dimensionar.


Se há risco para a segurança das autoridades, este residiria, em última hipótese, na informação sobre a origem dos fornecedores dos bens adquiridos, ou no que se poderia deduzir a respeito da agenda de deslocamentos do presidente da República e de sua comitiva. Nada que não pudesse, depois de um certo prazo, ser exposto ao conhecimento público, ou cercar-se de precauções técnicas mais sofisticadas que o sigilo absoluto.


Fonte muito maior de instabilidade e de prejuízo ao interesse público tem sido, em todo caso, a guerrilha de informações e vazamentos em que oposição e governo se emaranharam a propósito de despesas que, pelo que se conhece, nada tiveram de anormal. Depois de um abuso notório -o da ex-ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro-, o debate perdeu-se em diversos desvãos de insensatez.


Intentou-se até a exploração do preconceito contra Lula, um ex-sindicalista que agora tem sua rotina regada aos néctares reservados a outra classe. O governo reagiu com um dossiê destilado nos escaninhos menos límpidos da Casa Civil: que fosse apenas um expediente preventivo para reagir na mesma moeda, vá lá.


Mas que se pretenda a todo custo manter o sigilo do atual presidente, enquanto se jura inocência no caso do dossiê, eis uma contradição evidente do ponto de vista da ética política. Não há outra maneira de saná-la a não ser pela regra da mais ampla transparência. O país seria poupado, sem dúvida, dos lastimáveis efeitos de um entrevero que o paralisa, enquanto moralismos falsos e maquiavelismos de gabinete se engalfinham inextricavelmente.’


 


Eliane Cantanhêde


Sorriso para a imprensa


‘BRASÍLIA – Lula passou saltitante e sorridente pelos jornalistas, anteontem, a caminho da solenidade de cumprimento dos novos oficiais-generais. Dilma vinha logo atrás, de cara amarrada. Ele pegou a pupila pelo braço e a levou de volta, refazendo a cena: ‘Eu trouxe a Dilma aqui pra sorrir pra vocês’. Não é que ela sorriu?


Isso mostra pelo menos duas coisas: 1) Dilma sofreu enorme desgaste junto à imprensa e ao público externo, mas está firme e forte no Planalto; 2) Lula não está nem aí para o dossiê e para o sufoco da chefe da Casa Civil. Como sempre, não sabe, não viu, acha tudo uma besteira e continua tocando a vida, o PAC e o Bolsa Família.


Enquanto isso, a Polícia Federal apreende seis computadores à cata do ‘clandestino’, e DEM e PSDB continuam tropeçando nas próprias pernas. Em vez de assarem uma pizza, se preparam para assar duas, uma na CPI mista, outra na exclusiva do Senado. Se o forno começou com a tapioca, baixou para a gelatina e o chiclete no Aerolula.


Para completar a guinada no cenário, deputadas e senadoras governistas foram ao Planalto num ato de desagravo a Dilma, chamada de ‘galinha cacarejadora’ pelo senador Mão Santa, num momento -aliás, não raro- de destempero verbal. O encontro com as companheiras -ou neocompanheiras- serviu para a ministra exercitar o papel mais conveniente no momento: o de vítima. Pega bem.


Sem fatos novos objetivos, foi feita uma pausa para avaliar perdas e ganhos. A candidatura Dilma desmoronou, e está na hora de apurar se há condições de reconstrução.


Até que ponto ficar tanto tempo em (má) evidência impactou indelevelmente a candidatura ou, ao contrário, atraiu solidariedade?


E não se pode descartar a descoberta de mais ossinhos e ossões por aí. Depende das CPIs, da imprensa e da PF, que não brinca em serviço.


Pelo menos não anda brincando.’


 


PREFERÊNCIAS
Carlos Heitor Cony


Uns braços!


‘RIO DE JANEIRO – Já contei a entrevista que fiz com Francisco Mignone por ocasião de seus 80 anos. Como qualquer jornalista imbecil, perguntei-lhe sobre seu compositor preferido ao longo de tão longa vida. Com aquele jeito malandro que ele tinha -e que o tornava tão simpático-, o maestro disse que foi mudando com o tempo.


Aos 30 anos, quando lhe faziam a mesma pergunta, ele respondia que gostava de Beethoven. Aos 50, a resposta era outra: Bach. Mas, aos 60, quando nada mais devia a ninguém, respondia com a verdade que escondera durante tanto tempo: Puccini.


Ao iniciar a carreira de compositor, ele se sentiria constrangido em confessar sua preferência por um autor de ópera italiana. Roncava os grandes nomes que fizeram a glória musical daquele miolo da Europa Central.


‘Mas perdi a vergonha’, disse ele.


Comigo aconteceu coisa parecida em relação a Machado de Assis. Aos 30 anos, confessava meu amor por ‘Dom Casmurro’. Aos 40, fixei-me em ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’. Aos 50, assumi definitivamente ‘Quincas Borba’, e fiquei com ele até hoje.


Quem sabe o bem ou o mal que se esconde nas preferências que vão mudando com o tempo?


Pulando da música e da literatura para a mulher (não parecem, mas têm tudo em comum), conheço um sujeito que já foi vidrado nas pernas de Cid Charisse, nos olhos de Lyz Taylor, nos seios monumentais de Sophia Loren. Só recentemente descobriu que a atração maior de seu desejo eram os braços. Não sei se ele andou lendo o conto de Machado de Assis. Outro dia, encontrei-o bestificado no meio da rua. Perguntei o que havia. Ele parecia encantado, fora do mundo. Respondeu num gemido de luxúria: ‘Vi uns braços!’.


E mais não disse nem foi preciso.’


 


MANIPULAÇÃO
Folha de S. Paulo


Revista ‘IstoÉ’ faz adulteração em imagem comprada da Folha


‘A revista ‘IstoÉ’, publicação da Editora Três, adulterou uma fotografia adquirida da Folha. A imagem foi publicada pela revista na edição do final de semana, ao lado da reportagem ‘O MST contra o desenvolvimento’.


A revista apagou digitalmente a expressão ‘Fora Serra’, referência ao governador José Serra (PSDB-SP). A frase aparecia, na foto original, pichada numa placa de trânsito por integrantes do MST na rodovia Arlindo Bétio, que liga SP a MS e PR. Eles participavam de um ato contra a privatização da Cesp (Companhia Energética do Estado de São Paulo).


Em e-mail enviado ontem à Folhapress, agência de notícias do Grupo Folha, o editor-executivo da agência IstoÉ, César Itiberê, confirmou a adulteração e pediu desculpas. ‘Houve realmente manipulação por photoshop [programa de computador] da imagem dos sem-terra, com intenção absolutamente estética.’ Ele afirmou, por telefone, que ‘não houve nenhuma ordem [superior], nenhuma orientação política, nenhum dolo. Houve um mal-entendido’.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Google lá e cá


‘No topo dos sites ‘Wall Street Journal’ e ‘Financial Times’, o gigante Google fechou com o Yahoo um acordo de teste para união de publicidade.


Já nas manchetes do Globo Online ao ‘Jornal da Band’, o Congresso quebrou sigilo de 3.261 mil álbuns do Orkut, entre ameaças até de retirar o site do ar. Os parlamentares se adiantaram ao Ministério Público Federal, que segundo a Folha Online havia dado um prazo ao Google, até hoje, para o acesso às páginas por seus procuradores. Agora, liberou geral.


E não adiantou espalhar antes, em ação do bem, que o Google Earth vai abrir os mapas do desmatamento da Amazônia a pedido de um líder indígena.


CARTÕES LÁ E CÁ


No alto da capa do ‘Washington Post’, ‘Uso impróprio de cartões de crédito federais’. São gastos, entre outros, em ‘lingerie, jogos de azar, iPods e um jantar de US$ 13 mil’. Foi levantamento da controladoria dos EUA a pedido de dois senadores -um democrata, outro republicano


NO REINO DE LULA


Em conversa com ‘um de seus ministros’, postou o blog de Josias de Souza, Lula disse que os ‘ataques’ o ajudam, a oposição está ‘sem rumo’ e vai ‘diminuir nas urnas’. Que o fim da CPMF vetou o PAC da Saúde e o levou a sair pelo país, em reação. A oposição, diz o blog, ‘já acusa o golpe’ e vê ‘necessidade de refinar a estratégia’.


CACHAÇA E SANTO DAIME


Ontem no ‘New York Times’, longa reportagem com vídeo (esq.) destacou que a ‘Sedução da cachaça se espalha do Brasil para os EUA’. Segunda-feira no ‘Times’ de Londres, outra longa reportagem do ‘coração da Amazônia’ deu que uma ‘Nova religião se espalha pela Grã-Bretanha’, o Santo Daime que envolve até ‘pequena garota’ (dir.)


ANTES E DEPOIS


A Nasa divulgou em seu site e agências espalharam as fotos de satélite dos rios Piranha e Apodi em meados de março e já em abril, após as enchentes no Nordeste que foram ontem a manchete, mais uma vez, do UOL. Os mortos chegam a 36 -em enchentes que custam ‘mais que a prevenção’


EXPLOSÃO


Fátima Bernardes entrou no início da noite, sombria, ‘estações de energia pegaram fogo quase ao mesmo tempo’, ‘simultaneamente’, ‘moradores disseram ter ouvido forte explosão’, ‘não se sabe se há relação entre incêndios’. No ‘SPTV’, pouco depois, já era uma ‘coincidência’.


SUPER


‘Valor’, que há semanas destaca a questão, e outros noticiam a ‘super Eletrobrás’ -que desde ontem ‘já pode atuar como a Petrobras do setor elétrico’. Agora, ‘a iniciativa privada que apresente preços baixos’, pois vai ganhar ‘concorrência’. De uma estatal, aliás ‘super’.


PARA CIMA


Na manchete da BBC Brasil, ‘FMI revê para cima o crescimento do Brasil em 2008’, que seria ‘maior que o da economia global’. Na do site de ‘O Estado de S. Paulo’, ‘Brasil é um dos mais preparados para a crise, diz George Soros’, investidor em turnê para lançar livro. Argumenta com agricultura, minério e mercado interno.’


 


INTERNET
Folha de S. Paulo


Yahoo! firma parceria com Google em publicidade


‘Em meio às negativas às ofertas de compra da Microsoft, o Yahoo! anunciou uma temporada de duas semanas de testes de parceria em publicidade com o Google.


O objetivo é avaliar se o Yahoo! consegue extrair mais receita terceirizando o sistema de buscas de publicidade para o Google, segundo uma fonte envolvida na negociação.


No entanto, a junção das duas empresas é vista como uma estratégia para pressionar a Microsoft por um aumento da oferta de compra. A empresa de Bill Gates trava uma batalha de cerca de dois meses para comprar o Yahoo! por US$ 42 bilhões.


O resultado do experimento pode permitir que o Yahoo! mostre que é possível gerar mais receita, o que justificaria um aumento de oferta.


A parceria prevê o envio das propagandas que aparecem junto dos resultados das buscas feitas no Yahoo! por meio do sistema de pesquisas de publicidade do Google -AdSense for Search. Só farão parte do teste buscas nos EUA no Yahoo.com e limitadas a 3% das pesquisas.


‘A diretoria do Yahoo! está explorando estratégias para maximizar os ganhos dos acionistas’, diz a empresa em comunicado.


O Yahoo! disse que o teste não significa necessariamente que a empresa vai passar a usar o AdSense regularmente nem que alguma relação comercial com o Google virá como resultado da parceria.


Com agências internacionais’


 


TECNOLOGIA
Marcelo Ninio


Tributos derrubam Brasil em ranking de tecnologia


‘O sistema tributário brasileiro foi considerado o pior em um estudo envolvendo 127 países que o Fórum Econômico Mundial divulgou ontem. A ineficiência do fisco foi um dos fatores que levaram o Brasil a cair seis posições no ranking mundial que mede o nível de preparo tecnológico dos países.


Outros motivos para a queda foram o baixo nível da educação e o excesso de regulamentação no Brasil, diz a entidade suíça, organizadora do disputado encontro anual de Davos.


No topo do ranking tecnológico, está a Dinamarca, seguida de Suécia, Suíça, Estados Unidos e Cingapura. O Brasil, que no último estudo ocupava a 53ª posição, agora está na 59ª. O levantamento é baseado no desempenho em 68 categorias, do nível do sistema educacional ao número de usuários de computadores e celulares.


Em três delas, o Brasil está entre os dez piores no ranking: ‘tempo necessário para abrir um negócio’ (120º), ‘peso da regulação estatal’ (125º) e ‘extensão e eficiência dos sistema tributário’ (127º). ‘Infelizmente o Brasil ficou em último nessa variável’, afirmou a economista Irene Mia, uma das autoras do estudo.


Segundo ela, o Brasil tem obtido avanços em tecnologia, o problema é que outros países são mais rápidos. ‘O mercado no Brasil ainda sofre com a regulamentação excessiva, a qualidade do sistema educacional é baixa e há pouco investimento em pesquisa e desenvolvimento, o que atrasa o esforço para gerar níveis mais desenvolvidos de preparo tecnológico.’


Só quatro países da América Latina estão entre os 50 primeiros do ranking: Chile (34º), Barbados (38º), Porto Rico (39º) e Jamaica (46º). O México está uma posição acima do Brasil. A Argentina ficou em 77º. O último é o Chade.


Entre os principais emergentes, o Brasil ocupa uma posição intermediária, acima de Rússia (72º), mas abaixo de Índia (50º), África do Sul (51º), Turquia (55º) e China (57º).


Para Mia, o melhor exemplo de que vale a pena investir em educação e tecnologia é a Coréia do Sul. ‘Há 30 anos, eles tinham o PIB do México. Hoje, são líderes em inovação’, disse a economista sobre o país asiático, que subiu dez posições em relação ao último ranking, para ocupar o nono lugar.


Ela reconhece que o governo brasileiro vem dando prioridade ao setor de tecnologia nos últimos anos, mas qualifica de ‘estrutural’ o problema do país. Ela também observou que há uma dimensão psicológica no atraso do Brasil.


‘Uma coisa que nos chamou a atenção nos questionários que mandamos para os empresários brasileiros foi o pessimismo com a economia do país’, disse ela, que ficou surpresa, já que isso contrasta com a percepção internacional.


O Relatório Global de Tecnologia de Informação 2007-2008 organiza em rankings todos os 68 critérios a que os países são submetidos para a elaboração das conclusões finais. O Brasil aparece mal posicionado em áreas cruciais para o desenvolvimento tecnológico, como a qualidade da educação em geral (117º) e do ensino da matemática (114º).’


 


CRIME ONLINE
Simone Iglesias


CPI quebra sigilo de 3.261 álbuns do Orkut


‘A CPI da Pedofilia aprovou ontem a quebra do sigilo de 3.261 álbuns privados publicados no site de relacionamentos Orkut, que pertence à Google, com suspeita de conter material pornográfico.


Essas páginas foram denunciadas, de novembro de 2007 até março, à ONG SaferNet Brasil, que monitora e denuncia crimes na internet. Elas são bloqueadas por um sistema de privacidade e só podem ser vistas por pessoas autorizadas pelos seus donos.


Fotos, imagens e recados provenientes dessas páginas serão disponibilizados para investigações, além de todos os dados cadastrais de quem criou a página no site.


O requerimento da quebra de sigilo foi aprovado durante reunião da CPI, da qual participaram o diretor-presidente da Google no Brasil, Alexandre Hohagen, e o procurador da República Sérgio Suiama.


‘Vamos aguardar o recebimento da notificação e cumprir a determinação. Ainda estamos avaliando as questões técnicas para disponibilizar as informações’, disse Hohagen.


A convocação da Google ocorreu após Suiama e o diretor da SaferNet, Tiago Tavares, apresentarem dados à CPI revelando que o Orkut foi o maior responsável pela difusão de material pedófilo na internet.


Segundo dados da SaferNet, 90% das denúncias feitas à ONG são relacionadas à difusão da pedofilia por meio do site de relacionamentos Orkut.


Hohagen afirmou que o site contém 27 milhões de páginas criadas por brasileiros, das quais cerca de 0,4% apresentam conteúdo pedófilo.


Ele compareceu à CPI acompanhado do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), que na semana passada passou a defender a Google.


Medidas


Antes de ser questionado pelos senadores e cobrado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal -que reclamam das dificuldades em acessar o conteúdo do Orkut-, Hohagen citou algumas medidas para colaborar no combate à pedofilia.


Entre elas, se comprometeu a ampliar de 30 dias para seis meses o arquivamento do registro dos computadores e dos dados cadastrais de usuários considerados suspeitos; a usar filtros mais modernos que impeçam a postagem de fotos e vídeos que contenham pornografia infantil; e a notificar a difusão de material pedófilo às autoridades, fornecendo as provas existentes para uma eventual investigação.


‘Nunca houve má vontade. Fomos progredindo aos poucos e resolvemos adotar no Brasil uma mudança de postura, que não se baseia apenas nos acordos internacionais que regem o assunto’, disse Hohagen.


Suiama afirmou que a empresa vinha tendo ‘postura pouco negociável’ até o momento. Segundo ele, a criação da CPI começou a mudar isso.


Antes da participação de Hohagen, o presidente da CPI, senador Magno Malta (PR-ES) ameaçou tirar o Orkut do ar se não houvesse disposição da empresa em colaborar com o fornecimento de informações.’


 


Rodrigo Vargas


Juiz condena Google por ofensas no Orkut


‘Um juiz de Mato Grosso condenou a Google Brasil a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais a uma mulher de Cuiabá que foi alvo de ofensas em uma comunidade do site de relacionamentos Orkut, de propriedade da empresa.


Para o juiz Yale Mendes, a Google responde pelas eventuais conseqüências dos serviços que se dispõe a prestar, ‘independentemente de culpa’.


A mulher já havia obtido, em novembro do ano passado, uma decisão provisória para exclusão imediata da comunidade, na qual era descrita como ‘a caloteira’.


‘Gosta de humilhar e menosprezar as pessoas com menos poder aquisitivo que ela. Se ela te deve, esqueça, ela não paga. Caloteira de marca maior’, dizia um dos textos, assinado por um usuário com pseudônimo.


Em sua defesa, a empresa disse não ter sido a autora da ofensa. Caso não recorra da decisão judicial, a Google terá 15 dias para pagar a indenização. A reportagem entrou em contato ontem com a assessoria de imprensa da empresa no Brasil, mas não houve resposta.’


 


MARKETING
Italo Nogueira


Bope faz publicidade de empresa de armas


‘Policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e do Batalhão de Policiamento de Choque (BPChoque) da Polícia Militar do Rio participaram ontem em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, de uma ação de marketing de um fabricante de armamentos não-letais. Agentes fizeram uma apresentação do material para a imprensa em uma ‘favela cenográfica’ e posaram com o boné da empresa.


Quarenta policiais de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Espírito Santo e Rio participaram de um treinamento gratuito da Condor -fabricante do produto- no sítio da empresa.


A Secretaria de Segurança e a Polícia Militar do Rio pretendem comprar armas não-letais. A Condor vê o Estado como um mercado novo. Para o governo, o treinamento com as armas da empresa não direciona a escolha, pois ‘a disputa será aberta para todos’. A Condor diz ser a única fabricante nacional desse tipo de produto.


Durante o treinamento, os policiais tiveram contato com armas que ainda não conheciam, como um lançador de balas de borracha calibre 40 mm. O tenente do Bope Marcelo Corbage elogiou o produto ao gravar um vídeo da Condor.


‘Ele tem um alcance e uma cadência de tiros maior do que as armas [não-letais] que temos’, disse o policial para o vídeo. ‘Queremos desmistificar a imagem de que as operações do Bope são letais’, disse Corbage.


‘O nosso objetivo em oferecer o curso é que os policiais usem o produto de forma adequada’, disse o diretor de Relações Institucionais da Condor, Antônio Carlos Magalhães.


O comandante do Batalhão de Policiamento de Choque (BPChoque), coronel Carlos Milagres, deu entrevistas vestindo o boné da empresa. Ele reconheceu o deslize. ‘Talvez eu nem devesse mesmo [estar com o boné]. Mas estou aqui na condição de aluno’.


De acordo com coronel Milagres, o BPChoque será usado como um ‘modelo’ do uso de armamento não-letal a ser expandido para os outros batalhões do Estado.


A Polícia Militar do Rio disse que foi ‘convidada a fazer uma demonstração de utilização de armas não-letais’. ‘Qualquer coisa fora isso é uma especulação’, afirmou. A PM não respondeu se Milagres tinha autorização para vestir o boné da empresa em entrevistas e se Corbage podia gravar o vídeo.’


 


JOGO
João Carlos Magalhães


Justiça proíbe game que premia atos violentos em uma escola virtual


‘Um jogo de PlayStation 2 que premia atos violentos e desonestos dentro de uma escola teve sua importação, distribuição e comercialização proibidas no país por decisão liminar da Justiça do Rio Grande do Sul.


A decisão é da última sexta. Na segunda, foram expedidos ofícios para a importadora JPF Maggazine e para 14 sites que vendem o game ‘Bully’. Caso descumpram a obrigação, podem ser obrigados a pagar multas. O jogo é produzido pela Rockstar. A decisão é passível de recurso.


Em português, ‘bully’ pode significar ‘ameaçar’ ou ‘tirano’, e deu origem ao termo ‘bullying’, prática em que um aluno humilha ou intimida outro na escola.


De acordo com o promotor Alcindo Bastos, a ação foi proposta após recebimento de representação feita pelo Centro de Apoio à Infância e Juventude.


‘Bully’ foi então analisado pela Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, que concluiu que o game é potencialmente lesivo.


‘O jogo produz sentimentos de provocação e humilhação, uso de agressão física, suborno e fuga’, afirmou o juiz em sua decisão, segundo o promotor.


A reportagem não conseguiu localizar representantes da JPF Maggazine no final da tarde de ontem.’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Globo testa TV digital dentro de túnel de SP


‘A Globo está testando a recepção de seu sinal digital dentro de túneis de São Paulo. A emissora avalia a necessidade de instalação de antenas repetidoras, como ocorre com a tele’


fonia celular, nessas vias.


O alvo da Globo são os futuros proprietários de miniTVs e telefones celulares receptores de TV digital, potenciais telespectadores em congestionamentos. A rede planeja começar a produzir em 2008 conteúdo específico para esse público.


A Globo instalou um retransmissor de TV digital dentro do túnel Ayrton Senna (Ibirapuera). ‘Ainda é uma experiência. Ao longo dos próximos anos, as emissoras vão investir na melhoria da cobertura do sinal digital [com a instalação de retransmissores]. O ideal é que cada um dos buracos [locais sem sinal] seja coberto’, afirma Liliana Nakonechnyj’, diretora de telecomunicações da Globo.


Os retransmissores serão necessários em quase toda a Grande São Paulo. Estudo da Philips mostra que o sinal das TVs falha num raio a partir de 20 km da avenida Paulista.


Isso também ocorrerá no Rio. A cobertura deverá ser insatisfatória na Barra da Tijuca. Como a TV digital não ‘pega’ nada em áreas de sinal fraco ou com barreiras, as TVs já trabalham com a hipótese de terem que negociar com traficantes a instalação de repetidores em morros do Rio. Mas esses retransmissores ainda dependem de autorização do governo.


BUG 1


Pelo menos até as 14h de ontem, toda a Globo estava sem acesso à internet e a e-mails. O problema afetou todas as áreas e unidades (São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte e Recife). A pane prejudicou muito o trabalho dos profissionais. Funcionários tiveram que apelar para o aparelho de fax.


BUG 2


A pane só não foi visível para o telespectador porque os técnicos de informática conseguiram fazer funcionar o Inews, sistema em que os jornalistas preparam o roteiro e os textos dos telejornais. O Inews voltou a operar menos de cinco minutos antes de o ‘Globo Rural’ (6h15) entrar no ar. Os jornalistas já estavam preparado para colocá-lo no ar como se fosse rádio, com a apresentadora lendo as notícias em uma folha.


APREENSÃO


A cúpula da Globo está de olho nas audiências desta semana dos novos programas da emissora (‘Casos e Acasos’, ‘Faça Sua História’ e ‘Dicas de um Sedutor’). A audiência da semana passada, na casa dos 20 pontos, não foi satisfatória.


TRENZÃO


A SET (Sociedade de Engenharia de Televisão) estima em 1.400 os brasileiros na NAB Show, feira de TV, focada em equipamentos, que ocorre na semana que vem em Las Vegas. A entidade distribuiu e-mail a associados só com dicas de lazer. O roteiro traz hotéis temáticos (cassinos), shows e até orientação para levar soro nasal, por causa do clima seco.


NA MESMA


Deu dois pontos a estréia, terça na Band, de ‘É o Amor’.’


 


CONCURSO
Mônica Bergamo


Intervalo


‘Por sugestão do próximo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, foi suspenso o concurso que previa a contratação de 74 jornalistas para trabalhar nos órgãos de comunicação da instituição. A idéia, da atual presidente, Ellen Gracie, já tinha sido aprovada no colegiado do tribunal, mas Mendes pediu para estudar melhor o assunto. Ele toma posse no dia 23 e deve decidir a questão em seguida.’


 


MÚSICA
Thiago Ney


Livro radiografa a vida em uma banda de rock


‘Dean Wareham já fez muita farra com mulheres e com drogas. Ele parece não se importar muito com isso. Não há a menor possibilidade de algumas prostitutas destruírem sua carreira, porque a carreira de Dean Wareham foi construída e moldada pelo rock and roll.


Pouco conhecido no Brasil, Wareham ganhou relativa fama nos EUA como vocalista das bandas Galaxy 500 e Luna, dois nomes sólidos do rock independente norte-americano.


Nascido na Nova Zelândia, o músico, hoje com 45 anos, acaba de lançar nos EUA ‘Black Postcards: A Rock & Roll Romance’ (Cartões postais negros: Um romance rock & roll), espécie de livro de memórias.


Mas, mais do que um diário de Wareham, ‘Black Postcards’ é uma radiografia saborosa das entranhas não tão simpáticas da indústria musical, em tempos pré e pós-internet.


Com o Galaxy 500, Wareham lançou três discos (entre 1988 e 1990) e ajudou a acender o pavio que levaria ao boom do rock indie nos anos 90.


Com o fim do Galaxy, montou o Luna, que tinha entre seus integrantes a baixista Britta Phillips (mulher de Wareham). Se recebia belos elogios da crítica (o disco ‘Penthouse’ esteve em várias listas de ‘melhores de 1995’), o Luna não conseguiu o mesmo reconhecimento em vendas de álbuns, o que motivou o fim do grupo.


A crítica não tem nenhum peso na vendagem de discos?


‘Não para alguém como Bon Jovi’, brinca Wareham à Folha. ‘Eles são constantemente massacrados por críticos, mas continuam tão grandes como nunca. Talvez fiquem com o orgulho um pouco ferido ao verem tantas resenhas ruins… É claro que a opinião de um crítico causa impacto, faz a diferença, mas o rádio ainda tem mais força do que a imprensa, porque, quando ouvimos algo de que gostamos, temos que ter aquilo. Resenhas são meio suspeitas, o gosto do crítico pode ser muito diferente do meu.’


No livro, Wareham trata do dia-a-dia de uma banda sem nenhum floreio.


‘Quando você está em uma banda, você não é apenas amigo dos outros integrantes. O grupo pode até começar com uma amizade pura. Mas, se a banda faz sucesso, então entra uma nova lógica. Torna-se um negócio, e agora vocês são sócios, além de amigos e colaboradores. No início, é legal estar junto em uma sociedade secreta. Mas você se torna mais envolvido na vida dos outros de uma forma que não imaginava. Em vez de serem amigos, tornam-se amantes. Com a diferença que vocês não planejavam morar juntos…’


O poder do rádio


Para Wareham, sites como MySpace e Facebook não diminuíram a importância das gravadoras. ‘Nos EUA, o rádio ainda é rei, é a maneira mais efetiva de fazer as pessoas comprarem seus discos. E, para tocar nas rádios, é preciso que uma gravadora gaste dinheiro com promoção. Mas é claro que isso está distante de minhas experiências com o Galaxy 500 e com o Luna. Nós nunca tivemos hits nas rádios…’


BLACK POSTCARDS: A ROCK & ROLL ROMANCE


Autor: Dean Wareham


Editora: Penguin Press


Quanto: cerca de R$ 45


Onde comprar: www.amazon.com; www.barnesandnoble.com’


 


VIOLÊNCIA
Rosely Sayão


Tragédias na mídia


‘Nas últimas semanas, temos sido bombardeados, por todas as mídias, por notícias que revelam violências contra crianças praticadas possivelmente por adultos próximos a elas. É uma criança torturada aqui, outra ali, outra que morre lá e assim por diante. E não podemos esquecer que as crianças, hoje, têm acesso a todos os veículos de comunicação e recebem essas informações.


Que sentidos elas dão a esses fatos? Tomemos dois exemplos que chegaram a mim. Uma criança, de oito anos, perguntou à mãe se o pai poderia matá-la quando ficasse muito bravo. Outra, um pouco mais nova, perguntou se iria ficar de mãos amarradas quando fosse ao castigo. Certamente, muitos leitores devem ter passado por experiências semelhantes com seus filhos e seus alunos.


As crianças estão angustiadas com tais notícias porque identificam nelas que os adultos próximos, ao invés de de protetores, podem ser ameaçadores. Justamente aqueles em quem elas depositam a maior confiança se revelam, nas notícias, suspeitos de agir de modo contrário. E agora?


Agora, mais uma parte da infância de nossas crianças fica comprometida, fato cada vez mais banal. Mas será que não se pode fazer nada? Sim, podemos e devemos fazer algo por elas, que, sozinhas, não conseguem entender e expressar toda a angústia que as invade.


A maioria das escolas costuma ignorar o fato de que seus alunos sabem dessas notícias e continuam seus trabalhos como se nada de excepcional ocorresse. Pois todas elas têm recursos para, de alguma maneira, tratar dessas questões. É um bom momento, por exemplo, para oferecer aos alunos, nas aulas de expressão artística, estratégias para dar forma ao que eles imaginam, sentem e pensam sobre tais fatos.


O simples fato de colocar de modo simbólico sentimentos e angústias já aponta pistas sobre outras formas de trabalhar o tema. Depois, é importante que se fale a respeito, sem psicologismos nem interpretações leigas, para que, coletivamente, eles se sintam acolhidos em suas preocupações e aprendam sobre os direitos das crianças e dos adolescentes e os valores sociais da justiça e da responsabilidade com o bem comum.


Para os pais, esse é um bom momento para oferecer aos filhos mais segurança em relação aos vínculos familiares e dar maior relevância aos valores morais e éticos. É muito importante, por exemplo, afirmar que a família ama e respeita a vida, que nenhuma violência deve ser aceita pelos integrantes do grupo familiar, que casos como os noticiados são exceções -apesar de tanto alarde-, que os impulsos agressivos podem ser controlados e, também, estabelecer um diálogo a respeito das opiniões dos pais e dos filhos sobre esses fatos.


Todas as tragédias servem para nos fazer refletir sobre a humanidade e o nosso cotidiano. Por isso, é importante que os adultos pensem a respeito das pequenas violências, simbólicas ou reais, que o mundo adulto comete contra os mais novos. Afinal: nossas posições demonstram que somos a fim deles ou que estamos mais para ser o fim deles?


ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de ‘Como Educar Meu Filho?’ (ed. Publifolha)’


 


 


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Vi o Mundo


Quinta-feira, 10 de abril de 2008


VENEZUELA
Luiz Carlos Azenha


Taxa de aprovação de Hugo Chávez, superior a 66%, reafirma os limites do bombardeio midiático, 8/4


‘SÃO PAULO – O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reconquistou o apoio político que tinha antes do referendo aprovatório em que sua proposta de reforma constitucional foi derrotada com cerca de 50% de votos contrários e 49% a favor, em dezembro de 2007.


Chávez foi reeleito em 2006 com mais de 62% dos votos. A grande abstenção no referendo foi atribuída a chavistas que desistiram de votar. Muitos discordavam da reeleição indefinida, vendida na Venezuela como ‘mandato perpétuo’ para Chávez.


Agora, o Instituto Venezuelano de Análise de Dados (IVAD), cujas pesquisas quase sempre foram confirmadas pelos resultados eleitorais, mostra que 66,5% dos venezuelanos aprovam o governo Chávez. A margem de erro é de 1% a 2,3%


A grande maioria dos venezuelanos – 76,7% – quer que o presidente continue buscando a libertação dos reféns sequestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). E 72,2% acham que a paz na Venezuela depende da paz na Colômbia.


Aqui é importante lembrar um dado frequentemente esquecido na cobertura indigente da mídia corporativa brasileira, que mistura má fé com ignorância: centenas de milhares de colombianos vivem refugiados na Venezuela. É como se uma guerra civil no Paraguai provocasse a entrada de milhares de refugiados no Brasil.


A segurança pública (69,5%) e o desabastecimento (38,8%) foram os principais problemas do país apontados pelos entrevistados na pesquisa do IVAD.


Uma das causas da falta de alimentos na Venezuela é o forte aumento da demanda. O consumo das classes mais baixas explodiu desde que o governo passou a investir parte da renda do petróleo em programas sociais. Mas os projetos para desenvolver a agricultura local até agora não deram resultado significativo.


A entrada da Venezuela no Mercosul ainda depende da aprovação de dois países. O assunto deve ser considerado pelo Congresso do Paraguai logo depois das eleições do próximo 20 de abril. No Brasil, não há data para que o assunto seja votado. Tudo indica que vai ficar para depois das eleições municipais, já que este é um tema em que a oposição faz pose de durona, apesar dos empresários brasileiros serem majoritariamente a favor. Eles, empresários, estão de olho no mercado venezuelano.


A pesquisa do IVAD demonstra os claros limites dos bombardeios midiáticos. Nas circunstâncias, Chávez mantém altíssima taxa de aprovação. O presidente venezuelano sofre oposição dos principais grupos privados de informação da Venezuela, especialmente da rede Globovisión. Além disso, Chávez é alvo de críticas em toda a mídia internacional: da CNN em espanhol ao Washington Post, do El Pais ao New York Times, tudo devidamente repercutido internamente por jornais, emissoras de rádio e de TV da Venezuela.


Além de ter criado a Telesur, o governo Chávez controla sua própria agência de notícias, uma emissora de TV de alcance nacional e conta com o apoio de uma rede de canais comunitários. A maior empresa da Venezuela, a PDVSA, patrocina publicações e campanhas de apoio ao governo, algumas das quais fazem propaganda pessoal de Hugo Chávez.


Em minha singela opinião, os críticos de Chávez exageraram tanto que acabaram desacreditados, facilitando a tarefa do presidente venezuelano de atribuir todas as críticas que recebe – as justas e as injustas – àqueles que pretendem derrubá-lo.


PS: Qual teria sido o título usado pela imprensa de oposição para anunciar o resultado da pesquisa? Parece caricatura, mas o El Nacional, o Estadão venezuelano, declarou: Para a população, insegurança é o maior mal.’


 


 


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