Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1004
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JORNAL DE DEBATES > EQUADOR

Governo ocupa TVs por dívidas de ex-banqueiros

10/07/2008 na edição 493

A Agência de Garantia de Depósitos (AGD), agência bancária do governo do Equador, ocupou, esta semana, três emissoras de TV e 195 empreendimentos pertencentes ao grupo Isaías, a fim de recuperar o dinheiro usado para sanar dívidas geradas pela falência do banco Filanbanco, em 1998. Segundo o presidente equatoriano Rafael Correa, o grupo – que era proprietário do Filanbanco – deve ao governo milhões de dólares. As empresas ocupadas provavelmente irão a leilão.


Os irmãos William e Roberto Isaías, ambos ex-banqueiros, enfrentam agora acusações relacionadas ao colapso do banco, que era um dos maiores do país. No final dos anos 90, 21 bancos foram à falência após uma crise financeira que atingiu o Equador. As dívidas totais do Filanbanco são estimadas em US$ 660 milhões.


As três emissoras, TC Television, TC Noticias e Gamavision, são administradas por parentes de William e Roberto, que se mudaram para os EUA após a quebra do banco. O governo equatoriano pediu às autoridades americanas para extraditá-los. Representantes das TVs classificaram a atitude como um ataque à liberdade de expressão. O presidente da Gamavision, Alvaro Dassum, primo dos dois ex-banqueiros, emitiu uma declaração afirmando que a emissora não tem ligações com o Filanbanco. Estefano Isaias, irmão dos foragidos e proprietário da TC Television, acusa o governo de tentar controlar a mídia. ‘Estamos vivendo em uma ditadura’, afirmou.


Renúncia


O ministro da Economia, Fausto Ortiz, renunciou ao cargo horas após a ocupação e foi substituído pela ex-presidente da AGD Wilma Salgado. ‘Estamos interessados em pagar nossas dívidas sociais, e não em submeter a população à ditadura dos mercados financeiros internacionais’, disse ela. Ortiz não concordou com a intervenção.


As três redes de TV, de alcance nacional, incluem um canal de notícias a cabo e dois canais abertos – de maior penetração, já que apenas 5,4% da população tem acesso à TV a cabo. O presidente da TV estatal, Enrique Arosemena, nomeado responsável pelas emissoras ocupadas, disse que elas terão uma nova linha editorial. Já o presidente da AGD, Carlos Bravo, garantiu que o governo não tem intenção de silenciar a imprensa, afirmando que tem esperanças de que as emissoras voltem à administração privada o mais rápido possível. Para Oscar Ayerve, presidente da Associação de Acionistas da Filanbanco, a ocupação foi um ‘sinal positivo’ para 60 mil credores que perderam US$ 350 milhões com a queda do banco. Informações de Gonzalo Solano [AP, 8/7/08].

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