Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

ENTRE ASPAS > REPÚBLICA EM POLVOROSA

Grampos são feitos para vazar

Por Alberto Dines em 02/09/2008 na edição 501

Os ‘grampos da Abin’ – ou que nome o caso venha a tomar nos próximos dias – fazem parte da edição mais recente do velho, surrado e suspeito ‘Jornalismo Fiteiro’.


Mais uma vez a imprensa, no caso o semanário Veja, serviu como veiculadora de uma denúncia que recebeu pronta, no colo, talvez até entregue na redação por um motoboy. Desta vez não foi uma fita, vídeo ou dossiê, mas a transcrição de uma rápida e aparentemente inofensiva conversa do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes com o senador oposicionista Demóstenes Torres (DEM-GO).


O gentil doador do documento que, segundo a Veja, era funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), não estava interessado em divulgar alguma conversa comprometedora do chefe do Poder Judiciário. Nunca se saberá se é efetivamente funcionário, se procurou os repórteres da revista movido por um dever cívico-moral ou se está a serviço de alguém – dentro ou fora da Abin – interessado em atingir a sua direção ou mesmo as esferas superiores.


O presidente do STF, Gilmar Mendes, já reclamou várias vezes – inclusive por via judicial – contra gravações clandestinas nos seus telefones. Em maio deste ano, este Observatório publicou um voto de Mendes que foi acompanhado por decisão da Segunda Turma do STF em favor da concessão de habeas corpus a um deputado distrital envolvido nas investigações da Operação Navalha, da Polícia Federal, que investigava fraudes em licitações públicas comandadas pela Construtora Gautama. Em seu voto, Mendes protestou contra o vazamento de fatos sigilosos da operação para a imprensa, contra o monitoramento de conversas telefônicas suas com o procurador-geral da República, e queixou-se do envolvimento indevido do seu nome entre os beneficiários de ‘mimos e brindes’ distribuídos pela construtora [ver ‘Ministro do STF reclama de vazamentos‘]. Ninguém deu atenção ao caso, apesar de surpreendente e inédito.


Armas solertes


Os arapongas que realizaram o grampo e liberaram o seu conteúdo determinaram o timing e a repercussão da denúncia. Pretendiam fazer barulho e obrigar o governo a agir em determinada direção. A ‘crise institucional’ armada no último fim de semana – e aparentemente desarmada pelo governo na tarde da segunda-feira (1/9) – não pode ser atribuída à rivalidade entre o ministro Tarso Genro e o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Transcende aos meandros da Operação Satiagraha, mas não pode ser desligada do grampo que vazou para a imprensa com a complicada conversa do ex-deputado Luiz Eduardo Greenlagh, advogado de Daniel Dantas, e o chefe-de-gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho. A Abin fez parte desta conversa.


É importante verificar que o atual surto de grampos atingiu a Suprema Corte no exato momento em que ela se impõe como a referência visível do Estado brasileiro. Com o chefe do Executivo praticando o seu esporte preferido nos palanques eleitorais e o chefe do Legislativo evaporado porque simplesmente não temos algo que se pareça com um Legislativo, a atuação competente, soberana e, sobretudo, confiável da instância máxima do Judiciário faz dela um alvo preferencial para os interessados em desmontar a sua credibilidade.


O STF examina neste momento dois casos com alto teor explosivo. A demarcação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol – e a possibilidade concreta de mantê-la como área contínua junto à fronteira – preocupa importantes setores militares. No campo oposto, petistas e aliados estão excitados com o desenrolar do julgamento da organização criminosa que operou o ‘mensalão’.


Convém lembrar que no mesmo fim de semana em que se revelava a escuta clandestina nos telefones do ministro Gilmar Mendes, o presidente Lula, em comícios com candidatos a prefeitos do PT na Grande São Paulo, investia furiosamente contra aqueles que ‘crucificaram nossos companheiros’ – que, por coincidência, são réus no gigantesco processo que corre no STF.


Vazamentos são armas traiçoeiras, solertes. Raramente consegue-se detectar seus reais objetivos porque os verdadeiros beneficiários ficarão sempre protegidos pelo anonimato.


No dia em que a imprensa perceber que os grampos são feitos para serem vazados vai nos livrar de duas pragas: um e outro.

Todos os comentários

  1. Comentou em 20/03/2010 marcone-teles-de-jesus teles

    meu cometario e pessoal moro na cidade de feira desemprego com um don nas maos ja recorrir varias pessoas mais sou de classe baixa nao me ajudar em nada possom ir longe mais sem aparo de nin gue nao tenho como ergue minha profisao gostria muito quer observatorio da imprensa entrase em contato tenho uma mente brilhante para deszenahr mais sem aparop dos administradoris do meu estado e do municipio ja recorrir mas nada elojiam mais nao ajudam com impurrasinho posso com certaza atuar nas empresa de arquitetura desesonho em marktyng desenho em propaganda desenho grafico desagner projetos arquitetetonicos serigrafia arquitetura urbana arquitetura de cidade imaginaria meu trabalho quer eu desenvolvo gerografia urbana turismo gostria decontatto 75-8801-1119

  2. Comentou em 07/09/2008 Marco Leite

    Quem não deseja ter os cabelos grampeados que não vá à cabeleireira. Esse Gilmar Dantas esta mais para vedete dos anos cinqüenta, do que para juiz do STF. Vá ser dodói assim lá na casa do capeta?

  3. Comentou em 07/09/2008 Carlos Martins

    Pra variar, os comentários viraram um Curintcha x Parmêra pró e contra o ‘lulopetismo’, escamoteando o que interessa em um auto-eleito observatório *da imprensa*. Qual é a materialidade da ‘denúncia’ do trapo dos Civita? Nada, zero, néris de pitibiríbis. Ah, os ‘grampeados’ confirmaram o diálogo? Curioso que tenha vazado logo uma anódina conversa que não compromete qualquer dos dois de forma alguma. No mais, tanto Demóstenes Torres, de quem se diz ser da bancada ‘dantesca’, quanro Gilmar Mendes, em luta aberta contra os setores investigativos que incomdam certos interesse privados, são fontes insuspeitas, já que são partes interessadas e, portanto, passíveis de suspeição eles mesmos. Usa-se o ‘sigilo da fonte’ como biombo para plantar uma invencionice segundo a qual a ABIN (leia-se Paulo Lacerda) teria grampeado o Presidente do Supremo. Prova da autoria? Nenhuma. Hipótese por hipótese, se ‘grampo’ de fato houve, por que não teria partido, já voltado para o futuro vazamento, de insatisfeitos por a área de inteligência ter passado para a alçada civil? Basta ver a estapafúrdia e leviana ingerência do Ministo da ‘Defesa’ – defesa ‘deles’, bem entendido. Ou, por que não poderia ter sido armação do próprio e notório Bufão Togado, que alardeou desrespeitosamente que iria ‘chamar às falas’ o Presidente (eleito!) de outro poder, e erege as intrigas do trapo em verdade inquestionável?

  4. Comentou em 07/09/2008 Ivan Moraes

    ”cafundir’ social-democracia co liberalismo, equivale aqui na tupiniquéia a ter tucanos como gente de direita’: nunca desapareceu tanto dinheiro do Brasil como desapareceu quando ‘a tupiniqueia’ estava no poder. O Brasil so perdeu.

  5. Comentou em 06/09/2008 Rubens Prector

    Grampo no desgoverno FHC: onversas gravadas de forma ilegal foram um capítulo à parte no governo FHC. Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. MAIS do P$DB: o economista Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de Serra e de FHC, é acusado de exercer tráfico de influência quando era diretor do Banco do Brasil e de ter cobrado propina no processo de privatização. Ricardo Sérgio teria ajudado o empresário espanhol Gregório Marin Preciado a obter perdão de uma dívida de R$ 73 milhões junto ao Banco do Brasil. Preciado, casado com uma prima de Serra, foi doador de recursos para a campanha do senador paulista. Outra ligação perigosa é com Vladimir Antonio Rioli, ex-vice-presidente de operações do Banespa e ex-sócio de Serra em empresa de consultoria. Ele teria facilitado uma operação irregular realizada por Ricardo Sérgio para repatriar US$ 3 milhões depositados em bancos nas Ilhas Cayman – paraíso fiscal do Caribe.

  6. Comentou em 06/09/2008 Thomaz Magalhães

    Um historiador petista aí abaixo diz que os tucanos se desesperam para desestabilizar o governo Lula. E o governo Lula de reunião marcada para a semana com os tucanos para resolver o imbróglio da escuta. Na qual ambos mostam interesse em panos quentes. Interesses comuns entre tucanos e petistas não são novidade nenhuma. O historiador cita Marilena Chauí, que não dá um pio desde o ‘silêncio dos intelectuais’ que se seguiu ao escândalo do Mensalão. Quem falou depois do escândalo, até anda circulando pela internet, é o excelente editor da Contraponto, César Benjamim, fundador do PT que pulou fora do partido quando descobriu na companhia de quem andava – Delúbio Soares, Dirceu, Lula entre outros, aos quais chama de desviadores de dinheiro dos fundos de trabalhadores. Lula tamb´m falou, ontem, do mensalão: infâmia contra o PT, discursou. E a Miriam Leitão lembrou que não foi contra o PT a leviandade, foi dele mesmo. Pois quem denunciou foi o líder da base petista (Jefferson), a quem Lula disse dar cheque em branco; quem confessou receber dinheiro do partido fora do país foi o publicitário de Lula (Duda) e a confissão sobre o caixa dois do mensalaõ veio do tesoureiro (Delúbio)do partido. Mesma coisa, soa engraçado o comentário do professor, também aí abaixo, que como bom petista acha que quem não é petista é tucano. Pensa que não há gente de direita no país. E na imprensa.

  7. Comentou em 05/09/2008 Pedro Pereira Pereira

    Não seria diferente, o Lulopetismo nega veementemente quando os fatos são parcos e quando os há imputa-o a terceiros ou procura descaracteriza-lo. No xadrez(jogo) quando o rei está sob ameaça faz-se o pequeno ou o grande roque , o mino se presta a esse papel, e seus defensores são simplesmente peoes de sacrifício.
    Quanto ao amigo ,( Faoro) escreveu um grande livro que o estudante tem na sua estande Um exemplo de como se é primoroso nas premissas e claudicante nas conclusoes.
    Falacioso, não relata que Faoro analisa o Brasil político ate a ERA VARGAS, e termina por ai.
    Se passaram 60 anos e não consegue ter um raciocínio atual sem plagiar uma obra vencida. So loucos acreditam que o politico de hoje tem a mesma origem do politico de 1940.
    Mas é fato,; tem simpatizantes que acha a obra de MARX (1840 )atualissima.Não rio mais tá ficando sem graça ver pessoas mentalmente tutelada reverberando sem ir as fontes, por gente descompromissada com seu proprio passado e vendido por dez cents.

  8. Comentou em 05/09/2008 A J VELOSO VELOSO

    Assisti pela TV a noticia sobre a conversa do chefe do STF e o Senador. E ai perguntei será verdade? Nem tudo que a essa revista publica pode ter credibilidade, exemplos não faltam por ai. Mas, será que a revelação de conversa pode ter essa repercussão? São dois servidores públicos usando local e equipamento público, Humm !!! Estou confuso : O privado é público ou público é … não sei.
    Então, tanto Sr. Ministro quanto ao Senador após ser informado da divulgação da conversa deveria ter dirido a imprensa e dizer que , não há nada pra esconder. Pelas reações parece que há outros interesse em jogo, em nome da democracia muita coisa acontece nos bastidores do poder.

  9. Comentou em 05/09/2008 Pablo Milani

    O lulopetismo conseguiu minar grandes pretensões dos tucanos. Os jornalistas neoliberais que aqui tentam plantar a semente do orgulho e arrogância não cansam de dar tiros n água. Se até o Financial Times já dá como declarado o fracasso do neoliberalismo, em que parapeito os tucanos engomadinhos conseguirão se apoiar, hein? Pois então, vamos ver se os jornalistas que babam ovos pelos norte-americanos continuarão com seus discursos ideológicos até o pescoço, ou até perderem sua subjetividade.

  10. Comentou em 04/09/2008 Miro Junior

    Pôxa Thomaz Magalhães , São Paulo-SP – jornalista, você pode ser um cara independente mas não dá para perder a piada: Pelo que vemos você é mais um jornalista que une aos muitos que defendem o Daniel Dantas.

  11. Comentou em 03/09/2008 Thomaz Magalhães

    É pueril a tese do lulopetismo desmaiado sobre Daniel Dantas, um banqueiro de médio porte, se tanto, ser a causa dessa desmedida que corre nos orgãos de segurança do país. Vai ver acham que Dantas tem a ver também com os casos ‘históricos’ dos petistas desse naipe, os também ‘históricos’, como Waldomiro Diniz, Delúbio Soares, Genoíno, Dirceu, Palocci, aloprados e mais uma baciada.

  12. Comentou em 02/09/2008 Marcio Flizikowski

    ‘a atuação competente, soberana e, sobretudo, confiável da instância máxima do Judiciário’ (?) Por um momento pensei que estava lendo a Veja (aliás, uma antítese, ler a revista que pede para ser vista), enfim.
    Mas fico muito tranquilo em saber que a suprema corte brasileiro e seu supremo presidente estarão de plantão pela madrugada para me garantir um habeas corpus caso eu seja preso. Mais competente que isso, só se fosse madrugada de terça de carnaval.

  13. Comentou em 02/09/2008 Marcio Flizikowski

    ‘a atuação competente, soberana e, sobretudo, confiável da instância máxima do Judiciário’ (?) Por um momento pensei que estava lendo a Veja (aliás, uma antítese, ler a revista que pede para ser vista), enfim.
    Mas fico muito tranquilo em saber que a suprema corte brasileiro e seu supremo presidente estarão de plantão pela madrugada para me garantir um habeas corpus caso eu seja preso. Mais competente que isso, só se fosse madrugada de terça de carnaval.

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