Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

JORNAL DE DEBATES > FOGO SOBRE GAZA

Imprensa mostra, mas não explica

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 13/01/2009 na edição 520

A origem dos conflitos no Oriente Médio encontra-se nos livros ditos sagrados que são seguidos por bilhões de pessoas no mundo nas três principais religiões: judaísmo, cristianismo e islamismo. Não há prova cabal alguma do que se tem escrito nesses livros, pois os relatos, ambíguos e dúbios, podem ser, no máximo, prova circunstancial e de valor duvidoso e frágil, e Abraão, o patriarca de toda essa história religiosa mediana oriental, segundo renomados historiadores, nem sequer existiu. No conflito atual no Oriente Médio entre Israel e o grupo xiita islâmico Hamas, que domina a Faixa de Gaza, há dificuldade até de intelectuais e cientistas políticos explicá-lo.

Gaza fica numa região entre Israel e o Egito e a região da Palestina, que surgiu oficialmente em 1920, durante a criação do Mandato Britânico da Palestina, englobava a Jordânia, Israel e parte da Síria. O Hamas é grupo terrorista e todo terrorista é suicida, mas o terrorismo nunca foi nem será causa para se defender, pois quem assim age denuncia-se portador de distúrbio mental e cria para a humanidade uma situação impossível – ou seja, como punir um irrecuperável suicida?

Aliado estratégico

Poderíamos até afirmar que os próprios soldados que ‘desejam’ ir à guerra, são na verdade, suicidas em potencial, pois quem tem higidez mental não pensa ou deseja viver na iminência da morte. Se o homem pudesse escolher livremente, sem a influência de seus governantes e/ou líderes religiosos, se quer ou não ir à guerra, nunca mais haveria conflito no mundo, mas quem decide sempre, em última análise, são justamente os líderes religiosos e os governantes. Há no planeta Terra 217 países com o mesmo número de governantes e/ou líderes religiosos – em alguns países, o governante é também o líder religioso – para governar uma população de quase sete bilhões de pessoas e esses poucos governantes é que decidem o destino da humanidade.

O Estado de Israel – Israel significa: aquele que luta com Deus – foi fundado em 1948 e os índices de violência urbana são próximos de zero, mas há conflito político permanente, pois muitos não reconhecem Tel Aviv como a sua capital, é o único país do mundo com duas capitais – Tel Aviv e Jerusalém. Israel é aliado estratégico dos EUA no Oriente Médio e não é raro ver pelas ruas e avenidas de Israel, em qualquer época, homens, mulheres e adolescentes civis portando armas de grosso calibre como se a qualquer momento alguma guerra fosse ser deflagrada. Homens e mulheres israelenses têm por obrigação servir ao exército por três anos e mesmos após este período podem ser novamente convocados.

Regras contra as guerras

Sem a fenomenologia da percepção, poder-se-ia dizer que a questão é meramente religiosa, mas não é, pois há mais interesses obscuros por trás de todos esses conflitos. Observem, por exemplo, que a atual crise econômica anuncia um ‘rombo’ de bilhões de dólares, mas é, no mínimo, contradição se gastar numa guerra inglória qualquer o mesmo valor, ou seja, a beligerância é mais importante do que o equilíbrio financeiro mundial e o bem-estar das pessoas e famílias. Não há justificativa plausível para guerra alguma. Onde estão as armas de destruição em massa que os EUA e a Inglaterra usaram na mídia como argumento para invadir e arrasar o Iraque? Abram a mente e os olhos…

Estive em Israel e no Egito e conversei com várias dezenas de judeus e muçulmanos – lá vivem apenas 20% de cristãos – e não identifiquei esse ‘ódio’ generalizado propagado pela mídia, pois eles me diziam querer apenas cuidar de suas famílias, professar a sua fé e viver em paz – senti sinceridade nesses depoimentos. É preciso a imprensa explicar à humanidade os dois remédios para a cura dessas guerras: 1º – revogar, em caráter irretratável, todos esses livros ditos sagrados, pois são a gênese de todas as discórdias que equivocadamente são repassadas de gerações até hoje em dia; e o 2º – regra de ouro: abram seus corações, antes que algum cardiologista tenha que fazê-lo.

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Advogado e psicanalista, Fortaleza, CE

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