Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > TERÇA-FEIRA, 13/11

Imprensa comenta bate-boca entre Chavez e rei espanhol

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 13/11/2007 na edição 459

Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 13 de novembro de 2007


CHAVEZ E O REI
O Estado de S. Paulo


‘Por que não se cala?’


‘Foi o rei da Espanha, Juan Carlos I, que assegurou seu lugar na história contemporânea ao liderar a transição pacífica do regime franquista para a democracia em seu país, quem ganhou as manchetes ao mandar Hugo Chávez calar a boca: ‘Por que não se cala?’ Mas foi o primeiro-ministro espanhol, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero, quem deu ao burlesco ditador-em-gestação a lição de decoro político que o deixou fora de si, obrigando o monarca espanhol a intervir com a oportuna descompostura em cena aberta. A cena se abriu para a sessão de encerramento da fracassada 17ª Cúpula Ibero-Americana, em Santiago do Chile, sábado último.


Chávez chamava de fascista o antecessor de Zapatero, José Maria Aznar, do conservador Partido Popular, que ascendeu ao poder em eleições livres, governou a Espanha de 1996 a 2004, dentro dos estritos cânones democráticos, e transferiu normalmente o governo ao adversário também vitorioso numa eleição livre. Para essa reencarnação mameluca de Mussolini, que acaba de completar o aparato institucional da sua ditadura perpétua, Aznar teria apoiado o golpe de opereta que, em abril de 2002, o afastou por algumas horas do Palácio Miraflores – onde o coronel tentou se instalar pela primeira vez mediante um golpe militar. (No domingo, antes de deixar o Chile, ele faria a mesma acusação ao rei Juan Carlos.)


Como era de esperar, recebeu a solidariedade de Fidel Castro, que não perdoa aos espanhóis, de direita ou de esquerda, o seu empenho em favor dos direitos humanos espezinhados em Cuba, apesar dos fortes investimentos da Espanha na ilha. No sábado, Zapatero não se conteve diante dos insultos do venezuelano a Aznar. ‘Senhor Chávez’, argumentou – ou melhor, tentou argumentar, porque o outro não cessava de interrompê-lo -, ‘podem-se ter pontos de vista opostos a uma posição ideológica de uma pessoa, e não serei eu quem estará próximo às idéias de Aznar, mas ele foi eleito pelos espanhóis.’ E completou, sob aplausos: ‘Para sermos respeitados, não podemos nunca desqualificar essa pessoa.’


Vai sem dizer que o truculento aspirante a ditador, Hugo Chávez, jamais se pautou por essa norma elementar de convívio político civilizado. Ele é assim, violento por natureza e destituído de senso de medida. Já antes do incidente com os espanhóis ele poderia ter provocado outro, se o presidente Lula da Silva tivesse tomado como ‘gozação’ o ‘título’ de magnata do petróleo que lhe outorgou, em explícito tom irônico. De resto, o comportamento de Chávez, característico dos megalomaníacos, contribuiu para tornar mais espetaculoso o rotundo fracasso da 17ª Cúpula Ibero-Americana.


Dizemos ‘mais espetaculoso’ porque não se esperava, evidentemente, que a reunião produzisse qualquer resultado positivo, dada a evidência cada vez maior de que a união continental continua sendo apenas um sonho de Simón Bolívar.


Mas, já não bastassem as políticas desagregadoras do caudilho venezuelano, a Cumbre de Santiago revelou um inesperado agravamento das tensões entre a Argentina e o Uruguai, devido à polêmica decisão do presidente Tabaré Vázquez de autorizar o funcionamento de uma poluidora fábrica de celulose, do grupo finlandês Botnia, em Fray Bentos, às margens do Rio Uruguai, na fronteira dos dois países. Não é coisa de somenos. Trata-se de um empreendimento de US$ 1,2 bilhão, o equivalente a 9% do PIB da república oriental. Esse contencioso, que se arrasta há dois anos, será julgado em fins de 2008 pela Corte Internacional de Haia, à qual Buenos Aires recorreu. Na sexta-feira, em plena cúpula, Vásquez deu o sinal verde para o início das operações da papelera.


O dirigente uruguaio nem sequer se deu ao trabalho de informar previamente o colega Néstor Kirchner – que soube da má notícia pela internet e retrucou, agastado, que o outro ‘passara dos limites’. Nunca antes na história das relações entre países latino-americanos se ouviu um chefe de governo dizer algo do gênero a outro. Muito menos na breve história do Mercosul, no qual Argentina e Uruguai são parceiros nominais. A iniciativa uruguaia deixou falando sozinho o rei espanhol, cuja mediação a presidente do Chile, Michelle Bachelet, havia solicitado, depois de consultar as partes. A ‘guerra da celulose’ só tende a se agravar.’


 


Tânia Monteiro e Denise Madueño


José Alencar critica falta de humildade de Chávez


‘O vice-presidente José Alencar ironizou ontem o bate-boca de sábado na Cúpula Ibero-Americana entre o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o rei da Espanha, Juan Carlos. Alencar recorreu ao escritor Miguel de Cervantes, autor de Don Quixote, para criticar a falta de humildade, especialmente de Chávez.


‘É preciso que haja humildade. Cervantes ensinou que a humildade é a mais importante de todas as virtudes, tão importante que sem ela não há nenhuma outra virtude’, declarou Alencar. Questionado sobre se o recado era para Chávez, Alencar voltou a ironizar: ‘Isso é para quem quiser ouvir, pois Cervantes nem sabia da existência de Chávez.’


A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) deve votar hoje o projeto de entrada da Venezuela no Mercosul. Com duras críticas a Chávez, o relator do projeto, deputado Paulo Maluf (PP-SP), entende que a comissão terá de decidir se há democracia ou não na Venezuela, uma exigência expressa no tratado do Mercosul para o ingresso de países. ‘Sob o aspecto jurídico do tratado, o que temos de avaliar é se uma reeleição continuada é uma democracia ou uma ditadura. A CCJ analisa se o projeto cumpre as normas constitucionais e jurídicas. ‘Sob o aspecto constitucional, não há objeção’, disse o relator.’


 


Gilles Lapouge


Estilo chavista começa a cansar os europeus


‘Em Santiago, o rei Juan Carlos, da Espanha, disse em alto e bom som o que muitos europeus pensam, mas não falam, fechando a boca de Hugo Chávez e depois abandonando a sala de conferências. Juan Carlos é um personagem fora do comum. Na França sabe-se pouco a seu respeito, salvo o papel histórico que desempenhou para o fim da era de Franco e a restauração da democracia espanhola.


Para um homem dessa distinção ficar enfurecido, a ponto de interpelar Chávez com termos tão pouco nobres, seria preciso que Chávez tivesse se mostrado insuportavelmente vulgar. ‘Por que você não se cala?’, perguntou o soberano, como se falasse a uma criança estúpida. O comportamento do primeiro-ministro Rodríguez Zapatero foi igualmente apreciado, na medida em que o chefe do governo espanhol, um socialista, ficou indignado com os insultos que Chávez dirigiu a José Maria Aznar – seu antecessor, de direita. Diante da violência de Chávez, a elegância do premiê espanhol foi uma bela lição de democracia.


Em compensação, esses estrondosos ataques não melhoraram a opinião que se tem de Chávez na Europa. É preciso dizer que, tirando a sua ideologia e a política arrogante que adota, o personagem não seduz.


Pode-se fazer um paralelo com Fidel Castro. O líder cubano não é mais simpático que Chávez, mas é preciso reconhecer que Fidel tinha talento, uma eloqüência perversa, mas brilhante. Chávez não tem nada disso. Até agora o que se vê é um homem pesado, grosso, intelectualmente limitado.


No entanto, ele é líder de um grande país, que produz muito petróleo. Portanto, deve ser levado em consideração. Além disso, se a Europa durante muito tempo se mostrou tolerante foi porque ele reacendeu um certo antiamericanismo que existe no continente. Tudo leva a crer que seu comportamento diante do rei da Espanha não vai melhorar sua imagem na Europa. Além disso, existe a famosa ‘real politik’ – ou seja, às vezes é preciso esquecer as infâmias de um líder porque é preciso tratar de problemas mais importantes com ele. Em primeiro lugar, a Venezuela é rica em petróleo. No caso da França, uma franco-colombiana é mantida refém na Colômbia pela guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Trata-se de Ingrid Betancourt. Chávez faz algumas tentativas para obter das Farc sua libertação.


Em conseqüência de sua ação mediadora, Chávez será recebido no mês que vem pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, que espera avançar no processo de libertação de Ingrid.


Sarkozy é assim. Quando julga uma causa importante, aceita falar com personagens pouco recomendáveis. Ele já fez isso meses atrás, quando foi a Trípoli para libertar as enfermeiras búlgaras presas havia oito anos na Líbia e ameaçadas de morte pelo regime de Muamar Kadafi. E prepara agora a retomada dos contatos com Chávez. É um problema doloroso e grave: para acabar com um sofrimento, salvar uma vida, é legítimo falar com o diabo?


* Gilles Lapouge é correspondente em Paris’


 


VESTIBULAR
Simone Iwasso


Jornalismo é carreira mais concorrida da Fuvest


‘Com 41,63 candidatos por vaga e mais de dez anos sem liderar o ranking dos mais concorridos, o curso de Jornalismo é o mais disputado nesta edição do vestibular da Fuvest, instituição que organiza o processo de seleção para a Universidade de São Paulo (USP), a Faculdade Santa Casa e a Academia de Polícia Militar do Barro Branco.


Confira os números da Fuvest


Em segundo lugar, quase empatado, está Publicidade e Propaganda, com 41,02 candidatos por vaga. Oferecidos pela Escola de Comunicação e Artes (ECA), os dois cursos tradicionalmente apresentam um índice candidato/vaga alto, principalmente pelo número baixo de vagas oferecidas: 60 e 50, respectivamente. No ano passado, Publicidade foi o mais disputado (45,7).


A relação de candidato por vaga de todas as 148 carreiras foi divulgada ontem pela Fuvest e está disponível no site www.fuvest.br. Neste ano, a concorrência diminuiu em praticamente todas as áreas. Medicina foi exceção: 33,99 candidatos por vaga – no ano passado, foram 32,43.


No total, foram 141,6 mil candidatos inscritos para 10.552 vagas – 10.302 para a USP, 100 para a Santa Casa e 150 para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco.


Na sexta-feira, a Fuvest deverá divulgar a lista com os locais de prova da primeira fase, marcada para dia 25. Os candidatos responderão a 90 questões de múltipla escolha de português, matemática, história, física, geografia, química, biologia e inglês.


Além disso, desde o ano passado, 10% delas terão caráter interdisciplinar. A segunda fase, com provas discursivas, será ente os dias 6 e 10 de janeiro. Também desde a última edição, alunos que fizeram todo o ensino médio na rede pública ganharão 3% de bônus na nota.


UNICAMP


A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vai realizar a primeira fase de seu vestibular no domingo, a partir das 13 horas. São 49, 6 mil inscritos para 2.954 vagas em 58 cursos. Os locais de prova podem ser consultados no site www.comvest.unicamp.br.’


 


DINHEIRO NA REDE
Katie Hafner


Google faz massagista se tornar milionária


‘The New York Times – Em 1999, Bonnie Brown tinha acabado de sair de um divórcio desagradável, estava morando com sua irmã e via diante de si um futuro incerto. Por brincadeira, respondeu a um anúncio que pedia uma massagista para o Google, então uma firma iniciante do Vale do Silício com 40 funcionários. Foi-lhe oferecido um emprego de meio período com salário inicial de US$ 450 por semana e que incluía um pilha de opções de ações do Google que, segundo ela imaginou, nunca valeriam um tostão.


Depois de cinco anos massageando as costas dos engenheiros, Bonnie se aposentou, convertendo em dinheiro grande parte das suas opções de ações que, então, valiam milhões de dólares. E, para sua grande satisfação, as ações que ela reteve continuam a subir de valor.


‘Estou contente por ter reservado ações suficientes para os dias difíceis, e ultimamente está jorrando dinheiro’, disse Bonnie, de 52 anos, que agora mora numa casa de 280 metros quadrados em Nevada, recebe sua própria massagista ao menos uma vez por semana e tem um instrutor pessoal de Pilates. Ela tem viajado pelo mundo para supervisionar uma fundação beneficente que criou com a riqueza recebida do Google e já escreveu um livro ainda a ser publicado denominado Giigle: How a Got Lucky Massaging Google (algo do tipo ‘Como Tirei a Sorte Massageando o Google’).


Quando as ações do Google ultrapassaram a casa dos US$ 700 na semana passada, antes de voltarem para US$ 664 na sexta-feira, os acionistas externos não eram os únicos que riam à toa. Segundo documentos protocolados na quarta-feira na Securities and Exchange Commission (o equivalente à Comissão de Valores Mobiliários), os funcionários e ex-funcionários do Google detêm opções que eles podem transformar em dinheiro no valor de US$ 2,1 bilhões. Além disso, os atuais funcionários estão sentados em cima de ações e opções que eles não podem converter em dinheiro imediatamente e que, em conjunto, valem cerca de US$ 4,1 bilhões.


Embora ninguém tenha uma contagem oficial dos milionários do Google, estima-se que mil pessoas têm, cada uma delas, mais de US$ 5 milhões em ações do Google decorrente de concessão de ações e opções.


Um dos fundadores da empresa, Larry Page, tem ações no valor de US$ 20 bilhões. O outro, Sergey Brin, tem um pouco menos, US$ 19,6 bilhões, segundo a empresa Equilar. Três vice-presidentes do Google – David Drummond, diretor do departamento jurídico; Shona Brown, que comanda as operações com empresas; e Jonathan Rosenberg, responsável pelo gerenciamento de produtos – detêm, juntos, US$ 160 milhões em ações e opções do Google.


‘É um fenômeno muito raro uma empresa chegar a valer tanto dinheiro tão rapidamente’, disse Peter Hero, consultor-sênior da Silicon Valley Community Foundation, que trabalha com indivíduos e empresas no apoio a organizações beneficentes da região. ‘Durante os surtos de alto crescimento, houve muitas empresas cujos funcionários ganharam muito dinheiro rapidamente, como os casos do Yahoo e Netscape. Mas nenhuma chegou às proporções do Google.’


De fato, o Google parece ter uma dinâmica própria, com suas ações subindo mesmo quando ações das empresas de tecnologia têm sido fustigadas pela atitude dos investidores. Mas, agora, ficaram para trás os tempos em que pessoas como Bonnie Brown recebiam milhares de opções do Google com o preço de exercício (ou seja, o preço previamente estipulado que os funcionários pagariam para comprar as ações) estabelecido em centavos.’


 


PADRE JULIO LANCELLOTTI


Eduardo Reina


Padre Júlio depõe e fala a juiz de ameaças e agressões


‘O padre Julio Lancellotti depôs ontem na 31ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, zona oeste, no processo aberto depois que acusou o ex-interno da Febem Anderson Batista de extorsão. Lancellotti contou ao juiz Caio Farto Salles detalhes de ameaças de morte e de um assalto que sofreu na rua – além de outros dois à sua casa, já divulgados -, que teria sido realizado pelo grupo comandado por Batista. Estão presos por extorsão Batista, sua mulher, Conceição Eletério, e os irmãos Evandro e Everson Guimarães.


O religioso disse que chegou a ser agredido e arrastado pela rua num assalto em julho do ano passado. Em novembro, a casa de Lancellotti, onde também moram sua mãe e uma sobrinha, foi invadida duas vezes.


O padre contou ainda que Conceição utilizava seu filho de 8 anos para pegar dinheiro com ele dentro da Paróquia São Miguel Arcanjo, na zona leste.


De acordo com o advogado de Lancellotti, Luiz Eduardo Greenhalgh, ‘do ponto de vista da defesa foi um excelente depoimento’. ‘Foi um depoimento concatenado, que historiou desde o primeiro momento em que ele se viu envolvido nessa questão, como é que foi feita a extorsão, como foi obrigado a fazer as coisas, como ele ficou com medo, como é que foram os assaltos, a ameaça de morte, uma série de coisas’, afirmou Greenhalgh.


Já para o advogado dos quatro acusados, Nelson Bernardo da Costa, Lancellotti se mostrou ‘desesperado’ perante o juiz, e o depoimento foi frágil. ‘O padre ficou emocionado. Hoje, ele admitiu ao juiz que teria dado cerca de R$ 150 mil ao Anderson’, contou Costa.


O padre foi o primeiro a depor ontem. Também prestaram depoimento dois policiais civis.


Na frente do Fórum da Barra Funda, cerca de cem pessoas fizeram uma vigília por Lancellotti. Estavam presentes integrantes da Pastoral do Povo de Rua, vereadores e deputados do PT. ‘Não fazemos uma manifestação, mas uma vigília de apoio. Nos primeiros dias, o padre Júlio estava abatido. Mas agora está mais confiante. Tudo está sendo esclarecido’, disse o bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo para a Região Episcopal Belém, d. Pedro Luiz Stringhini.


A Justiça negou na sexta-feira os pedidos de revogação de prisão preventiva de Batista, Conceição e Evandro, além da liberdade provisória de Everson, preso em flagrante quando recebia R$ 2 mil do padre em 6 de setembro.’


 


COLEÇÃO PIRELLI-MASP
Simonetta Persichetti


Olhar que resgata a história e o jornalismo


‘A revista O Cruzeiro, a partir dos anos 40 marcou definitivamente o fotojornalismo brasileiro. Dentre os nomes de profissionais que ajudaram a pensar a linguagem da fotorreportagem por aqui encontramos Luciano Carneiro (1926-1959). Ele inicia sua carreira escrevendo textos e é só a partir de 1948 que também passa a fotografar para as suas reportagens. Foi correspondente da Guerra na Coréia, realizou diversas reportagens pelo mundo. Morreu prematuramente, em 1959, em acidente de avião ao voltar de uma reportagem realizada em Brasília. No ano seguinte, o próprio Masp realizou grande exposição sobre seu trabalho.


As 13 imagens da mostra apresentam um olhar que se maravilha com o que está vendo. Fotos que têm um quê de naif, no bom sentido. Ou seja, um olhar que descobre e toma conhecimento do mundo por meio da imagem. Importante resgate da nossa história do fotojornalismo ainda, infelizmente, tão mal cantada e recuperada.


Imagens de Luciano Carneiro integram a mostra que começa hoje no Masp, reunindo mais de 60 obras da tradicional Coleção Pirelli-Masp de Fotografia, que este ano está na 16ª edição.


Ainda na área mais ligada à memória, encontramos as imagens de José Yalenti, um dos fundadores do Foto Cine Clube Bandeirante. Em geral, os participantes não eram profissionais da imagem (muitos se tornaram depois, como Chico Albuquerque, German Lorca, Geraldo de Barros, por exemplo). Isso lhes permitia ousar, descobrir e fazer o que literalmente tinham vontade de fazer. Assim, no trabalho de Yalenti encontramos o olhar modernista, das formas, das contraluzes, das linhas, da arquitetura. Mesmo nos seus trabalhos abstratos, a exatidão do engenheiro, sua profissão.


Já no trabalho de Germano Graeser, ligado ao Iphan, encontramos imagens que se preocupam em resgatar e registrar os bens culturais, além de fixar a identidade cultural por meio das festas e das manifestações religiosas.


Iniciada em 1991, a coleção Pirelli-Masp já é referência obrigatória para acompanhar o desenvolvimento da fotografia brasileira. Atualmente, possui quase mil imagens. Nascida com a idéia e a proposta de formar uma coleção representativa da produção brasileira conservada e catalogada com rigorosos critérios museológicos, como anunciava o texto do primeiro catálogo, nestes anos tem-se mantido fiel à sua idéia inicial, embora, é claro às vezes, trazendo trabalhos ainda não totalmente amadurecidos e sem grande relevância. Mas o importante é que ela continua, a cada ano, aumentando a sistematização da nossa produção fotográfica, procurando trazer à tona arquivos ou trabalhos esquecidos e ao juntar linguagens muitas vezes tão díspares permitir uma comparação entre as mais variadas formas da linguagem, criando um diálogo entre a fotografia mais formal e uma mais experimental.


Como escreve Rubens Fernandes Júnior, do conselho curador: ‘A longevidade e regularidade da coleção garantem, a cada nova edição, o necessário mergulho na produção contemporânea e moderna para que o conjunto continue qualitativamente superior e diferenciado. Claro que isso demanda pesquisa e contato permanente com as diferentes gerações com a finalidade de selecionar trabalhos que pontuem as singularidades mais expressivas da fotografia brasileira.’


Seguindo esse pensamento, encontramos nesta edição – além dos trabalhos de Andréas Heiniger, que apresenta sua série Os Vaqueiros, e Ricardo Van Steen com seu trabalho Saídas – fotógrafos que podemos definir como da ‘nova geração’: Julio Bittencourt, João Castilho, André Cypriano, Tuca Vieira, João Wainer, Fabiana Figueiredo, que apresentam o que vem sendo definido como o novo documental. Ou seja, uma imagem que continua marcada pelo registro próximo do jornalismo, mas que se aproxima também da plástica publicitária, com cores saturadas e barulhentas. Já Dimitri Lee, Ana Lucia Mariz, Mauro Restiffe trabalham com o aparentemente banal, óbvio, transformado porém pela maneira diferenciada de cada olhar. São registros que navegam pelo jornalismo, pelo registro histórico, pelo conceitual. No final a mesma idéia, traduzir em imagens nossa maneira de vivenciar e experimentar nosso cotidiano.


(SERVIÇO)Coleção Pirelli-Masp de Fotografia – 16.ª Edição. Masp. Av. Paulista, 1.578, 3251-5644. 3.ª a dom., 11/18 h (5.ª até 20 h).R$ 15 (3.ª grátis). Até 20/1.Abre hoje, 19 h, para convidados’


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Mais ficção na MTV


‘A velha idéia da MTV de abrir mais espaço para séries ficcionais em sua programação finalmente vingou. Só que na internet.


Estréia na quinta-feira, no MTV Overdrive(www.mtvorverdrive.com.br), canal em banda larga da emissora musical, a série Artur, o Estagiário. Baseada em histórias reais de estagiários do canal, a série mostra em 10 capítulos as aventuras de um jovem que começa a trabalhar nos bastidores de uma TV.


A série é mais um fruto de um caminho que o Overdrive pretende explorar melhor. Há poucos dias, o canal na web colocou no ar o seu primeiro documentário: Torcidas Organizadas.


Dividido em cinco partes – a primeira já está no ar -, o documentário acompanha quatro grandes torcidas organizadas (Gaviões, Mancha, Independente e Torcida Jovem) em viagens, jogos e batismos. Juca Kfouri participa da produção.


A idéia de exibir séries, novelinhas e documentários chegou a ganhar força na MTV em 2006, mais perdeu espaço este ano para a retomada da exibição de horas e horas de videoclipes. O Overdrive parece ser a solução para essa demanda.’


 


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 13 de novembro de 2007


CHAVEZ E O REI
Clóvis Rossi


Insultos e silêncios


‘SÃO PAULO – O presidente venezuelano, Hugo Chávez, deu sábado, no encerramento da Cúpula Ibero-Americana de Santiago do Chile, a mais acabada demonstração de seu caráter, ao mesmo tempo histriônico, de bufão político, e autoritário a mais não poder.


Para quem não acompanhou, Chávez insistiu mil vezes em chamar de ‘fascista’ o ex-presidente do governo espanhol, José María Aznar, até que o rei da Espanha, usualmente a mais cordial e cavalheiresca figura do mundo político, lhe apontou o dedo com uma frase curta e grossa (de contundente): ‘Por qué no te callas?’.


Aznar merece mil e uma críticas, mas, como disse seu grande adversário político interno, José Luis Rodríguez Zapatero, hoje presidente do governo, exatamente como sucessor de Aznar, ‘a democracia é o respeito a todas as idéias; o insulto não’.


Chávez reclama do suposto apoio de Aznar ao ‘golpe contra o governo democrático, legítimo, da Venezuela em 2002’. É justo que o faça se houve tal apoio, mas é também justo que se diga que, por esse critério, Chávez é fascista, na medida em que tentou um golpe, dez anos antes, contra um governo igualmente legítimo e democrático. Não se parecem aos camisas negras do fascismo italiano os encapuzados que disparam contra os estudantes contrários a Chávez, pelo crime de serem contrários a Chávez, que, no mínimo, se omite ante essa delinqüência?


O pior de tudo é que esse comportamento histriônico-autoritário parece intimidar os colegas de Chávez. Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, calou-se, embora tenha assinado com Aznar uma parceira estratégica Brasil/Espanha, referendada depois por Zapatero, e tenha se derramado em elogios caudalosos, ainda no mês passado, às empresas espanholas que atuam no Brasil, as mesmas, essencialmente, atacadas por Chávez.’


 


Eliane Cantanhêde


Cale-se!


‘BRASÍLIA – Rodou mundo a cena em que o rei Juan Carlos, da Espanha, mandou o presidente Hugo Chávez, da Venezuela, calar a boca. ‘Por que não se cala?’, irritou-se ele, interrompendo um jorro de impropérios de Chávez contra o ex-presidente espanhol José Maria Aznar, a quem chamava de ‘fascista’. O rei é adversário de Aznar, mas tudo tem limite.


Apesar disso, é um erro imaginar que o mundo inteiro considera Chávez ditador, maluco ou perfeito idiota. Em recente jantar em Brasília, por exemplo, os amigos José Sarney e Mário Soares monopolizaram as atenções, Sarney atacando, e o ex-presidente de Portugal defendendo o venezuelano.


Num outro jantar, também em Brasília, meses atrás, o assunto era criticar a Venezuela, ridicularizar Chávez e ironizar o seu ‘bolivarianismo’, até o uruguaio Enrique Iglesias, ex-presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), correr em sua defesa. Você acha esquisito Soares e Iglesias defenderem Chávez? Eu também. Mas, para eles, Chávez é uma esperança numa região aviltada pela concentração de renda. Aplaudem os avanços na saúde, na educação, na habitação. A ‘loucura’ seria só na forma, uma tática.


Essa visão, um tanto romântica, condiz com o início do projeto Chávez, produto de uma Venezuela espoliada e corrupta e polido por regras democráticas. Não é demais lembrar que Chávez passou por três eleições/plebiscitos.


O problema do projeto Chávez é o próprio Chávez. Ao falar demais, constranger visitantes estrangeiros e querer se eternizar no poder, ele perde importantes aliados internos e credibilidade externa.


Mário Soares e Iglesias (como parcelas respeitáveis do continente, inclusive no Brasil) aplaudem o projeto original, mas são antes de tudo humanistas e democratas. É gente assim que Chávez afugenta com suas investidas personalistas.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘Buraco negro’


‘Manchete do ‘Wall Street Journal’, ‘Investidores temem que crescimento não possa reanimar ações’. Crescimento, no caso, é o ‘boom global’ e dos Brics em especial que ‘reassegurou o investidor’ no início da crise do crédito, três meses atrás. A reportagem se baseou num economista-chefe em particular, que previu crescimento menor de China, Índia e Brasil.


Ato contínuo, as bolsas viveram turbulência -e, na manchete do site do ‘Financial Times’, ‘Blackstone fala em ‘buraco negro’ da crise de crédito’. Blackstone que foi dos grupos financeiros mais atingidos, ontem.


Aqui, à noite, na escalada de manchetes do ‘Jornal Nacional’, ‘Bolsa tem maior queda desde fevereiro’.


SOBE-E-DESCE


Tem mais, das bolsas. No ‘Telegraph’, depois Market Watch e outros, espalhou-se a notícia de que o Goldman Sachs, que cunhou o acrônimo Brics e é referência global, avisou em ‘série de notas aos clientes nos últimos dias’ sobre a redução de aplicações nos emergentes. E vendeu as posições por aqui, ‘esperando recomprar mais tarde’. Diz que, como outros, o real está sobrevalorizado em 28%.


CONFIANÇA


O ‘FT’ deu que pesquisa apontou queda na confiança dos empresários europeus, que temem desaquecimento.


‘Em contraste, a confiança corporativa no Brasil, Rússia, Índia e China, os Brics, está no céu.’ Na Europa está em 35%. China, 63%. Brasil, 81%.


Para o autor da ‘aguardada’ pesquisa, os dados apontam mais ‘oportunidades’, aqui.


NORTE E SUL


Sob o título ‘O Blackstone do Brasil -e com acionistas felizes’, o ‘WSJ’ perfilou o brasileiro GP Investimentos. Diz que o grupo americano devia ‘considerar aulas de português’, pois ‘poderia aprender uma coisa ou duas’.


‘O que permitiu à firma de 15 anos fazer sombra à irmã maior do Norte’, diz o texto, é que ‘o Brasil vive um boom’.


VALE E AS OUTRAS


Para Lauro Jardim, da ‘Veja’, Lula está ‘descontente’ com a Vale, que ‘escalpela o Pará e dá pouco em troca’, investindo antes no exterior. Vale que recebeu um perfil simpático à ‘gigante mundial’, ontem no ‘Le Monde’.


Mas as rivais globais da Vale, Rio Tinto e BHP Billiton, podem se unir, na negociação que vem ocupando toda a cobertura há dias. E, destaca a Reuters, podem ‘aumentar a concorrência com a Vale no Brasil’. A ‘Forbes’, falando do ‘boom’ da mineração no Brasil, sublinhou ontem que a concorrência já está ‘acelerando a produção’ por aqui.


OLHAR ESTRANGEIRO


‘Independent’ e outros dão que pesquisa do Conselho Britânico em dez países, inclusive Brasil, EUA e China, mostrou que os jovens britânicos de 11 a 16 anos são os menos propensos a buscar ‘entender eventos do mundo’. Contra 69% dos brasileiros que se dispõe a tal ‘esforço’, os britânicos não passaram de 28%. Os americanos, 30%.


A BBC Brasil destacou da pesquisa que parte vê o Brasil como um ‘destaque’ entre as nações na próxima década.


A SINAGOGA


Do ‘Haaretz’ ao ‘Washington Post’, ecoa uma reportagem de Raymond Colitt, da Reuters, sobre ‘a mais antiga sinagoga das Américas’, na cidade de Recife. Estudos em Pernambuco ‘desafiam o estereótipo de que a cultura é baseada na tríade de portugueses, índios e africanos’.


A REVISTA


A agência Brasil-Árabe noticiou o lançamento da ‘Evidências’, cuja ‘intenção é mostrar ao leitor sem distorções a mensagem primordial do islamismo, que é de paz e entendimento’. Vai buscar ‘um contraponto ao noticiário no qual os muçulmanos estão sempre ligados a atos violentos’.’


 


ESPANHA
Leslie Crawford


Jornais vão à guerra para influenciar Zapatero


‘DO ‘FINANCIAL TIMES’, EM MADRI – O lançamento de um novo diário de circulação nacional na Espanha deflagrou uma guerra na mídia -não quanto à circulação, mas por poder e influência sobre o governo de José Luis Rodríguez Zapatero.


‘El Público’ chegou às bancas do país no final de setembro em meio a uma explosão de publicidade. Os anúncios mostravam homossexuais trocando um beijo e uma avó usando uma camiseta com dizeres rudes sobre o presidente George W. Bush. A publicidade era um tributo a Zapatero, que retirou as tropas espanholas do Iraque logo após assumir, em 2004, e legalizou o casamento gay.


Jaume Roures, o magnata das novas mídias que decidiu enfrentar os barões da imprensa espanhola, diz que ‘El Público’ será um jornal para uma nova Espanha: irreverente e à esquerda de ‘El País’, o jornal espanhol mais vendido, que representou as posições da liderança socialista por 31 anos.


Como seu jornal, Roures vem tentando explorar as divisões entre a velha e a nova esquerda e não esconde que apoiará Zapatero nas eleições que o premiê deverá convocar até março.


A velha guarda socialista, líderes com idades na casa dos 60 anos, critica Zapatero de muitas maneiras, entre elas por ter prejudicado as relações com os EUA e transferido mais poderes aos governos regionais. As opiniões desse grupo são freqüentemente refletidas nos editorais do ‘País’. Como resultado, o relacionamento de Zapatero com o Prisa, o grupo de mídia que edita ‘El País’, esfriou de maneira perceptível.


Javier Moreno, editor do ‘País’, reconheceu que seu jornal se identificou com os socialistas, mas alega que isso já não procede. Mesmo assim, a Prisa reagiu como uma amante rejeitada aos favores conferidos pelo governo de Zapatero à Mediapro, de Roures, entre os quais a concessão de uma licença para um canal de TV aberta.


O ‘Pais’ respondeu ao rival com uma reforma editorial. Moreno diz que as mudanças no design pretendem tornar o jornal mais atraente.’


 


RADIODIFUSÃO
Elvira Lobato


TVs acusam a Anatel de ‘guerrilha’ contra o setor


‘Incentivada pela Globo, a Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão) ameaça ir à Justiça contra a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). O motivo é a redistribuição de freqüências da radiodifusão para telefonia, comunicação multimídia e TV paga.


A Abert acusa a agência de prejudicar a radiodifusão em benefício das telecomunicações. ‘É preciso que a Anatel cesse as condutas de guerrilha deliberadamente hostis à radiodifusão brasileira’, diz nota divulgada pela internet.


O estopim da crise é a consulta pública número 833, proposta pela Anatel, que transfere para serviços de telecomunicações quatro canais de UHF hoje reservados para a repetição de sinais de TV para o interior.


A resposta da Abert surpreendeu pelo tom duro. Disse que a agência vem há dez anos prejudicando a radiodifusão e que tomará todas as medidas cabíveis, ‘em todas as instâncias’ para que ela cesse a ‘guerrilha’ contra o setor.


O presidente da entidade, Daniel Pimentel Slaviero, disse que, se for preciso, irá à Justiça para assegurar a manutenção dos canais.


Segundo a Abert, a Anatel foi estruturada, há dez anos, com foco na privatização do Sistema Telebrás, e seus funcionários, em grande parte, são oriundos das empresas de telefonia. ‘Milhares de emissoras de rádio e centenas de emissoras de TV assistem à transferência crescente de canais dedicados ao serviço de radiodifusão abertos, livres e gratuitos para serviços de telecomunicações, pagos pelo consumidor’, diz a nota da Abert.


A área técnica da Abert fez um levantamento dos canais de freqüência tirados da radiodifusão em decorrência da expansão da telefonia sem fio e de novos serviços de telecomunicações. O estudo fundamenta a manifestação da entidade na consulta pública, contra a redistribuição dos canais.


Em 1992, segundo o levantamento, a radiodifusão dispunha de 1.152 MGHz para enviar sua programação para as repetidoras no interior. Em 1997, tinha caído para 1.086 MGHz; em 2002, para 880 MGHz; em 2004, para 185 MGHz; e em 2006 baixou para 5 MGHz.


Segundo a Abert, a redução de canais afeta as atividades de apoio, como as transmissões das geradoras para as antenas de transmissão; o envio de sinais para as repetidoras, no interior, por via terrestre, e a transmissão de reportagens externas ao vivo, que usam uma freqüência especial. Segundo a Abert, nas grandes capitais, por causa do congestionamento das freqüências, as emissoras estão compartilhando o uso dos canais.


Pelo levantamento da Abert, os radiodifusores dispunham de 3.740 MGHz para enviar os sinais dos estúdios para as antenas de transmissão nas cidades. A Anatel fez cortes em 2002, 2004 e em 2006, e hoje há apenas 2.665 MGHz.


Outro lado


A Anatel não se manifestou, oficialmente, sobre as críticas da Abert, limitando-se a dizer que levará em consideração os argumentos que ela vier a apresentar na consulta pública.


Extra-oficialmente, porém, executivos da agência dizem que a migração de freqüências da radiodifusão para as telecomunicações seria inevitável para permitir a expansão das telecomunicações sem fio. As bandas A e B da telefonia celular, por exemplo, foram construídas com o uso de freqüências que, até os anos 1980, eram usados pela radiodifusão.


De acordo com dirigentes da Anatel, as emissoras de televisão contam com novas alternativas técnicas para a transmissão de reportagens ao vivo e enviar os sinais para as suas repetidoras, como as fibras óticas e os satélites.’


 


INTERNET
Italo Nogueira


Apagão tira do ar fórum de internet da ONU no Rio


‘DA SUCURSAL DO RIO Na abertura do Fórum de Governança da Internet, promovido pela ONU (Organização das Nações Unidas), os computadores e a internet pifaram e saíram do ar por mais de uma hora em ao menos três salas do hotel Windsor, que abriga o evento internacional, com mais de 1.200 participantes.


Segundo técnicos de informática que davam suporte ao sistema, um dos geradores destinados a garantir energia parou de funcionar, o que ocasionou o problema -gerando a situação irônica de a internet não funcionar durante o fórum que discute as diversas implicações de seu uso no mundo.


A queda de energia ocorreu às 15h40, e um dos locais atingidos pelo apagão foi a sala de imprensa, com 20 computadores destinados a profissionais de todo o mundo. Os dois aparelhos de TV de plasma da sala de imprensa, que deveriam transmitir ao vivo as discussões, tampouco funcionaram durante todo o dia.


A abertura do fórum contou com a presença dos ministros Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), Gilberto Gil (Cultura) e Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) e a do chinês Sha Zukang, secretário-geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais, que representou o secretário-geral do órgão, Ban Ki-moon, também no Brasil ontem.


Zukang protagonizou um momento embaraçoso, durante entrevista coletiva, ao evitar responder à pergunta de um jornalista italiano sobre censura do governo da China ao uso da internet naquele país. Ele argumentou que a pergunta havia sido dirigida à pessoa errada e talvez devesse ter sido feita há quatro meses, quando era embaixador da China.


‘Agora, na ONU, sou neutro: não vou defender ou não. Individualmente, sou pela liberdade de informação, é um direito humano básico. Mas liberdade não significa liberdade para fazer tudo. Você não está livre para divulgar terrorismo pela rede ou divulgar pedofilia. Liberdade, sim, porém com certas regras, chame você de censura ou não. Mas deveria ver a produção de internet na China e veria como está difundida a rede por lá e poderia dizer se gosta ou não’, disse.


A Anistia Internacional divulgou nota em que critica o aumento das restrições à liberdade de expressão e o crescente desrespeito aos direitos humanos na internet.


Outro painel tratou do tema segurança na rede de computadores. Para a subsecretária-geral do Conselho da Europa, Maud de Boer-Buquicchio, a busca por segurança na internet pode, paradoxalmente, ‘criar um ambiente menos seguro do que seguro’, sacrificando direitos, privacidade e outras liberdades em nome da segurança. ‘Queremos segurança com o máximo de direitos e o mínimo de restrições, enquanto buscam garantir certo nível de segurança. Queremos acesso a preço razoável, irrestrito, seguro e diverso’, disse ela.


Os ministros brasileiros assinaram ontem uma portaria interministerial que tem como objetivo o desenvolvimento da ‘infovia nacional’ e criar iniciativas para fortalecer a capacitação da população no acesso à rede, de modo a não restringi-lo apenas à ‘elite qualificada’, disse Unger. Segundo pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil, apenas 19% das residências têm computadores e 14,5%, com acesso à internet (metade via telefone). Não há estimativa do valor a ser gasto com a iniciativa, disse Unger.’


 


VESTIBULAR
Fernanda Calgaro e Ingrid Tavares


Jornalismo é a graduação mais concorrida da Fuvest


‘Após ao menos seis anos sem liderar o ranking dos mais disputados, jornalismo é o curso mais concorrido no vestibular 2008 da Fuvest, com uma relação candidato/vaga de 41,63. Em seguida, aparece publicidade e propaganda, com 41,02 vestibulandos por vaga. O líder no número absoluto de inscrições (12.973), no entanto, é o curso de medicina. Mas a sua relação candidato/ vaga continua sendo a quinta maior (33,99). ‘Medicina e engenharia ainda são os cursos com maior procura na Fuvest, mas, como possuem muitas vagas, o número de candidatos por vaga cai bastante’, diz Alberto Francisco do Nascimento, coordenador de vestibulares do Anglo. Mais de 140 mil candidatos irão fazer a primeira fase da Fuvest, que acontece no próximo dia 25, um domingo.


Apesar de a divulgação da relação candidato/vaga causar grande expectativa entre os vestibulandos, a nota de corte (pontuação mínima para ser aprovado para a segunda fase) é que define a dificuldade para a aprovação no vestibular, avalia Carlos Eduardo Bindi, diretor do cursinho Etapa. ‘Os candidatos sempre ficam preocupados com a relação candidato/ vaga, mas é preciso quebrar o mito de que a dificuldade é proporcional à concorrência. É preciso olhar a nota de corte.’ Ele lembra que o curso de turismo chegou a ter uma relação candidato/vaga maior do que medicina. No entanto a nota de corte de medicina ficava em geral cerca de 20 pontos acima.


‘Hoje, jornalismo é o mais disputado, mas pergunte ao estudante que vai prestar para essa carreira se prefere a nota de corte de medicina. De jeito nenhum irá querer trocar, apesar de ter menos candidatos/vaga.’


Houve um aumento significativo no número de inscritos para a Escola Politécnica (de 8.562 em 2007 para 10.917 neste ano). Bindi atribui esse acréscimo às mudanças no processo seletivo da Poli, em que o vestibulando opta pela área no ato de inscrição.


‘Achei melhor essa mudança, pois, agora, vou ter certeza de que vou entrar no curso que quero prestar. Antes, você fazia um ano básico e ainda corria o risco de não conseguir vaga para a área de que gosta’, diz Erika Ferreira, 18, que vai prestar engenharia pela segunda vez.’


 


OSSO DURO DE ROER
Renata Baptista


Policiais chegam para conter motim ouvindo a trilha de ‘Tropa de Elite’


‘Uma camionete do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Pernambuco, acompanhada de um caminhão com policiais, chegou ontem pela manhã ao som da trilha do filme ‘Tropa de Elite’ ao presídio Aníbal Bruno, em Recife, para controlar o segundo motim na unidade em menos de 24 horas.


O comandante do batalhão, tenente-coronel Luís Aureliano, disse que a música ‘calhou de estar tocando’ no toca-CD quando o carro chegava ao presídio. Segundo ele, a música -que é do grupo Tihuana e tem o refrão ‘Tropa de Elite, osso duro de roer/ Pega um, pega geral, também vai pegar você’- serve de incentivo.


‘Temos muito orgulho de vestir a camisa preta e o uniforme camuflado. É esse o combustível que faz a gente avançar, mesmo sem saber o que nos espera’, disse Aureliano. Ele afirmou ainda que os policiais também cantam canções próprias, enaltecendo a categoria, e fazem gritos de guerra durante as ações. ‘Somos um batalhão com 27 anos no Estado, e temos toda uma mística, que fazemos questão de manter’, disse.


Um detento -Thiago Batista de Lima, 20- morreu e outros 40 ficaram feridos, antes da entrada do batalhão, segundo a polícia. Mais de 200 homens de órgãos Cioe (Companhia Independente de Operações Especiais) e Operação de Segurança Penitenciária foram acionados.’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Globo já admite pagar mais pelo futebol


‘A Globo já trabalha com a hipótese de pagar mais pelos direitos do Campeonato Brasileiro a partir de 2009, quando iniciará a vigência de um novo contrato, a ser negociado nos próximos meses.


Em encontro com acionistas de afiliadas, na semana passada, Octavio Florisbal, diretor-geral da Globo, falou ‘que grandes eventos esportivos e culturais poderão ter custos de direitos crescentes, entre eles o futebol, devido à maior demanda de mercado’.


Para algumas afiliadas, foi um recado de que elas terão que arcar com parte dos custos do futebol. O Brasileiro ficará mais caro porque a Record decidiu concorrer com a Globo pelos direitos do torneio.


Neste ano, a Globo pagará quase R$ 260 milhões pelo campeonato em TV aberta (R$ 155 milhões), TV paga e pay-per-view. A Record estaria disposta a gastar R$ 600 milhões por ano pelos direitos totais.


A conta das afiliadas da Globo subiria porque elas receberiam menos no rateio das verbas de publicidade veiculadas no futebol. Globo e afiliadas dividem as receitas líquidas da propaganda das transmissões. Assim, indiretamente, a Globo repassa parte de seus custos.


Florisbal, no entanto, diz que a alta nos direitos ainda é ‘tendência’. ‘Se essa tendência se confirmar, teremos que analisá-la com maior profundidade. Apenas isso. Não existem decisões pré-definidas’, afirma.


PRESTÍGIO A direção da Globo convocou Aguinaldo Silva, autor de ‘Duas Caras’, para discutir a renovação de seu contrato. O que chama a atenção é que o atual contrato de Silva só vence em 2010. A Globo quer fazer um novo, já, para valer pelo menos até 2014, e dificultar o assédio da Record.


PRESSÃO Telejornal matinal da Record, o ‘Fala Brasil’ ficou a apenas 0,6 ponto do ‘Mais Você’ (Globo) no Ibope de outubro. Os dois programas competem durante quase 40 minutos (das 8h03 às 8h40). Na média do confronto, o ‘Mais Você’ teve 7,6 pontos, contra 7,0.


TOP MODEL O canal Sony já planeja pelo menos três novas edições do ‘Brazil’s Next Top Model’, reality show de modelos.


FORMATO 1 As redes devem decidir somente hoje, a menos de 20 dias da estréia da TV digital, como será a cerimônia de ‘inauguração’. Só está fechado que haverá a exibição em cadeia nacional de um vídeo de cinco minutos com imagens históricas.


FORMATO 2 Uma das propostas para a festa é a de um evento na Sala São Paulo com um apresentador de jornal de cada TV atuando como mestre-de-cerimônia.


TRAQUE Festa no SBT. A emissora foi líder no Ibope da Grande SP durante quase toda a madrugada de ontem. De 1h17 às 6h, marcou quatro pontos, contra apenas um da Globo e um da Record. Mas a Globo estava fora do ar, para manutenção de transmissores.’


 


Cristina Fibe


GNT estréia ‘Supernanny’ para cães


‘Um ano depois do lançamento de ‘Supernanny’ no Reino Unido (em 2004), o país criou também a ‘babá’ para cães do programa ‘Ou Eu ou o Cachorro’, que chega hoje ao Brasil.


O formato é o mesmo: apresenta-se a família que sofre com o mau comportamento de seus cachorros, depois a babá, ops, adestradora, que mostra como é capaz de domá-los, para logo em seguida os ‘pais’ falharem ao tentarem aplicar as mesmas técnicas. Por fim, os animais estão mais comportados, depois de muitas lágrimas.


A série britânica tem tudo para ter boa audiência e até ser imitada no Brasil, já que cães são as estrelas de muitas famílias por aqui -vide os inúmeros pet shops de luxo-, mas também deve causar polêmica.


No primeiro episódio, todos os problemas caninos são facilmente resolvidos, menos o excesso de apetite sexual que os dois labradores machos da casa demonstram. A solução? Ambos acabam castrados, com comportamento 100% corrigido. Decisão que certamente não agradará 100% do público. Ainda de olho nos espectadores apaixonados por bichos, o GNT estreou na semana passada o reality ‘Meu Cão é Tão Gordo Quanto Eu’, exibido também às terças, às 21h. Trata-se de uma bizarra competição para donos e cães emagrecerem juntos, confinados em um spa.


OU EU OU O CACHORRO


Quando: hoje, às 21h30; reprises às quartas, às 18h30, e quintas, às 13h30


Onde: GNT’


 


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