Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

JORNAL DE DEBATES > JAPÃO

Informação, só para sócios

03/02/2004 na edição 262

Uma estranha tradição da imprensa do Japão é alvo de críticas da União Européia, que iniciará em breve uma rodada de negociações de regulação do comércio com o país asiático. O problema gira em torno dos ‘clubes de jornalistas’, que já provocaram a saída de diversos jornais estrangeiros de Tóquio. São associações de repórteres ligadas a empresas ou departamentos governamentais específicos, garantindo, por vezes, exclusividade de acesso de informação a seus membros. Isso significa que, por bizarro que possa parecer, um jornalista não-sócio muitas vezes não consegue falar com sua fonte, porque ela só fala para associados.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com o italiano Pio D’Emilia, que quis entrar numa audiência relativa às escaramuças entre o ministro de obras e o presidente da maior empresa estatal de construção de rodovias. De maneira nada delicada, o correspondente foi expulso da sala. A UE classifica a existência dos clubes como uma ‘restrição à livre circulação de informação’, e exige o fim desta situação. Coincidência ou não, este conflito não tem repercussão na imprensa do Japão, segundo The Economist [22/1/04].

Para os profissionais japoneses, estas estranhas agremiações já são algo arraigado. Os repórteres locais estão acostumados a receber a informação mastigada de suas fontes – o que comumente resulta em reportagens parciais que não desagradam ao ‘dono’ do clube. Os estrangeiros acabam se dando mal, pois muitas vezes dependem da aprovação dos outros sócios para poder entrar nas associações. Além disso, como correspondentes, cobrem assuntos muitos variados e teriam de participar de inúmeros clubes para poder trabalhar, algo inviável.

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