Sábado, 17 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

ENTRE ASPAS > SEGUNDA-FEIRA, 1°/10

Internet faz renascer
o jornal Última Hora

Por Textos selecionados por Luiz Antonio Magalhães em 03/10/2007 na edição 453


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


************


O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 1° de outubro de 2007


INTERNET
Rodrigo Martins


‘Última Hora’ ressuscita na rede


‘‘Matou-se Vargas!’; ‘Janio renunciou’; ‘Lua conquistada: foi um passeio!’; ‘Kennedy Assassinado’…. Manchetes e textos jornalísticos do passado irão ganhar vida nova na era digital. Um dos jornais mais importantes do País no século passado, o Última Hora, que fez barulho em sete estados brasileiros entre 1951 e 1971, terá agora o seu acervo restaurado, digitalizado e colocado gratuitamente na rede.


O projeto está sendo tocado pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo, detentor do acervo, em parceria com a fabricante de processadores AMD. Serão 108 mil páginas digitalizadas. O processo será dividido em duas etapas: a primeira, até março de 2008, pretende disponibilizar na web 36 mil páginas, de edições até 1960; a segunda, até o final do ano que vem, colocará as edições até 1971.


Essas edições fazem parte do acervo histórico do Arquivo Público, adquiridas em 1990 de uma das filhas do criador do Última Hora, Samuel Wainer, a jornalista Pink Wainer. ‘Há algumas lacunas, principalmente, nos primeiros anos. De 1951, não há nada. E de 1952, pouca coisa’, explica o coordenador do Arquivo Público, Carlos Bacellar. ‘Esperamos preencher esses espaços com a busca em outras bibliotecas.’


Embora o jornal tenha tido versões no Rio, Niterói, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife, entre outras cidades, a que será digitalizada será a carioca. ‘Foi a que veio no acervo adquirido pelo Arquivo’, diz Bacellar.


Digitalizar o jornal não será uma tarefa das mais fáceis. Os jornais não vão direto no scanner, como se imagina. Primeiro, eles são microfilmados e, daí, o microfilme é escaneado. No acervo, há várias edições já microfilmadas. Mas muito desse material não está em boas condições. ‘Antes de ser adquirido, ele ficou em um porão por cerca de 20 anos, por causa da ditadura. O local não era o ideal’, explica Bacellar.


Nesses casos, diz o coordenador, ou tenta-se recuperar o microfilme ou recorre-se à coleção física de jornais. ‘Tirando os anos iniciais do Última Hora, temos um alto índice de completude da coleção.’


Depois que o arquivo está escaneado, ele é salvo em formato JPEG (o mais comum em imagens na internet) e disponibilizado na página www.arquivodoestado.sp.gov.br/uhdigital. ‘Para não termos problemas de direitos autorais, o material pode ser impresso, mas não está disponível em alta resolução’, explica Bacellar.


No site, o que poderá ser acompanhado serão as páginas do jornal digitalizadas. O acervo de mais de 160 mil fotos do Última Hora, que também está no Arquivo Público, não tem previsão para ser disponibilizado. Hoje, quem acessar o site, terá acesso a cerca de 500 páginas apenas. Mas, em breve, devem ser colocadas mais 1,5 mil.


O projeto está sendo financiado pela AMD. ‘Disponibilizamos equipamentos e funcionários. Também estamos desenvolvendo o site em conjunto com o Arquivo Público’, explica o vice-presidente de Marketing e Vendas para a América Latina, Antonio Scodiero.


Segundo Scodiero, a escolha do Última Hora para ser digitalizado não foi ao acaso. O Arquivo Público também possui o acervo dos jornais Diário de São Paulo e Diário da Noite, já extintos e pertencentes ao falecido barão da mídia nacional Assis Chateaubriand, dono da cadeia de veículos Diários Associados, que reunia jornais, rádios e emissoras de TV.


‘Entramos no projeto pela importância do Última hora em uma época de ebulição política, os anos 50 e 60’, diz Scodiero. ‘O jornal tinha uma linguagem popular e foi pioneiro em diversos aspectos, como no uso de cor, que era importada’, completa Bacellar.


Com a digitalização, o intuito agora é tornar o material, que antes ficava restrito a consultas no prédio do Arquivo Público, disponível a pesquisadores e estudantes em geral. ‘No original, apenas uma pessoa por vez podia fazer a pesquisa e tinha de se dirigir à biblioteca’, diz Bacellar. ‘Agora, em qualquer lugar, será possível acessar o material.’


Outro benefício é que o acervo de jornais poderá ser melhor preservado. ‘Digitalizar não significa jogar fora’, explica Bacellar. ‘O papel jornal é o pior que existe. Serve para ler e depois embrulhar peixe. Com isso, o contato humano pode danificá-lo. Agora, poderemos preservá-los por séculos e séculos, para contar a história.’’


***


Ao nascer, jornal era ‘getulista’ e buscava ter um perfil mais popular


‘Criado pelo jornalista Samuel Wainer, o Última Hora circulou em um momento rico historicamente e conturbado politicamente. O nascimento do veículo já mostra a sua veia política: em 1951, nasceu no Rio de Janeiro sob a chancela do presidente da República, Getúlio Vargas.


O próprio Wainer nunca negou que o Última Hora fosse um jornal ‘a favor do governo.’ A idéia da criação do jornal, inclusive, havia sido dada a Wainer pelo próprio Vargas, que buscava apoio na imprensa, já que a maioria fazia oposição a ele.


Wainer havia conhecido Vargas anos antes, quando era repórter dos Diários Associados. E os dois se tornaram amigos. Além de Getulista, o Última Hora também adotava uma linha popular para ‘dar início a um tipo de imprensa independente’. O jornal fez sucesso e chegou a rivalizar com O Globo, no Rio. Em 1952, nasceu uma versão paulista. Em 1955, espalharam-se edições locais em Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, Niterói. Curitiba, Santos, Bauru e ABC paulista.


Em 20 anos de publicação, o jornal acompanhou a ascensão e morte de Getúlio Vargas; a construção de Brasília; a chegada do homem à lua; a conquista do bi e do tricampeonato mundial pela Seleção de Futebol; a ditadura política no Brasil, etc. No jornal, participaram colunistas como Chacrinha, Stanislaw Ponte Preta, Nelson Rodrigues, entre outros.


Em 1964, Wainer exilou-se do País por conta da ditadura militar. Voltou em 1968. Pouco depois, em 1971, vendeu o Última Hora. Ao passar para outros donos, o jornal mudou completamente a sua linha editorial.’


Rodrigo Martins


Aqui só entram chiques e famosos


‘O que têm em comum Hebe Camargo, Regina Duarte, Carolina Dieckman, Chico Anysio, Betty Faria e Kelly Key além de serem figurinhas fáceis em revistas de fofocas e celebridades? Resposta: a blogosfera. Hein? Pode parecer exótico, mas a internet acaba de ganhar uma sociedade virtual dos chiques e famosos. O portal BlogLog, que deve estrear oficialmente neste mês, reúne nada menos do que 183 blogs de sumidades – e outras nem tanto – da TV e da música.


A revista Caras, o Nelson Rubens e o Amaury Jr. que se cuidem. Agora, os badalados querem contar eles mesmos as suas ‘quentinhas’. ‘Estou amando ter contato direto com os fãs’, conta a atriz Carolina Dieckman. ‘Tenho usado bastante para desmentir as coisas que inventam. Os fãs adoram e se sentem prestigiados com a verdade.’


Até agora, pelo blog, ela já desmentiu que tivesse sido internada em uma clínica perinatal (para casos de risco) antes do parto de seu bebê; que teria ido a uma festa sem o marido e, ainda, que teria se recusado a entrar em uma festa por causa da presença de Sabrina Sato, participante do Pânico, da Rede TV. ‘MENTIRA!!!’, escreveu.


O BlogLog está no ar, em testes, desde setembro. O endereço é www.bloglog.com.br. Tirando alguns blogueiros assíduos, não há muitos textos publicados. O que há são posts iniciais. A ‘gracinha’ da Hebe, por exemplo, não publica há quase um mês. ‘Eu, sem jeito total com a internet, acabo de aceitar o convite para contar coisinhas neste espaço’, postou. ‘Como vai ser, sobre o que escreverei, agora não tem importância.’


Alguns blogs já viraram verdadeiros álbuns de fotos. A apresentadora Ana Maria Braga, por exemplo, postou imagens de uma gravação em Holambra, no interior do Estado. A atriz Regina Duarte mostrou a sua viagem para Veneza, na Itália. E a cantora Kelly Key pôs imagens das férias em Angola. ‘Me diverti muito’, escreveu.


Essa união, na web, da nata dos flashs e babados é de responsabilidade de Diogo Boni, filho do ex-todo poderoso da Rede Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. ‘A idéia inicial era um site para homenagear meu pai, com depoimentos de artistas sobre ele’, diz Diogo. ‘Mas a idéia evoluiu e virou um portal de blogs, acompanhando o ‘boom’ desses sites.’ E Diogo foi convidando celebridades. A lista inicial era de 1,6 mil. ‘Só chamamos 500 ainda. O portal vai aumentar muito.’


Um dos convidados foi o ator Chico Anysio, que se diz ‘praticamente nulo no domínio do PC.’ ‘Nunca freqüentei blogs. Nem sei acessar. Mas não posso recusar um convite do Diogo’, conta. ‘Publicarei crônicas, poesias, o que me ocorrer.’


Mas já há ‘celebs’ que se dizem ‘viciadas’, como a apresentadora Angélica. ‘É a primeira vez que freqüento blogs. Falo sobre dia-a-dia, trabalho. Pretendo retribuir de alguma forma o carinho que recebo dos fãs.’


Outras personalidades, como a atriz Priscila Fantin, querem usar o espaço para debates. ‘Gosto de escrever. Filosofo sobre as questões humanas e os nossos valores. Coloco fotos, respondo aos que pedem, tiro dúvidas e ainda peço para darem sugestões de debate.’


A atriz Betty Faria vai na mesma linha. ‘Quero escrever sobre violência e política. O artista deve usar a sua voz para levantar questões’, opina. ‘Não quero censurar quem escreverá sobre a vida pessoal, mas acho que ser famoso traz uma missão. Mas cada um aparece do jeito que quiser.’


O QUE AS CELEBRIDADES BLOGAM?


Carolina Dieckman


Atriz


‘Quantas alegrias esse blog tem me dado: mentiras desfeitas, verdades publicadas, recadinhos cheios de amor… que delícia!’


Angélica


Apresentadora


‘Oie!!! Cá estou, mais uma semana, ‘blogando’ com vocês! Aliás, vou aproveitar que hoje, segunda-feira, dia 3 de setembro, é ‘niver’ do meu marido e mandar mais um parabéns para ele. Parabéééééns!!!!!’


Ney Latorraca


Ator


‘Mais um veículo para trazer alegria, amor, paixão, dicas e muito mais. Estarei no BlogLog totalmente entregue. Chegou na hora certa. Quero lavar a minha alma e a dos outros. Já aviso: sou o autêntico NEY LATORRACA. Não aceitem imitações. ‘


Alinne Moraes


Atriz


‘Hoje começa a primavera, época de flores, dias claros, brisa suave, mar translúcido. Bom pra namorar, curtir a vida junto à natureza.’


Cleo Pires


Atriz


‘Esqueci de contar como foi o ‘findi.’ Foi tranqüilo. Fiquei em casa, vendo filme. Só saí com o Tulio pra jantar.’


Betty Faria


Atriz


‘Adoraria gritar bem alto, sem medo de ser patrulhada, a minha indignação com o descaso do governo com saúde, educação, segurança e a nossa inteligência e valores morais. O jeitinho brasileiro que hoje vemos se tratar de impunidade e corrupção.’


E NA BLOGOSFERA…


Es ‘Achei o Ney Latorraca, o Stepan Nercessian, o José Wilker, o grande Chico Anysio e o próprio Boni. Todos já com post. Mas, para minha surpresa total, somente um post!’


jonesbergh.blogspot.com


‘Pois é, acredito ainda mais que esse famosos que estão se deliciando com o mundo da internet podem derrubar a indústria da fofoca e, ainda, ajudar e muito a criar mais trabalho para assessores de imprensa sérios.’


falapaulinho.blogspot.com


‘Acho ótimo o portal ser um espaço democrático. É possível que atinja pessoas que, por outros motivos, talvez não lessem blogs. Só que o slogan: ‘Até Log, até Blog, até BlogLog’ está de doer, hein?!’


giseleh.com


‘A maioria só fez uma postagem e pelo visto a idéia pode ir pelo ralo em algumas semanas, a não ser que a Globo contrate alguns redatores para escrever nos blogs no lugar dos famosos. Qualquer coisa eu estou aqui!’


astrogyldo.blogspot.com


‘Várias personalidades ainda não sabem bem no que estão entrando, mas outros já chegaram à vontade, como se sempre tivessem escrito para o público na rede. Outros não parecem com pique para uma coluna na internet e talvez caiam fora. Vamos ver quem persevera com o tempo.’


marioav.blogspot.com


‘Achei o projeto um pouco cru. A maioria dos blogs possui somente um post de apresentação. Falta assunto. A impressão é que mandaram um email para todo mundo avisando: ‘escreve um post de apresentação que a gente tem de colocar esse negócio no ar na segunda’. Cá entre nós, coleguinhas blogueiros, redes como essa abrem um pouco mais o mercado para ‘ghost bloggers’, ou ‘ghost writers’, ainda não tão bem explorado no Brasil.’


tiagodoria.blig.ig.com.br’


***


Interney.net leva blogs ao portal do IG


‘Enquanto celebridades viram blogueiras, há blogueiros virando celebridade. Conhecido como um dos poucos que ganha dinheiro, o blogueiro Edney Souza, do www.interney.net, fechou contrato com o portal IG. Como o BlogLog, ele também tem um ‘condomínio de blogs’, só que os autores não são famosos na TV, mas na web.


‘Hoje, são 20 blogs. Em breve, serão 60’, diz Souza. ‘Agora, com a parceria, ganharemos chamadas na home do IG. Espero aumentar a audiência dos blogs de cerca de 600 mil por mês para 1 milhão.’’


George Johnson


Um oráculo parte máquina, parte humano


‘New York Times – No século 12 d.C., quando o tratado árabe Sobre a Arte Hindu do Cálculo foi traduzido para o latim, o Ocidente foi presenteado com o sistema decimal moderno – um avanço que só pode ser compreendido quando tentamos fazer uma longa divisão com números romanos. O nome do autor, o estudioso de Bagdá Muhammad Ibn Musa al-Khwarizmi, foi traduzido para o latim como Algoritmi, depois mudado para algarismo e passou a significar nada mais do que a receita para solucionar um problema passo a passo.


Foi a internet que despiu a palavra de sua inocência. Na web, os algoritmos, protegidos da mesma forma que os segredos de Estado, compram e vendem ações e títulos lastreados em hipotecas, às vezes tão desapaixonadamente que quebram mercados. Prometem encontrar a informação que convém a você e até mesmo o seu par perfeito. É impossível visitar o site Amazon.com sem se deparar com uma lista de livros e outros produtos que o Grande Algoritmo recomenda. Suas intuições, claro, são apenas cálculos. Mas quando tantos dados são processados de maneira tão rápida parece um oráculo misterioso.


Na semana passada, quando executivos do site MySpace falaram de novos algoritmos que irão garimpar informação nas páginas pessoas dos usuários e veicular anúncios direcionados, não houve muita agitação.


O que se espalha pela internet não é exatamente inteligência artificial. Apesar de toda a pesquisa em torno da ciência cognitiva e a ciência da computação, os mais formidáveis algoritmos do cérebro – aqueles utilizados para reconhecer imagens ou sons, ou compreender a língua – se esquivaram da simulação. A alternativa foi incorporar as pessoas, com suas capacidades especiais, tornando-as componentes da rede.


Vá ao Google Image Labeler (images.google.com/imagelabeler) e você estará aleatoriamente se juntando a outro entediado internauta – em Seul ou Jerusalém? – que concordou em jogar um jogo. Google mostra a ambos uma série de imagens – o sol sobre o oceano ou um cometa riscando o espaço – e você ganha pontos digitando o máximo de palavras descritivas que puder. Os resultados são analisados e, por meio dessa simbiose entre máquina e ser humano, os algoritmos de busca de imagem do Google são refinados.


O conceito não é diferente do que acontece rotineiramente quando é feita uma busca no Google, que, ao responder às suas dúvidas, leva em consideração aqueles resultados que você escolheu para ler. Você reúne dados da rede enquanto a rede reúne dados a seu respeito, num acréscimo estatístico do que as pessoas estão buscando.


Na década de 50, o britânico William Ross Ashby, psiquiatra e especialista em cibernética, imaginou algo similar a essa fusão, ao escrever sobre amplificação da inteligência – o pensamento humano influenciado pelas máquinas. Mas são os dois tipos de inteligência, a biológica e a eletrônica, que são amplificados.


Há alguns anos, SETI@home (um experimento científico que usa PCs conectados à internet para ajudar na busca de inteligência extraterrestre) transformou-se num veículo para quem tem computador doar capacidade de processamento ociosa. Agora um website administrado pela Amazon.com. o Mechanical Turk (www.mturk.com) pede para você emprestar o seu cérebro.


Com o nome de um robô de jogo de xadrez do século 18, o Mechanical Turk possibilita a você ganhar alguns centavos desempenhando tarefas como classificar os websites (‘sexualmente explícito’, ‘artes e entretenimento’, ‘automotivo’), identificar objetos em imagens de vídeo, resumir ou parafrasear fragmentos de texto, transcrever gravações de áudio – especialidades em que os algoritmos neurais se sobressaem.


No seu estudo realizado em 1950, Computing Machinery and Intelligence, Alan Turing previu o dia em que ficaria difícil saber a diferença entre as respostas de um computador e as de um ser humano. O que ele pode não ter imaginado é como essa fronteira acabaria realmente ficando completamente indistinta.


Como classificar a Wikipédia? Submeta um artigo ou altere outro e isso resultará em correções e mais correções e mais correções, algumas questionáveis. Ou será que a enciclopédia em evolução permanente se assemelha mais a um organismo com um sistema imunológico de leucócitos humanos protegendo sua integridade? (A biologia também é algorítmica, a começar do código genético).


Quando a objetividade da Wikipedia fica ameaçada por mudanças realizadas por pessoas com algum interesse particular, surge um outro nível de proteção: um website chamado WikiScanner que denuncia o infrator. Por exemplo, alguém da PepsiCo removeu referências sobre os efeitos à saúde do seu refrigerante principal. Com um computador potente o suficiente, esse monitoramento poderia ser semi-automático, escaneando o banco de dados constantemente e alertando sobre contribuições suspeitas para humanos checarem.


Somente um visionário poderia imaginar o quão dispostas as pessoas estão a trabalhar de graça. Somos mais baratos do que o hardware!’


Rejane Lima


Pedofilia cai e aumenta número de golpes virtuais


‘Estatística da Polícia Federal (PF) revela que 99 pessoas já foram presas esse ano por praticarem crimes cibernéticos. Em 2006, foram 364. Os números, pouco expressivos em relação à quantidade de usuários de Internet no País, refletem as dificuldades no combate dos delitos praticados através da rede. Para compartilhar soluções, integrar as forças policiais nacionais e estrangeiras e incentivar a pesquisa da ciência da computação forense, o Serviço de Perícia em Informática da PF organizou a 4ª Conferência Internacional de Perícias em Crimes Cibernéticos (ICCyber). O evento reuniu mil pessoas de quarta à sexta-feira da semana passada no Guarujá, na Baixada Santista.


O coordenador geral do ICCyber, perito criminal federal Paulo Quintiliano da Silva, explica que o perfil dos crimes cibernéticos no Brasil mudou nos últimos três anos, migrando da pedofilia, que liderava esse ranking, para os crimes financeiros, atualmente os que mais movimentam a rede. ‘Eles (os criminosos) querem fazer dinheiro com golpes de spams contendo links que instalam cavalos-de-tróia. Então passam a monitoras máquinas, recebem cópias de senhas e conseguem movimentar milhões e milhões de reais’.


De acordo com Silva, a maior dificuldade em combater o crime virtual está na rapidez com que novos golpes são criados. Ele descreve como grande ameaça os ataques de redes que são baseadas em um sistema de robôs, também chamado de máquinas ‘zumbis’.


‘Os criminosos vão varrendo a rede à procura de computadores desprotegidos e a partir de uma máquina invadida, ganham uma segunda, uma terceira e montam um exército para a atividade criminosa’, explicando que para se chegar ao culpado é preciso fazer o caminho inverso, investigando centenas de computadores de usuários comuns.


O Superintendente de Projetos Especiais da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Jorge Higashino, explica que o número de fraudes ao sistema bancário é cíclico. ‘Quando você consegue deter quadrilhas, cai um pouco essa quantidade, logo eles (hackers) vêm com outras novidades e acontece á um salto. Nós rapidamente temos todo um processo de desenvolvimento de defesa que neutraliza. Eu diria que dependendo do período, temos crescimento ou decréscimo nesses crimes’.


CÍCLICO


Segundo ele, o tipo de ocorrências também é sazonal. ‘Tem uma fase que tem clonagem de cartões, em outra fase há a invasão de sites das instituições principalmente através dos acessos dos clientes, que são ludibriados, porque dentro do site do banco é difícil eles entrarem’, argumenta.’


David Carr


O controle da TV começa a passar para o mouse


‘New York Times – Os consumidores de mídia têm repetido, em alto e bom som, que querem assistir àquilo que quiserem, quando e onde quiserem. Na semana passada, a NBC resolveu conferir se isso é sério: anunciou que sua programação do horário nobre estaria disponível para download gratuito durante uma semana a partir da exibição na TV.


Com a iniciativa, a emissora deixa para trás um modelo de negócio tão antigo quanto I Love Lucy: espectadores que marcam hora com seus programas favoritos e então comparecem em massa, levando os anunciantes a abrir a carteira.


Agora, um meio historicamente passivo, que oferecia conforto e familiaridade, foi levado a um novo patamar de envolvimento por espectadores mais jovens e pela mudança tecnológica. Os consumidores são cercados por opções como downloads, streams (transmissões em tempo real) e gravações digitais – o que significa que a nova audiência de massa é na realidade uma série de nichos.


Com o início da nova temporada de TV nos EUA, será que os novos públicos vão se livrar da tirania da programação fixa e montar sua própria grade, por meio de downloads? E, se eles optarem pelo mouse, sobre qual assunto conversaremos na hora do cafezinho no dia seguinte, no trabalho? Uma conversa que historicamente tratava de quem havia matado J.R. – ou do último episódio de Friends, ou da primeira temporada de Survivor – poderá ser substituída por promessas de não contar para os amigos o que acontece naquele episódio que está gravado num disco rígido ou TiVo, mas ainda não foi assistido.


A rede de televisão era o exemplo máximo do produto levado até o consumidor, com o apoio de promoção pesada, extensas grades de programação e uma busca incessante por atrações populares para o horário nobre, como American Idol. Agora, a TV recorre cada vez mais ao modelo no qual o consumidor é quem busca o produto, reunindo exatamente o que quer – e nada mais.


A estratégia de download da NBC, chamada NBC Direct, alimenta esse desejo, mas surge logo após a decisão da rede de não fazer negócio com o iTunes, motivada em parte pela insistência do executivo-chefe da Apple, Steven Jobs, de cobrar um preço universal de US$ 1,99 por programa.


Em sua capacidade de ditar termos, Jobs lembra David Sarnoff, o pioneiro da radiodifusão que usou a influência no mercado para criar padrões na infância da indústria televisiva. Há dois anos, as redes começaram a fazer negócio com o iTunes num esforço para evitar o destino da indústria fonográfica.


Mas a NBC parece acreditar que Jobs está usando seu valioso conteúdo como uma espécie de software barato e onipresente para vender aparelhos iPod. Contudo, em sua tentativa de concorrer com o iTunes, a NBC enfrenta os mais de 100 milhões de iPods já nas mãos dos consumidores e – no que talvez seja mais importante – um modo simples e fácil de obter programas de televisão que repete, em alguns aspectos, a antiga experiência de consumo.


‘De certo modo, o iTunes é como o Google’, disse John Rash, executivo de publicidade da agência Campbell Mithun. ‘Ele quase sempre oferece o que procuramos.’ Assim, embora a NBC seja responsável, segundo algumas estimativas, por 40% das vendas da programação televisiva no iTunes, a Fox, a CBS e a ABC não só continuam a trabalhar com a companhia, mas em alguns casos usam o serviço para oferecer aos consumidores amostras gratuitas da nova temporada.


A NBC Direct pode parecer um salto ousado rumo ao futuro, mas na verdade é uma réplica do modelo de radiodifusão num âmbito digital. O serviço baseia-se numa programação agendada, gratuita e apoiada por publicidade, transmitida para um público que escolhe consumi-la – trata-se de um modelo de rede de TV, seja ele manejado por um controle remoto ou por um mouse. Em 2008, a NBC lançará conteúdo sem anúncios e pago por cartão de crédito, algo que o iTunes domina há dois anos, com 100 milhões de programas já baixados.


Em outra época, a série Heroes (foto), um dos grandes sucessos da última temporada, teria deixado muitos espectadores em potencial para trás. O mesmo vale para as longas séries 24 Horas e Lost. As tecnologias digitais podem ter causado destruição, mas ao longo do tempo permitiram que as redes agregassem grandes públicos por meio virótico, e não de radiodifusão.


E quanto a nós outros, que só queremos nos sentar no sofá, diante de qualquer coisa que estiver na tela? Queremos tanta mídia a ponto de pegar o mouse e baixar programação por meio de um software exclusivo da NBC? Tudo isso parece dar muito trabalho, o que não combina com a idéia básica de assistir televisão.


‘Há uma conseqüência negativa dessa liberdade do consumidor’, diz Barry Schwartz, autor de O Paradoxo da Escolha. ‘Ocorre uma erosão da experiência humana compartilhada. Sobre o que vamos falar na hora do cafezinho?’, pergunta.’


Pedro Doria


Construindo um País melhor


‘Ao longo do último ano, quatro países se comprometeram a comprar um milhão de computadores populares do projeto americano One Laptop Per Child. Entre eles, o Brasil, a Argentina, a Nigéria e a Tailândia. Foram compromissos de aperto de mão sem qualquer papel assinado. O nosso País acaba de adiar a assinatura do cheque por mais uns meses. Têm dúvidas.


Enquanto isso, o miúdo computadorzinho verde e branco está pronto. O XO – como se chama o laptop – ficou uma beleza. O último a testá-lo foi Steven Levy, colunista de tecnologia da Newsweek. Este é um dos mais capazes analistas da área que estão em atividade. É veterano o suficiente para ter sido um dos primeiros a testar o primeiríssimo Macintosh, quando escrevia para a revista Rolling Stone.


O veredicto de Levy é uma baita força para o computador popular. Sua discreta antena Wi-Fi capta o sinal melhor e a maior distância do que boa parte dos notebooks da praça. Sua tela permanece nítida mesmo abaixo do Sol a pino. O browser roda Flash – e, portanto, permite a execução de programas os mais diversos via web. (O iPhone, por exemplo, que custa mais que o dobro, não roda Flash.)


Esta pequena maravilha tecnológica parece um brinquedo mas é um portento de engenharia, uma obra de arte. Tão elegante, tão bem desenhado, que consome quase nada de energia. Painéis solares o recarregam, mas também pode ser eletricidade produzida com a virada de uma manivela. (Ligar na tomada também funciona.)


Além de tudo, é miúdo. Pode ser carregado com conforto. Vira um ebook, um livro eletrônico, com facilidade. A tela tem resolução o suficiente para deixar a leitura confortável então, com alguns arquivos de livros digitais lá dentro, a garotada pode fazer dele uma pequena biblioteca.


O preço do computador, nesta fase de testes, é que vem crescendo paulatinamente. O que seria o computador de US$ 100 termina com uma etiqueta de US$ 188 colada em seu elegante corpinho. Não deu para fazer por menos – embora, com a produção em massa, o preço provavelmente cairá. Mas, para que venha a produção em massa, falta que Brasil, Argentina, Tailândia e Nigéria cumpram seu acordo de comprar um milhão de unidades cada.


É que está todo mundo com medo de gastar esta dinheirama e correr o risco de o projeto dar errado. Bem, certamente que é um risco como com qualquer investimento em tecnologia. Confunde, também, o fato de que há mais projetos de computadores populares por aí. Verdade: mas comprar um milhão de XOs não impede de comprar um milhão doutra marca.


A questão é de princípio. As crianças das escolas públicas brasileiras precisam de computadores agora. Elas não os têm em casa. Se ficar para o ano que vem, serão outras crianças que ganharão estas maquininhas. Uma geração será perdida. É preciso começar imediatamente o projeto da digitalização das escolas públicas.


As experiências com estes laptops, no Brasil, mostram o que é evidente para quem já viu criança com computador na mão. Os meninos e meninas aprendem rápido a usar as máquinas e aquilo que um aprende logo, logo se dissemina pela turma toda. Os livros didáticos são de má qualidade no País. Mas a internet oferece um amplo universo de possibilidades.


Não é apenas permitir às crianças de escolas públicas acesso a tecnologia digital. É permitir, também, que elas tenham à mão informação a respeito de tudo que podem vir a estudar – e qualquer outra coisa que lhes interessa. É possibilitar, na outra ponta, quando se formarem, ou mesmo quando deixarem a escola sem se formar, uma gama mais ampla de empregos. É construir um País melhor.


Então, que tipo de risco há de fato em comprar uma máquina nova? Elas podem apresentar um defeito ou outro, claro. Computadores normais seriam muito mais caros de qualquer jeito. Esta é daquelas apostas que não deixam escolha. É fechar os olhos, olhar para a frente e dar o passo. É hora.’


Rodrigo Martins


O blogueiro que mexe com os poderosos


‘Um blog foi o suficiente para colocar a vida política da pequena cidade de Palmas em ebulição. Na capital do Tocantins, com 200 mil habitantes, o ‘ti-ti-ti’ entre vereadores, deputados, prefeito e governador nunca mais foi o mesmo depois que um forasteiro ‘lá de São Paulo’ colocou seu site no ar. Denúncias contra a administração pública e notícias sobre bastidores do poder geraram polêmicas, boicotes e até uma matéria no Jornal Nacional, da Globo.


Por trás do barulho está o jornalista Cleber Toledo, de 37 anos, morador de Palmas há quatro. Ele toca o blog www.clebertoledo.com.br há cerca de dois anos, onde publica notícias sobre política. Nesse meio tempo, instituiu o jornalismo online no Estado, coisa que não existia, comprou briga com o governo local – e sofreu represálias por isso -, além de conquistar cerca de 20 mil leitores diários.


‘Me perguntam como um cara que veio há quatro anos de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, conseguiu se estabelecer tão rápido na cidade’, contou em seu QG, que fica próximo ao palácio do governo. ‘Mas o fato é que consegui transformar a internet em uma atividade lucrativa e com audiência, coisa que muitos duvidavam.’


Na política tocantinense, o site de Cleber é um dos mais acessados. Deputados, vereadores e gente dos governos municipal e estadual batem cartão por lá. ‘Quem é político e quer se manter informado acessa’, diz o presidente da Câmara Municipal de Palmas, Carlos Braga (PMDB). ‘O conteúdo não é motivo só para conversas, mas para declarações dos parlamentares na tribuna da Câmara.’


Para o secretário de Comunicação do Estado, Sebastião Vieira de Melo, a importância do site aumenta cada vez mais. ‘Sobretudo por se tratar de um veículo que atinge milhares de leitores.’


Mas por que um blogueiro independente e desconhecido nas bandas do norte ganhou tanta popularidade? O que ele tem que os jornais locais não têm? A primeira resposta: instantaneidade. ‘No início, meu blog era sobre bastidores políticos’, diz Cleber. ‘Mas começaram a pedir notícias minuto-a-minuto. Aqui não tinha nada assim. Então, coloquei notícias.’


Foi assim que o blog deslanchou. No começo, em 2005, era só o Cleber e o seu ‘micro que travava a cada duas horas.’ Na época, ele trabalhava no maior jornal local, o Jornal do Tocantins, e dava aulas na Universidade Luterana do Brasil. Antes de se jogar de vez na web, em 2004, já havia tido uma experiência com blogs, abandonada.


‘Essa experiência me fez querer trabalhar na web’, diz. ‘Em 2005, lancei o meu site. Ele começou a ganhar audiência. Bati nas portas dos anunciantes e, quando vi, já ganhava o mesmo que recebia no jornal e na faculdade. Larguei os empregos e fui me dedicar só ao site.’


Hoje, apesar de manter o nome Cleber Toledo e ter a aparência de um blog, a página tem dez empregados, entre jornalistas e pessoal administrativo. ‘Cobrimos a assembléia, o governo, a prefeitura. E publicamos ao longo do dia. Aí está o diferencial. As pessoas não estavam acostumadas a notícias locais na web. Isso está mudando.’


A mídia tradicional já sentiu o ‘efeito Cleber Toledo’. No Jornal do Tocantins, por exemplo, as notícias exclusivas sobre política estão cada vez mais difíceis. ‘Ficamos impossibilitados de dar ‘furos’. Quando vemos, já está no site dele’, diz a editora de política do jornal, Andrea Reys. ‘Muitas vezes, ao entrevistar os políticos sobre um fato, eles nos perguntam: ‘Você já leu o Cleber Toledo? A notícia já está lá’.’


Porém, segundo Cleber, a instantaneidade não foi o único motivo do sucesso. Ele diz que o blog apareceu no momento ideal: uma convulsão política no Estado. ‘O Tocantins sempre foi governado por um mesmo grupo. Mas, em 2005, houve um rompimento, o que tornou a política mais interessante, com alternância no poder.’


O jornalista aproveitou o site para discutir o racha. ‘Entrevistava os envolvidos, perguntava sobre as perspectivas políticas.’ E, assim, o blog ganhava acessos. ‘O meio político adora bastidores, notícias captadas em conversinhas políticas.’


Mas a prova veio mesmo nas eleições a governador do ano passado. Ele viajou pelo Estado por três meses para acompanhar os candidatos. ‘Conectava o notebook pela rede celular e transmitia, em texto, os comícios de qualquer lugar.’


Como era um dos únicos veículos a publicar online a campanha, o blog virou palco de disputa entre os candidatos. ‘Eles me telefonavam e diziam ‘Estou em tal lugar e discursei isso.’ Depois, ligava outro, que tinha acessado o site, e respondia ao candidato anterior. Assim, durante a campanha, cheguei a 60 mil acessos diários.’


A popularidade, porém, não trouxe só benefícios. Também retaliação. Segundo Cleber, uma das coisas mais comuns em parte da imprensa local é a parcialidade. ‘Cada jornal defente seu grupo político.’ E, desde que estreou seu blog, Cleber é cobrado a dizer qual é a sua posição.


‘Não estou de nenhum lado, sou imparcial’, diz. ‘Quando faço um texto crítico à respeito do político A, me acusam de estar do lado do B. O contrário também ocorre. Pelo período sem alternância de poder, as pessoas não estão acostumadas com a imparcialidade. E busco isso para manter o site.’


É mais ou menos isso, afirma Adriana Omena, coordenadora de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins (UFT). ‘Quem está acostumado a analisar a mídia vê que ele não é tão imparcial’, diz. ‘E, como os veículos locais, o Cleber publica muito o que é divulgado pelo governo. Não faz muitas reportagens próprias, mostrando o que os políticos querem esconder.’


Cleber diz que não. ‘Já fiz muitas denúncias’, afirma. Uma delas foi parar nos principais portais virtuais e até no Jornal Nacional, da Globo. ‘No início do ano, denunciei que havia uma liminar proibindo a divulgação dos gastos públicos durante as eleições e que o governo estaria envolvido. Depois do Jornal Nacional, a liminar foi cassada.’


Houve ainda denúncias contra abusos nas eleições, descaso de deputados, etc. ‘Isso os jornais daqui não dão. Já teve deputado que me ligou: ‘Há coisas que é melhor não publicar. Se os outros não dizem, por que você faz?’ Publico sim, sempre com documentos e testemunhas.’


Dessas denúncias, Cleber não saiu ileso. Segundo ele, em represália, o acesso ao site foi bloqueado nas secretarias do governo estadual. Fontes ouvidas pelo Link confirmam. Procurado, o Governo do Tocantins não confirmou nem desmentiu.


‘Se o governo achava que, com isso, iria derrubar o meu acesso, não deu certo. O meu público tem PC em casa. E me mandavam e-mails: ‘Não acesso no serviço, mas vejo em casa.’ A rede é rebelde, revolucionária. Não tem como calar.’ O bloqueio, diz ele, durou de outubro de 2006 a maio deste ano.


Hoje, Cleber conta que a relação com o governo foi reestabelecida. ‘Eles estão compreendendo meu trabalho’, diz. Há até um projeto de lei na Assembléia para torná-lo cidadão tocantinense. ‘A idéia foi apresentada em conjunto com um projeto semelhante para o presidente Lula. O do Lula já passou, é pessoa grata. O meu ainda vai demorar. Ainda sou persona não-grata para alguns grupos.’’


***


Site deverá virar portal e ganhar TV pela internet


‘Depois do sucesso do blog político, o jornalista Cleber Toledo quer mais. Até o fim do mês, ele promete inaugurar um site reformulado. A cara de blog da página irá dar vez a um layout de portal. ‘Comecei com um blog, mas acabou virando um site de notícias. Com o formato atual, em que as notícias vão aparecendo uma em cima da outra, de acordo com a ordem de publicação, não dá para destacar os acontecimentos mais importantes. Na nova versão, será possível.’


Cleber também quer aumentar o leque de assuntos: se hoje a política é o foco principal, em breve, ele quer tratar de assuntos como esporte. Há ainda planos para contratar, no ano que vem, correspondentes nas cidades de Gurupi e Araguaina, que, depois da cidade de Palmas, são os dois municípios mais importantes do Tocantins.


Mas a ambição do jornalista não pára por aí. Para o ano que vem, ele já está planejando montar uma TV pela internet. Com um estúdio orçado em R$ 20 mil que pretende construir, deverá produzir programar jornalísticos, de música e de entrevistas. ‘Fizemos uma pesquisa aqui no Tocantins e descobrimos que as pessoas preferem assistir vídeos a ler. E há diversas oportunidades diferentes para se vender publicidade em vídeo.’


Com a sua TV, que terá os programas disponíveis para visualização na hora em que o usuário quiser, Cleber planeja produzir debates entre os candidatos a prefeito nas principais cidades do Estado nas eleições do ano que vem. ‘As TVs daqui não dão espaço para a cultura local. Elas são afiliadas de emissoras do Sudeste. Quero dar espaço para os músicos, artistas e políticos daqui’, diz. ‘A internet me possibilita tudo isso. Com um custo baixo, consegui muito. E quero mais.’’


MÍDIA & POLÍTICA
Claudia Costin


A imprensa, o Estado e a democracia


‘Há poucos dias, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, criticou a grande imprensa brasileira por abordar de forma crítica o que ele entende ser o interesse partilhado do Brasil e de seu país. Não acredito que o leitor tenha ficado chocado, afinal, é comum aqui também, a cada vez que ocorre a revelação de fatos ou versões indesejáveis, atribuir a campanhas da mídia o desagradável registro de coisas que se preferem ocultas.


Não que jornais ou emissoras de televisão não possam ser usados como recursos de poder, a serviço de interesses econômicos ou políticos. Muitas vezes, os mesmos parlamentares ou dirigentes públicos que se queixam da imprensa detêm retransmissoras ou estações de rádio em seus redutos eleitorais. Aí divulgam, aos moldes do Alô, Presidente, de Caracas, sua versão dos fatos e achincalhes a inimigos, que também têm dificuldades de se defender.


Tampouco se deve esquecer que, por vezes, ataques injustificados foram perpetrados por veículos sérios de informação. O caso da Escola Base acabou denegrindo a vida de uma família que, como se pôde verificar depois, não havia cometido crime algum e teve, assim mesmo, a opinião pública mobilizada contra ela.


O que ocorre, porém, numa democracia é que, a despeito do poder econômico e de eventuais erros, a imprensa possibilita o controle social. Como poderia a população que deseja participar da vida de sua sociedade controlar a ação do Estado – que a despoja de recursos para, em contrapartida, prestar-lhe serviços e garantir-lhe direitos -, se a informação que recebesse fosse restrita a versões oficiais ou a teses sancionadas por agentes da censura? Além disso, se há versões consideradas erradas, há recursos disponibilizados em países democráticos, como o de exigir reparação na Justiça, o que fez com sucesso a família proprietária da Escola Base, ou, numa versão menos forte, procurar o jornal ou revista que as publicou, ou mesmo outra agência noticiosa, para explicar por que se discorda da abordagem.


O controle social possibilitado pela imprensa livre é a melhor maneira de combater desmandos administrativos, corrupção, clientelismo e outros males que afligem o cenário político latino-americano. Mesmo que ainda tenhamos um índice elevado de analfabetismo funcional (da ordem de 74%, segundo o Instituto Paulo Montenegro), o que nos deveria levar a lutar incessantemente pela melhoria da educação pública, a parcela da população que acaba tendo acesso à imprensa pode mobilizar corações e mentes para demandar um emprego mais adequado do dinheiro de todos.


O gasto público no Brasil não cessa de crescer. Muito do que tem sido feito reflete uma preocupação forte em sanar injustiças acumuladas historicamente. Afinal, temos uma elevada concentração de renda e demoramos mais que boa parte dos países deste continente, que se quer integrado, para colocar as crianças e os jovens na escola. Temos ainda problemas de saúde e de segurança pública, que devem ser sanados. Além disso, a fiscalização precisa se profissionalizar e modernizar. Por outro lado, foram criados, recentemente, mais 22 mil cargos de livre nomeação e admitido um número grande de funcionários em cargos de apoio administrativo, sem uma estratégia clara de mudança do perfil do servidor federal. Todas estas e outras questões podem e devem ser informadas por órgãos governamentais à população, para que ela esteja ciente dos difíceis dilemas no uso de recursos escassos.


Aqui também a imprensa tem o importante papel de interpretar números, formular hipóteses e, sobretudo, ouvir especialistas de diferentes posições que possam auxiliar o cidadão consciente em suas avaliações, que resultarão em escolhas futuras, como a de quem o representará ou implementará políticas públicas em seu nome.


E é na representação que aparece outra faceta importante da democracia. Logo após o encontro com o presidente Lula, Hugo Chávez criticou amargamente o Congresso brasileiro por retardar o ingresso da Venezuela no Mercosul. Este mesmo Congresso que começou a corrigir um erro que cometemos no passado ao manter o instituto do voto secreto em algumas decisões dos parlamentares. Um representante não pode ter voto secreto. Afinal, é escolhido para representar e, ao contrário do eleitor, senhor de suas próprias escolhas eleitorais, o parlamentar deve prestar contas de cada decisão tomada àqueles que o escolheram.


A rigor, Chávez parecia estar pedindo providências a Lula. Como se o Executivo devesse censurar um Congresso independente, que tem suas próprias instâncias e procedimentos para tomar decisões. Aborrecemo-nos muito com a demora do nosso Legislativo em eliminar o clientelismo e a corrupção (e mesmo reduzir o tamanho do gasto que a ele se associa), mas ainda não criaram nada melhor que a antiga idéia de Montesquieu dos Poderes autônomos, para dar consistência à democracia e contrapesos ao exercício do poder. Em episódios recentes no cenário nacional, vimos como o Executivo, o Judiciário (por meio do Supremo Tribunal Federal) e o Legislativo tiveram posturas diferentes, algumas até inesperadas, e a imprensa pôde, também em diferentes versões, esclarecer o cidadão sobre seus conteúdos. Isto tem nome: chama-se consolidação das instituições democráticas, por mais que alguns de nós (entre os quais me incluo) se tenham aborrecido e mesmo indignado com decisões adotadas.


E esta consolidação da democracia demanda persistência estratégica, já que se trata de um caminho longo e difícil, fuga de modelos populistas, preservação da liberdade de imprensa e um investimento forte em educação de qualidade. Afinal, o Brasil merece.


Claudia Costin, professora do Ibmec-SP e da Universidade de Montreal (Canadá), foi ministra da Administração Federal e Reforma do Estado e secretária da Cultura do Estado de São Paulo’


TELEVISÃO
Patrícia Villalba


Paraíso resolve conflitos à bala: falta de confiança na Justiça?


‘Basta ver um último capítulo de novela das oito para perceber o quanto o Brasil mudou desde que Gilberto Braga finalizou sua Vale Tudo com um Reginaldo Farias dando uma banana para o Cristo Redentor, em 1989. É capaz que o telespectador de hoje não engula tanto a impunidade como antes e, daí, prefira ver uma justiça mais pesada na TV para quem é mau e corrompido.


Entram nesta lista de Paraíso Tropical, do mesmo Gilberto Braga e que terminou na sexta-feira, os personagens Taís (Alessandra Negrini), Olavo (Wagner Moura), Jáder (Chico Diaz) e Ivan (Bruno Glagliasso). A primeira já havia sido punida há meses, agora se sabe que por causa de uma ganância desmedida. Os outros foram eliminados à bala no fim da trama, rocambolesca à la Sidney Sheldon, com direito a bebês abandonados que passam de bastardos a herdeiros, no trocar de blocos. Parece que só a morte é capaz de punir um Olavo daqueles, a cadeia poderia não convencer a audiência.


Não deve ser um acaso o fato de que a simpática Bebel (Camila Pitanga) tenha sido a única vigarista de primeiro time que não recebeu um castigo mas, pelo contrário, um ‘anjo de cueca maneira’ que lhe deu ‘situação’. Há alguns dias, dizia-se que ninguém queria saber quem matou a Taís, mas como terminaria a cômica prostituta, realmente uma das personagens mais surpreendentes da TV nos últimos tempos, tanto pela atuação de Camila quanto pelo texto de Braga.


Bebel não encerrou como num conto de fadas, não terminou com seu amor, Olavo. Perdeu o bebê que esperava, gerado para servir como massa de manobra para mais um golpe, e chegou a entrar num camburão, em cena desnecessariamente dantesca. Tudo, para reaparecer depois como testemunha de uma CPI. Ao que parece, o senador que a sustenta faz isso com a ajuda de um usineiro – Bebel é bancada pela usina que, com certeza, tira alguma vantagem no Senado, vantagem paga às nossas custas. Então, em última análise, Bebel é paga por todos nós. E nós rimos dela na CPI, compramos a revista em que ela fará ‘nu artístico’ e, se bobear, vamos dar audiência para o programa que ela vai ganhar na TV. Ainda bem que é ficção, ainda bem que a Bebel tem aquele sorrisão da Camila Pitanga.


Perdoamos Bebel porque ela não é inteligente como Olavo, é apenas um pouco esperta. Um pouco, não muito, porque vive vacilando, e o suficiente para tirá-la da miséria do interior do Nordeste. Damos valor à batalha dela, à sua via-crúcis pelas calçadas brasileiras até o Congresso. Gostamos de Bebel porque ela é o escracho de um tipo atual e globalizado, que conseguiu misturar bem a tal libertação feminina com uma dose de ingenuidade que tem o único objetivo de conseguir um homem que lhe sustente.


Quem poderia pensar mal dela? Afinal de contas, parece que ela salvou a novela. Uma novela boa, de texto primoroso, com boas cenas e ótimas sacadas, mas que escorregou em algumas atuações e não teve a audiência que merecia. Mesmo assim, ao contrário de muitas novelas boas que terminam mal, Paraíso Tropical se manteve bem e terminou melhor, como novelão clássico.’


Shaonny Takaiama


Globo volta a Portugal


‘Hoje entra no ar em Portugal a TV Globo Portugal, parceria entre a Globo e a operadora TV Cabo. O canal foi concebido especialmente para o público português e é resultado de vários meses de negociações para a Globo voltar a Portugal, pois o GNT-P, antigo canal luso da Globo, havia sido substituído pela Record na TV Cabo.


A idéia da TV Globo Portugal é atender ao gosto da família toda, mas a grade exclui as novelas que estão no ar em razão de um acordo com o canal aberto SIC, que já transmite lá os folhetins da temporada.


A grade, no entanto, pode contar com novelas e minisséries de outros tempos e vai misturar programas dos canais GloboSat e TV Globo.


Estão certos na grade: Jô Soares, Serginho Groisman Toma Lá Dá Cá, Estrelas e Esporte Espetacular. Do GNT, a Globo Portugal absorve Saia Justa, Superbonita e Marília Gabriela Entrevista. O Multishow contribui com o Por Trás da Fama.


E, assim como acontece na Globo Internacional, o novo canal terá Jornal Nacional, Hoje, Bom Dia Brasil, Jornal da Globo, Fantástico e Globo Repórter, além do Em Cima da Hora e do Jornal das Dez, da Globo News.


Olha ela aí de novo


Paraíso Tropical acabou, mas Érika Mader, lá chamada como Suzaninha e sempre lembrada como a sobrinha da Malu, permanece em foco nos intervalos comerciais. Ela está no elenco que se reveza a partir de hoje nas novas campanhas das Havaianas, da AlmapBBDO.’


Cristina Padiglione


Silvio Santos joga Escravos de Jó


‘Silvio Santos até pensou em fazer mais um telejornal no SBT, mas, diante do orçamento apresentado, resolveu a questão multiplicando mais do mesmo: o SBT Manchete, que estrtéia hoje às 19 horas, é o mesmo SBT Brasil que até sexta era exibido às 21h40. Assim, Carlos Nascimento e Cynthia Benini, mais equipe de comentaristas, passam para as 7 da noite. Na faixa das 21h, Nascimento comandará o SBT Brasil sozinho, como fazia no jornal de fim de noite, que por sua vez será ancorado por Hermano Henning e Analice Nicolau.


entre-linhas


Enquanto a Net discute se vai ficar ou não com a Record News, a TVA usa o novo canal a seu favor. Anuncia que hoje entra no ar o canal Ideal, do Grupo Abril, que vem se juntar à Record News e ao FizTV, reforçando o marketing da operadora no quesito conteúdo nacional.


Daniella Albuquerque, a outra primeira-dama da RedeTV! (par de Amílcare Dallevo) ganhará em breve seu espacinho na grade da emissora, a exemplo de Luciana Gimenez.


O SBT já ensaia a volta do Fantasia, game show que dá prêmios em dinheiro.’


************
Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 1° de outubro de 2007


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Globo vs. Record


‘A estréia da Record News com Lula (e José Serra) atraiu a blogosfera pela guerra que a precedeu. Paulo Henrique Amorim, Josias de Souza e outros deram as pressões da Globo sobre Lula, argumentando que a Record não poderia ter dois sinais abertos na cidade. No argumento oposto, os casos paralelos de Band e Globo, esta no rádio. De outra parte, enquanto Globo Online destacava que a campeã de reclamações dos consumidores é a Net de Carlos Slim, que manteve no cabo a Record News, a revista global ‘Época’ trazia acusações de ‘fraude’ contra ‘amigo de Ciro Gomes’, o presidenciável, entre outros, do PRB da Universal.


GIL LÁ


Em turnê como ministro pelos EUA, Gilberto Gil defendeu ‘afrouxar as regras de propriedade intelectual’ no MIT, segundo o CNET News.com, e no final da semana se encontrou no Vale do Silício com os criadores do Yahoo, do Second Life etc.


O DÓLAR FURADO


O ‘Financial Times’ diz que o dólar tem o menor valor frente ao ouro ‘em 27 anos’. E o ‘Wall Street Journal’ deu que os europeus ‘debatem’ se vão questionar os EUA no G7 pelo ‘dólar fraco’ -ou limitar as críticas à moeda chinesa. Os dois movimentos estão afetando suas exportações.


NOVO VELHO FMI


‘FT’, ‘WSJ’ etc. noticiam que o indicado europeu foi eleito no FMI ‘prometendo mais representação aos países em desenvolvimento’. Citam China e Brasil. Mas a pressão que ele já recebe, nas mesmas reportagens, são antes para ‘jogar pesado’ com a China para desvalorizar sua moeda.


BRICS E ALÉM


O ‘WSJ’ fechou a semana dizendo que até moedas dos emergentes ganham espaço no comércio global -além de suas bolsas. Entrou o fim de semana e o ‘Telegraph’ de Londres soou os sinais de ‘atenção’ à eventual bolha.


Já o ‘Washington Post’ e o ‘FT’, em longas reportagens também, saíram atrás da ‘próxima grande coisa’, além dos Brics. Dizem que ‘a África está entrando rapidamente na moda’ entre investidores.


MULTIBRICS


Nas edições de Europa, Ásia e América Latina, mas não nos EUA, a ‘Newsweek’ deu na capa os ‘Novos gigantes’, ‘empresas quentes que estão surgindo dos países pobres’, os Brics, mais México etc.


Entre as daqui, Embraer, Aracruz, Vale. Em entrevista on-line, o presidente desta última argumentou que tudo aconteceu depois que, num mercado de commodities de baixos preços, ‘along came China’, apareceu a China.


ÁLCOOL DEMAIS


No posto americano, cai o preço do etanol


Na manchete de ontem do ‘New York Times’ desde Iowa, ‘Boom do etanol está parando pelo excesso de oferta que derrubou preços’. Era sobre o álcool de milho dos EUA, mas vale para cá, como alertam os produtores. O assunto entrou no extenso debate sobre etanol na blogosfera americana, antes e depois de Lula. A entrevista para a PBS saiu na íntegra do ‘International Herald Tribune’ -e motivou posts na Salon, dizendo que é só a China importar etanol que o Brasil está Wheels do NYT.com, afirmando que o etanol de cana é melhor em todos os sentidos e deve ser importado; no Comment is Free do ‘Guardian’ e até no conservador ‘National Review’, com várias e sempre longas análises.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Para executivos, baixaria na TV vai piorar


‘Pesquisa feita pelo Ibope revela que a elite empresarial brasileira perdeu confiança na televisão e não acredita numa melhora dos níveis de violência e sexo na programação.


A pesquisa foi feita em julho com 537 executivos de 381 grandes empresas nacionais. Representa dois terços do ‘top management’ do país. Seu principal objetivo era saber o que eles pensam sobre sustentabilidade e responsabilidade social. A margem de erro é de cinco pontos percentuais.


Sexo e violência na TV foram incluídos em lista dos ‘problemas crônicos do país’, ao lado de moradia, pobreza e drogas.


Para 48% dos entrevistados, a violência e o sexo na televisão vão piorar -em 2005, esses percentuais eram, respectivamente, de 51% e 52%. Os que acreditam que os níveis vão se manter iguais, que eram de 35%, passaram a 45%. Em contrapartida, os que acham que a violência (14%) e o sexo (13%) vão melhorar agora são só 7%.


A confiabilidade plena na TV aberta, que era de 61% em 2005, foi reduzida para 52%. A TV também perdeu ‘eficiência’. Com ela, há dois anos alcançava-se o que se buscava para 65% dos executivos. Hoje, só para 49%. Já a internet, que era vista como eficiente por apenas 29%, hoje satisfaz 75%. ‘As mídias modernas subiram em eficiência e as tradicionais perderam’, conclui Paula Soria, diretora de atendimento e planejamento do Ibope Inteligência.


SEGREDO 1


Terceiro homem mais rico do México, Ricardo Salinas Pliego assistiu à inauguração da Record News na primeira fila do teatro Record. Depois, teve um encontro com o presidente Lula, em um camarim.


SEGREDO 2


Executivos da Record dizem desconhecer o assunto da reunião, mas arriscam: Salinas está abrindo um banco no Brasil, o Azteca, e tem planos de investir em uma rede de lojas de varejo. Ele é dono da TV Azteca, segunda rede de TV do México.


SERÁ?


Ainda no lançamento da Record News, o governador do Paraná, Roberto Requião, dizia que está comprando todas as afiliadas do SBT no Estado em sociedade com o apresentador Carlos Massa, o Ratinho.


AMARELO


Luciano Huck grava nesta semana em Nova York a primeira edição fora do Brasil do quadro ‘Vou de Táxi’. Ele obteve uma autorização especial para pilotar um ‘yellow cab’ na cidade.


FATURA


A Band vendeu quatro das cinco cotas de patrocínio de ‘Dance Dance Dance’, que estréia hoje, às 20h15. A novela será patrocinada por Unilever, Casas Bahia, Perdigão e Coca-Cola. Na tabela, cada cota custa R$ 14 milhões -mas o desconto costuma ser grande.


EXCLUÍDO


O PT não faz parte do grupo de entidades (como CUT e MST) que lança sexta-feira a Campanha por Democracia e Transparência nas Concessões de Rádio e TV, com manifestações. Mas apóia o movimento.’


HQ
Pedro Cirne


Turma da Mônica relança seu passado


‘São 71 anos de vida (em outubro, 72) e 48 anos desde a publicação de suas primeiras histórias. Três lançamentos aproximam Mauricio de Sousa dos fãs e mostram o início de sua vida e de sua longa ligação com o universo das histórias em quadrinhos, que resultou na criação de dezenas de personagens.


Das três novidades, a única composta apenas por material inédito é ‘Mauricio de Sousa -°Biografia em Quadrinhos’, uma HQ em 98 páginas que mostra o quadrinista do nascimento aos dias de hoje.


Também estão ali a criação de seus personagens principais e os encontros com artistas que Mauricio de Sousa conheceu e que influenciaram a carreira do quadrinista, como Will Eisner, Jayme Cortez e Osamu Tezuka.


Os outros lançamentos trazem republicações. O primeiro volume da caixa ‘Turma da Mônica – Coleção Histórica’ reúne cinco histórias em quadrinhos: as edições de lançamento da revista da Mônica (publicada originalmente em 1970), do Cebolinha (lançada em 1973), do Cascão (de 1982), do Chico Bento (também de 1982) e da Magali (1989).


O terceiro lançamento é o que traz material mais raro e cheio de curiosidades: ‘As Tiras Clássicas da Turma da Mônica’. Estão reunidas nesta edição as primeiras aparições de Cebolinha, Cascão, Magali e Mônica, entre outros. A ‘baixinha e dentuça’, aliás, surgiu como irmã de outro personagem do Mauricio, o Zé Luís -parentesco que foi desconsiderado: a Mônica, hoje, é filha única.


Para os fãs da turma, é uma edição repleta de detalhes: o Cascão, hoje corintiano, era santista; o nome do Xaveco era Chaveco; o Penadinho era conhecido como Fantasminha; e há personagens como o misterioso Garotão, uma amigo do Cebolinha que era gigantesco -ele jamais apareceu desenhado na HQ, mas era sugerido que o personagem tinha proporções sobre-humanas. Somados, os três lançamentos trazem um belo panorama da carreira do Mauricio de Sousa e dos personagens dos núcleos principais, que estão na lista de nomes inevitáveis para quem gosta de histórias em quadrinhos feitas no Brasil.


AS TIRAS CLÁSSICAS DA TURMA DA MÔNICA (VOL. 1)


Quanto: R$ 19,80 (130 páginas)


MAURICIO DE SOUSA – BIOGRAFIA EM QUADRINHOS


Quanto: R$ 29,90 (98 páginas; a edição com capa dura custa R$ 47,90)


CAIXA TURMA DA MÔNICA – COLEÇÃO HISTÓRICA (VOL. 1)


Autor: Mauricio de Sousa


Editora: Panini


Quanto: R$ 19,90 (a caixa com cinco revistas)’


************

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem