Terça-feira, 24 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº963

JORNAL DE DEBATES > VENEZUELA

Jornais se repetem na cobertura
da posse do presidente Chávez

Por Alberto Dines em 11/01/2007 na edição 415

As declarações de Hugo Chávez ao iniciar o seu terceiro mandato como presidente não deixam dúvidas de que o homem está mesmo disposto a acelerar o processo autoritário na vizinha Venezuela. Mas ontem nossos três jornalões nacionais não mandaram ninguém a Caracas para conferir. Fiaram-se apenas no noticiário das agências telegráficas internacionais e na retórica inequívoca do líder venezuelano. Abriram mão do dever de acompanhar os acontecimentos in loco.


A desculpa de que foram pegos de surpresa não cola: já na semana passada o delirante Chávez deixara claro que a terceira posse não passaria em brancas nuvens.


Então, o que aconteceu? Economia. Este é o nome do jogo. Como nesta época do ano caem drasticamente as vendas em banca, os classificados e também os grandes anúncios, os jornais fizeram as contas e concluíram que não compensaria despachar para Caracas um enviado especial. Poderiam ter as notícias e até destacá-las (como efetivamente aconteceu) sem qualquer gasto extra.


O curioso é que chegaram à mesma conclusão conjuntamente. Fica a impressão de um acerto prévio e isto enfraquece a imagem de uma imprensa competitiva e plural.


Hugo Chávez detesta a imprensa livre e este tipo de sovinice coletiva só reforça o seu arsenal retórico contra o que ele chama de complô da mídia.


PS em 12/01: O jornal O Estado de S. Paulo parece ter compreendido a importância dos acontecimentos venezuelanos e despachou para Caracas o jornalista Paulo Moreira Leite, que já assina reportagens publicadas nesta sexta no jornal. Uma decisão correta, mas tardia: só depois da repercussão, no próprio jornal e nos concorrentes, dos atos de Chávez o Estadão decidiu enviar o repórter a Venezuela. Mal comparando, algo como mandar cobrir só o segundo tempo de uma final de campeonato…

Todos os comentários

  1. Comentou em 15/01/2007 Marco Costa Costa

    Senhor Ivan, tosco é a doença crônica que domina a sua mente, ou seja, desvio burguês. O Brasil, proporcionalmente tem muito mais miseráveis do que a Venezuela e Cuba juntas. Pela sua postura verbal, trata-se de um homem com muito dinheiro em algum paraíso fiscal, deste que muitos políticos e malandros lavam o dinheiro sujo.

  2. Comentou em 15/01/2007 Marco Costa Costa

    Senhor Ivan, tosco é a doença crônica que domina a sua mente, ou seja, desvio burguês. O Brasil, proporcionalmente tem muito mais miseráveis do que a Venezuela e Cuba juntas. Pela sua postura verbal, trata-se de um homem com muito dinheiro em algum paraíso fiscal, deste que muitos políticos e malandros lavam o dinheiro sujo.

  3. Comentou em 15/01/2007 Onésimo Azeredo

    Sr. Dines, seu comentário é nocivo. O sr. tenta enquadrar o leitor com adjetivos pejorativos e de direita sobre Chaves, Correa, Ortega e qualquer outro dirijente de nação que venha no momento enfrentar o poder dos países centrais. Quando ao Chaves, não basta duas eleições diretas, a constituinte e o novo mandato com mais de 60% dos votos.
    Quanto a reeleição indeterminada, o mesmo ocorre na França e Inglaterra com seu 1° ministro, destes o sr. nada diz. Pobre de nós com âncoras da imprensa como este senhor. A sorte que o grosso de nosso povo não o lê. ABAIXO A IMPRENSA AMESTRADA!

  4. Comentou em 14/01/2007 Maria do Carmo

    Jornais fazem economia com o desmoronamento do Metrô. Se a administração fosse outra, já tava batizado: “Buraco do PT”, “Cratera da Marta”, “Precipício do Mercadante”… Serra sai ileso pois o que o candidato à presidente 2010 tem a ver com o que acontece em São Paulo?

  5. Comentou em 13/01/2007 Francisco Antero Mendes Andrade

    Sr. FERRAZ, é o seguinte, no meio apropriado já foi divulgado. Quem primeiro divulgou tais valores do lider latino americano em paraísos fiscais não foi nossa imprensa não, era preciso um argumento de autoridade de âmbito mundial, pense nos grandes jornalões americanos, ingleses e etc, ali foi colhido esta revelação bombástica, sabe aqueles jornais que apoiaram a última invasão no Iraque e que hoje fazem mea-culpa. Pois é, é chic ter dado no ‘Niuiorkitaimi’. Acho que até hoje tem gente aqui que ainda acredita no PLANO COHEN.

  6. Comentou em 13/01/2007 william guimaraes souza

    Hugo Chávez é o homem mais corajoso que se conhece na atualidade. Ele desafia a cada dia a arrogância made in USA. O poder econômico odeia Chávez, com suas ‘razões’, obviamente. Um dia, esse poder econômico se utilizou da religião e do poder militar; hoje, se utiliza da mídia para se impor sobre as massas. Quando aparecem ‘ameaças’ (Chávez é uma delas), os fiéis escudeiros jornalistas tratam de rechaçá-la. ‘Chávez é um louco varrido’, dizem os jornalistas de plantão. Por que é que o povo venezuelano votou em Chávez? Por que os bolivianos votaram em Moralez? Justamente para que eles defendam as idéias que hoje defendem. Para a grande mídia, o povo deve votar antes para ser mandado depois. O povo só deve escolher seus líderes e nada de defender suas idéias. ‘Ou melhor’, o povo só deve escolher seus líderes e nada mais. O que é democracia, pluralismo e liberdade, afinal? Só deve existir liberdade para quem é dono do poder econômico? Bush tem o direito de matar quantos iraquianos quiser. Chávez não pode nacionalizar nada, atendendo aos anseios de seu povo, por que assim estaria cometendo um crime. Assim como Cristo, Gandhi, Sócrates, incomodaram muitos poderosos, Chávez hoje também é um furacão contra os novos ‘fariseus’. Os donos do poder econômico-midiático não se conformam com a revolução política da América Latina. Problema deles.

  7. Comentou em 13/01/2007 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Bem vindos ao admirável mundo novo. Muitos blogueiros que não são jornalistas se empenham em trocar informações com seus colegas de outros paises para fazer um jornalismo de qualidade. Enquanto isto, os jornalões reclamam a queda de faturamente e influência. Não tem mais dinheiro para custear jornalistas porque viraram catálogos de produtos e logo nem isto mais serão. Serão extintos.

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