Jornalismo e atualidade | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
Menu

JORNAL DE DEBATES > ELEIÇÕES 2010

Jornalismo e atualidade

Por Gabriel Marquim em 24/08/2010 na edição 604

Eleições rimam com atualidade e atual rima com jornalismo. Para além de uma questão poética genérica, a verdade é que, sim, o jornalismo nutre-se do atual, do aqui e agora e por isso as eleições estão na ordem do dia. Porém, será mesmo que o único objetivo dessa atividade é dar conta do que acontece neste exato segundo, esquecendo-se do passado e sem levantar hipóteses sobre o futuro?

Luiz Beltrão, em seu Iniciação à filosofia do jornalismo, afirmava: ‘O jornalismo vive do cotidiano, do presente, do efêmero, procurando nele penetrar e dele extrair o que há de básico, fundamental e perene, mesmo que essa perenidade valha, apenas, por alguns dias ou por algumas horas.’

Dentro dessa perspectiva, é importante entender um pouco mais o conceito de ‘atual’. Tristão de Ataíde defendia que existe uma certa confusão filosófica acerca do tema, já que, para ele, ‘o atual é o eterno, e não o temporal’ a que se está habituado no jornalismo. Assim, não basta contar o que acontece para servir à atualidade, já que, citando Beltrão, ‘atual é rigorosamente o que `atua´ em nós, o que de potência se converte em `ato´’.

Contribuição à democracia

Nessa direção, entende-se que as raízes do hoje (o mais importante no jornalismo) estão no ontem e são o estopim do amanhã. Assim, não só o que acontece é fundamental para o jornalismo, mas também o que não acontece, o que poderia acontecer, o que pode vir a acontecer. Em outras palavras, ‘o vazio da atualidade também é atualidade, também é notícia’, segundo Horacio Hernandez.

Seguindo esse percurso, podemos analisar se as eleições que se aproximam, o tema atual, está sendo tratado como algo que atua em nós, ou como se fosse uma questão meramente subjetiva. Se é algo que realmente nos toca, é preciso dar uma cobertura mais aprofundada, revelando o passado e seus meandros, além de debater o futuro. Porque uma coisa é verdade: os candidatos eleitos, nós sabemos, terão poder suficiente para atuar em nós.

Se os veículos de comunicação entenderem o que significa atualidade darão uma verdadeira contribuição à democracia. Caso contrário, todas aquelas palavras de efeito sobre a tal contribuição terão o peso das promessas de Odorico Paraguaçu.

******

Jornalista, Recife, PE

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem