Domingo, 27 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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JORNAL DE DEBATES > JOSÉ APARECIDO DE OLIVEIRA (1929-2007)

Jornalista que fazia política; político que fazia jornalismo

Por Alberto Dines em 23/10/2007 na edição 456

Nem ‘Zé dos Amigos’, nem ‘eminência parda’: José Aparecido de Oliveira foi um jornalista puro-sangue que enveredou pela política, onde protagonizou episódios marcantes. Foi um político que sabia rodear-se de inteligência.

Sua trajetória está indelevelmente associada a aproximações e convergências, harmonizador nato. Sua humanidade, bonomia, sua mineirice efetiva, vital e, sobretudo, o cenário carioca onde atuou por tanto tempo, reuniram-se para fazer dele um catalisador – agregador em tempo integral.

Era da UDN, mas a primeira capa da revista Manchete com o presidente Juscelino foi conseguida por ele – a entourage pessedista (PSD) em torno de JK não deixou que o chefe de reportagem, Darwin Brandão, se aproximasse do presidente. Um telefonema do oposicionista Aparecido resolveu a questão.

Os jornais de sábado e domingo (20 e 21/10) conseguiram reunir informações breves e esparsas a respeito de sua atuação como primeiro-ministro da Cultura e como o mais dinâmico embaixador brasileiro em Portugal.

Mas a biografia de José Aparecido de Oliveira passa, necessariamente, por sua íntima ligação com Magalhães Pinto, o último cacique da UDN mineira e o empresário que criou o inovador Banco Nacional de Minas Gerais, ‘o banco que está ao seu lado’.

Amigos fraternos

Apesar da vocação conciliadora, o episódio mais importante da atuação política de Aparecido está ligado a uma ruptura – a renúncia do presidente Jânio Quadros (1961), de quem foi secretário particular. A história foi registrada por Carlos Castello Branco, o celebrado Castelinho, amigo inseparável de Aparecido e que o levou para a Secretaria de Imprensa da presidência (A renúncia de Jânio, um depoimento, editora Revan, 1996).

O impasse que produziu a surpreendente renúncia resultou de um confronto palaciano entre duas figuras-chave da equipe janista: o mineiro Aparecido e o paulista Oscar Pedroso Horta, ministro da Justiça. Estranha polarização: Aparecido, oriundo da ‘bossa-nova’ da UDN, estimulava Jânio a optar pela linha nacionalista, terceiro-mundista, enquanto Horta queria manter o presidente recém-empossado fiel ao eleitorado udenista, anti-JK, que o elegera.

Jânio não agüentou a refrega, capitulou. Por ironia, graças ao golpe de 1964, os dois adversários tornaram-se amigos fraternos reunidos sob o mesmo teto – o MDB.

Não existem biografias singulares: a de Aparecido soma-se às de seus grandes amigos Otto Lara Resende, Carlos Castello Branco e Evandro Carlos de Andrade. Está na hora de escrevê-la.

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