Julgamento sob influência da mídia | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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JORNAL DE DEBATES > CASO ISABELLA

Julgamento sob influência da mídia

Por Alberto Dines em 02/05/2008 na edição 483



Existirá alguém no Brasil que não tenha sido induzido pela mídia a condenar liminarmente o pai e a madrasta da menina Isabella Nardoni? Quando se discute a influência da imprensa, aparecem poucas oportunidades como esta para se entender como ela funciona.


O destino do casal será decidido em júri popular. Onde encontrar jurados que ainda não tenham opinião formada pelo modo espetaculoso com que a tragédia foi tratada, principalmente pela televisão?


Quase 99% dos entrevistados pela sondagem CNT/Sensus afirmaram que acompanham o caso Isabella Nardoni pela mídia.


Esta preocupante adesão sugere algumas questões muito graves no tocante ao julgamento dos acusados. A primeira delas: o júri popular ao qual será entregue o caso terá condições de julgar os réus com a necessária isenção e imparcialidade?


Será possível encontrar um jurado que ainda não tenha opinião formada sobre um caso virado e revirado com tamanha intensidade pelas autoridades policiais e pela mídia?


Para que servirão os autos, os laudos periciais, as testemunhas, os argumentos do promotor e dos advogados de defesa se o julgamento já está em curso há algumas semanas?


Mais importante ainda: o juiz togado que presidirá o júri terá condições de resistir às pressões produzidas por esta exposição tão intensa?


Está evidente agora que este Observatório da Imprensa tinha razão quando reclamou logo na primeira semana contra a quebra do segredo de justiça por todas as partes, a começar pelo representante do Ministério Público. Para que se faça justiça é indispensável o respeito a certos ritos e entre estes ritos talvez o mais importante seja o sigilo. A confusão, o barulho e o circo só favorecem aqueles que não desejam um julgamento correto e justo. Justo e definitivo.

Todos os comentários

  1. Comentou em 05/05/2008 Marco Antônio Leite

    Tanto a polícia, como a promotoria já provaram através de um bem elaborado conjunto de atos e diligência que visou apurar quem foram os culpados pelo evento tenebroso chamado crime arremessa criança de cima para baixo. Os culpados não estão na cadeia porque a principio mentiram ter uma terceira pessoa nessa escabrosa história, dessa maneira alcançaram êxito em fugir do flagrante que os poriam atrás das grades. Deixa sua fixação de lado, pela sua colocação os culpados pela morte da garota foram à polícia e o promotor. Ou não?

  2. Comentou em 03/05/2008 Paulo Bandarra

    Eu diria, caro jornalista, que o amigo coloca um paradoxo! A informação, para a opinião do amigo, faz mal a saúde. Portanto, para fazer bem, as pessoas devem ser mantidas na ignorância, pois devem estar preparadas para o dia que deverão julgar, e, apenas neste dia, tomar conhecimento das coisas! Parece-me que seja a defesa da antítese do jornalismo! A ignorância salutar! Parece-me que a ignorância, qualquer ignorância, não faz sentido nunca. Nem para a polícia, nem para o MP, nem para a sociedade! Casos individuais não fazem a regra! Afinal, o julgamento será uma repassagem de pente fino nas provas, nas evidências, no contraditório, que tanto podem confirmar a tese, como levar a desmoralização da polícia e do MP! Mas isto só será atingido pelo resultado de que todos são partícipes! Jamais seria na ignorância. Por sinal, no campo amplo da corrupção de que o povo ignora tudo, e quadrilheiros, chamados de partidos políticos, se locupletam dos cofres públicos e dos negócios da nação aproveitando o desconhecimento do eleitor. O sigilo é um passo da trambicagem e da picaretagem. É a maneira do toma-lá dá-cá para fazer justiça! Depois, a mídia vem culpar o eleitor pelos corruptos que se elegem, e não os partidos que se combinam na ladroagem conjunta! O que se viu até agora foi a incompetência da defesa de chegar a um resultado diverso por falta de evidências e de lógica!

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