Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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ENTRE ASPAS >

Laura Mattos

06/04/2004 na edição 271

‘O ano eleitoral mal começou e já está no ar uma batalha judicial entre a Jovem Pan e o PT.

A rádio entrou com um recurso, anteontem, para tentar derrubar uma liminar obtida na Justiça pelo Partido dos Trabalhadores.

Na semana passada, o diretório paulistano do PT conseguiu proibir a estação de veicular uma enquete que perguntava aos ouvintes: ‘Em quem você não votaria para a Prefeitura de São Paulo?’.

A questão foi respondida no ar por 21 paulistanos, no programa ‘Ligação Jovem Pan’, em 23 e 24 de março. Marta Suplicy, candidata à reeleição pelo PT, foi a resposta de 17 (80%).

Em documento enviado à 1ª Zona Eleitoral do Estado de SP, o PT acusa a enquete da rádio de pesquisa irregular, com ‘claros contornos de ato de propaganda eleitoral negativa’. Reproduz frases de ouvintes que chamaram a prefeita de ‘péssimo exemplo à família brasileira’, ‘Martaxa’ e ‘Marta ‘Buraco na Cidade’ Suplicy’.

O juiz eleitoral José Joaquim dos Santos acatou a solicitação do partido, suspendendo a enquete e estipulando multa diária de 50 mil Ufirs (R$ 74,62 mil) em caso de descumprimento. Em seu despacho, afirma que a rádio deveria, por lei eleitoral, deixar claro que a sondagem não tem caráter de pesquisa e concorda que a enquete funciona como propaganda negativa contra Marta Suplicy.

No contra-ataque, a Pan investe na tese de censura. Diz que fez levantamento de opinião dos ouvintes, uma prática jornalística. ‘É a voz do povo que se pretende calar?’, questiona o advogado e comentarista da Pan Joseval Peixoto, no recurso à Justiça.

A estação, que no ano passado levou ao ar a campanha ‘Pesquisa Não Existe’, insiste nisso no apelo ao juiz. Ironiza o fato de a lei eleitoral exigir que se divulgue apenas levantamento com ‘critérios científicos’. Diz que as pesquisas ‘têm causado sérios transtornos às eleições brasileiras’. Como exemplo, cita a eleição municipal de 1985, à qual se refere como ‘fato recente, que a população ainda não esqueceu’. ‘Todos os institutos de pesquisa erraram. Deram vitória para Fernando Henrique Cardoso.’ E afirma que só a Pan, com o ‘trabalho jornalístico’ que a lei ‘despreza tanto’, adiantou o triunfo de Jânio Quadros.

Joseval Peixoto afirmou à Folha que fazer a ressalva exigida pela lei -de que o levantamento não segue critérios científicos- tiraria a credibilidade da enquete.

A assessoria do deputado Ítalo Cardoso, presidente do diretório municipal do PT, diz que a intenção do partido foi o cumprimento da lei eleitoral, não a censura.

A briga está só começando. E a campanha no rádio, já fervendo.’



Daniel Castro

‘Globo vai fazer o 1º debate ao meio-dia’, copyright Folha de S. Paulo, 3/04/04

‘O primeiro dos três debates entre prefeituráveis que a Globo planeja realizar neste ano será exibido por volta do meio-dia, uma novidade _até hoje, os encontros entre candidatos sempre foram à noite. Terá entre uma hora meia e duas de duração.

Esse primeiro debate, marcado para julho, será ‘inovador’, mas a emissora ainda guarda sigilo sobre o formato. A nova fórmula será testada apenas em São Paulo e no Rio. As demais afiliadas da Globo (são 117 emissoras no total) seguirão o padrão tradicional.

O segundo debate está previsto para 30 de setembro. Será o último antes do primeiro turno. Onde houver segundo turno, o terceiro e último debate será em 29 de outubro. Nesse encontro, será repetida a fórmula de arena, testada no segundo turno das eleições presidenciais de 2002.

A Band, que trava com a Globo batalha de bastidores para exibir o primeiro debate da campanha de 2004, tem reunião amanhã com os partidos que estão na disputa em São Paulo.

Segundo Fernando Mitre, diretor de jornalismo, a Band fará três debates no primeiro turno e um no segundo. O primeiro debate está previsto para o início de maio _mas pode esbarrar na Globo, que vem negociando com os partidos preferência para que o primeiro debate seja o dela.

As duas emissoras também terão programas especiais e séries de reportagens sobre as eleições.

OUTRO CANAL

Pizza

Fausto Silva grava hoje em São Paulo o ‘Domingão do Faustão’ do dia 11. Amanhã, o programa será ao vivo, também de SP. Depois, volta para o Rio. O plano da Globo de transferir definitivamente o ‘Domingão’ para SP foi adiado para 2005.

Nudez castigada 1

Demitida da Câmara dos Deputados em 1988, por ter posado nua para a ‘Playboy’, a ex-secretária Mylene Macedo, 36, foi afastada do programa jurídico ‘Código de Honra’, produzido pela UniFiamFaam (universidade de SP) e exibido pela TV Justiça, canal do Poder Judiciário.

Nudez castigada 2

Mylene, que cursa o terceiro ano de jornalismo na UniFiamFaam, relaciona seu afastamento a uma nota falando de sua atuação no programa, na ‘Playboy’ de fevereiro. ‘Bastou sair essa notinha e tudo mudou’, lamenta.

Outro lado

A UniFiamFaam, por meio de sua assessoria de imprensa, contesta a versão de Mylene. Diz que ela deixou o ‘Código de Honra’ para a faculdade dar oportunidade a outros alunos.

Vale tudo

A Rede TV! redescobriu a fórmula da audiência: apelar e, se houver desculpa, até mentir. Anteontem, o ‘Superpop’ deu picos de 14 pontos com um travesti que dizia morar com um cantor e um barraco entre pagodeiros. No final, a revelação: era 1º de abril.’



Consultor Jurídico

‘Jovem Pan é proibida de ter cabine de transmissão na CET’, copyright Revista Consultor Jurídico, 30/3/04

‘A Rádio Jovem Pan AM não pode mais ter uma cabine na CET de São Paulo (Central de Engenharia de Tráfego). Nesta terça-feira (30/3), a cabine de transmissão da rádio foi desmontada pela Prefeitura de São Paulo. Trata-se de um segundo round de uma guerra iniciada contra a rádio pela prefeita Marta Suplicy, que na semana passada obteve na Justiça a suspensão de uma enquete promovida pela Jovem Pan.

A enquete tinha a seguinte pergunta: ‘Em quem você não votaria para prefeito de São Paulo’?. As sucessivas respostas de ouvintes, de que não votariam em Marta, não a agradou. Obedecendo à decisão judicial, a enquete foi retirada do ar.

Nesta terça-feira pela manhã, o secretário dos Transportes de São Paulo, Gilma Tatto, declarou que a rádio ‘perderia o privilégio’ de ter a cabine há 23 anos na CET, sugerindo que a rádio, pelo fato de ler no ar números de trânsito, sem interpretá-los e prestando serviços, estaria usando politicamente o caótico trânsito da cidade.

Há 23 anos, a rádio mantém uma cabine nas dependências do órgão. A intenção é prestar serviços à população, mostrando as variações e soluções cotidianas do trânsito da cidade.

Tatto sugeriu que a rádio acompanhe o trânsito pelos boletins transmitidos na página da CET na Internet -– estes sim processados com a intervenção de engenheiros da CET.’



TODA MÍDIA
Nelson de Sá

‘Sem espetáculo’, copyright Folha de S. Paulo, 4/04/04

‘De Míriam Leitão, sexta na CBN, falando da balança comercial ao estilo de Lula:

– Espetacular.

Pode ser, mas para a balança, não para o resto da economia.

Horas depois a agência Bloomberg dizia que os papéis dos países emergentes haviam tido ‘a maior queda em meses’, com os números do emprego nos EUA -e as especulações de um aumento nos juros do banco central americano.

De um analista ouvido pela agência, ainda animado:

– Não é bom para os países emergentes, mas também não é um prego no caixão.

Do site Primeira Leitura, sem ânimo nenhum:

– A vulnerabilidade voltou a bater à porta. Bastou um dia e o otimismo sofreu um revés.

Já antes das especulações, na edição que circulou na quinta, a ‘Economist’ avisava:

– Os analistas esperam uma elevação nos juros americanos no ano. Um salto pode dar dor de cabeça ao Brasil, a menos que a recuperação ganhe ritmo e a tensão política diminua.

De um analista, na revista:

– Aumento de quatro pontos já seria o bastante para tornar a dívida brasileira insustentável.

Voltando à balança comercial espetacular, a ‘Economist’ trouxe mais má notícia:

– Alguns analistas estão preocupados que uma redução no crescimento da China possa levar à queda nos preços da soja.

E tome má notícia. O ‘Wall Street Journal’ registrou que a maior atividade nas bolsas do mundo ‘ainda está nos países em desenvolvimento’:

– Mas o índice Bovespa -que subiu 141% depois que Lula se provou mais amigo dos negócios do que projetavam- caiu 0,4% no primeiro trimestre. As ações foram afetadas por um escândalo político.

LULA x FHC

Nem Lula nem FHC. A capa de ‘Veja’ foi mesmo para o fenômeno da ginástica brasileira, Daiane.

Mas a revista traz uma curta entrevista com o presidente da República, que volta a reclamar do antecessor:

– A conta (a pagar) passa dos R$ 40 bilhões. Ninguém fala sobre isso com a ênfase necessária.

Lula também garantiu que nada muda na condução da economia, por maiores que sejam as pressões. Lançou até uma nova metáfora:

– A semeadura foi feita, e a colheita virá. Jogar mais água que o necessário pode matar a planta.

Também em ‘Veja’, que reproduz o prefácio de suas memórias, FHC igualmente reclama da ‘quase-ruína’ que herdou de Itamar Franco, mas sobretudo ironiza o sucessor, Lula:

– O cantochão contra mim quase sempre foi o de que éramos ‘neoliberais’. O tempora! O mores!

FHC diz que, mais do que a estabilidade da economia, ‘a construção da democracia é a verdadeira marca’ que ele e seu governo deixaram no país.

Hollywood vota 1

A reação liberal prossegue. O ‘New York Times’ noticiou que programas de TV feitos em Hollywood vêm atacando mais George W. Bush. Por exemplo, ouvido em ‘Law & Order’:

– Esse cara mente para nós.

Hollywood vota 2

O ‘Guardian’ trouxe a lista dos participantes de um evento do democrata John Kerry para levantar fundos em Hollywood: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Dustin Hoffman, Sharon Stone, Jenifer Aniston etc.

Obras, obras

A campanha eleitoral por aqui, em meio à ‘guerra das fitas’, acabou exilada nas rádios.

Dia após dia, em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin e a prefeita Marta Suplicy falam de obras (metrô) e mais obras (túneis, CEUs) na Jovem Pan.

Sem candidato

Mas Alckmin não sabe mais quem defender. No ‘Valor’, propôs e elogiou José Serra, só que este reafirmou ontem que não é, em ‘O Estado de S.Paulo’.

Tasso na mira

A semana serviu para o tucano Tasso Jereissati ‘descobrir uma novidade’, segundo ‘Veja’.

Também ele foi investigado quando presidenciável. Foram atrás de suposto ‘envolvimento com lavagem de dinheiro’.

Ciro na mira

E ‘não parou por aí’, afirmou a revista. Em 2002:

– (O procurador) Santoro fez visita a Fortaleza para saber se a investigação sobre Tasso havia encontrado algo contra Ciro.

Suspeitas

Reação de Tasso:

– Eu espero que as minhas suspeitas sobre a origem disso não estejam corretas.

Na quinta, Serra ligou e disse desconhecer ‘essa história’.

Desmentido

O tucano passou a semana ao telefone. Merval Pereira, em ‘O Globo’, escreve que Serra ligou para desmentir que o jornalista Mino Pedrosa tenha trabalhado em sua campanha. E Pereira:

– Não tenho por que duvidar do desmentido de Serra.

UMA NOVA CHINA Do ‘New York Times’ ao ‘Guardian’ de Londres, ontem, jornais pelo mundo destacavam os documentos liberados pelo governo americano (disponíveis no site www.gdw.edu), detalhando o esforço do presidente Lyndon Johnson para apoiar os golpistas de 64 e evitar que o Brasil virasse, no dizer do embaixador americano, ‘a China dos anos 60’’

***

‘Sejam bem-vindos’, copyright Folha de S. Paulo, 2/04/04

‘De um lado, a agência Bloomberg lançava ontem despachos como:

– As exportações brasileiras batem recorde… O real sobe pelo quinto dia seguido.

De outro, o site da ‘Forbes’, continuamente:

– Os mercados do Brasil em alta… As empresas já levantam recursos novamente.

E o âncora econômico Carlos Sardenberg, na CBN:

– O inferno astral passou.

Também ontem, do ‘Wall Street Journal’:

– China faz lobby para entrar no BID e cimentar sua crescente influência comercial na América Latina… Lula está cortejando as inversões chinesas em estradas, portos e outros projetos.

E o ‘Valor Econômico’:

– Banco Popular da China demonstra interesse em aplicar no Brasil… Os chineses querem investir em infra-estrutura.

E o colunista Márcio Moreira Alves, de ‘O Globo’:

– Celso Amorim voltou tão entusiasmado da China que está de olhinhos apertados.

E Míriam Leitão, saudando a visita de uma delegação da agência de turismo da China:

– Sejam bem-vindos.

Teve Rússia também, ontem. Da agência Tass, aquela mesma:

– O Brasil é um componente chave da política externa da Rússia… É o parceiro comercial e econômico chave na AL.

O motivo era a visita de uma delegação russa a Brasília, com cobertura também do site RBC, ‘o líder russo da internet’.

Os EUA também querem. Da ‘Forbes’, sempre ontem:

– Boeing de olho no Brasil.

Segundo um vice-presidente, a avaliação é que o aumento do tráfego aéreo na região só será menor que na China.

BIG BROTHER BRASÍLIA

Impressionado com a imagem dos congressistas sentados no chão, assistindo ao JN, o blog de Marcelo Tas lançou campanha ou algo assim em favor de um novo programa na TV Senado ou qualquer outra:

– Big Brother Brasília… Não seria maravilhoso? Milhares de câmeras, uma para cada sala, na capital espacial do cerrado, 24 horas por dia.

Não é bem a mesma coisa, mas o canal americano Showtime já está selecionando via internet (abaixo) candidatos para o ‘reality show’ que vai reproduzir a campanha presidencial. Busca ‘verdadeiros líderes’.

Briga 1

Em meio às várias boas novas comerciais, Brasil e seus aliados entraram em ‘conflito aberto’, ou ainda, em ‘briga’ com os países desenvolvidos, na escolha do novo chefe do FMI.

Segundo o ‘Valor’, em reação ao apoio dos latino-americanos a um espanhol, Alemanha e França articularam um francês -e a tréplica foram outros três nomes, todos de algum modo simpatizantes dos endividados países em desenvolvimento.

Briga 2

No ‘Le Monde’, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento deu apoio à Carta de Lima ‘impulsionada’ pelo Brasil -com a proposta de que o FMI não considere mais investimentos públicos como despesas correntes.

Mas Sergio Leo, em coluna no ‘Valor’, avisa que ‘os técnicos do Fundo estão resistindo às mudanças’ e o jogo é ‘duro’.

Rombo

Com velhas entrevistas de Lula e novas de Luciana Genro e João Fontes, a Record prosseguiu sua campanha para o BNDES não cobrir o ‘rombo’ da Globo:

– É uma história revoltante.

Ela até aceita o dinheiro, mas só para novos projetos.

O jornalista

Para quem estranhou a foto de um jornalista exposta no JN por dois dias, uma explicação de Merval Pereira, em ‘O Globo’:

– O jornalista Mino Pedrosa, assim como trabalha hoje para Carlinhos Cachoeira, trabalhou na campanha de José Serra.

Assumir a fita

No JN, o subprocurador José Santoro falou do jornalista sem parar. Até descreveu o que disse ao próprio, em conversa:

– Eu vou pegar essa fita e, se um dia ela sair publicada, pelo menos a culpa cai em cima de mim. Eu sou procurador, estou te protegendo, eu assumiria.

O senador

O ‘Valor’ destacou que outro personagem, o tucano Antero Paes de Barros, ‘pode perder o mandato’ no conselho de ética.

Segundo o jornal, ‘quando tornou-se pública a (primeira) fita, ele foi à tribuna e disse ter recebido de forma anônima’.

Sem aprovação

O site E-Agora, que é próximo do tucanato moderado, atacou o governo por ver ‘conspiração’ em tudo, mas também…

– Não pode ser aprovada a conduta dos procuradores.

LIBERDADE

Terça foi a ‘New Scientist’, com pesquisa afirmando que ‘a pirataria musical na internet não é responsável pela queda nas vendas de CDs’. Ontem foi o canadense ‘The Globe and Mail’, dizendo que ‘a luta da indústria fonográfica contra a troca de arquivos sofreu um forte revés, com a decisão de um juiz de que isso não quebra a lei’. De Lúcio Ribeiro, na Folha On Line: – Nunca o Soulseek ou o Kazaa foram tão queridos.’

***

’31 de março’, copyright Folha de S. Paulo, 1/04/04

‘A primeira manchete do Jornal Nacional:

– 31 de março. Reações fortes em Brasília. O ministro da Justiça fala em conspiração.

A última manchete do JN:

– 31 de março. O golpe militar de 64 completa 40 anos.

Desta vez não foi Paulo Henrique Amorim, no UOL, nem Ricardo Noblat, em seu blog, nem qualquer outro observador da cena política.

Foi o ministro da Justiça, mais importante, foi Márcio Thomaz Bastos. Sobre a fita que flagrou José Roberto Santoro em ação, disse que ela:

– Detona uma espécie de conspiração.

O impacto da expressão, reproduzida primeiro em sites como Folha On Line e Globo On Line e depois nos telejornais, é institucional.

Ele qualificou a expressão, afirmou ser ‘uma espécie de’, mas ela estava lá: conspiração. E na tarde do dia 31 de março, aniversário do golpe.

Com o que a fita revela, não se trata mais de jogo político, nas palavras do ministro da Justiça, mas de evidência ‘expressa’ do objetivo de:

– Destruir José Dirceu e derrubar o governo Lula.

Do site Primeira Leitura, próximo do tucanato:

– Com a colaboração de setores da imprensa, governo usa fita para acusar uma inexistente conspiração. Uma farsa ridícula. Talvez seu paralelo histórico, no quesito ‘mentira’, seja só mesmo o Plano Cohen.

De José Simão, em transmissão do UOL:

– O Santoro é o derrubador da República… O caso está indo Cachoeira abaixo… Toda vez que aparece o nome do Serra é coincidência.

SEXO, NÃO

Elogiado até no ‘Roda Viva’ pelo diretor Zé Celso, por sua ação pelo mundo, o chanceler Celso Amorim voltou atrás em uma área na qual o Brasil já era chamado de ‘líder’, pela Comissão Internacional pelos Direitos Humanos de Gays e Lésbicas.

O site da revista ‘The Advocate’ (acima) destacou o recuo do país na decisão de apresentar uma resolução, para aprovação na ONU, incluindo ‘orientação sexual’ entre os diretos humanos a serem protegidos.

O site CNSNews.com afirmou que o recuo foi resultado de ‘forte lobby do Vaticano, especialmente na América Latina’. O site Gay.com entrevistou o diretor da associação britânica de gays e lésbicas, que soltou o verbo:

– Seu desprezo contínuo pelos homossexuais mostra que o Vaticano é capaz de qualquer coisa para promover seus dogmas asquerosos.

Ilegal

‘O Globo’ foi além da Globo na manchete de ontem:

– Procurador diz que agia para ‘derrubar o governo do PT’.

Logo abaixo, em destaque:

– Diálogos com bicheiro revelam atuação ilegal de Santoro.

Na berlinda

Para Franklin Martins, na CBN, o desdobramento é menor no Congresso, onde falam da fita só para ‘reafirmar posições’, do que na instituição:

– O Ministério Público vai passar por período em que vai refletir, ver o que fez. Está na berlinda e vai ter que investigar. E tomar providências.

Já Alexandre Garcia, na Globo, achou ‘muito esquisita’ a atitude do subprocurador.

Feliz da vida

De Merval Pereira, que entrevistou José Dirceu há uma semana para ‘O Globo’:

– Ele deve estar feliz da vida.

Número 1

Paulo Markun surpreendeu, ontem no site Terra:

– As afirmações de Santoro desmoralizam o poder que deveria ser o fiscal do Estado, o Ministério Público. A fita recoloca Serra no papel de suspeito número 1 de toda essa manobra escusa que ocorre no país.

Em pauta

O ‘Valor’ destacou ontem que uma reunião do PSDB vetou a proposta de parlamentarismo apoiada por José Serra.

Alfândega

Que fita, que nada. No exterior, o que chamou mesmo a atenção foi a política industrial. Do ‘Financial Times’:

– O ambicioso plano de R$ 15 bilhões inclui incentivos fiscais para maquinário, leis e investimentos em pesquisa e desenvolvimento, campanhas internacionais de marketing e corte de burocracia para os negócios, sobretudo na alfândega.

Mais China 1

A Reuters distribuiu e vários jornais deram a notícia de que a China liberou a soja brasileira para importação, que já começou via Paranaguá.

Apesar de Roberto Requião -descrito assim num texto do ‘Miami Herald’ sobre a greve no porto paranaense:

– Deixar isso ocorrer às vésperas de demanda maciça de exportação é bem estúpido.

Mais China 2

Em longa reportagem, o ‘Wall Street Journal’ dizia ontem que ‘a China se aventura no exterior para garantir produção de aço’. Em especial, uma empresa chinesa está erguendo:

– Uma fábrica no Brasil.

Seria em São Luís, no Maranhão de Sarney, com um investimento de US$ 1,5 bilhão.

Reação cômica

O avanço neoconservador nos EUA teria começado no rádio, há dez anos. Agora os liberais reagem. O ‘New York Times’ deu que entrou no ar uma cadeia de radialistas como Al Franken, ex-’Saturday Night Live’.’

***

‘O subprocurador’, copyright Folha de S. Paulo, 31/03/04

‘O escândalo já vinha mal das pernas, sem novidades, e a primeira (e longa) manchete do Jornal Nacional tirou ainda mais sua força:

– Exclusivo. Uma nova fita no caso Waldomiro Diniz. Ela revela detalhes de um encontro no meio da madrugada -de Carlinhos Cachoeira com um subprocurador da República. O subprocurador tenta obter uma fita e revela por que ele está preocupado com o chefe:

Entra o trecho da fita, com a voz do subprocurador:

– Ele vai vir aqui e ele vai ver, tomando um depoimento para, me desculpe a expressão, para ferrar o chefe da Casa Civil da Presidência da República.

Mais à frente, ao introduzir a reportagem, o âncora William Bonner afirmou:

– Na fita, o subprocurador se mostra preocupado com o adiantado da hora. Eram três da manhã. Diz a Cachoeira que seu superior, o procurador Cláudio Fontelles, costuma chegar cedo. Que se o encontrasse ali poderia estranhar a reunião e veria um subprocurador empenhado em derrubar o governo do PT.

O subprocurador é o mesmo que atuou no caso Lunus, que levou à retirada da candidatura por Roseana Sarney em 2002: José Roberto Santoro.

O procurador-geral, Cláudio Fontelles, não falou ao JN, mas surgiu no Jornal da Record para descrever como ‘gravíssimo’ o episódio -e avisar que estuda a abertura de um inquérito contra José Roberto Santoro.

As primeiras reações surgiram logo depois do JN, na internet. Na Globo On Line, do vice-líder do governo na Câmara:

– Ele se utilizou o cargo para desestabilizar o Executivo… Até que enfim o país tem uma luz.

Na versão on line de ‘O Estado de S.Paulo’, o líder do PFL (de Roseana) agora pedia ‘palmas para o Ministério Público’. Para José Roberto Santoro.

SÓ COMERCIAL

Uma semana de más notícias para Bush deram em nada. No enunciado de Aaron Brown, âncora da CNN, ‘pesquisa mostra que a controvérsia não afeta a corrida presidencial’. O ‘Washington Post’ perguntou ‘quem precisa de imprensa a favor’. Político nenhum, indicou a pesquisa Gallup encomendada por CNN e ‘USA Today’. Os comerciais republicanos atingiram o democrata John Kerry muito mais do que as manchetes dos jornais atingiram Bush, avaliou o ‘USA Today’. O presidente voltou a liderar. Ato contínuo: entrou no ar um comercial contra Bush para ecoar as denúncias (acima, cena com a frase ‘um fracasso como líder’), mas em linguagem publicitária.

Demonstração

Em momento de exposição do governo, é falar grosso que leva. Foi o que fizeram as indústrias de base, segundo o ‘Valor’. Manchete do jornal:

– Governo tenta desatar nó ambiental que atrasa obras.

Lula, após levar as ministras da Energia e do Meio Ambiente a acordo, afirmou que era, como citou o ‘Valor’ on line à tarde, ‘a mais viva demonstração’ de que fará o que for preciso.

Auxílio

Manchete da home do jornal argentino ‘Clarín’, ontem:

– Depois do auxílio do Brasil, normaliza-se a tensão elétrica.

A ministra Dilma Roussef, que esteve em Buenos Aires, saiu em socorro ao presidente Kirchner.

Ameaça legítima

De novo, é só falar grosso que leva. Lula se encontrou com o núcleo duro para responder com ações às ameaças do MST. Do porta-voz André Singer:

– O governo considera que as manifestações pela reforma agrária são legítimas, desde que fiquem no marco da legalidade.

Firme

O ministro Antônio Palocci fez um depoimento à Fidel Castro, ontem. Da Globo News:

– Ele falou quase sete horas.

Foi castrista na forma, não no conteúdo. Descrição do ‘Valor’:

– Respostas firmes, embora sem muitas novidades.

Sem inflação

As horas de Palocci, somadas aos minutos de Lula anteontem, ambos na linha de ‘não tolerar inflação’, animaram o mercado.

Foi assim, segundo a agência Bloomberg, que o real teve o maior ganho diante do dólar em três semanas. Isso, mais:

– A especulação sobre José Dirceu parece desaparecer sem novas revelações nas revistas.

Unicamp

O PPS entrou em São Paulo. ‘O Globo’ disse ontem que o economista Luiz Beluzzo, uma reserva técnica do PMDB, está agora no partido de Ciro Gomes.

Projeto

– Onde está o projeto capaz de se contrapor (ao PT)?

A pergunta é do site E-Agora, que é próximo do tucanato, numa discussão franca.

Questiona-se a ‘falta de um debate programático’, antes do governo FHC e sobretudo hoje.

O projeto FHC teria sido uma mistura de BNDES, Itamaraty, Banco Central, PUC-RJ e das ‘lideranças empresariais mais ilustradas’, não do partido.

Escreve Eduardo Graeff, o ex-secretário de FHC presidente:

– Não será diferente quando e se botarmos para andar um novo projeto que junte os cacos do sonho que o PT deixou cair.

GUERRAS CULTURAIS

Junto com a eleição, os EUA vivem ‘guerras culturais’. O fogo começou com o filme ‘A Paixão de Cristo’, de Mel Gibson, criticado meses atrás como anti-semita por Frank Rich, do ‘New York Times’. Reação de Gibson, ao londrino ‘Daily Telegraph’:

– Eu quero matá-lo, quero seus intestinos no espeto.

Rich disse que o diretor ampliou a polêmica de olho na bilheteria e preferiu abrir o foco do conflito. Entrou o debate das uniões homossexuais e, depois, da censura com apoio republicano. Janet Jackson e a CBS foram alvo, mas também Howard Stern, tirado da maior rede de rádio do país. Stern, que se diz um Cristo crucificado em seu site (acima), abriu guerra pessoal contra Bush.’

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